For you
13 Back to hell
Notas iniciais
Dean.
Naquele um ano sem ter nenhum tipo de contato não havia um dia em que Dean não passasse horas olhando para o céu, se perdendo em pensamentos ou rezando para Castiel. Não havia um dia em que ele não sentisse falta de seu anjo.
As caçadas não pareciam mais ser tão importantes para Dean, ele as fazia por Sam. Algumas vezes Dean se via bolando algum plano para conseguir ver Castiel, até mesmo tentou invocá-lo, mas ninguém apareceu.
Certa noite, Dean estava tomando banho. Um longo banho. Enquanto passava a mão por seu corpo, se livrando da espuma, Dean encostou em uma antiga cicatriz em seu ombro. A marca da mão de Castiel quando havia o tirado do Inferno. Foi então que Dean teve a ideia: Para ver Castiel novamente ele teria que morrer. Se fosse para o Inferno, Cas iria tirá-lo de lá, se fosse para o Céu, procuraria pelo anjo.
Depois de se enrolar na toalha, Dean refletiu sobre contar ao Sam sobre seu plano. Se contasse, Sam poderia tentar impedi-lo, por outro lado, se não contasse, Sam poderia tentar trazê-lo de volta e acabar fazendo alguma besteira.
Mais tarde, Dean sentou-se com Sam.
– Sammy, eu estou prestes a fazer uma loucura.
– E eu estou prestes a te impedir. – Sam falou, olhando desconfiado para o irmão.
– Não, não vai. Eu tive um plano para trazer o Cas de volta.
– Dean...
– Não me impeça Sam. – O Winchester mais velho retrucou.
– Não é isso. Você já pensou que talvez isso seja algo maior do que nós? Isso pode envolver Deus! Eu não sei você mas eu não quero me meter com ele.
– Você não vai, eu vou!
– Você é meu irmão! – Sam se impôs – Eu não vou deixar que fique se arriscando, ainda mais sem o Castiel pra te trazer de volta, e você sabe que nós raramente temos a sorte do nosso lado, Dean.
Dean ficou em silencio por alguns instantes.
– Eu vou ficar bem Sammy. – Ele sorriu para o irmão – Mas preciso que você confie em mim.
Sam o olhou, ainda incerto, mas concordou.
Dean estava do lado de fora da casa de Bobby, este e Sammy o observavam segurando uma pistola.
– Tem certeza disso filho? – Bobby perguntou.
Dean balançou a cabeça. Não tinha certeza, mas faria do mesmo jeito. Ele estava nervoso, tremia um pouco e o suor quase escorria em seu rosto. Ele enfiou a ponta da arma na boca. Era gelada e o gosto de metal fez a espinha de Dean arrepiar. Talvez aquela não fosse a melhor posição. Tentou colocar a arma do lado da cabeça. Assim era melhor. Ele fechou os olhos, respirou fundo e se preparou...
– Pare!
Alguém gritou. Era o Rei do Inferno.
– Crowley? O que faz aqui? – Dean perguntou, afastando a arma da cabeça.
– Suicidar-se vai te dar uma passagem direta pro inferno, esquilo.
Dean, Sam e Bobby olharam desconfiados para o demônio. Ele revirou os olhos.
– Se quer morrer, me deixe ter o prazer de fazê-lo. Sempre quis atirar em um Winchester. – Ele riu.
– Por que quer nos ajudar? – Sam perguntou.
– É pelo prazer mesmo, Alce.
– Diga a verdade Crowley. – Dean falou.
– Certo! Depois que os anjos foram recolhidos eternamente para o Céu, as coisas no Inferno não melhoraram.
– Como assim? – Bobby perguntou.
– Ora, vocês, insetos, são tão ingênuos? – Crowley revirou os olhos novamente. – Os demônios acabaram sendo proibidos de ter relações com humanos. Quero dizer, não que nós fizéssemos questão, mas sabe, cada qual com seu qual. E entre nós, o mundo dos negócios não é o mesmo sem um pouquinho de diversão.
– Então... – Dean começou. – O que você e o Inferno ganham comigo indo atrás de Castiel.
– Bom Dean, você é um Winchester. E naturalmente são um pé no saco, então imagino que vão fazer qualquer coisa para que seu querido anjinho possa voltar a vagar na terra. Eu quero que quando a hora do acordo chegar, você nos coloque no meio.
– E se eu não quiser? – Dean desafiou.
Crowley se aproximou de Dean em um estalar de dedos, e apesar de ser baixinho, olhou para o caçador de forma ameaçadora e começou a falar da mesma forma:
– Sabe que tem grandes chances de você acabar indo para o Inferno não é? E o mesmo tanto de chances de ficar preso lá, sem nenhum anjo de sobretudo para te salvar. Então resta a mim te tirar.
Dean pensou. Sabia que havia algo a mais no papo de Crowley, ele era um demônio, não era confiável. Crowley se afastou de Dean.
– E se eu não conseguir o acordo dos demônios? – Dean indagou.
– Ah você vai conseguir. – E em seguida Crowley ergueu a arma e atirou bem no centro da testa de Dean.
***
– Olá Dean.
Dean havia acabado de morrer. Achou que, devido as suas várias idas e vindas da morte, pararia direito no Céu ou no Inferno. Mas não, Dean estava no mesmo lugar, no ferro velho dos Singer. E parado a sua frente estava a Morte.
– Eu imagino que se quer seu amigo de volta não vai demorar para me acompanhar até seu destino.
– Eu... – Dean parecia confuso, olhou em volta e depois se focou em Morte. – Por acaso você sabe para onde eu vou?
A Morte deu de ombros. Dean andou em direção à Ela e tudo começou a ficar claro, como se eles fossem engolidos por uma luz.
Para o pesadelo de Dean, ele não havia ido para o Céu, tampouco estava no Inferno. Dean estava de volta no Purgatório.
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