Forbidden Love
4 Suspended.
Notas iniciais
– Violetta. – escutava alguém me chamar ao fundo. – Violetta acorda!
– Sai do meu quarto. – mandei sem me mexer.
Meu corpo pesava e minha cabeça doía, nem conseguia me mexer direito.
– Sua irmã me mandou te acordar. – insistiu.
– Quem é? – Perguntei tentando abrir os olhos, mas a coisa estava complicada pro meu lado.
– Leon. – riu fraco.
– Me deixa. Sai logo daqui. – mandei.
Aos poucos fui abrindo meus olhos, se acostumando com a claridade. Minha cabeça estava rodando, e doía pra porra!
– Droga. – murmurei ao tentar me levantar.
– Toma, eu trouxe para a sua dor de cabeça. – me estendeu um comprimido e um copo d’ água.
Peguei-os da sua mão e tomei.
– Como sabia que eu precisava? – perguntei.
– Ontem você não se aguentava em pé. – riu.
– Como?
–Ontem estava tão bêbada, que eu tive que te trazer no colo até aqui em cima, e te dar um banho gelado. – falou e eu arregalei os olhos. – Não aconteceu nada. Se bem que você tem um corpo, que senhor! – sorriu malicioso.
– Sai daqui! – gritei, e me arrependi na mesma hora, minha cabeça só faltou cair de tanto que ela vibrou. – Sai Vargas! Que inferno!
– Vai logo que você já está atrasada.
– Sai daqui porra! – falei e taquei uma almofada, que se encontrava na poltrona ao lado da minha cama, na cabeça dele, que saiu correndo.
Levantei, e quase tombei pro lado, meu corpo estava meio mole ainda. Droga! Porque eu fui beber? Sou fraca para isso. E Francesca e Ludmila, onde estão? Arrastei-me até o banheiro e despi-me, abri o registro e entrei embaixo da agua gelada, bem gelada. Lavei meus cabelos e sai rapidamente. Enrolei-me na toalha e segui para o meu closet. Pus uma calça jeans, uma blusinha qualquer e um simples salto preto. Soltei meus cabelos e os joguei pra frente e para trás, os deixando cair úmidos em meus ombros. Vou deixar secar naturalmente. Peguei minha mochila e meu celular e antes olhei no relógio.
– Puta que pariu! – gritei. – 09h15min!
Eu entro às 09h30min, e não posso entrar na segunda aula, por que a diretora proibiu isso durante essa semana de revisão, quem tentasse levaria vermelho na matéria. Desci correndo encontrando Leon esparramado no sofá, essa praga não tem casa não?
– Tá atrasada – Leon gritou em quanto eu ia ate a minha sala de musica.
– Porra cadê a chave? – gritei procurando a mesma. – Parece que quando esta atrasada tudo nessa merda da errado. Chave, cadê a chave!
Olhei para a estante de livros e lá estava ela. O que ela veio fazer aqui?
– Que sala incrível! – Vargas exclamou boquiaberto e com os olhos brilhando.
– Nunca entre aqui! – falei o empurrando para fora. – Tranquei a porta atrás de mim, e sai correndo, sem comer nada, ou dizer nada.
Meu celular começou a tocar freneticamente, e eu peguei-o enquanto entrava no meu carro.
– Alo. – atendi mal-humorada.
– Vilu, pelo amor de Deus eu to atrasada e meu carro não pega! – Francesca gritou fazendo minha cabeça latejar.
– Já já passo ai. – desliguei.
Dei partida no carro e segui para casa de Fran. Nós estávamos atrasadas pra porra, e com certeza não chegaríamos a tempo.
Eu dirigia em uma velocidade pouco acima da permitida, e em minutos estava em frente à casa de Francesca. Buzinei e ela saiu correndo. Entrou no carro e murmurou um “Oi”.
À Chegamos a escola 09h50min, agora era torcer par que o demônio que estivesse lá nos deixasse assistir sua aula. Seguimos até nossos armários, que são um ao lado do outro, guardados nossas mochilas e pegamos nossos livros e corremos para o segundo andar, tudo só para ajudar né? Paramos em frente à sala ofegantes, e minha cabeça parecia que ia desgrudar do pescoço. Francesca bateu a porta meio receosa e Gregório, professor de Biologia, abriu a porta e sorriu sarcástico ao nos ver, ele nos odeia.
– Fudeu. – murmuramos juntas.
– Atrasadas. – falou sorrindo e aquilo me irritou profundamente.
