For the love of her

11 Tudo o que ela precisa


Notas iniciais
Olá, todo mundo. Mil perdões pelas demoras excessivas para atualizar essas histórias, mas espero que tudo volte ao normal a partir dessa semana. Muitíssimo obrigada pelo retorno no capítulo anterior. Espero que gostem desse também e reflitam. Uma boa leitura.


Saio de casa, e está um dia lindo, uma quarta-feira de sol que pouco combina com a Nova York cinzenta que eu conheço, mas que talvez combine com o humor de Emma quando estaciono na fila de taxis perto da estação do metrô para deixa-la. Ela recolhe sua mochila, sai do carro e fecha a porta. Me limito a descer o vidro para terminar a conversa que estávamos tendo. Emma tem um compromisso hoje, e discute se não seria interessante acompanha-la na visita ao terapeuta.

— Emma, nós conversamos sobre isso, eu não gostaria mais de voltar a falar sobre o meu passado com o Gold.

— Será que por um momento dá pra parar de pensar só em você. Não quero que vá junto para se consultar também, eu quero que esteja perto de mim. — ela se debruça na janela do carro.

— Então era só a minha companhia que queria? — pergunto suspirante e cansada de discutir com ela.

— Tem uma semana que estou dizendo para ir comigo apenas, não precisa se preocupar em falar nada da sua vida. Quer que eu me trate, então esteja do meu lado um pouco. — ela dá de ombros.

— Certo. — olho para a frente, depois volto a falar com Emma. — Me encontre no endereço que está no cartão do Gold logo mais.

— Você vai mesmo? — ela pergunta eufórica.

— Sim, eu vou. Darei um jeito de ir.

— Se você não aparecer, juro que vou cobrar e com juros, sabe de qual forma, não é?

Reviro os olhos e sorrio.

— Como se fosse muito fácil me cobrar qualquer coisa. Agora vá, está ficando atrasada.

— É, eu vou. Se cuida e bom trabalho.

— Boa aula.

Emma acena se afastando do carro e eu saio vendo ela me observar até sumir no mar de carros da avenida.

Meus planos de ir para casa mais cedo para não precisar enfrentar o engarrafamento foram por água abaixo, porém, eu iria acompanhar minha parceira (se assim podia chamar Emma) a terapia que eu mesma havia inventado para ela. Não adiantou ter recusado tanto os convites insistentes de Gold para não voltar ao consultório dele, eu acabara concordando em ir com Emma. Muitas coisas que jurei não fazer andavam acontecendo por causa dessa mulher, como um vício adquirido logo que ela chegou na minha vida. Apesar dela ser a viciada em questão, eu andava possuindo atitudes que nada condiziam com as promessas que eu fiz antes e depois da depressão. A confiança aumentava entre nós, assim como as confissões. Era direito dela saber de mim tanto quanto eu já sabia dela. E o que mais me surpreende é que não me envergonhava chorar, receber seu carinho nos cabelos, seus beijos delicados a procura de secar meu rosto daquela enxurrada que ele se tornava quando eu decidia libertar de mim toda a tristeza. Eu sentia um aperto no peito, uma palpitação dolorida que nunca foi parecida com o meu sentimento pelo homem que amei antes. Não sei se isso quer dizer amor, raiva ou até medo dela, só sei que há uma semana essa dorzinha tem sido mais frequente que as vezes em que fazemos amor, é um fato corriqueiro apenas de olhar para ela.

E como não sou uma mulher de falhar com minhas promessas, apareço no consultório de Gold na hora marcada. Ele me convida a entrar para ter uma rápida conversa comigo enquanto Emma não chega, mas chego preparada para desviar do assunto Regina do passado.

— Foi ela quem convenceu você a vir?

— Foi um pedido para que eu estivesse aqui assistindo a sessão.

— Como parecia tão irredutível achei que faria de tudo para não aparecer hoje. Depois que adotou uma postura defensiva, como está fazendo agora, é quase impossível esperar que você ceda. Nem que eu fosse o Papa eu teria essa capacidade, acho que devo chamar Emma de heroína por convencê-la a mudar.

