Fora de Protocolo - concluída

5 5. A Redoma de Vidro sobre a Cidade


O ronco abafado do motor do Porsche finalmente silenciou quando Gustavo desligou a ignição na garagem subterrânea do edifício.


O estalo do metal quente resfriando no motor foi o único som que restou no espaço de concreto, criando uma atmosfera de transição quase teatral. Eu ainda conseguia sentir a vibração do asfalto na sola dos meus pés, uma eletricidade residual que parecia ter pegado carona no meu sistema nervoso desde o momento em que saímos da calçada do hotel.


Subimos pelo elevador privativo em silêncio, pontuado apenas pelo indicador digital dos andares subindo rápido demais.


Gustavo mantinha uma das mãos de dedos longos enfiada no bolso da calça do terno, mas seus olhos verdes, que na luz da rua revelaram uma nuance clara e felina, quase hipnótica, não se desviavam do meu reflexo no espelho da cabine.


Não era um olhar de quem estava prestes a bater cartão em mais uma noite casual. Era o olhar de quem estava prestes a desvendar um mistério.


Quando as portas se abriram diretamente no hall da cobertura, o ar sumiu dos meus pulmões por um segundo inteiro.


Eu sabia que os Montserrat pertenciam a outro nível social, mas a realidade daquela cobertura tríplex na Avenida Atlântica ultrapassava qualquer noção de riqueza que minha mente pragmática de veterinária pudesse processar. O local era monumental, mas desprovido de qualquer cafonice ostentosa. O primeiro pavimento abria-se em um salão de pé-direito duplo, emoldurado por imensas paredes de vidro que eliminavam a fronteira entre a sala e a imensidão escura do Oceano Atlântico. Àquela hora da madrugada, o mar de Copacabana parecia uma pintura a óleo em movimento, as cristas das ondas quebrando na areia iluminadas pelos refletores da orla, criando um balé de espuma branca sob o céu do Rio.


O piso de mármore travertino bruto era frio, contrastando com os tapetes orientais imensos e o mobiliário assinado por designers que eu só conhecia de revistas de consultório de luxo. Uma escada helicoidal de concreto aparente e aço escovado subia em direção aos pavimentos superiores, sugerindo uma arquitetura que valorizava as linhas puras, a força dos materiais e o espaço. Muito espaço.


— É... aceitável — comentei, engolindo em seco e usando a ironia como uma tábua de salvação para não deixar evidente que meu queixo estava prestes a cair no chão decorado. — Embora eu ache que você exagerou um pouco no tamanho da janela. Se uma gaivota entrar em rota de colisão, o prejuízo vai ser grande.


Gustavo soltou aquela risada curta e rouca que eu já estava aprendendo a decifrar, retirando o paletó do terno com uma fluidez invejável e jogando-o sobre o braço de um sofá de couro legítimo. Ele desfez os dois primeiros botões da camisa escura, revelando a base do pescoço e a clavícula de um jeito que fez meu estômago dar aquela cambalhota perigosa outra vez.


— As gaivotas de Copacabana costumam respeitar o espaço aéreo, tempestade — ele retrucou, caminhando em direção a um aparador de madeira maciça que servia de bar. — Sente-se. Vou pegar o uísque que te prometi. O de verdade.


Fiquei de pé por mais alguns segundos, aproximando-me do vidro imenso. Olhar para aquela imensidão preta lá fora, sabendo que a menos de dez quilômetros dali o meu filho dormia calmamente no berço sob a supervisão da minha mãe, trouxe uma pontada rápida de culpa materna. Era o meu inquilino permanente tentando me puxar de volta para a realidade dos boletos e do cheiro de antisséptico hospitalar.


Mas quando olhei para o meu reflexo no vidro, a seda azul-marinho moldando o corpo, a maquiagem impecável da Malu e os olhos brilhando com uma vivacidade que eu não via há anos, decidi mandar a culpa tirar uma folga de algumas horas.


Eu merecia aquela noite. Merecia ser apenas Lívia, não a Dra. Coimbra, não a mãe solo exausta.


Gustavo reapareceu ao meu lado, segurando dois copos baixos de cristal pesado. O líquido âmbar brilhava sob a luz indireta que vinha do teto do apartamento.


