Notas iniciais
Oi, tudo bem? O Natal foi bom por aí? Segue mais um capítulo da nossa história especial de fim de ano. Espero que vocês gostem Boa leitura!!

Jabu voltou correndo para o salão principal.

Os olhos dele varreram o ambiente freneticamente, procurando por Hyoga entre os grupos de Cavaleiros.

Nada.

Hyoga não estava ali.

— Cadê você, Hyoga... — murmurou para si mesmo.

Foi quando Shun se aproximou, a expressão preocupada.

— Jabu? Tá tudo bem?

— Hyoga! — Jabu agarrou o braço de Shun, quase desesperado. — Você viu o Hyoga?

Shun hesitou por um segundo, depois assentiu devagar.

— Vi sim... ele disse que ia embora, parecia chateado.

Jabu nem esperou Shun terminar de falar.

Saiu correndo.

Passou direto pela porta do salão, sem olhar para trás, sem se despedir de ninguém. Não importava. Nada importava agora além de encontrar Hyoga.

De explicar.

No meio do caminho para o Casarão, ainda descendo as escadas apressadamente, Jabu puxou o celular do bolso com as mãos trêmulas.

Ligou para Hyoga.

Chamou uma vez.

Duas vezes.

Três.

Caixa postal.

— Atende... por favor, atende... — murmurou Jabu com a voz desesperada.

Tentou de novo.

Chamou.

Chamou.

Caixa postal novamente.

Jabu apertou o celular com força, a frustração e o desespero crescendo no peito.

Hyoga não estava atendendo.

E Jabu sabia que era de propósito.

— Merda...

Guardou o celular de volta no bolso e acelerou o passo.

Não adiantava ligar.

Ele precisava chegar lá.

Precisava ver Hyoga pessoalmente.

Explicar tudo.

Antes que fosse tarde demais.

~*~

A festa de Natal já estava no fim.

Mu estava completamente apagado, a cabeça apoiada sobre os braços cruzados na mesa, dormindo profundamente. Aldebaran se aproximou, balançando a cabeça com um sorriso divertido.

— Esse cara não aguenta nada — murmurou, antes de erguer Mu no colo com facilidade, como se ele não pesasse nada. — Vou levar você pra Casa de Áries, parceiro.

Mu resmungou algo incompreensível, mas não acordou.

Do outro lado do salão, Máscara da Morte estava em pé, segurando uma garrafa vazia como se fosse um microfone, cantando alto uma música italiana completamente desafinada.

— ...e na festa de Ano Novo tem que ter karaokê! TEM QUE TER! — gritou ele, apontando dramaticamente para o teto.

Afrodite revirou os olhos, mas estava rindo.

Foi nesse momento que Camus se aproximou de Milo, que estava sentado conversando com Aiolia.

— Vamos? — disse Camus.

Milo olhou para ele, piscou, e assentiu.

— Vamos.

Levantou-se, deu um tapinha no ombro de Aiolia em despedida, e seguiu Camus em direção à saída.

Quando estavam já longe do salão, descendo as escadas iluminadas pela luz da lua, Camus perguntou casualmente:

— Vamos dormir na minha casa ou na sua?

Milo pensou por um segundo.

— Prefiro a minha.

Camus assentiu.

— Então vamos passar na minha antes. Preciso pegar seu presente de Natal.

Milo parou no meio da escada, os olhos brilhando.

— Hmmm... vou ganhar presente?

Camus virou a cabeça levemente, com aquele quase-sorriso que só Milo sabia reconhecer.

— Mas é claro que vai ganhar presente.

Milo sorriu feito criança.

Passaram rapidamente pela Casa de Aquário.

Camus entrou, foi direto ao quarto, pegou uma caixa pequena embrulhada com papel vermelho e voltou para a porta onde Milo o esperava.

— Pronto?

— Pronto. Mas eu só vou te entregar quando chegarmos na sua casa.

Milo fez biquinho.

— Sério?

— Sério.

Milo bufou, mas estava sorrindo.

Quando finalmente chegaram ao quarto de Milo na Casa de Escorpião, Camus fechou a porta atrás deles e, sem cerimônia, estendeu a caixa para Milo.

