Forbidden Love
6 You make a lovely couple
Notas iniciais
Acordei sentido uma dor imensa no corpo. O lugar estava bem claro. Me mexi um pouco e senti meu corpo chocar-se com o chão. Abri meus olhos assustada, tendo visão do meu piano branco em cima de mim. Levantei rapidamente batendo a cabeça com força no mesmo.
– Droga! – murmurei pondo a mão onde havia batido.
Finalmente consegui me levantar do chão e observei o lugar ao meu redor. Eu ainda estou na minha sala de musica. Que merda! Ontem passe a tarde aqui, e devo ter me esquecido de subir. Como se esquece de algo assim? Caminhei lentamente para fora da sala e segui pelo imenso corredor até sair da sala, onde minha irmã e Leon se agarravam. Eles se separaram, mas não perceberam minha presença. Segui, silenciosamente, até a cozinha, encontrando Olga preparando algo, acho que ovos mexidos.
– Bom dia Olga. – beijei sua bochecha.
– Bom dia minha menina. – falou.
– Que cheiro bom. – me sentei no mármore da pia.
– Ovos mexidos para o Senhor Leon. – ao ouvir o nome dele meu corpo se arrepiou.
– Hum... – murmurei.
Peguei uma maça e subi para meu quarto. Segui direto para o banheiro. Liguei o registro e despi-me, entrando debaixo da água gelada. Meu corpo se arrepiou, mas logo se acostumou com a baixa temperatura. Em minha mente a única coisa que vinha era nosso quase beijo. Seu toque, seu hálito quente chicoteando meu rosto, nossos lábios roçando um ao outro, o choque percorrendo meu corpo. Tudo aquilo foi tão intenso. Enfiei minha cabeça debaixo d’ água, na tentativa de esquecer aquilo.
Desliguei o chuveiro e sai enrolada em uma toalha. Entrei no closet e peguei um short jeans, e uma blusa de manga comprida cinza, caída nos ombros, de pano bem fininho. Pus uma lingerie cinza, da mesma cor e me vesti. Soltei meu cabelo, que caiu sobre meus ombros. To pensando em mudar a cor... Umas luzes, quem sabe? Ainda estou processando a ideia. Passei um lápis e um gloss, e desci. Sentei na sala e liguei a TV zapeei os canais e deixei em um desenho qualquer, fiquei assistindo. Meu corpo ainda doía um pouco. Escutei bem fundo meu celular tocar. Onde ele está? Acho que tá lá em cima. Subi as escadas correndo e quando finalmente cheguei ao meu quarto a merda para de tocar. Peguei-o em cima da poltrona e verifiquei o numero... Desconhecido. Dei de ombros e desci para a minha sala de musica, e me tranquei lá. Faz tempo que não passo o dia tocando e compondo. Ando tão sem inspiração ultimamente. Sentei de frente ao meu piano e deixei meu celular em cima dele. O abri e comecei tocar algumas coisas. Era tudo sem nexo. Peguei algumas partituras, que estavam em uma pasta branca e escolhi uma musica que escrevi há três anos.
(...)
– Toma retardada! – gargalhei.
Estava vendo um programa que mostra vídeos engraçados da internet. Acabou de passar o da menina que ia fazer uma pegadinha com a amiga, ai tipo ela se escondeu dentro do lixo, e quando a amiga fosse jogar o lixo ela atacaria a menina com uma mascara de monstro, só que na verdade quem estava sendo trolada era a menina que estava dentro do lixo, que acabou levando um banho. Confuso né? Tinha uns vídeos tão bestas, que me fazia gargalhar.
– O que é tão engraçado? – a voz rouca e sexy, dos meus pesadelos, perguntou.
Olhei pra trás e ali estava ele, com uma bermuda e camiseta branca. Mega sexy.
– Nada demais. – dei de ombros evitando olha-lo.
– Violetta, eu queria dizer que... – sentou ao meu lado. – Olha, eu sei que o aconteceu ontem foi... – pareceu procurar a palavra. – Intenso. Mas esse clima não pode ficar.
– Que clima Vargas? – perguntei olhando para a TV.
– Essa coisa tensa. O que aconteceu ontem não teve nada a ver, foi um deslize que acontece com qualquer um. – falou.
– Não tem nada tenso aqui. – o olhei por um segundo, mas logo voltei meu olhar para a TV.
– Você nem me olhando está. – falou irritado.
– Claro que estou. – me virei para ele. – Viu, te olhei, agora posso ver meu programa em paz? – tentei despacha-lo
– Tá. – bufou e saiu da sala.
(...)
– Menina Vilu. – Olga apareceu na sala.
– A minha filha mais velha está tendo bebê. – falou afobada.
– Ai meu Deus. – levantei.
