Notas iniciais
Oi, leitor! Tudo bem? Esse final era pra ter saído alguns dias depois do Ano-Novo, porém, devido a um casamento e viagens planejadas em cima da hora, meu foco acabou mudando. Como essa fanfic foi escrita de forma bem espontânea, sem um planejamento fechado, sempre de acordo com o que eu tinha na cabeça no momento, a vibe da história acabou se perdendo um pouco no caminho. Mesmo depois de voltar de viagem, fiquei um tempo sem inspiração pra continuar. Foi só de ontem pra hoje que a mente começou a funcionar de novo e a ideia de como poderia ser o final finalmente tomou forma. Ontem rascunhei algumas coisas, mas foi hoje que consegui me dedicar de verdade. Bom… o final está aqui. Boa leitura!!

26 de dezembro.

O Jardim das Árvores Salas Gêmeas estava silencioso, banhado pela luz suave da manhã. O ar era fresco, carregando o cheiro de terra úmida e flores que desafiavam o inverno grego. Era um lugar perfeito para meditação. Tranquilo e isolado. Distante do burburinho do Santuário.

Shaka estava sentado em posição de lótus, de costas para uma das árvores antigas, os olhos fechados, a respiração controlada.

Ou pelo menos tentando controlar.

Porque seus pensamentos iam para Saga o tempo todo.

Shaka suspirou, abrindo os olhos lentamente.

"Concentração", pensou consigo mesmo. "Você precisa de concentração."

Fechou os olhos novamente.

Respirou fundo.

E lá estava Saga de novo.

Não era algo novo. Shaka conhecia Saga há muito tempo. Desde antes de tudo desmoronar. Antes da traição. Antes do golpe no Santuário que abalou as estruturas da ordem que juraram proteger.

Saga havia desaparecido.

Por anos, ninguém soube onde ele estava. O que ele estava fazendo. Se ainda estava vivo.

Até que a verdade veio à tona, brutal e inegável: Saga dera um golpe no Santuário. Assumira o lugar do Grande Mestre. Enganara a todos.

E depois... morreu.

Shaka ainda se lembrava daquele dia. A sensação de traição. A dor silenciosa que carregou sozinho, sem jamais confessar a ninguém.

Mas então Saga retornou.

Como espectro.

A serviço de Hades.

Shaka fechou os olhos com mais força, tentando afastar a lembrança que insistia em voltar.

A Exclamação de Atena.

Saga, Shura e Camus.

A memória era... complicada.

Shaka entendia, racionalmente, que aquilo fazia parte de um plano maior. Um plano para ajudar Atena. Para salvar o mundo. Para cumprir um propósito divino.

Mas ainda assim, a lembrança era desconfortável.

Ver Saga ali, no centro daquela explosão de cosmo, sabendo que ambos poderiam morrer naquele instante...

Shaka balançou a cabeça, tentando se livrar do pensamento.

Então vieram as bênçãos divinas.

A ressurreição.

Todos os Cavaleiros de Ouro que haviam caído foram trazidos de volta. Uma segunda chance. Um recomeço.

E desde então, a troca de olhares era constante.

Shaka percebia. Saga também.

Nos corredores do Santuário. Durante as reuniões. Nas confraternizações.

Olhares que duravam um segundo a mais do que deveriam.

Olhares carregados de algo não dito.

E Shaka... não sabia o que fazer.

Ele, que sempre teve respostas para tudo. Que sempre soube exatamente onde estava, o que sentia, o que deveria sentir.

Agora estava perdido.

Completamente perdido.

Suspirou de novo, abrindo os olhos e encarando o céu azul através das folhas das árvores.

"O que eu faço com isso, Saga?"

~*~

A festa de Ano Novo acontecia em um salão de solenidades aberto ao ar livre, nos arredores do Santuário.

Diferente da festa de Natal, que tinha sido mais íntima e reservada aos Cavaleiros de Ouro e Bronze, essa era uma celebração para todos. Desde a elite dourada até os soldados mais baixos da hierarquia. O Santuário inteiro havia sido convidado.

E o lugar estava lotado.

Música alta. Luzes penduradas entre as colunas. Mesas espalhadas pelo espaço. Gente conversandoe dando risada.