– O senhor poderia nos deixar entrar? – Francesca perguntou;
– Bom, já é a terceira vez nesse mês. – começou falar, e só sua voz já deixava meu sangue fervendo. – Mas a senhorita Reys é filha da diretora. – Ah é... Se ainda não contei, conto agora, Francesca é filha de Sol, a diretora. – Eu deveria deixar ou não? – perguntou sarcástico. – Que pena que eu não ligo pra isso.
– Dá pra responde logo? – perguntei estupida.
– Por causa da sua insolência, não permitirei a entrada das mocinhas. – sorriu vitorioso.
– Ah, por favor. Não venha botar em mim a culpa disso tudo ok? – falei ríspida. Já falei que quando minha cabeça esta prestes a explodir eu sou, um pouquinho, estupida? – Você não ia nos deixar entrar, sabe por quê? Porque não gosta da gente. Você não gosta de pessoas que não concordam com as suas leis de merda. Mas que saber? Que se foda você e suas aulas, não vou usar biologia para nada na minha vida, e ter que aguentar velhos rabugentos que se acham com o pouco de poder que tem também não irá melhorar minha vida. – desabafei.
Toda a classe começou a vaiar e rir da cara daquele mané.
– Senhorita Castillo e senhorita Reys, já para sala da diretora. – Gritou.
– Porra vai gritar com a avó. – falei pondo a mão em minha cabeça que doía mais que tudo.
Pelo jeito Francesca também estava porque sua careta foi hilária, e eu ate riria, mas a dor não me permitia.
– Já! – gritou.
Juro que a minha vontade era virar um belo tapa naquela cara enrugada, mas não chegaria a tanto. Fiquei parada no lugar, e Francesca parecia em outro mundo, a noite passada fez um belo estrago na minha amiga. Ele bufou e saiu andando na frente. Ri.
– Vamos. –Fran saiu do transe.
Pus a cabeça para dentro da sala, onde todos conversavam e zoavam e gritei.
– Me agradeçam crianças. – algumas pessoas riam, outras como Mora, a paty nojenta da escola, me xingaram de vadia metida.
– Vamos Vilu. – Francesca me puxou em direção à sala de direção.
Chegamos à sala e a diretora e Gregório já se encontrava lá falando merda. Entramos na sala e nos jogamos no sofá. Francesca encostou a cabeça em meu ombro e eu joguei a minha para trás, fechando o olho para tentar controlar a enxaqueca.
– Meninas. – A diretora chamou.
Ergui um pouco a cabeça e abri um olho, deixando o outro fechado, observando se o professor ainda estava lá, e sim, o ser estava. Finalmente abri os dois olhos, e chacoalhei Francesca que havia dormido, e a mesma acordou assustada, me fazendo rir fraco.
– Viu Sol, é esse descaso. E ainda acham que vão ser alguém no futuro. – Gregório disse indignado.
Seu jeito era engraçado. Calças largas, blusas coloridas, corpo magrelo, óculos fundo de garrafa.
– Pelo menos um professor que não ganha quase nada e que vive à custa dos pais eu não vou ser. – Francesca debochou, recebendo um olhar penetrante e medonho de sua mãe. – Foi mal. – balbuciou.
– Eu não aguento mais essas garotas! Se elas acham que só por que te conhece, estão imunes as punições estão enganadas, não?! – olhou para tia Sol por cima dos óculos fazendo bico, ou careta, que nos fez gargalhar, e tia Sol se segurava não nos acompanhar.
– Claro Gregório. Elas terão a punição que merecem. – Tia Sol se tornou séria.
– Suspensão no mínimo. – sugeriu e eu arregalei os olhos.
– Não! Estamos em semana de matéria de provas. As últimas provas! – falei me levantando e sentindo dor me tomar.
– Desculpe Vilu, mas não posso deixar. – Tia Sol me olhou pedindo desculpas.
– Mãe, por favor. Essas são as provas mais importantes do ano, como vamos conseguir passar se não revisarmos as matérias? – Francesca se manifestou.
– Use os cadernos. Lá tem as matérias do ano todo. – Gregório sorriu vitorioso.
Ele sabia que nós não tínhamos nada no caderno. Durando o ano eu e Francesca nos virávamos, sabe... Colávamos, fazíamos amizades com alguns nerds. Mas chegando ao ultimo bimestre estudávamos. Sempre foi assim.
– Desculpe meninas. – Tia Sol lamentou.
– Tia. – a olhei suplicante. – Olha, a Francesca não tem nada a ver, eu xinguei ele porque estou de ressaca a voz dele me irrita. Fran se que abriu a boca. Ela não pode ser suspensa.
– Cala a boca Violetta Castillo! – Francesca me estapeou. – A culpa não é sua.
– Fran, não vou deixar você se foder por minha culpa. – falei.
–Olha a boca menina. – Gregório mandou.
