Fora de Sintonia (Especial de Natal e Ano-Novo)
3 Festa de Natal e Amigo Secreto
Notas iniciais
O avião pousou no Aeroporto Charles de Gaulle às sete e meia da manhã.
Milo desceu as escadas do terminal com uma mochila nas costas, os olhos ardendo de sono e a convicção absoluta de que aquela era, simultaneamente, a melhor e a pior ideia que já tivera na vida.
Paris em dezembro era fria. Não tão fria quanto a Sibéria de Camus, claro, mas o vento cortante que bateu no seu rosto assim que saiu do aeroporto foi suficiente para fazê-lo questionar brevemente suas escolhas de vida.
Ele puxou o zíper da jaqueta até o pescoço e seguiu em direção ao metrô.
A viagem até o centro da cidade foi tranquila. Milo aproveitou para pesquisar no celular as livrarias mais tradicionais de Paris. Havia algumas especializadas em literatura clássica.
Desceu na estação Saint-Michel e começou a caminhar pelas ruas estreitas do Quartier Latin.
As vitrines das livrarias pareciam janelas para outros mundos. Livros empilhados até o teto, capas antigas, edições raras. Milo sentiu uma pontada de empolgação.
"Camus ia amar estar aqui."
Entrou na primeira livraria que viu.
O lugar cheirava a papel velho. Havia estantes de madeira escura, escadas estreitas levando a um segundo andar, e um senhor de óculos redondos atrás do balcão.
Milo se aproximou, confiante.
— Excuse me, do you speak English?
O homem ergueu os olhos do livro que lia e respondeu algo em francês. Rápido, nasal e incompreensível.
Milo piscou.
— Uh... English? — repetiu, agora menos confiante.
O homem suspirou, claramente entediado, e acenou vagamente para as estantes como quem dizia: "vire-se".
— Right. Ok. Thanks — Milo murmurou, já se afastando.
Caminhou entre as estantes, procurando pela seção de clássicos franceses. Encontrou Voltaire, Victor Hugo, Balzac... mas nenhum Alexandre Dumas.
Tentou perguntar para outra funcionária, uma moça jovem de cabelo curto.
— Hi, I'm looking for "The Count of Monte Cristo"... uh... Alexandre Dumas?
Ela franziu a testa.
— Le Comte de Monte-Cristo?
— Yes! That one!
Ela soltou uma enxurrada de palavras em francês, apontando para o fundo da loja.
Milo não entendeu nada, mas seguiu na direção indicada.
Achou a seção.
Achou o livro.
Mas era uma edição de bolso, com capa feia e páginas amareladas.
"Não. Isso não vai servir."
Camus merecia algo especial. Uma edição bonita de capa dura.
Milo saiu da livraria de mãos vazias.
A segunda livraria era maior. Mais moderna. Com placas em inglês, graças aos céus.
Ele encontrou a seção de clássicos franceses com facilidade.
Havia três edições diferentes de O Conde de Monte Cristo.
Uma era ilustrada. Linda, mas cara demais.
Outra era uma edição antiga, com páginas finas e letra pequena demais.
A terceira... a terceira era perfeita.
Capa dura azul-marinho, com detalhes dourados na lombada. Páginas de papel com boa qualidade, encadernação impecável.
Milo pegou o exemplar e virou para procurar o preço.
Cinquenta e cinco euros.
Ele fez uma careta, mas já estava decidido.
"Vale a pena."
Foi até o caixa, pagou, e pediu para embrulharem para presente.
A moça do caixa sorriu, disse algo em francês que provavelmente era "boa escolha", e embrulhou o livro com papel craft e um laço vermelho.
Milo saiu da livraria com um sorriso bobo no rosto e o embrulho debaixo do braço.
Missão cumprida.
Milo encontrou um hotel barato perto da Gare du Nord.
O quarto era minúsculo. A cama rangia. O banheiro tinha um chuveiro que mais parecia uma torneira adaptada. Mas estava limpo, e era o que importava.