Aldebaran estava fazendo o churrasco. Afrodite havia dado uma segunda chance ao Cavaleiro de Touro. Uma chance de redimir o desastre culinário do aniversário de Aiolos. E surpreendentemente, Aldebaran parecia estar se saindo bem.

Mas a playlist...

Ah, a playlist era outra história.

Aldebaran havia escolhido pessoalmente as músicas. E agora, pelos alto-falantes do salão, tocava um funk proibidão, made in Brazil, com batidas pesadas e letras... questionáveis.

Afrodite se inclinou para perto de Máscara da Morte, sussurrando alto o suficiente para ser ouvido por cima da música.

— Essa música é estranha — disse ele, franzindo o nariz. — O Aldebaran tem um gosto estranho pra música. Espero que o gosto dele pra comida seja melhor.

Máscara da Morte ouviu o comentário e soltou uma gargalhada, balançando a cabeça no ritmo da batida.

— Relaxa, Afrodite! — respondeu ele, rindo. — A música é diferente, mas tá animado!

Afrodite revirou os olhos, mas não discutiu.

~*~

A festa rolava de boa.

Várias conversas se cruzavam. Zueiras entre os soldados e os cavaleiros. E é claro, romancinhos espalhados pelos cantos.

Milo não desgrudava de Camus. Estava sempre ao lado dele, com a mão na cintura do namorado, sorrindo, provocando, beijando o rosto dele de vez em quando só para ver Camus ficar envergonhado.

Hyoga e Jabu estavam igualmente grudados. Hyoga ria de algo que Jabu dizia, a mão entrelaçada na dele, os olhares carregados de cumplicidade.

Saga observava tudo de longe.

Ele evitava ao máximo olhar na direção de onde estavam Jabu e Hyoga. Estava envergonhado. Muito envergonhado da atitude impulsiva que tivera na festa de Natal.

Não sabia se devia pedir desculpas ou deixar pra lá.

Optou por deixar quieto, e evitar o casal.

Mas quem Saga não conseguia evitar era Shaka.

Seu olhar, a todo momento, ia para ele.

Shaka estava sentado em uma das mesas afastadas, conversando tranquilamente com Mu.

Saga sabia que, depois da festa de Natal, Shaka estava o evitando.

E isso o incomodava profundamente.

Porque ele sentia que a troca de olhares era recíproca. Tinha certeza disso.

Mas toda vez que ele se aproximava, Shaka o cortava, desviava, e fugia.

E tinha sido assim há bastante tempo.

Saga não aguentava mais.

— Faltam dez minutos pra meia-noite! — alguém gritou animado, erguendo uma garrafa de cerveja.

Saga respirou fundo.

Não ia levar essa relação assim para o Ano Novo.

Levantou-se da cadeira onde estava e caminhou diretamente em direção a Shaka.

Mu estava no meio de uma frase quando Saga chegou. Parou de falar surpreso.

Saga nem olhou para Mu.

Seus olhos estavam fixos em Shaka.

Estendeu a mão e segurou o pulso de Shaka com firmeza, mas sem brutalidade.

— Poderia falar comigo? — disse ele, com a voz calma mas decidida. — Uns cinco minutos. Só eu e você.

O olhar de Shaka entregou a surpresa.

Ele piscou, processando. Olhou para a mão de Saga segurando seu pulso. Depois para os olhos dele.

Mu observava tudo em silêncio, claramente sem saber se devia intervir ou não.

Shaka hesitou por um segundo, depois lentamente concordou com a cabeça.

Saga soltou o pulso dele e deu um passo para trás, esperando.

Shaka se levantou.

E, sem dizer nada, seguiu Saga para longe da festa.

~*~

Saga levou Shaka para um canto mais afastado do salão. Um lugar onde ainda podiam ouvir a festa ao fundo, mas onde ninguém os interromperia.

Shaka se sentia nervoso.

O que Saga queria conversar?

Ficaram ali, parados, trocando olhares por alguns segundos.

Nenhum dos dois dizia nada.

O silêncio se arrastava, pesado, carregado de expectativa.

Shaka finalmente perdeu a paciência.

— Não vai falar nada? — perguntou cruzando os braços.

Saga respirou fundo.