— Macallan vinte e cinco anos — ele disse, estendendo o copo na minha direção. — Sem gelo, para não ofender o destilador escocês que passou duas décadas cuidando desse barril.


Peguei o copo, sentindo o peso do cristal na minha mão. Nossos dedos se roçaram no processo, um toque sutil, mas que pareceu descarregar mais uma voltagem de estática no ambiente. Dei um gole lento, deixando o líquido queimar a minha garganta com uma maciez impressionante, trazendo notas de mel, especiarias e fumaça de madeira. Um abismo de diferença se comparado aos drinques de plástico que eu costumava tomar nas festas de formatura da faculdade.


— Impressionante — admiti, olhando para o copo e depois para ele. — Você realmente entende de combustíveis, Montserrat. Sejam eles para o Porsche ou para o fígado.


Ele deu um gole no seu próprio uísque, encostando o quadril na lateral do vidro imenso, cruzando as pernas e me encarando com aquela intensidade de olhos verdes que parecia ler as minhas linhas de expressão.


— Eu entendo de qualidade, Lívia. E sei reconhecer quando algo sai da curva padrão de medição.


O uso do meu nome real, pronunciado com aquela voz grave na penumbra da cobertura, mudou a rotação da noite. Não estávamos mais no bar do Copacabana Palace jogando xadrez verbal para ganhar uma aposta de cem reais. Estávamos em uma redoma de vidro acima do oceano, e o homem na minha frente exalava o perigo magnético de quem estava acostumado a conseguir exatamente tudo o que queria.


— Você gosta de estudar as pessoas, não gosta? — perguntei, dando um passo à frente, reduzindo a distância entre nós dois para apenas trinta centímetros. O calor que emanava dele era quase palpável. — Fiquei reparando em você no bar. Você olha para o salão como se estivesse analisando um formigueiro ou um gráfico de ações.


Gustavo inclinou a cabeça de leve, o canto da boca ameaçando subir.


— Ciência Comportamental aplicada. É uma formação profissional de Oxford. Eu leio padrões de comportamento para antecipar movimentos. Ajuda a não ser pego de surpresa no mercado.


— E que padrão você leu em mim quando atravessei aquele salão? — desafiei, erguendo o queixo e fixando meus olhos nos dele, recusando-me a ser a parte intimidada.


Ele depositou o seu copo de uísque no aparador atrás de si, sem desviar os olhos verdes dos meus. Deu um passo à frente, eliminando o resto de espaço que nos separava, forçando-me a inclinar o rosto para trás para sustentar o contato visual. A mão dele subiu devagar, tocando a lateral do meu rosto com a ponta dos dedos, um traço leve que desceu pela minha bochecha até a linha do meu maxilar.


— Nenhum — ele sussurrou, a voz sendo uma vibração baixa contra a minha pele arrepiada. — Esse é o problema, tempestade. Você quebrou o meu algoritmo no segundo em que pisou no bar. Você tem a postura de uma aristocrata, o olhar de quem está pronta para puxar um gatilho e um perfume que está me fazendo esquecer todas as teorias que estudei em Oxford. Você é uma variável caótica. E eu adoro caos... e estou fascinado pelo seu.


O toque da mão dele na minha pele mandou um comando direto para o meu cérebro, obliterando qualquer vestígio de racionalidade. Eu estava fascinada por aquele moreno perigoso de olhos verdes que eu tinha arrumado por pura audácia no balcão de um hotel. A noite estava prestes a fugir totalmente de qualquer padrão transacional ou casual que o Rio de Janeiro pudesse oferecer.


Não era sobre suprir uma carência de quase dois anos de seca; era sobre colidir com uma força da natureza que ameaçava desorganizar toda a estabilidade que eu tinha lutado tanto para construir.


E a pior parte? Eu queria que tudo desmoronasse ali mesmo.


— Então para de analisar, Montserrat — murmurei, subindo a minha mão livre pelo peito da sua camisa escura, sentindo o batimento firme do seu coração sob o tecido. — E lide com o caos.


A intimidade entre nós dois não fluiu como o roteiro previsível de um encontro de fim de noite. Havia uma urgência cortante, um magnetismo de polos opostos que colidiam com a força de duas massas de ar de alta pressão. No segundo em que terminei de falar, o cinismo que ele usava como armadura derreteu por completo.