Jogou a mochila em cima da cama e se deixou cair ao lado dela, exausto.
Puxou o celular do bolso.
Três mensagens de Camus.
Camus: "Milo?"
Camus: "Onde você está?"
Merda.
Milo olhou para o teto, pensando rapidamente.
Não podia dizer a verdade.
Digitou a resposta mais absurda que conseguiu inventar:
Milo: "Fui ajudar o Aldebaran a comprar uns negócios para a festa. A gente tá em Atenas. Volto amanhã de manhã!"
Enviou.
Mordeu o lábio, esperando.
A resposta veio quase instantânea.
Camus: "Aldebaran está aqui no Santuário. Acabei de vê-lo."
Milo arregalou os olhos.
— Filho da...
Digitou de novo, rápido:
Milo: "Ah, sim! Ele voltou mais cedo. Eu fiquei resolvendo umas coisas ainda. Nada demais!"
Camus: "Que coisas?"
Milo: "Coisas de Natal! Surpresa!kkk"
Um silêncio. Dessa vez a resposta de Camus demorou.
Milo já estava começando a suar frio quando a resposta finalmente chegou.
Camus: "Está bem. Tome cuidado."
Milo soltou o ar que nem percebera estar segurando.
— Ufa.
Jogou o celular ao lado e ficou olhando para o teto de novo.
Pensou em Camus.
No jeito sério dele e controlado dele. No café da manhã que ele fez na última vez que dormiram juntos. No sorriso raro que ele dava apenas para Milo.
Milo sorriu sozinho.
"Você vai amar esse presente, Camus. Eu prometo."
~*~
Milo chegou ao Santuário no meio da tarde do dia seguinte.
O voo de volta havia sido tranquilo. O livro estava seguro na mochila, bem embrulhado, protegido como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.
Ele subiu as escadarias em direção à Casa de Escorpião, cansado mas satisfeito. Tomaria um banho, guardaria o presente em algum lugar seguro, e finalmente poderia relaxar, só que Milo não imaginou… que Camus estaria esperando por ele.
Camus estava esperando por ele.
Sentado nos degraus da entrada da Casa de Escorpião, com os braços cruzados e aquela expressão séria de sempre.
Milo parou no meio do caminho.
— Oi... — disse com um sorriso meio sem graça.
Camus se levantou devagar, os olhos fixos nele.
— Onde você estava?
— Eu te falei, fui para Atenas resolver umas coisas de Natal...
— Aldebaran não saiu do Santuário ontem — Camus cortou, a voz calma mas afiada. — Me conta a verdade.
Milo coçou a nuca, tentando ganhar tempo.
— Ah, é que... eu acabei indo visitar um amigo que mora lá, e depois fiquei na casa dele. Dormi por lá mesmo, sabe como é.
Camus deu um passo à frente.
— Que amigo?
— Um... amigo antigo. Você não conhece.
— Nome?
— Hã... Jean.
— Jean.
— Isso. Jean... Pierre.
Camus estreitou os olhos.
— Jean Pierre.
— Exatamente.
Houve uma pausa longa.
Camus suspirou, passando a mão pelo rosto.
— Você é um péssimo mentiroso, Milo.
— Eu não estou mentindo!
— Você foi para a França.
Milo congelou.
— ...como você sabe?
— Porque você ainda está com a etiqueta da bagagem do aeroporto Charles de Gaulle presa na alça da mochila.
Milo olhou para a mochila.
Merda.
Lá estava a etiqueta.
Ele fechou os olhos derrotado.
— Tá. Tá bom. Eu fui pra França.
— Por quê?
— Não posso dizer.
Camus franziu a testa.
— Não pode?
— É surpresa de Natal. Se eu contar, estraga tudo.
Camus ficou em silêncio por alguns segundos processando.
Então, lentamente, a expressão dele se suavizou. Só um pouco.