— Daqui a alguns minutos vai ser um novo ano — começou ele, a voz firme mas baixa. — E eu não quero levar isso pro ano novo. A gente tem que assumir logo que está afim um do outro. Não há motivos para esconder. Todo mundo no Santuário já percebeu que a gente... que tem algo acontecendo entre nós.

Shaka piscou surpreso.

Então desviou o olhar, tentando manter a compostura.

— Não sei do que você está falando — disse ele.

Deu um passo para trás.

— É só isso? O assunto com o Mu estava interessante. Tchau.

Virou-se para voltar à festa.

Mas antes que pudesse dar dois passos, Saga o puxou de volta com força.

Empurrou Shaka contra a parede mais próxima, pressionando o corpo contra o dele, e iniciou um beijo de língua intenso.

Foi sem aviso, e sem permissão.

Shaka se assustou.

Ficou completamente imóvel, os olhos arregalados, o cérebro tentando processar o que estava acontecendo.

Apenas permitiu.

Não reagiu.

Mas então, depois de alguns segundos, o cérebro finalmente processou a realidade.

E Shaka se entregou.

Aquele beijo era o que ficava na sua cabeça há muito tempo. Há muito queria sentir o sabor daquela boca. Experimentar aquilo que só ousara imaginar em segredo.

O beijo era quente. A língua de Saga era invasiva, dominadora, insistente. A pressão do corpo dele pelo dele era confortável, sólida, real.

E Shaka gostava daquilo.

Gostava muito.

Quando finalmente se separaram, os olhos semisserrados se encontraram. A respiração de ambos estava irregular.

Saga disse baixinho, quase sussurrando:

— Eu gosto de você, Shaka. Por favor... não me rejeite.

Shaka não esperava por aquela declaração.

Não sabia como responder. Não sabia como reagir.

Então optou por não dizer nada.

E voltou a beijar Saga.

O beijo novamente foi confortável e quente. Shaka estava amando experimentar aquilo. Sempre fora uma pessoa reservada, focada na sua função no Santuário, na meditação, na elevação do cosmo. Nunca em relacionamentos.

Mas agora, naquele beijo, com mãos fortes explorando seu corpo, o pensamento que passou pela mente de Shaka foi simples e inevitável:

"Eu deveria ter feito isso antes."

Foi então que, ao longe, começou a contagem regressiva.

— DEZ!

— NOVE!

— OITO!

O grupo de Cavaleiros na festa gritava em alto tom, animado, bêbado, feliz.

— SETE!

— SEIS!

— CINCO!

Saga continuava beijando Shaka, como se nada mais importasse.

— QUATRO!

— TRÊS!

— DOIS!

— UM!

Fogos de artifício começaram a explodir ao longe, iluminando o céu noturno com cores vibrantes. Gritos de comemoração ecoaram.

Saga interrompeu o beijo apenas o suficiente para dizer:

— Feliz Ano Novo Shaka.

E voltou a beijá-lo.

Shaka fechou os olhos, sentindo o calor daquele momento, a firmeza daquele toque, a certeza daquela escolha.

O novo ano começava bem diferente.

~*~

Aos poucos, a festa começava a se encerrar.

Os participantes iam embora em pequenos grupos, cambaleando levemente, rindo alto, se despedindo com abraços apertados e promessas de se verem no dia seguinte.

Camus tentava, sem muito sucesso, arrastar Milo para fora do salão.

— Vamos, Milo. Já está tarde.

Milo estava encostado em uma das colunas, os braços cruzados, fazendo biquinho.

— Não quero ir andando — resmungou ele, a voz arrastada pelo álcool. — Quero ir no colinho.

Camus suspirou, passando a mão pelo rosto.

— Milo, você tem pernas. Use-as.

— Mas eu quero colo — insistiu Milo, estendendo os braços dramaticamente como uma criança. — Colo, Camus. Co-lo.

Camus olhou ao redor, verificando se alguém estava prestando atenção. Então, com um suspiro derrotado, cedeu.

— Tá bom. Vem.

Virou-se de costas e se abaixou levemente.

Milo sorriu como se tivesse acabado de ganhar na loteria e pulou nas costas de Camus, enroscando as pernas na cintura dele e os braços no pescoço.

— Sabia que você me amava — murmurou Milo, encostando o rosto no ombro de Camus.