— Que fique claro que não vim para falar de mim, eu vim por ela. Se ela não chegar, eu vou embora e você fica sem seu dinheiro. — falo, sentada na poltrona mais próxima de uma das paredes. Ele, já acostumado com minhas “gentilezas”, sorri com alguma cordialidade, sem julgamento.

— Não faço o tipo mercenário, Mills. Se ela não chegar, marcamos para outro dia. — ele diz, e dois segundos depois sua secretária nos interrompe. A nova paciente que arranjei para Gold está ali.

Emma chega e entra na sala como um bicho desconfiado se vai ou não para a gaiola. Seu rosto muda de expressão no exato momento em que me encontra, um alívio instantâneo. Ela sorri, tira a mochila do ombro e o terapeuta a cumprimenta.

— Seja bem-vinda, Emma. Sente-se nessa poltrona a minha frente, por favor. — ele aponta depois de apertar a mão dela. — Deixe a bolsa onde quiser. Regina está aqui para acompanhar a consulta como você havia pedido.

Ela se senta e me olha, olha o psicólogo e dá um meio sorriso.

— Sim, eu pedi que ela ficasse.

— Aceita algum tipo de bebida, água, suco? Minha secretária terá a gentileza de trazer o que você preferir.

— Não, obrigada. O que eu quero beber provavelmente não vai ter, né? Então melhor esquecer. — ela gesticula.

Gold parece ter gostado do senso de humor dela. Ele libera a secretária, que nos dá privacidade fechando a porta, e o terapeuta se direciona a Emma.

— É a primeira vez que a senhorita vem a uma terapia? — pergunta ele com tranquilidade.

— Bem, para ser sincera eu estive em um grupo de terapia ocupacional uma vez. Fui obrigada, sabe? Meus pais tentaram me convencer, mas como tudo o que eles fazem comigo falha, acabaram me obrigando.

— Entendo, Emma. — Gold era um homem neutro. Eu não sabia dizer qual era a receita ou se era da personalidade dele ser tão pacífico. Emma começaria a contar sua história conforme ele a questionava, ainda assim, ele mantinha o mesmo olhar e tranquilidade na voz. — Regina me disse que vocês se conheceram há três meses. O que fazia antes disso?

A loira contou um breve resumo do que vinha acontecendo nos últimos seis anos de sua vida e Gold fez anotações em um bloco de papel. Vez ou outra ela trocava olhares comigo, pedindo apoio para encarar a própria vergonha de ter sido uma viciada, mas apesar de eu estar presente, Emma logo se sentia à vontade e não precisava mais me consultar com o olhar.

Emma continua sua história.

— Já que eu não tinha para onde ir e nem dinheiro, uma grana qualquer para fumar meus baseados, eu comecei a trabalhar com meu corpo. Só que apenas sensualmente, não como prostituta. Consegui arranjar bons trabalhos em casas de dança particulares e por último o cassino. Os caras que frequentam esses lugares sempre dão dinheiro por fora, então o que eu fazia era juntar e comprar uma reserva de “pó” para dar até o fim do mês. Quando não havia o pó, eu tinha que me conformar com os cigarros baratos. Tinha dias em que eu ia atender e dava prejuízo, porque na maior parte das vezes eu queria estar chapada para me soltar mais e deixar que me tocassem. Se eu não fizesse isso, não conseguiria ficar tranquila, não ia deixar os caras me alisarem e não seria nada natural para eles.

— E como sua memória reage ao se lembrar desses fatos? — pergunta Gold.

— Me sinto muito arrependida. Triste não, porque eu estou superando com a ajuda da Regina. Na verdade ela tem me ajudado em uma porção de coisas. — Emma volta a me olhar um pouco distante de mim.

— O que mudou depois que Regina surgiu na sua vida, Emma?