Gustavo deu o último passo, prensando o corpo dele contra o meu. O copo de cristal na minha mão encontrou o aparador de mármore num estalo cego antes que eu pudesse derrubá-lo, porque os braços dele já tinham me envolvido.


O beijo que se seguiu fez o do bar parecer um ensaio tímido.


Não havia calma ali; era um incêndio de proporções bíblicas. A boca dele era quente, possessiva, movendo-se contra a minha com uma volúpia que me arrancou um som abafado da garganta. Uma de suas mãos grandes e firmes subiu pelas minhas costas expostas, a pele arrepiando-se instantaneamente com o choque térmico do toque, enquanto a outra desceu pela seda do vestido, moldando a curva do meu quadril com uma pegada firme, forte, cravando os dedos na minha bunda para me erguer e me colar ainda mais contra o corpo dele. Eu senti cada centímetro da rigidez dele contra a minha coxa, e um calor líquido se espalhou pelo meu ventre, obliterando os últimos vestígios do meu pragmatismo habitual.


Minhas mãos se enroscaram nos cabelos escuros da nuca dele, puxando-o para mais perto, querendo mais daquela gravidade perigosa.


Gustavo distribuiu uma trilha de beijos úmidos e intensos pelo meu maxilar, descendo pela linha do pescoço com uma fome que me fez arcar as costas. Os lábios dele sugaram a pele macia da minha clavícula com uma pressão que me fez morder o lábio inferior.


— Ei... — sussurrei, a voz saindo trêmula, o ar escapando dos meus pulmões em um fio de lucidez enquanto minhas unhas arranhavam de leve os ombros dele sob a camisa escura. — Sem marcas, Montserrat. Lembra do meu plano de contingência. Minhas amigas são investigadoras profissionais, e eu tenho que trabalhar na segunda-feira.


Ele soltou uma risada rouca contra a minha pele, o sopro quente enviando uma nova onda de arrepios pela minha espinha, mas suavizou a pressão, substituindo a mordida por um roçar de lábios lento, quase torturante, que me deixou mole em seus braços.


— Seus termos foram anotados, tempestade — ele murmurou, subindo os olhos verdes, agora escuros e carregados de uma promessa predatória, para os meus. A respiração dele estava tão errática quanto a minha, os nós dos seus dedos acariciando a fenda do meu vestido. — Mas a situação aqui dentro está prestes a sair do controle.


Ele se afastou um centímetro, apenas o suficiente para segurar a minha mão, mantendo nossos corpos conectados da cintura para baixo. O olhar dele cortou a imensidão da sala e apontou para a escada helicoidal de aço que subia para os pavimentos superiores da cobertura triplex.


— Só para você saber e gerenciar o risco... — a voz dele desceu mais um tom, carregada de segundas intenções. — Essa cobertura tem três suítes no segundo andar. E todas elas estão com os lençóis limpos.


Eu olhei para o topo da escada e depois voltei a encarar aquele rosto absurdamente perfeito, o maxilar marcado e os olhos verdes que pareciam ler a minha alma. Uma lufada de audácia, temperada pela atmosfera surreal daquela redoma de vidro, me fez abrir um sorriso ladino, recheado de provocação.


— Três quartos? — arqueei uma sobrancelha, deslizando os dedos pela gola da camisa dele, desfazendo mais um botão com uma lentidão calculada. — Francamente, Montserrat. Nós já saímos do óbvio no momento em que eu aceitei entrar em uma lasanha preta dos anos noventa com um estranho que conheci em um evento.


Inclinei o corpo para a frente, colando meu peito ao dele outra vez, deixando que ele sentisse o compasso acelerado do meu coração.


— E olhando para toda essa imensidão minimalista... — brinquei, correndo os olhos pelo salão monumental e vazio, deixando o deboche carioca assumir o controle. — Eu tenho um palpite de que você nunca fez sexo de verdade aqui embaixo. Acertei? Esse lugar parece limpo demais para abrigar o caos de alguém.


Gustavo travou os olhos nos meus, e o sorriso que se desenhou nos lábios dele foi o mais genuíno e perigoso que vi desde que a noite começou. Era o xeque-mate que ele não esperava.