– Ela já está no hospital, será que eu poderia ir até lá?
– Claro. Vá.
– Mas a janta ainda não esta pronta.
– Eu dou um jeito. Pode ir ver seu netinho, ou netinha. – sorri e ela me abraçou.
– Obrigada Vilu.
– Magina Olga.
Ela saiu correndo e logo sumiu do meu campo de visão. Já eram 19h30min e minha barriga estava roncando. Eu sou uma negação na cozinha, a única coisa que ser fazer é uma macarronada básica, e um arrozinho... Acho que vou pedir uma pizza. Melhor ver do que Leon vai quer. Subi as escadas, até o bendito terceiro andar, bati na porta do quarto e ele murmurou um “entre”.
– Leon eu vou pedir uma pizza por que Olga precisou sair, vai querer do que? – perguntei.
– Não to a fim de comer pizza hoje. – deu de ombros.
– Vai comer o que então bonitão? – perguntei sarcástica.
– Vamos a um restaurante. – levantou sorrindo. – Se vista.
– Jura?
– Vai logo Violetta. – Mandou e eu concordei.
Desci até meu quarto e peguei um vestido qualquer, pus meu salto preto, fiz uma maquiagem básica e deixei meu cabelo solto mesmo.
Peguei meu celular e desci, encontrando Leon na sala pronto. Que lindo. Ele usava uma camisa azul quadriculada. Deve dizer que ele estava... Gostoso?
– Você está linda. – sorri. – Vamos?
– Claro, estou morrendo de fome. – falei.
Tranquei a porta e ele abriu a porta do carro para eu entrar.
– Que cavalheiro. – falei rindo.
Ele deu a volta e entrou ao lado do motorista.
– Sempre. – sorriu galanteador dando partida,
– Aonde vamos? – perguntei após alguns minutos de silencio.
– Surpresa. – falou.
– Odeio surpresas. – resmunguei.
Liguei o radio e comecei cantarolar. Leon ficava me olhando de um jeito diferente, esquisito no mínimo. Encostei minha cabeça na janela e fiquei observando a paisagem.
Buenos Aires é uma cidade incrível, perde apenas para Madrid, que ainda é minha cidade favorita. Minha mãe mora lá... Sinto saudades dela.
– Chegamos. – Leon avisou.
Olhei para o lado de fora observando o belo restaurante.
– Por que não disse que viríamos a um lugar chique? Eu me vestiria melhor. – fiz careta e ele riu.
– Não sabia que se importava com isso.
– Me importo. Sem falar que sou filha de Maria Saramego, uma das melhores estilistas do mundo, não posso ser vista mal vestida. – falei.
Ele saiu do carro e deu a volta abrindo a porta para que eu saísse.
– Obrigada. – sorri.
Ele deu a chave ao manobrista e entramos no restaurante. Logo veio um métri, bem vestido ao nosso encontro.
– Senhor Vargas. – o homem sorriu. Bem vindo novamente.
– Olá Ramalho. – Luca sorriu. Mesa para dois.
– Claro. Acompanhe-me. – o homem nos guiou até uma mesa perto da janela. – O cardápio – nos estendeu o mesmo.
– Obrigada Luca. – Leon agradeceu e o homem saiu. – Gostou do lugar?
– Sim. – falei.
Olhei para a janela tendo a visão de Buenos Aires e me perdi na bela vista.
– Já escolheu Vilu? – Leon perguntou.
– Ah, não. O que sugere? – ri fraco.
– O camarão daqui é ótimo. – disse.
– Vamos ver. – desafiei.
Ele fez os pedidos, e ficamos em silencio até a comida chegar. Era esquisito estar aqui, sozinha com ele.
– Isso daqui é realmente bom. – disse após provar o camarão.
– Eu disse. – deu de ombros.
– Leon... – chamei.
– Oi.
– Desde quando conhece os meninos? – fiz a pergunta que estava há dias na minha mente.
– O Marco desde criança, crescemos juntos. – sorriu. – Nós viemos para cá fazer faculdade.
– Legal. Da onde vocês são?
– México. – falou sorrindo.
– Já fui pra lá, é legal. – falei.
– É... – deu de ombros.
– Onde você morava?
– Guadalajara. – ele disse sorrindo.
– Quero conhecer um dia. – falei.
– Claro, te levo. Conte-me mais sobre você. – pediu.
– O que quer saber?
– Tudo,
– Moro em Buenos Aires desde que nasci, me formo daqui três semanas, musica é a minha vida. Só. – resumi tudo.
– Toca?
– Piano e violão. E você?
– Toco teclado, violão, bateria e acho que só. – disse.
– Ual! – fiquei boquiaberta. – Você faz mais alguma coisa ou parou por ai.
– Acho que é só isso. – riu.