— Você foi até a França... por causa de um presente?
— Talvez.
Camus balançou a cabeça, mas o canto da boca dele tremeu levemente. Quase um sorriso.
—Você é impossível.
— Mas você me ama assim mesmo — Milo retrucou, o sorriso safado voltando ao rosto.
Camus não respondeu, mas um sorriso tímido apareceu em seu rosto.
Para Milo, o dono do sorriso, era tudo o que importava, e a vitória que sentia por ter conseguido um dos presentes era tudo o que precisava. Agora faltava apenas o outro presente para Camus, o presente para o Camus namorado, e nesse Milo queria caprichar ainda mais.
~*~
O Salão do Grande Mestre estava irreconhecível.
Afrodite havia cumprido sua promessa, e como de costume, exagerado em cada detalhe.
A decoração era uma explosão coordenada de vermelho, verde e dourado. Guirlandas de folhas entrelaçadas com fitas douradas pendiam das colunas de pedra. Vasos dourados gigantescos, estrategicamente posicionados nos cantos do salão, transbordavam rosas vermelhas.
No centro do salão, uma árvore de Natal de três metros dominava o espaço. Era coberta de enfeites vermelhos e dourados, bolas brilhantes, laços de veludo, pequenos sinos que tilintavam suavemente sempre que alguém passava perto. Luzes coloridas piscavam em ritmo lento, lançando reflexos cintilantes pelas paredes.
As mesas estavam postas com elegância, toalhas brancas, pratos de porcelana, taças de cristal. O buffet também havia caprichado. Pernil assado dourado e suculento ocupava o centro da mesa principal, cercado por travessas de arroz com uvas passas, saladas variadas e legumes grelhados.
Afrodite, é claro, estava vestido para a ocasião.
Ele usava um gorro de Papai Noel levemente inclinado sobre os cabelos, e trazia consigo uma sacola cheia de gorrinhos idênticos para distribuir.
— Todo mundo tem que usar! — anunciou ele com entusiasmo.
A maioria aceitou de bom grado.
Aldebaran pegou o seu... e tentou encaixar na cabeça.
Não entrou.
Ele puxou. Ajeitou. Forçou um pouco.
Nada.
— Afrodite... esse aqui tá pequeno — disse ele, franzindo a testa.
Máscara da Morte, que estava ao lado, soltou uma gargalhada alta.
— Pequeno nada, Aldebaran! Você que é cabeçudo demais!
Aldebaran revirou os olhos, mas estava rindo também.
— Cabeçudo, é? — Shura se inclinou para frente, com um sorriso malicioso. — Hmmm... e como você sabe disso, Máscara? Já viu de perto?
A sala explodiu em risadas.
Até Dohko, que raramente se envolvia nesse tipo de brincadeira, soltou uma gargalhada. Máscara da Morte ficou vermelho.
— Vai se ferrar, Shura!
Aiolia, que estava sentado ao lado de Marin, levantou a mão pedindo atenção.
— Gente, por favor! — disse ele, sério mas com um sorriso no canto dos lábios. — Vamos parar com as piadas de duplo sentido e respeitar as damas presentes, tá bom?
Marin apenas revirou os olhos, mas estava sorrindo também.
As Saintias, trocaram olhares divertidos. Atena, ao lado de Shaka, observava tudo com uma expressão tranquila e levemente divertida.
~*~
Antes da ceia, Atena se levantou.
O salão silenciou imediatamente.
Ela ergueu sua taça de vinho, e todos a imitaram.
— Quero agradecer a cada um de vocês — disse ela, a voz calma mas cheia de emoção sincera. — Por tudo o que fizeram. Pelas batalhas vencidas, pelos sacrifícios feitos... e por continuarem juntos, mesmo nos momentos mais difíceis. Que este Natal nos traga paz e união.
— Saúde! — todos responderam em uníssono, erguendo as taças.