— Dois a zero para você, tempestade — ele admitiu, a mão na minha bunda apertando com uma força que me fez prender o fôlego. — Mas eu estou perfeitamente disposto a quebrar a porra do protocolo nesta sala.


O contraste entre a imponência fria daquela sala e a voltagem do que estava acontecendo ali dentro parecia prestes a estourar os imensos painéis de vidro.


Eu não queria os três quartos do segundo andar. Não queria o roteiro confortável dos lençóis limpos.


Queria o caos ali mesmo, no chão de mármore travertino, sob o reflexo da lua.


Deslizei minhas mãos do peito de Gustavo para os seus ombros, usando o apoio para iniciar um movimento lento de descida. Meus joelhos se dobraram com uma lentidão calculada, a seda azul-marinho roçando contra as pernas dele enquanto eu me ajoelhava no piso frio.


Eu não desviei o olhar por um único segundo. Mantive meus olhos fixos nos dele, sustentando aquela imensidão verde que agora parecia completamente obscurecida pelas pupilas dilatadas.


Gustavo travou o corpo. A postura ereta e controlada do herdeiro cínico tencionou por completo quando ele percebeu onde eu estava me posicionando. As mãos dele, que antes moldavam o meu quadril, desceram para os meus ombros, os dedos longos apertando a minha pele como se ele estivesse tentando se ancorar em meio a uma turbulência.


Apoiei minhas mãos na cintura dele. Senti o couro do cinto importado, a textura do tecido nobre da calça do terno. Com os dedos firmes, destravei a fivela de metal. O som do estalo ecoou no silêncio monumental da cobertura. No exato momento em que o cinto se abriu, ouvi a respiração dele mudar. O puxar de ar de Gustavo foi curto, ruidoso, um som puramente animal que escapou por entre seus dentes travados. O controle milimétrico que ele tanto se orgulhava de ter estava escorrendo por entre seus dedos.


Desatuei o botão da calça e puxei o zíper para baixo com uma lentidão torturante.


Afastei o tecido escuro e a cueca de algodão, liberando-o.


O pênis de Gustavo saltou para a frente, pulsante, rígido e absurdamente quente contra o ar condicionado da sala. A pele era marcada por veias calibrosas que testemunhavam o nível de excitação que ele vinha tentando mascarar com o seu charme corporativo.


Aproximei meu rosto daquela carne firme, sentindo o calor emanar diretamente dele, o cheiro característico da sua masculinidade misturado ao amadeirado do perfume caro.


Fechei meus dedos ao redor da base dele. A pele ali era suave, mas a estrutura por baixo era como puro aço. Comecei a masturbá-lo devagar, deslizando a minha mão para cima e para baixo, assistindo à gota de lubrificação límpida brotar no topo da glande e reluzir sob a luz da lua.


A cada movimento da minha mão, o corpo de Gustavo dava um leve solavanco para a frente. O maxilar dele estava tão rígido que os músculos do pescoço saltavam sob a pele.


Inclinei a cabeça ligeiramente para cima, sem interromper o ritmo lento e firme da minha mão na sua extensão, e curvei os lábios em um sorriso ladino, provocante.


— Você gosta disso, Montserrat? — perguntei, a voz saindo em um sussurro arrastado, carregado do deboche que tinha virado o jogo dele de cabeça para baixo. — Ou a Ciência Comportamental de Oxford tem alguma teoria complicada para explicar o que você está sentindo agora?


Gustavo soltou um rosnado baixo, o som vindo direto do fundo do peito, áspero e completamente desprovido do polimento social que ele ostentava no salão do Copacabana Palace. Os dedos dele se cravaram com força nos meus ombros, as unhas quase perfurando o tecido da seda azul-marinho.


— Esquece a porra de Oxford, Lívia... — ele arfou, a voz saindo falhada, rouca, o sotaque carioca perdendo toda a modulação diplomática. — Você está me enlouquecendo. Engole isso.


Eu não esperei que ele repetisse. A audácia que me guiou até ali transformou-se em uma urgência visceral. Havia quase dois anos que eu não me permitia estar naquele papel, dois anos em que minha boca só pronunciava termos médicos, canções de ninar ou listas de supermercado.