– Você faz o que da vida? – perguntei.
– Engenharia. Tenho uma empresa.
– Hum... Então você é rico?
– Acho que sim... – riu. A menos que aquele carro e o meu apartamento sejam roubados.
– Então Vargas, sabe... Meu aniversario já passou, mas ainda aceito presentes... Tipo um iphone novo, ou um videogame. – falei esperançosa.
– Claro... – sorri. – Quem sabe quando eu enlouquecer.
– Ótimo não vai demorar muito. – sorri falsa. – Vargas, se você tem 22, ainda não era para você estar na faculdade?
– Sou um gênio gata. Pulei alguns anos na escola. – gabou-se.
– Nerd. – falei. – Podia me ajudar a estudar né? Ou me passar cola de algum jeito. – falei.
– Claro, o que você está estudando?
– Acho que... Não sei. – ele riu.
– Como você não sabe? Sua irmã disse que você tem notas ótimas.
– E tenho... Graças aos nerds da minha classe. – sorri.
– E você pretende fazer o que da vida?
– Vou seguir os passos da minha mãe. – dei de ombros. Mas pretendo fazer faculdade.
– De?
– Moda, ou arquitetura. – falei. – Lar não deixará eu fazer arquitetura, certeza.
– Legal – murmurou.
Aos poucos nosso papo foi ficando descontraído, e começamos a falar sobre assuntos diversos, desde o meu mico bêbada, ate as travessuras de crianças dele. Riamos feito idiotas, e tudo virava piada. Meu celular começou vibrar em cima da mesa, me assustando. Peguei novamente era o numero desconhecido. Atendi.
– Alo.
– Violetta? – homem.
– Sim. Quem é?
– Diego.
– Quem?
– Diego, da balada. – balada?
– Desculpa, que balada?
– Que você ficou bêbada. – riu. – fraco.
– A claro, o carinha que eu fiquei. – falei me lembrando. – Nossa foi mal. E ai, tudo bem?
– Claro. E você?
– To bem. Como conseguiu meu numero?
– Aquele dia, dei um toque no meu celular e salvei.
– Ah.
– Liguei para saber se você que sair comigo. Topa?
– Então... – como vou dizer que estou de castigo. – Sabe... Eu...
– Você não quer né? – parecia triste.
– Quero. Mas é que... Ai droga! Eu tô de castigo. – falei rápido e Leon riu.
– Só isso? – riu. – Tudo bem, me liga quando estiver livre ok?
– Tudo bem.
– Tchau.
– Tchau, beijos e ate mais. – desliguei sem deixa-lo dizer algo.
– Namorado? – Leon perguntou, ele estava esquisito.
– Ficante. – falei.
– Hum.
Terminamos de comer em silencio, o clima ficou esquisito depois da ligação. Leon pagou e fomos embora. Sem sobremesa. Esse idiota não me deixou pedir a sobremesa. Filho da mãe! O manobrista trouxe o carro e não deixei que Leon abrisse a porta, entrei.
– Passa no mercado. – mandei.
Em casa não tem doce, e se eu ficar sem doce eu fico mais mal humorada do que o normal.
Para que – ele perguntou com o cenho franzido.
– Passa. – mandei irritada.
Pareço uma criança, mas eu sou assim, preciso de doce após o jantar. Leon entrou no estacionamento vazio do mercado, e logo estacionou em uma vaga.
– Preciso de dinheiro. – falei olhando pra ele.
– E...?
– Me dá.
– Vou com você. – falou.
Dei de ombros e desci do carro. Parei na escada rolante, e Leon estava logo atrás. Assim que cheguei ao andar de cima corri até a seção de doces. Peguei algumas barras de chocolate e um pote de sorvete, e fui para o caixa.
– U$ 30,87. – A caixa informou.
Olhei para Leon.
– Por favor. – ele revirou os olhos e pegou a carteira.
– Não acredito que me fez gastar 30 peso em chocolate. – falou emburrado enquanto dava o dinheiro para a moça.
– Fica assim não fofinho. – apertei suas bochechas.
– Tá chata. – mostrou a língua.
– Vocês formam um casal lindo. – a caixa disse sorrindo e entregando a notinha a Leon.
– Ah... Nós dois? – Leon perguntou e a moça assentiu. – Não... Nós não somos namorados.
– Oh, desculpe. – ela ficou vermelha. – Mas ficariam lindos juntos.
– Obrigada... Eu acho. – falei sorrindo e saindo na frente.
Agora isso vai ficar em minha mente. Eu e Leon como um casal? Imagina isso. Seria no mínimo esquisito. Tipo, nos não passamos 10 minutos sem brigar, imagina juntos. Brigando por qual filme assistir, ou em que restaurante ir. Seria um desastre total.
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