O tilintar do cristal ecoou pelo salão, seguido de sorrisos, abraços rápidos e o início da ceia.
~*~
A comida estava deliciosa.
O pernil estava perfeito, macio e temperado na medida certa. O arroz com uvas passas dividiu opiniões, mas todos concordaram que o pudim de chocolate era celestial. A torta de morango desapareceu em questão de minutos.
Quando a última sobremesa foi servida e os pratos começaram a ser recolhidos, Aiolos bateu levemente na taça com uma colher.
— Chegou a hora do amigo secreto! — anunciou ele sorrindo. — Eu começo!
~*~
O amigo secreto começou.
Um a um, os Cavaleiros foram chamados, pegaram seus presentes e tentaram adivinhar quem os havia tirado. Risadas, surpresas, alguns acertos, muitos erros.
Foi quando chegou a vez de Shun.
Ele se levantou devagar, segurando o presente com cuidado.
— Eu tirei alguém… — começou, com a voz suave — que sempre parece frio à primeira vista, mas que, na verdade, é extremamente cuidadoso.
Alguns olhares se voltaram imediatamente para Camus.
— É alguém silencioso — continuou Shun — que observa mais do que fala.
Camus ergueu levemente uma sobrancelha, mas não disse nada.
— Mas essa pessoa — Shun prosseguiu — É alguém que aprendeu cedo a suportar a solidão e que, mesmo assim, nunca deixou de ser leal, sensível e incrivelmente forte.
Hyoga sentiu o coração dar um pequeno salto.
— Essa pessoa — Shun concluiu — carrega um cosmo frio consigo, mas tem um coração quente…
Hyoga soltou um riso baixo, quase sem perceber.
— Sou eu — disse, antes mesmo de Shun terminar.
Shun sorriu.
— Sim. É você.
Shun se aproximou e entregou o presente.
Hyoga recebeu o embrulho com cuidado, emocionado com descrição que o amigo fez de si.
Era uma camiseta azul, simples mas bonita.
— Obrigado, Shun — disse ele, sorrindo. — Adorei.
Então foi a vez de Hyoga entregar seu presente.
Ele se levantou sem pressa, o embrulho firme nas mãos. Antes de se aproximar de alguém, respirou fundo e olhou ao redor.
— Eu tirei alguém… — começou, a voz calma — que nunca passa despercebido, mesmo quando tenta.
Algumas cabeças se viraram automaticamente para Milo.
— Essa pessoa costuma entrar em qualquer lugar como se já fosse dona dele — continuou Hyoga — com um sorriso fácil, uma presença impossível de ignorar e uma energia que muda o ambiente inteiro.
Milo arqueou uma sobrancelha, divertido.
— Definitivamente não é o Camus — Shura murmurou.
Hyoga sorriu de leve.
— É alguém intenso — disse — que sente tudo demais, que ama demais, que vive demais… e que, mesmo assim, sabe proteger quem ama com unhas e ferrões.
Agora não restava muita dúvida.
— Essa pessoa também finge não ligar — Hyoga acrescentou — mas observa tudo. E guarda tudo.
Milo soltou uma risada baixa.
— Já deu, né? — disse se levantando.
Hyoga assentiu, caminhando até ele e entregando o pacote.
Milo abriu animado.
Era um suéter vermelho, de lã macia, bem feito.
Milo passou a mão pelo tecido, genuinamente tocado.
— Hyoga… — começou, sem completar a frase.
Hyoga apenas sorriu.
Camus observava a cena em silêncio.
— Cara, que bonito! Gostei! — Milo exclamou, sorrindo largo.
— Percebi que vermelho é sua cor favorita.
— E de fato é! Acertou mesmo! — Milo respondeu, rindo.
Camus com ciúmes da facilidade que Hyoga tinha em agradar Milo, lançou um olhar sério na direção do jovem.
Hyoga percebeu, e desviou o olhar rapidamente.
Agora era a vez de Milo.
