Fora de Protocolo - concluída
7 7. A Redoma de Vidro Desmorona
O primeiro sinal de consciência veio na forma de um calor denso e um cheiro muito específico de lençóis caros.
Abri os olhos devagar, a visão ainda embaçada pela transição do sono, e a primeira coisa que registrei foi a imensidão cinza-chumbo dos travesseiros de algodão egípcio.
O outro lado do colchão já estava vazio, mas a memória física da madrugada ainda estava fresca: eu lembrava perfeitamente de ter adormecido de lado, com as costas nuas coladas ao peito de Gustavo e um dos braços pesados e musculosos dele atravessado pela minha cintura, prendendo-me contra ele em um abraço possessivo, quase territorial, mesmo no meio do inconsciente.
Por um primeiro e breve segundo, o meu corpo experimentou uma sensação de leveza que eu não sentia há anos.
A sessão de sexo da noite anterior tinha sido um exorcismo.
Cada músculo da minha panturrilha e das minhas costas ainda guardava a memória da voltagem daquele mármore e da cama king size.
Eu não tinha a menor intenção de dormir ali, meu plano de contingência pragmático sempre envolveu um Uber na madrugada e a segurança do meu próprio travesseiro, mas a verdade é que eu simplesmente apaguei. O cansaço físico e o relaxamento extremo me nocautearam.
Me movi na cama, sentindo o lençol macio. Olhei para o relógio do celular: pouco mais de sete da manhã.
O quarto estava silencioso, mas quando me levantei e comecei a me vestir com o vestido azul-marinho, um barulho distante veio do primeiro pavimento da cobertura. Som de liquidificador. E vozes.
Terminei de fechar o zíper, ajeitei o cabelo e recolhi minha bolsa. Desci a escada helicoidal de aço devagar, guiada pelo som.
Na cozinha americana de mármore, o cenário não era o de um despertar íntimo a dois. Gustavo já estava de pé, vestindo apenas uma calça de moletom cinza, e havia um segundo homem ali.
Um cara de roupas de treino e toalha pendurada no pescoço, que parecia ter acabado de voltar de uma corrida na praia e agora batia o que aparecia e ser um shake proteico, usando os ingredientes da casa com a maior intimidade do mundo.
Eu não fazia a menor ideia de quem era aquele intruso, mas a conversa deles cruzou o balcão antes que notassem minha presença na escada.
A voz de Gustavo saiu limpa, fluida e com uma naturalidade que me congelou no lugar.
— Cara, você sabe como eu penso — Gustavo falava, de braços cruzados, observando o amigo virar o shake no copo. — Mulher com filho pequeno é uma conta que não fecha. É assumir a bagagem e o fardo de outro cara de graça. Eu? Passo longe. É dor de cabeça na certa, tem ex chato enchendo o saco... Não tenho estômago para isso não. Fica longe de mãe solteira. Eu jamais me envolveria com uma. É o melhor conselho que te dou.
O mundo parou.
Aquela arrogância, o papo de "fardo" e "conta que não fecha" entrou como uma agulha na minha ferida, mas não me trouxe choro.
Trouxe uma raiva absurdamente fria.
O gatilho do homem previsível bateu com força, e o meu desprezo por ele subiu ao nível máximo. Terminei de descer os últimos degraus com passos firmes, fazendo o salto alto estalar no piso rústico.
Ele não sabia nada sobre a minha vida. Não sabia do Téo, não sabia da minha rotina, não sabia de absolutamente nada além do meu nome e do meu corpo.
Aquilo não era um ataque direcionado a mim; era apenas a mentalidade real e filtrada de Gustavo Montserrat quando achava que estava seguro entre homens.
Os dois interromperam o assunto no mesmo instante, mas não porque sentiram culpa pelo teor do papo.