A sensação de resgatar o meu próprio desejo, de ter o controle do prazer de um homem tão poderoso na ponta da minha língua, disparou uma descarga de adrenalina que fez meu próprio ventre contrair em um espasmo úmido. Eu estava excitadíssima, sentindo o tecido da minha calcinha ceder sob o peso da minha própria luxúria.


Abri a boca e o envolvi.


O calor dele preencheu minha cavidade oral de imediato. A glande dele tocou o fundo da minha garganta enquanto eu deslizava os lábios pela extensão rígida e pulsante.


O cheiro da pele dele, aquela mistura intoxicante de testosterona pura e o suor limpo da noite, me atingiu em cheio, agindo como um combustível para o meu próprio ritmo.


Gustavo arqueou o quadril para a frente por puro instinto, mas conteve o movimento no milésimo de segundo seguinte, lutando desesperadamente para não perder o controle rápido demais. Os rosnados que ele soltava a cada vez que minha língua subia pelo freio do seu pênis ecoavam pelo salão monumental, quebrando o silêncio minimalista da cobertura.


— Caralho... Lívia... — ele praguejou alto, a cabeça dele caindo para trás, os olhos verdes fitando o teto de pé-direito duplo enquanto as mãos subiam dos meus ombros para o meu cabelo, segurando as mechas escuras com uma firmeza possessiva, mas sem me machucar, apenas ditando a profundidade que ele mal conseguia suportar.


O som do meu próprio recolhimento úmido, o calor da boca dele e a constatação de que o herdeiro cínico estava completamente entregue ao meu comando me deixaram ainda mais molhada, um fluxo quente escorrendo pelas minhas coxas enquanto eu continuava a sugá-lo com volúpia.


O ritmo da minha boca na carne quente dele tornou-se quase frenético. Eu conseguia sentir as pulsações na base do seu pênis ficarem mais intensas, mais rápidas, ritmadas pelo compasso desordenado do coração dele que martelava no peito. O abdômen de Gustavo contraiu-se ao extremo, os músculos travados como rocha sob a camisa escura, e a respiração dele transformou-se em um chiado sibilante entre os dentes.


Ele estava no limite. Eu sabia disso. O instinto biológico e a leitura dos sinais corporais que eu dominava tão bem não mentiam: mais três ou quatro movimentos e ele derramaria tudo.


Em vez de recuar, eu aumentei a sucção. Usei a língua com força, envolvendo a glande com uma vontade faminta, extraindo dele um gemido agudo, arrastado, um som de puro colapso que ecoou pelas paredes de vidro da cobertura. Gustavo tensionou os dedos no meu cabelo, o quadril prestes a dar o impulso final.


Mas eu não ia entregar o xeque-mate tão fácil. Eu queria o jogo completo.


Com um movimento ágil, interrompi a sucção e deslizei a boca para fora dele no último segundo. Antes que ele pudesse processar o vazio ou protestar pela quebra do ápice, usei o apoio das minhas mãos no seu quadril e me impulsionei para cima, levantando-me do chão de mármore com a seda do vestido azul-marinho colando no meu corpo suado.


Gustavo abriu os olhos verdes, as pupilas tão dilatadas que a cor quase desaparecera, um mistério de pura frustração e desejo queimando ali dentro. Ele abriu a boca para falar algo, provavelmente um xingamento ríspido ditado pelo desespero do orgasmo interrompido, mas eu não dei tempo.


Segurei o rosto dele com as duas mãos, enterrando meus dedos na sua barba por fazer, e o puxei para baixo.


Nossos lábios se chocaram com uma violência deliciosa. Foi o beijo mais luxurioso e profundo da minha vida inteira. Não havia espaço para delicadeza ou cortesias românticas ali; nossas línguas se entrelaçaram com uma vontade crua, faminta, reivindicando cada milímetro de espaço. O gosto do próprio desejo dele, que ainda cobria a minha boca, misturou-se ao uísque que ele tinha tomado, criando um sabor intoxicante que nos empurrou de vez para o abismo.


Ele me puxou pela cintura com tanta força que meus pés quase saíram do chão, colando seu peito ao meu, enquanto o beijo se tornava cada vez mais profundo, molhado e urgente. Eu conseguia sentir o tremor no corpo dele, a raiva deliciosa por ter sido interrompido misturada à constatação de que ele estava completamente nas minhas mãos.


Notas finais
Eita que começou a pegar fogo