– Calado velho! – Fran falou raivosa.
– Se acha só por que é filha da diretora.
– Gregório pode ir cuidar da sua turma, eu assumo daqui. – Tia Sol falou e ele saiu. – Vilu, ligarei para a sua irmã.
Dei de ombros e voltei a sentar no sofá. Fechei meus olhos e senti Francesca deitar em minhas pernas, comecei a acariciar seus cabelos.
(...)
Leon Pov.
Adentrei a sala da diretora da escola de Violetta, e ela encontrava-se esparramada no sofá afagando os cabelos de Francesca que estava deitada em suas pernas. As duas pareciam dormir. A diretora as observava sorrindo. A cena era fofa.
– Com licença. – chamei sua atenção. – A Lara me mandou no lugar dela.
– A sim claro. Entre e sente-se – sorriu. – Você é o novo namorado dela não?
– Sim, Leon Vargas, prazer. – estendi minha mão.
– Prazer senhor Vargas. – A apertou. – Bom, eu o chamei aqui, pois Violetta e Francesca vêm tendo um comportamento, realmente, nada bom. E hoje tive que tomar uma atitude séria. Elas foram suspensas por uma semana.
– Como?
– Violetta desacatou o professor de biologia, e bom, isso não é permitido. – falou e eu assenti ainda meio bobo.
Lara vai querer matar essa pirralha.
– O senhor só precisa assinar o papel da suspensão, e já pode leva-la para casa. – assenti.
Assinei todos os papéis, aquilo parecia um processo jurídico de tanto que eu assinei... Tá exagero. Depois tinha que acordar minha menina. Que dizer Violetta. Cruzes Leon, sua? Que porra é essa? Caminhei até as duas, que dormiam tranquilamente e ri vendo Violetta com a mão na cara de Francesca.
– Fran, meu amor acorda. – a diretora mandou. Perai, ela é o que da Francesca?
– Mãe, me deixa. – Francesca resmungou.
– Tá passando o Justin Bieber na TV. – A mulher disse e Fran levantou correndo.
– Onde? – perguntou me fazendo rir. – Leon?
– Oi Fran. – sorri.
Olhei para Violetta que dormia serenamente. Realmente vê-la dormir me traz uma sensação diferente.
– Acorda biscate! – escutei Francesca gritar me tirando de meus devaneios gays pra porra. – Vamos vagabunda. – pulo em cima de Violetta, que abriu os olhos fazendo uma careta.
– Vaca, to com dor de cabeça. – Violetta murmurou. – Leon?
– Oi – sorri.
– Faz o que aqui? – me fuzilou.
– Sua irmã... Ela não pode vir. – cocei a nuca.
– Novidade. – bufou. – Ela nunca pode.
– Vamos? – perguntei.
– Por que vamos? Eu não vou com você. – falou, fazendo a diretora e Francesca rirem.
– Você vai comigo. Sua irmã mandou confiscar as chaves do seu carro. – sorri sarcástico.
– Sonha Vargas, sonha. – falou.
Violetta se despediu de Fran e saiu porta afora, e eu a segui. No corredor havia vários adolescentes. Devo dizer que sinto falta da escola, não dos professores, mais sim das zoações. Violetta parou em seu amario e pegou sua mochila. Durante o caminho até o estacionamento varias pessoas falavam com Violetta, que apenas sorria e seguia sem dizer nada. Paramos em frente ao seu carro e ela tirou a chave da bolsa, e foi nesse instante que eu as tirei de suas mãos.
– Hey! – gritou. – Devolva traste!
– Entra no meu carro. – mandei, ignorando seu ultimo comentário.
– Não. – fez birra. Criança.
– Vai logo Violetta, ou vai a pé. – falei.
– Prefiro ir a pé. – falou e começou a andar.
Entrei no carro bufando, dei partida, e devagar fui seguindo-a. Abri o vidro e tentei a convencer.
– Violetta, entra logo.
– Vai pro inferno. – mandou nervosa.
– Acabei de sair de lá. – falei rindo e ela pareceu se segurar. – Ai que gracinha, você quer rir.
– Cala a boca.
– Qual é Violetta, pode rir. Ri faz bem. Vai Vilu, ri, Você que rir. – eu estava parecendo um idiota.
– Para porra! – Gritou rindo.
Apenas gargalhei.
(...)
Já fazia mais de meia hora que Violetta estava andando, e estava quase morrendo, mas mal sabia que já havia passado da rua da casa dela a uns 15 minutos. Eu até tentei avisar, mas ela sempre me cortava, então deixei ver aonde ela iria, mas isso está chato e cansativo.
– Chega Violetta! – parei o carro e desci. – Entra nessa merda agora! – mandei.