Para eles, não havia absolutamente nada de errado com os comentários; era apenas a lógica de negócios deles aplicada aos relacionamentos, uma conversa banal de sábado de manhã. O silêncio que se instalou foi puramente pelo susto de perceberem que eu já estava de pé e tinha ouvido a conversa.
Tentando quebrar o gelo e consertar o óbvio climão, o desconhecido limpou a garganta, apontando meio sem jeito com o copo do liquidificador para a janela.
— Opa, bom dia... Desculpa aí a invasão — ele disse, tentando rir, numa vibe descontraída de brother. — Sou Marcos. A gente sempre corre na orla de sábado bem cedo e eu subo direto para cá. Eu não fazia a menor ideia de que o Gustavo tinha companhia hoje. Se soubesse, não tinha nem entrado.
Gustavo apenas pigarreou, ajeitando a postura com uma calma calculada e cruzando os braços, sem demonstrar um milímetro de arrependimento pelo discurso que tinha acabado de proferir. Ele apenas assentiu com a cabeça, validando a fala do amigo.
— É, a gente tem essa rotina de treino — Gustavo completou, o tom casual, agindo como se nada demais tivesse acontecido.
Ignorei completamente a existência de Gustavo.
Não direcionei a ele um único olhar ou uma única letra. Em vez disso, olhei fixamente para o amigo dele, mantendo uma postura impecável. Dei um sorriso calmo, o cumprimentei com um aceno leve e um tom de voz absurdamente suave:
— Bom dia. Sem problemas, Marcos. Eu já estou de saída de qualquer forma.
Girei nos calcanhares e caminhei decidida em direção à porta de saída, o elevador privativo. Gustavo, saindo do estado de choque e visivelmente desconfortável com a plateia, veio atrás de mim a passos rápidos, tentando conter o estrago.
— Lívia, espera — ele chamou, a voz um pouco instável, tentando recuperar a postura. — Espera aí. Deixa que eu te deixo em casa. Vamos de carro, eu te levo.
Parei com a mão na maçaneta da porta. Virei-me devagar, olhando-o de cima a baixo com o olhar mais desdenhoso que consegui formular. Dei um sorriso ladino, frio e totalmente despretensioso.
— Não precisa se dar ao trabalho, Montserrat. Guarda a sua carona — disparei, a voz mansa, mas perfeitamente audível até na cozinha. — Para ser bem sincera, a noite ontem foi um passatempo divertido para quebrar o jejum, mas o pós de vocês é incrivelmente cansativo. A mística acabou bem mais rápido do que eu esperava. Passar bem.
Pelo canto do olho, vi o amigo dele soltar uma risada abafada na cozinha, tossindo para disfarçar o riso da cortada homérica que o Gustavo tinha acabado de levar.
O rosto de Gustavo desabou. Os olhos verdes dele piscaram, completamente abalados, o orgulho ferido exposto ali, na frente do parceiro de treino. Para um homem que quase nunca abria as portas daquele apartamento e que, internamente, sabia que aquela noite tinha sido muito mais do que um "caso" qualquer, ser reduzido por mim a um mero passatempo descartável e sem valor foi um soco direto no estômago.
Bati a porta com força.
No hall do elevador privativo, enquanto a cabine subia, peguei o celular com a mão ainda firme pela adrenalina e pedi um Uber. Eu não ia dar a ele o gosto de me ver esperando um táxi na portaria.
Quando saí na calçada da Avenida, o Corolla prata que aceitou a corrida já encostava no meio-fio. Entrei no banco de trás, desabei contra o estofado e fechei os olhos enquanto o motorista engatava a marcha para pegar o rumo de Laranjeiras.
A sensação no meu peito era um emaranhado complexo de linhas. Havia uma pontada óbvia de tristeza por algo que tinha sido tão absurdamente bom ter terminado de um jeito tão patético e mesquinho. Ninguém gosta de ver a magia virar abóbora com cheiro de whey protein e preconceito masculino.