Milo pegou o embrulho com cuidado e abriu devagar.

Dentro estava uma caixa de veludo.

Abriu.

Um relógio dourado e elegante.

Milo ficou em silêncio por alguns segundos, apenas olhando.

Camus explicou, com a voz calma:

— Eu reparei que você usa um relógio prateado quando sai... e ele já está meio gasto. Pensei que talvez você gostasse de ter um novo.

Milo ergueu os olhos lentamente, e Camus viu algo brilhando ali.

— Camus... eu... eu tava pensando em comprar um relógio novo mesmo.

E antes que Camus pudesse responder, Milo puxou ele para um beijo forte e profundo.

Quando se separaram, Camus estava corado, a respiração levemente acelerada.

E foi aí que ele, num impulso, empurrou Milo, fazendo-o cair sentado na cama.

Milo arregalou os olhos, surpreso, mas antes que Camus pudesse fazer qualquer outra coisa, ele levantou a mão.

— Espera!

Camus parou, franzindo a testa.

— O quê?

— Eu preciso te dar o presente também.

Camus piscou.

— Agora?

— Agora.

Milo se levantou rapidamente e foi direto para o banheiro, fechando a porta atrás de si.

Camus ficou ali parado, sem entender nada.

Alguns minutos se passaram.

E então a porta se abriu.

Milo saiu usando apenas uma cueca branca de pelúcia... com um rabinho fofinho de coelho atrás.

E um arco com orelhinhas de coelho brancas na cabeça.

Camus piscou.

— ...é Natal, Milo. Não Páscoa.

Milo deu de ombros, com um sorriso provocador.

— As suas cuecas impecavelmente brancas foram a inspiração da fantasia.

Houve uma pausa.

E então Camus riu. Foi uma gargalhada genuína.

Milo sentiu o peito aquecer.

— Vem cá — Camus murmurou, ainda sorrindo, estendendo a mão.

Milo foi.

E quando Camus o puxou de volta para a cama, tudo o que importava era aquela proximidade.

Os beijos se aprofundaram, lentos e intensos, como se nenhum dos dois quisesse que aquilo acabasse tão cedo. As mãos de Camus deslizavam pelas costas de Milo, traçando linhas suaves sobre a pele exposta.

— Você não vai tirar isso? — Camus murmurou, tocando de leve o arco fofinho, os olhos brilhando com uma mistura de diversão e desejo.

— Só se você pedir com jeitinho — Milo respondeu, a voz rouca, antes de puxá-lo para mais um beijo, mais urgente dessa vez.

As roupas, ou o que restava delas, foram sendo tiradas devagar, entre toques tímidos e olhares que diziam tudo sem precisar de palavras. Cada peça que caía no chão era acompanhada de um suspiro. Camus traçou o contorno do ombro de Milo com os lábios, indo devagar para pescoço, sentindo o outro se entregar um pouco mais a cada segundo. Milo, por sua vez, enfiou os dedos nos cabelos loiros de Camus, puxando-o para mais perto, para mais um beijo intenso.

Quando finalmente se deitaram juntos, entrelaçados sob os lençóis, os corpos colados, os corações batendo no mesmo ritmo, o mundo lá fora deixou de existir por completo.

O arco de coelhinho acabou caindo no chão em algum momento.

Para Milo e Camus aquele Natal, definitivamente, tinha sido perfeito.

~*~

O salão já estava quase vazio qunado Shaka se aproximou de Saga com passos firmes. A maioria dos Cavaleiros havia ido embora.

Saga estava encostado em uma das colunas, os braços cruzados, o olhar distante.

— Saga.

A voz de Shaka era calma, mas havia uma firmeza nela que fez Saga virar a cabeça.

— Shaka.

— Eu escutei você no corredor do banheiro — Shaka disse sem rodeios. — Dando em cima do Jabu.

— Você ouviu errado.

— Não ouvi. — Shaka deu um passo à frente. — Jabu tem namorado, Saga. Você tem que respeitar o relacionamento dos outros.

Saga fechou os olhos por um segundo, a mandíbula tensa.