Ele se levantou com o embrulho cuidadosamente preparado nas mãos. Respirou fundo antes de falar.
— A pessoa que eu tirei… — começou — vive como se o mundo precisasse estar sempre em ordem.
Alguns olhares se voltaram imediatamente para Camus.
— É alguém que raramente se permite errar — Milo continuou.
Camus manteve a postura ereta, o rosto impassível.
— Mas também é alguém que sente mais do que deixa transparecer — Milo disse, a voz um pouco mais baixa.
Só havia Camus, Saga, Jabu e Aiolos que ainda não tinham sido revelados quem era o amigo secreto. Pela descrição, Camus era a escolha óbvia, então os olhares se concentraram nele.
— Essa pessoa — Milo acrescentou — eu amo mais dom que consigo explicar…
Afrodite soltou um “ahhh, que lindo”. Camus sentiu algo apertar no peito, e o rosto ficou vermelho. Se levantou, envergonhado, e disse:
— Sou eu.
Milo sorriu.
— É claro que é você.
Ele se aproximou e entregou o presente.
Camus pegou o embrulho, e começou a abri-lo devagar.
O papel craft se desfez, revelando a capa azul-marinho com detalhes dourados.
Le Comte de Monte-Cristo.
Edição francesa.
Camus ficou em silêncio por alguns segundos, apenas olhando para o livro.
Então ergueu os olhos para Milo.
— Você... não foi até a França só para comprar isso, foi?
Milo coçou a nuca sem graça.
— ...fui.
Máscara da Morte foi o primeiro a reagir, rindo alto.
— Não acredito que você foi em outro país só pra comprar presente pro Camus! Tá muito apaixonado mesmo, cara!
Afrodite suspirou dramaticamente, com a mão no peito.
— Eu queria que meu namorado fosse para outro país só pra comprar um presente pra mim... Muita prova de amor, na minha opinião.
Camus estava vermelho. Completamente vermelho.
— Obrigado — Camus murmurou baixo demais.
Mas Milo ouviu e sorriu.
Agora era a vez de Camus.
Ele pegou com um pacote simples nas mãos, respirou fundo antes de falar e lançou um olhar rápido pela sala.
— Eu tirei alguém… — começou com a voz calma — que fala muito, e fala coisas absurdas na maior parte do tempo.
Os olhares se voltaram automaticamente para Jabu.
— É alguém que fala demais, e ri alto demais — acrescentou — mas que também é mais atento e leal do que deixa parecer.
Jabu levou a mão ao peito teatralmente, com um sorriso no rosto.
— Sou eu, né? — perguntou animado.
Camus assentiu e entregou o presente.
Jabu abriu com curiosidade.
Era uma cueca samba-canção branca, coberta de pequenas renas vermelhas estampadas por toda parte.
Os olhos de Jabu se arregalaram, no segundo seguinte, ele começou a rir.
— Eu amei! — declarou gargalhando. — Isso é muito Natal!
Camus relaxou um pouco aliviado.
— Cara, isso é perfeito!
Camus explicou, um pouco constrangido:
— Eu... não consegui encontrar o pijama do jeito que você queria. Então...
— Relaxa! — Jabu interrompeu, ainda rindo. — Eu adorei!
Então ele fez uma pausa, olhou para Camus com um sorriso provocador.
— Mas... como não sou seu namorado, você não quis ir pra outro país comprar meu presente, né?
O salão explodiu de risada.
Camus ficou ainda mais vermelho, sem saber onde enfiar a cara.
— Jabu... — murmurou ele mortificado.
Mas Jabu apenas deu um tapinha no ombro dele.
— Brincadeira, cara. Gostei muito. De verdade.
Agora era a vez de Jabu.
Ele respirou fundo e começou.
— Eu tirei... um Cavaleiro muito poderoso. E muito bonito.
Faltava Saga e Aiolos.
Máscara da Morte não perdeu a chance.