Mas, conforme o carro avançava e o vento salgado de Copacabana entrava pela fresta do vidro, a melancolia foi dando espaço para uma satisfação muito mais vibrante. Eu estava feliz. Feliz por ter vivido aquela noite. Feliz por ter sentido meu corpo vivo, desejado e elétrico daquele jeito depois de dois anos de pura dormência materna.
Aquele desastre burocrático matinal não apagava a potência do que tinha acontecido sob a luz da lua. Pelo contrário: aquela noite meio que abria uma porta na minha mente que eu achava que estava trancada para sempre. Eu podia, sim, ter outras noites como aquela no futuro. Podia sair, me divertir, dançar, flertar, ser desejada... e isso não precisava necessariamente terminar em sexo, e muito menos em romance.
Eu nunca mais, em hipótese alguma, cometeria o erro de romantizar os homens. A lição de hoje tinha sido um lembrete valioso e gratuito: para mim, era uma dinâmica chata demais pensar que, para conseguir algumas gramas de linguiça, a gente ainda corria o risco de ter que aturar o porco inteiro. Eu não tinha mais estômago para o porco. Só queria a degustação, sob os meus termos, na minha hora, e tchau.
A fúria passou. O que sobrou foi o meu pragmatismo de volta ao banco do motorista da minha própria vida.
O Uber cruzou o Túnel Rebouças em um silêncio que contrastava violentamente com o caos do início da manhã. Deixei para trás a opulência salgada da Avenida Atlântica e a redoma de vidro de Copacabana para entrar na realidade prática e familiar da Zona Sul profunda. Quando o carro finalmente estacionou em frente ao meu prédio em Laranjeiras, o sol da manhã já clareava as calçadas. Subi o elevador residencial sentindo o peso do vestido azul-marinho e o cansaço físico.
No segundo em que girei a chave na fechadura do meu apartamento, fui recebida por um cenário de completa calmaria.
Minha mãe, Teresa, e o Téo já estavam na mesa da cozinha tomando café. Os dois estavam ótimos. Meu filho usava um babador todo colorido e estava concentradíssimo, com as mãozinhas lambuzadas, comendo um pedaço de manga.
Assim que passei pela porta, minha mãe olhou para mim, notou o meu vestido de festa amassado e sorriu até os olhos, com uma cumplicidade linda que desarmou qualquer resquício de tensão que eu ainda carregasse no corpo.
— Ainda bem que você lembrou que é jovem, minha filha — ela disse, com a voz mansa e acolhedora.
Sorri, sentindo o peito leve. Caminhei até a mesa, me inclinei e dei um beijo demorado e estalado na cabeça do Téo, sentindo aquele cheirinho gostoso dele que sempre me trazia de volta para o chão.
— Como foi a noite por aqui, mãe? — perguntei, puxando uma cadeira.
— Tudo ótimo, correu tudo bem. Ele dormiu a noite inteira — minha mãe respondeu, esticando o braço para me servir um pouco de café. Ela me avaliou com um olhar curioso e divertido. — E a sua? Como foi?
— Foi muito boa — respondi com honestidade, um sorriso genuíno surgindo nos meus lábios ao lembrar da parte que realmente tinha valido a pena.
— E então? — Teresa semicerrou os olhos, com aquela curiosidade típica de mãe. — Conheceu alguém interessante?
Dei um gole no café, olhando para o reflexo do sol nos azulejos da cozinha. Pensei em Gustavo Montserrat, na pegada na parede, nos olhos verdes e, logo em seguida, no discurso arrogante sobre fardos e bagagens. Fui completamente honesta na resposta.
— Parecia ser, mãe... Mas no final, não era não.
Minha mãe assentiu, compreendendo sem precisar de detalhes, respeitando o meu espaço com aquele jeitinho acolhedor de sempre. Me levantei da cadeira, acariciando as costas do Téo uma última vez antes de me afastar.