Então os abriu de novo, encarando Shaka diretamente.

— Eu fui atrás de quem demonstrou interesse em mim — disse ele, a voz baixa mas firme. — Já que a pessoa que eu gosto... não retribui os meus sentimentos.

Shaka ficou em silêncio.

Até que, Máscara da Morte surgiu do nada, cambaleando levemente, claramente bêbado, com um sorriso largo no rosto.

— Ah, pelo amor de Atena! — exclamou ele, jogando o braço dramaticamente para o alto. — Se beijem logo! Parem de enrolação, vocês dois aí!

Afrodite apareceu logo atrás, agarrando Máscara pelo braço.

— Fica quietinho você. — sibilou ele, puxando o namorado para longe. — Vem cá!

— Mas é óbvio que eles... ai, me solta! — Máscara resmungou, sendo arrastado para fora do salão.

Shaka e Saga ficaram ali, sozinhos de novo.

O silêncio entre eles voltou.

Saga soltou uma risada curta e amarga.

— Tá vendo, Shaka? — disse com um sorriso triste. — Todo mundo já se ligou em quem eu gosto. Só você que finge que não sabe.

Shaka ficou completamente vermelho.

Desviou o olhar imediatamente, ajeitando o gorro de Papai Noel que ainda estava meio torto na cabeça.

— Eu... preciso ir — murmurou ele. — Boa noite, Saga.

E saiu.

Rápido demais para ser natural.

Saga ficou ali, sozinho, encostado na coluna.

Olhando para o espaço vazio onde Shaka estivera.

E soltou um suspiro longo, cansado.

— Feliz Natal pra mim... — murmurou para o vazio.

~*~

Jabu chegou ao Casarão ofegante, o coração ainda batendo forte no peito.

Entrou pela porta da frente e foi direto para a sala.

Lá estava Hyoga.

Sentado no sofá, com o celular na mão, scrollando a tela do Instagram. As fotos da festa de Natal dos outros Cavaleiros passavam uma após a outra.

Hyoga nem ergueu os olhos quando Jabu entrou.

— Precisamos conversar — Jabu disse com a voz ainda um pouco ofegante.

Hyoga finalmente olhou para ele. Os olhos estavam frios.

— Conversar o quê? — disse ele, com uma calma perigosa. — Que tava rolando algo entre você e o Saga?

— Hyoga... — Jabu deu um passo à frente. — Ele tava dando em cima de mim. Eu fiquei surpreso. Não esperava isso dele. A minha surpresa me impediu de rejeitar ele na hora, entende?

Hyoga soltou uma risada curta.

— Jabu, toma vergonha na sua cara. Você deu uma sunga de presente pra ele falando que ele ia ficar bonito na sunga. Com essa fala, ele se sentiu confiante pra jogar ideia em você. Tu não percebe isso?

Jabu revirou os olhos irritado.

— Aff, Hyoga! O que você tá dizendo? Eu não posso achar mais ninguém bonito? Só porque estamos namorando, o único bonito é você?

Hyoga se levantou do sofá, irritado.

— Jabu, eu tô dizendo que toda vez que você falar pra um cara que ele fica bonito de sunga, vai fazer ele se sentir na liberdade de se aproximar de você! É só isso! Você pode achar bonito, eu acho outras pessoas bonitas também, mas não fico externando isso, sabe?

Jabu cruzou os braços, a voz carregada de ironia.

— Claro, claro que não, Hyoga. Você apenas fica secando com os olhos, né? Ou você não percebe como você olha babando pro Milo o tempo todo? — Ele imitou Hyoga com uma voz exagerada e afetada. — "Ai, Milo, vermelho é sua cor favorita, né?"

Jabu fez uma careta dramática, imitando o jeito de Hyoga.

— Até o Camus olhou estranho pra essa sua fala. Eu fico lá vendo a pessoa que amo secando outra, comprando o presente perfeito pra outra. Você nem me deu presente de Natal, Hyoga, e compra o presente perfeito pro Milo!

Hyoga ficou vermelho, a voz tremendo de raiva e frustração.

— Você sabia quando começamos a ficar juntos que eu tinha sentimentos não resolvidos pelo Milo! Não joga na minha cara como se você não soubesse de nada!