Camus apenas balançou a cabeça, mas havia um sorriso discreto nos lábios enquanto carregava Milo para fora do salão.

Afrodite observava a cena de longe, com uma mão no peito e os olhos brilhando.

— Olha como os dois são fofos — disse ele para Máscara da Morte suspirando. — Deveríamos ser assim também.

Máscara da Morte, visivelmente bêbado, virou-se para Shura com um sorriso torto.

— Carrega ele, vai — disse ele, apontando para Afrodite. — Que eu não tenho condições.

Shura arqueou uma sobrancelha.

— Ele é seu namorado. Você que carrega.

Afrodite cruzou os braços, olhando para Shura com um sorriso provocador.

— Se o Shura pode carregar, ele pode fazer outras coisas também...

Máscara da Morte soltou uma gargalhada alta.

— Pode, sim! Só se eu participar junto!

Shura riu, balançando a cabeça.

— Se o Máscara deixar... eu vou com força.

Máscara da Morte riu ainda mais alto, batendo na mesa.

— Então me leva, vai! Se você me levar, pode ir com força em quem você quiser…

Afrodite deu um sorrisão, radiante.

Shura se levantou, pegou Máscara da Morte no colo com facilidade, e começou a andar em direção as escadarias que subia as doze casas.

Afrodite os seguiu com um sorriso grande no rosto

~*~

Aldebaran e Mu estavam sentados em uma mesa afastada, observando o desenrolar do fim da festa.

Aldebaran, já meio bêbado, comentou casualmente:

— Cara, Mu... todo mundo ficando junto. Só nós aqui sem ninguém, né?

Mu, também meio bêbado, acenou com a cabeça concordando.

Aldebaran se inclinou para frente, baixando a voz como se fosse contar o maior segredo do mundo.

— Ó, fofoca… aqui entre nós... eu vi o Saga e o Shaka se pegando. Só entre nós, não conta pra ninguém. Até eles se pegando, acredita?

Mu acenou concordando novamente, processando lentamente.

Então Aldebaran voltou a falar, com um sorriso bêbado e malicioso:

— Falta só nós se pegar, Mu.

Mu se levantou de supetão, os olhos arregalados.

— Boa noite, Aldebaran! — disse rapidamente, e saiu andando rápido demais para alguém que estava bêbado.

Aldebaran ficou sozinho na mesa, piscando confuso.

— ...foi algo que eu disse?

~*~

Do outro lado do salão, Hyoga tentava arrastar Jabu, que ainda queria beber.

— Jabu, vamos. Já bebeu demais.

— É só mais um pouquinho, Hyoga! — Jabu protestou, segurando a long neck com firmeza. — Não vou beber muito, juro!

Hyoga cruzou os braços, tentando negociar.

— Olha, Jabu... se você for agora, amanhã a gente pode testar juntos a máscara de mergulho que eu te dei. Que tal?

Jabu hesitou.

— Mas é só mais um pouquinho, Hyoga...

Hyoga usou sua cartada especial.

Inclinou-se para perto do ouvido de Jabu e sussurrou:

— Se você for agora... pode fazer algo bem gostoso ainda hoje.

Jabu colocou a long neck na mesa na mesma hora.

— Vamos agora, Hyoga.

Hyoga deu uma risada, pegou na mão de Jabu, e foram embora juntos.

~*~

Saga e Shaka assistiam a cena de longe.

Estavam um do lado do outro, mas sem toque físico aparente. Apenas próximos.

Saga olhou de relance para Shaka.

— Acha que vão perceber?

Shaka sorriu discretamente.

— Acho que Já perceberam.

Saga soltou uma risada baixa.

— Então não há motivo para esconder.

Shaka o olhou intensamente.

— Não. Não há.

Saga então, entrelaçou os dedos nos de Shaka.

Depois, puxou a mão de Shaka em direção à boca e beijou o dorso com carinho.

Aos poucos, Saga e Shaka começavam a se sintonizar…

E a previsão para aquele novo ano que se iniciava era de puro romance no Santuário.

Fim

Notas finais
Bom, esse capítulo final focou mais em Shaka e Saga, porque eram eles que ainda tinham conflitos a serem resolvidos. É isso! Obrigada a quem leu, favoritou e comentou!! Até a próxima história!😊
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!