— Vou tomar um banho — avisei, caminhando em direção ao corredor, ansiosa para deixar a água quente levar embora o cansaço e o cheiro de sândalo da Avenida Atlântica.
Deixei a água quente do chuveiro correr pelas minhas costas por longos minutos, lavando o cansaço físico, o sal da praia e qualquer resquício do perfume dele que insistia em tentar ficar na minha pele. Quando saí, vestindo um short confortável e uma camiseta leve, parecia que eu tinha finalmente deixado o universo Montserrat guardado em uma gaveta trancada em Copacabana.
Voltei para a cozinha, onde minha mãe já terminava de organizar as coisas enquanto Téo tentava, sem muito sucesso, pegar o último pedaço de manga do prato. Preparei uma nova caneca de café bem forte, sentei-me à mesa e finalmente peguei o celular.
O visor indicava que o grupo do WhatsApp estava prestes a explodir.
GRUPO: As Três Mosqueteiras
Malu: @Lívia ALERTA GERAL. Você está viva? Pelo amor de Deus, me diz que o Porsche não era um carro de fuga de um cartel.
Helena: Lívia, cadê você? Já são quase oito da manhã e você não deu sinal de vida. Malu disse que você saiu do hotel parecendo que estava gravando um filme de Hollywood. Quem era o cara misterioso?? Conta tudo!
Malu: Se ela não responder em cinco minutos, eu ligo para a polícia ou para o corpo de bombeiros do Rio de Janeiro.
Soltei uma risada abafada, cuidando para não dispersar a concentração de Téo com a fruta, e digitei a resposta com apenas uma das mãos enquanto dava o primeiro gole no café amargo.
Lívia: Calma, histéricas. Estou viva. Estou em casa.
Helena: Graças a Deus! E então? Quem era ele? Qual o nome do moreno?
Lívia: Não era ninguém importante, miga. Só um cara que eu conheci no balcão e achei interessante. Sem nomes para não estragar a mística.
Malu: Ninguém importante que dirige um Porsche e tem cara de quem compra um banco antes do café da manhã? Conta outra. Como foi a noite?
Lívia: A noite foi boa. Muito boa, na verdade. Mas o cara era um babaca completo, daqueles arrogantes que acham que o mundo gira em torno do próprio umbigo. Ele e um amigo resolveram falar besteira de manhã na cozinha, achando que eu estava dormindo.
Helena: Ah, não... Mentira que ele estragou o clima de manhã? Que horror! O que você fez?
Lívia: Dei um fecho histórico nele na frente do amigo, recusei a carona de Porsche e deixei o ego dele no chão. Mas relaxem. Valeu a pena. Foi divertido e serviu exatamente para o que eu precisava: quebrar o jejum com estilo.
Bloqueei a tela do celular e o joguei de lado, encerrando o interrogatório antes que a Malu começasse a cruzar dados que eu não queria expor.
Apoiei os cotovelos na mesa de madeira, segurando a caneca perto do rosto.
Olhei para Téo, agora com o rosto todo lambuzado de amarelo, sorrindo para a avó que o limpava com um pano úmido.
Eu estava exausta, com os músculos da panturrilha e das costas protestando pelo esforço físico na parede e na cama king size.
O final da manhã tinha sido um desastre de egos inflados, e a empáfia de Gustavo Montserrat no despertar tinha me irritado profundamente, me subindo o sangue de um jeito que poucas coisas conseguiam fazer.
Mas ali, na calmaria da minha própria cozinha, olhando para o reflexo do sol matutino nos azulejos de Laranjeiras, um sorriso completamente involuntário desenhou-se nos meus lábios.
Ele podia ser o homem mais egocêntrico da Avenida Atlântica. Podia ser um problema ambulante com um algoritmo quebrado que achava que maternidade era um "fardo".
Mas, olhando em retrospecto para a intensidade daquela madrugada e para o choque de soberania que trocamos sob a luz da lua de Copacabana...