Um sorriso de canto mostra que Emma está procurando a forma certa de descrever o que sente por mim. Eu sinto meu rosto ferver, minhas mãos começarem a suar e meu coração disparar, me recolhendo com um copo d’água na mão ainda mais no canto do sofá.

— Tudo. — ela ergue o rosto e responde. — Ela foi a única que se importou.

— Por que acha que ela se importou quando ninguém mais fez o mesmo?

— Porque ela é diferente. — Deve ter se contido para não virar o rosto e me fitar de novo.

— E o que mais?

— Ela é perfeita. Ela é tudo o que eu preciso, que talvez tenha surgido na minha frente com o intuito de me salvar do que eu estava fazendo comigo mesma.

Gold para por um momento e me olha. Não posso confirmar, mas sinto que ele está esperando que eu diga algo, que interrompa a consulta e diga que por hoje é só. Mas quem faz isso é ele.

— Temo que nosso tempo tenha se esgotado, Emma. Podemos continuar na próxima semana?

— Claro. — ela responde.

— Certo. — ele se levanta da poltrona dele, espera que façamos o mesmo e nos aperta a mão. — Aguardo as duas na próxima semana, nesse mesmo horário.

— Espera... As duas? Quer dizer que vou precisar vir todas as vezes com Emma?

— Não todas as vezes, mas na maioria delas. — Gold diz.

Dou um grande suspiro e coloco as mãos na cintura. Emma, já de pé, não diz nada, sorrindo como se eu já soubesse que era exatamente o que ela queria.

No apartamento, depois de finalmente chegarmos, a seguro pelo braço antes dela tentar correr para o quarto de hóspedes. Ela me olha assustada, sem entender o que estou fazendo e porquê estou fazendo. Tiro a mochila do ombro dela e jogo no sofá, mas não livro ela enquanto não conversarmos. Viemos o caminho todo em silêncio no carro, acho que por minha culpa, que tentava não pensar em quanto eu era importante para ela da forma como ela contou ao Gold.

Emma me desafia com os olhos e preciso dizer:

— Por que disse que sou tudo o que você precisa?

— Porque é a verdade. — ela responde, se soltando de mim suavemente. — Além de que ele perguntou, para que mentir? Foram palavras simples, nada que ofendesse sua honra, madame. — Respira fundo.

— Acho que você não precisava ser tão enfática em relação a mim.

— É mesmo?! E eu seria como? Ah, fala sério, Regina, só porque eu disse que salvou a minha vida. Fica ofendida até mesmo com isso agora? Escuta, não te entendo, sinceramente.

— Você sabe como isso me deixa sem graça.

— Quem está sem graça sou eu! Poxa, será que você não enxerga? — Emma se vira de repente e cruza os braços andando. — É tão difícil assim perceber? Ou você ainda não quer aceitar tudo o que tá acontecendo? — Se volta para mim e percebo os olhos dela lacrimejando. — Eu te amo, Regina. Meu Deus, eu sou louca por você desde que chegou na minha vida, eu te amo, droga! Desde a noite no cassino, desde quando me trouxe para cá, desde quando te vi com aquela loira idiota no Empire State, desde que me beijou e me levou pra cama. Você cuidou de mim, me colocou debaixo da sua asa e doou o que te mantinha firme. A sua paz. É tão complicado ver que o Gold te quer nas consultas para te fazer perceber o quão diferente você é da Regina do passado? Você tá doando aquilo que curou uma doença, paz e segurança, só porque foi com a cara de uma mulher sem teto drogada. É aí onde mora a resposta, mas você não para de olhar para o seu próprio umbigo e não quer me enxergar.

— Não é verdade, eu não olho somente para mim, não sou egoísta.

— É verdade, desculpa, mas um pouco ainda é egoísmo seu.

Fico sem rumo, sem chão.

— Eu não quero te machucar. — digo como se passasse um vento entre nós.

— Não tá me machucando, simplesmente coloquei pra fora. Pronto. Foi bom. — ela se vira e, dessa vez, as mãos vão para os bolsos de trás da calça.