– Se toca, você não é nada meu babaca. – fez birra.
– Sua irmã me mandou cuidar de você Violetta Castillo. – gritei.
– A claro, e eu preciso de babá desde quando? – perguntou sarcástica.
– Desde que você age feito uma e é suspensa na escola durante a semana de revisão. – falei.
Uma chuva forte começou do nada, nos fazendo ficar encharcados em segundos.
– Vai entrar agora gracinha? – perguntei sorrindo falso.
– Ta. – falou emburrada entrando no carro.
(...)
–Obrigada. – Violetta murmurou para a empregada que nos servia.
Estava eu, ela e Lara jantando, e o clima estava tenso. Violetta permanecia calada e de cabeça baixa, nem parecia a garota marrenta que se recusou a entrar no carro hoje mais cedo, e Lara a encarava mortalmente, e eu ficava feito um besta no meio das duas, sem saber o que falar ou como agir. Nunca fui muito bom com mulheres, sempre acabo falando ou fazendo merda, então prefiro ficar calado. Terminamos o jantar em silencio.
– Violetta, escritório. – Lara disse se levantando.
– Foi mal, estou com sono. Quem sabe amanha conversamos. – tentou correr para a escada.
– Violetta Castillo. Escritório. Agora! – gritou pausadamente, o que fez até eu ficar com medo.
Violetta apenas abaixou a cabeça e seguiu.
Violetta Pov.
– Lara, juro que não fiz nada de mais. – falei me sentando na cadeira a frente de sua mesa.
– Você foi suspensa Violetta. E pior, na semana de revisão. Sei que suas notas são ótimas, mas se você se sair mal nessas ultimas provas uma faculdade boa vai ser uma das ultimas coisas que irá conseguir.
– Ué, eu já não tenho vaga garantida naquela universidade fodona, que tem seu amigo como reitor?
– Não a partir de hoje. – falou calma. – Eu liguei para ele e mandei suspender sua vaga. Já que estou farta de ter que te dar de tudo na mão e você nunca se sentir grata. Você nunca vê tudo que faço por você. Você só usa roupas de marca, anda em um carro luxuoso, sai quase todas as noites para encher a cara e pagar mico, como essa noite. – me olhou magoada.
– Você acha que é minha mãe né? – falei com raiva
– Você sabe que eu te trato como se fosse. – disse triste.
Eu odeio a ver assim. Obvio que eu vejo o que ela faz comigo, apenas não sei demonstrar de um jeito certo.
– Lara, eu não fiz nada demais. Aquele professor sempre me odiou. Eu estava morrendo de dor de cabeça, ai ele veio falou um monte de merda, começou a ser sarcástico, e você sabe que eu odeio quando as pessoas são sarcásticas comigo. Eu apenas me descontrolei. A tia Sol foi forçada a nos suspender só para não acharem que temos imunidade por ela ser mãe da Francesca. – falei rápido.
– Vilu, eu sei que aguentar professores é um saco, e até entendo a suspensão, mas que história é essa de ficar dando show no meio da rua? – A olhei com o cenho franzido. – Você faz o Leon ficar te seguindo, aturando seus caprichos de menina mimada, enquanto todos viam.
– Aquele desgraçado te contou né? Meu aquele cara é um idiota! Filho da mãe, corno do caralho...
– Hey! – ela gritou me interrompendo. – Quem você acha que é para falar assim do Leon? Ele estava querendo seu bem!
– Mas ele não é meu pai, ele não tem que ficar em cima de mim enchendo o saco. – gritei.
– Sim, até por que seu pai não gosta de você. Se você morresse ele não sentiria falta! Esse seu jeito faz todos te odiarem! – gritou.
No mesmo instante lagrimas começaram a escorrer pelo rosto. Eu sempre sou muito forte , mas nunca forte o bastante quando o assunto é meu pai. Ele de uma hora para a outra passou a me ignorar, e falar que eu não sou filha dela. Isso sempre me magoou. Ela sempre soube que esse é meu ponto fraco, se quiser me atingir fale do meu pai e como todos me odeiam isso sempre irá me afetar ao máximo.
– Vilu, eu...
– Não você tem razão. Todos me odeiam. –falei rancorosa, limpando as lagrimas que desciam incontroláveis por meu rosto. – Eu só não entendo o porquê de jogar isso na minha cara. – falei e me levantei saindo do seu escritório.
Corri pelo corredor enorme e que parecia não ter fim, até finalmente sair na sala, onde Leon estava sentado bebendo algo.
– Violetta está tudo bem? – perguntou vindo até mim.
– Sai. – gritei o afastando e subindo as escadas.
Fale com o autor