Valeu a pena.Valeu muito a pena. Eu só precisava lembrar de comprar a linguiça direto no mercado na próxima vez, sem precisar levar o porco para casa.
guardei o pragmatismo na gaveta e me joguei de cabeça no meu universo preferido. O resto do sábado foi puramente nosso.
Esqueci Gustavo Montserrat, esqueci coberturas triplex, Porsches e discursos arrogantes de bota de sete léguas. Dediquei cada minuto das minhas horas ao Téo.
Nós brincamos no tapete da sala com os blocos de montar, espalhamos dinossauros de plástico por todo o corredor e, à tarde, o levei para dar uma volta de carrinho pelas calçadas sombreadas e frescas de Laranjeiras. Ver o meu filho rir com o vento no rosto e apontar para os cachorros na rua era o meu verdadeiro combustível, o meu ponto de paz.
Eu era a mãe dele, a veterinária, a mulher real que sustentava aquela rotina com unhas e dentes, e não havia nada melhor no mundo do que isso.
Preparei o jantar dele com calma, dei um banho quentinho e gostoso para relaxar o corpinho dele e, por volta das oito da noite, o embalei no quarto na penumbra. Téo adormeceu pesado, com a respiração tranquila e ritmada de quem se sentia completamente seguro e amado.
Dei um beijo leve na sua bochecha gordinha, fechei a porta do quarto devagar e o silêncio finalmente se instalou no apartamento. Minha mãe também já tinha ido deitar, exausta da sua própria rotina. A casa era minha. O tempo era meu.
A Noite tomei um segundo banho, dessa vez sem pressa. Deixei a luz do banheiro apagada, iluminada apenas pela claridade suave que vinha do corredor.
Quando saí, vesti apenas uma camisola de seda preta, algo que eu não usava há tanto tempo que o toque do tecido na minha pele pareceu quase um evento novo.
Deitei-me na minha cama, puxando o lençol até a cintura. O quarto estava fresco, e o silêncio da noite em Laranjeiras era o cenário perfeito para o que a minha mente vinha ensaiando fazer o dia todo.
Fechei os olhos. E, finalmente, me permiti voltar para Copacabana.
Mas eu não fui pensar no Gustavo. Não no homem, não no herdeiro, não no idiota prepotente da cozinha com o seu suco de proteína.
Eu deletei a existência do Montserrat civil da minha mente.
Eu queria pensar apenas no sexo.
No sexo puramente sensacional, elétrico e avassalador que tínhamos tido algumas horas atrás.
Lembrei da voltagem daquela madrugada. Da textura rústica do mármore contra a minha pele quente, do contraste da frieza da parede com o calor absurdo do corpo dele. Lembrei da pegada firme, violenta e sem hesitação na minha cintura, do peso dele me suspendendo com uma facilidade que me fez perder o fôlego, e da intensidade daqueles olhos verdes fixos nos meus sob a luz da lua.
Minha respiração mudou de ritmo, ficando um pouco mais densa na escuridão do quarto.
Passar a mão pelo meu próprio corpo agora não trazia mais aquela culpa materna ou o peso de ter saído da rotina. Trazia algo muito melhor. Eu olhei para mim mesma e, pela primeira vez em dois anos, me senti intensamente sexy. Me senti desejada, sensual, dona de uma eletricidade que era estritamente minha, e de mais ninguém.
O Gustavo Montserrat podia achar que tinha tido apenas um caso de fim de semana com uma mulher qualquer, mas a verdade era o oposto: ele tinha sido o instrumento perfeito para me devolver a mim mesma. Ele tinha sido o catalisador que acendeu uma chama que eu achei que a maternidade tinha apagado.
Sorri na penumbra, sentindo um calor gostoso se espalhar pelo meu peito antes de virar de lado para dormir. O prazer de me redescobrir mulher... esse era um patrimônio inteiramente meu.
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