— Não tô jogando na sua cara, Hyoga! — Jabu gritou de volta, erguendo a mão esquerda e mostrando a aliança de ametista que brilhava no dedo. — Mas quando você me deu a porra desse anel, achei que você tava disposto a esquecer ele! Mas de boa, Hyoga. Acho que deu o que tinha que dar. É evidente que você não tá disposto a superar o Milo.

Hyoga ficou completamente parado.

A respiração falhou.

— Jabu... — a voz saiu fraca, trêmula. — Você quer terminar?

Hyoga deu um passo à frente, os olhos começando a marejar.

— Eu não quero terminar... não vamos terminar, por favor...

Jabu fechou os olhos, passando as mãos pelo rosto.

— Eu não sei... não sei como a porra dessa conversa chegou nisso. Eu só queria me desculpar. Só queria que você não entendesse errado aquele papo com o Saga.

Ele abriu os olhos e viu Hyoga ali, parado, vulnerável, com os olhos brilhando de lágrimas contidas.

Jabu não aguentou.

Foi até ele e o puxou num abraço apertado.

Hyoga se agarrou a ele imediatamente.

Jabu encostou a boca no ouvido de Hyoga e sussurrou baixo:

— Hyoga... o Saga é uma baranga perto de você. Você é o mais lindo. Te amo muito. Eu quero tudo com você, já te falei isso. Não sei por que falei essa merda de terminar. Não quero terminar, entendeu?

Jabu puxou o rosto de Hyoga para cima e o beijou intensamente.

Hyoga retribuiu avidamente, as mãos subindo para o cabelo de Jabu, puxando-o mais perto, como se tivesse medo de perdê-lo.

O beijo se aprofundou. Jabu segurou a cintura de Hyoga e o ergueu levemente, colocando-o sentado na mesinha de centro da sala. Se encaixou entre as pernas dele, colando seus corpos, sem interromper o beijo.

E então...

CRACK.

A mesinha de centro quebrou novamente.

Os dois caíram no chão, embolados, mas nenhum deles se machucou.

Hyoga começou a rir.

Jabu também.

— Quebrar mesinhas da sala me traz lembranças — Hyoga disse entre risos, ainda deitado no chão.

Jabu concordou, rindo também, apoiado sobre os cotovelos ao lado dele.

— Pois é... a gente tem um talento especial pra isso.

Hyoga virou o rosto para ele, o sorriso se suavizando.

— Jabu... — ele disse com a voz firme. — Eu quero passar o resto da minha vida com você. Eu quero tudo com você.

Notas finais
Então… algumas informações...o próximo capítulo será o último, e ele sairá depois do Ano-Novo, ok? Como muitas pessoas nessa época ficam de férias dos estudos e do trabalho, ou em recesso, vou aproveitar para recomendar minhas outras fanfics de Saint Seiya para quem quiser continuar lendo fanfics inspiradas nesses personagens. 1 - A primeira indicação é a" Fora de Sintonia", que é a fanfic a qual essa é o spin-off. Não é obrigatório ler para entender essa, mas recomendo porque o leitor vai poder entender como os relacionamentos dessa fora formados: https://plusfiction.com/book/Fora-de-Sintonia-816572 2 - A outra indicação é "Mares de Sangue e Amor", essa aqui é meu laboratório de teste de aventura, fantasia e ação. Em resumo o pirata Milo e o comandante Camus, tem um passado mal resolvido e precisam se juntar para impedir Saga que tá meio que possuído por um um objeto mágico. Essa obra tem uma mitologia própria criada por mim, é um ensaio para futuramente escrever meu livro. Tem vários casais, mas o foco é Milo e Camus, cenas +18, várias coisas acontecendo ao mesmo tempo, em um pegada Game of thrones: https://plusfiction.com/book/Mares-de-Sangue-e-Amor-816745 Obrigada por acompanharem essa história especial de fim de ano, como o próximo capítulo é só ano que vem... que 2026 venha com saúde, alegria, sonhos realizados e muitas histórias boas para lermos juntos. Beijinhos e até ano que vem!!