— Olha, muito bonito, é? Fica de olho, Hyoga!
Hyoga revirou os olhos, mas estava sorrindo.
Jabu caminhou até Saga e entregou o pacote.
— Espero que você goste— disse ele, meio sem graça. — E... acho que você vai ficar muito bonito com isso.
Saga abriu o presente.
Era uma sunga boxer azul-marinho.
Saga ficou alguns segundos olhando para ela.
Então sorriu.
— Era exatamente do jeito que eu queria — disse ele. — Obrigado, Jabu.
Jabu sentiu o peito aquecer.
— De nada.
Por fim, Saga pegou o último presente e caminhou até Aiolos.
— Eu te tirei — disse ele, entregando o embrulho.
Aiolos abriu com um sorriso.
Era uma garrafa de vinho tinto. Exatamente o que ele havia pedido.
Restava apenas Aiolos para receber o presente, e Saga não demonstrou muito interesse em fazer adivinhações para a última pessoa faltante. Assim, o amigo secreto chegou ao fim.
~*~
A festa continuava animada.
O vinho corria solto, as conversas se misturavam em um burburinho agradável. Alguns Cavaleiros estavam sentados em pequenos grupos, outros de pé conversando perto da mesa de sobremesas.
Jabu se levantou da mesa, um pouco tonto do vinho, e seguiu pelo corredor em direção ao banheiro.
Quando voltava, ajeitando a camisa e ainda meio distraído, quase trombou com alguém parado bem na entrada do corredor.
Saga.
Jabu parou no ato, piscando surpreso.
— Saga? — disse ele, a voz meio arrastada pelo álcool. — Tá tudo bem?
Saga estava encostado na parede, os braços cruzados, com aquela expressão séria e impenetrável que ele sempre carregava. Mas havia algo diferente nos olhos dele. Algo... mais suave.
— Eu só queria agradecer… pelo presente.E... pelo elogio.
Jabu piscou de novo processando.
— Ah... — coçou a nuca, meio sem graça. — Foi nada, cara. É sério. Você é bonito mesmo.
Saga desviou o olhar por um segundo, e Jabu teria jurado que viu um leve rubor subindo pelas bochechas dele.
— Faz tempo que alguém... diz algo assim pra mim.
Houve uma pausa estranha.
Jabu sentiu o coração acelerar sem entender direito o porquê.
Saga deu um passo à frente.
Não muito. Apenas o suficiente para diminuir a distância entre eles.
— Olha... — Saga começou, a voz um pouco mais baixa agora, quase hesitante. — Se não der certo com o Hyoga... tem outras pessoas com interesse.
Jabu arregalou os olhos, completamente em choque com o que acabara de escutar. Saga estava dando em cima dele?
— O quê...?
Mas antes que Saga pudesse responder, uma voz cortou o ar.
— Jabu?
Ambos viraram a cabeça ao mesmo tempo.
Hyoga estava parado na entrada do corredor, com uma expressão irritada no rosto.
Ele olhou para Jabu.
Depois para Saga.
Depois para a distância mínima entre os dois.
E entendeu tudo errado.
— Hyoga... — Jabu começou, dando um passo à frente, a voz desesperada. — Não é o que você tá pensando...
Mas Hyoga já estava recuando.
— Tá... --- murmurou ele com voz trêmula. — Tá bom.
E se virou.
— Hyoga, espera! — Jabu gritou, avançando.
Mas Hyoga já estava correndo.
Jabu olhou para trás, para Saga, que permanecia imóvel, com uma expressão ilegível no rosto.
— Que merda você acabou de fazer? — Jabu sussurrou, entre o choque e a raiva.
Saga não respondeu.
Jabu apertou os punhos e saiu correndo atrás do namorado.
Mas Hyoga já havia desaparecido.
O coração de Jabu acelerou, e o pensamento de perder Hyoga passou por sua cabeça, deixando-o completamente angustiado.
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