— Eu... Eu não sei mais o que falar. — tento encontra-la, mas ela para na frente da porta que dá para a sacada.

— Não precisa dizer. Faça. É isso que nos ajuda quando não temos palavras.

Quando ela diz isso, estou atrás dela, ofegando em seus cabelos. Encontro a mão direita dela e entrelaço junto a minha. Emma suspira, se joga para trás e abraço seu corpo. Estou segurando ela. Minhas mãos são ágeis e descem por ela, levantando o moletom fino, depois afastando as alças do sutiã para os lados enquanto sua respiração se exalta. Sua pele é tão rosada, tão suave e morna, que não resisto. Abro os botões da calça jeans dela e enfio minha mão lá dentro. Está tão quente e úmido que talvez fosse a hora de pegá-la no colo e leva-la para a cama. Só que Emma é mais rápida que meu raciocínio e pula no meu colo quando se vira. Ela me beija com força, um beijo fulminante que significa tudo.

Levo ela para o quarto e é uma daquelas vezes em que não me lembro como me livrei do blazer e tudo o que vestia tão depressa. É questão de pouco tempo para estar com os dedos dentro de Emma e vê-la se agarrando ao travesseiro debaixo de sua cabeça. O lençol nos cobre até a cintura. Metade de mim está sobre ela. Uma das mãos se embrenha nas coxas encontrando o melado. Tão quente, tão úmida, tão apertada! Um tremor de excitação percorre seu corpo constantemente, junto com uma onda de alívio que a tonteia. Estou olhando ferozmente em seus olhos, e é isso que a prende, mas logo minha atenção recai sobre os seios subindo e descendo enquanto ela ofega. Quero beijá-los, mas Emma não deixa. Enfia uma mão nos meus cabelos e gruda a boca na minha. Diz coisas enquanto é penetrada por mim, é um grande esforço com o braço e dedos, que cansam, porém, recompensador quando sinto os espasmos repetidos me prendendo dentro dela.

— Assim... É isso... É isso que precisa saber... Vá mais fundo, Regina...

Estou com os dedos dentro dela, alucinada, sentindo-a gemer contra os meus lábios. Seus olhos se fecham e toda a capacidade de controle se extingui sob uma nova sensação deliciosa, o que também me atinge só de ver seu rosto relaxando. Separamos os lábios e ela grita exprimindo o gozo. É uma cena linda para a qual eu me entrego, deixando que ela se esparrame pela cama. Adeus os meus dedos dentro dela. Eu os tiro lentamente e levo até nossos lábios. Ela divide comigo o sabor do sexo. E após isso estamos trocando beijos e esfregões quando subo e roço a coxa onde ela teve o orgasmo.

Quando percebemos que parte dos lençóis estão sobre a cama e a outra no chão, estamos suadas, cansadas, mas eu sei que ainda é cedo para não ter uma continuação. Emma está meio deitada sobre meu corpo, de costas para mim, enquanto minhas pernas a envolvem. Consigo ver seu rosto lindo e sereno, parcialmente escondido pelos cabelos. Vejo sua pele se arrepiar quando deixo meus dedos escorrerem pela linha de seus ombros, as costas, na linha da coluna por baixo do cabelo. Posso estar adquirindo uma obsessão em tocá-la o tempo todo. Antes era beijar sua boca e sentir seu sabor, mas hoje além disso quero sua pele. E dessa maneira acabo entregando o que sinto por ela sem precisar dizer uma palavra sequer. É, eu não sei por quanto tempo vou continuar negando que a amo, pois nem para mim mesma isso é mais possível.

— Tenho que contar uma coisa. — ela fala, quebrando um silêncio de duas horas.

— Fale. — peço.

— Meus pais voltaram a me procurar hoje.

Contrariando o que eu esperava que ela fosse dizer, Emma vira o rosto e percebo preocupação no semblante.

— Outra vez? Com a mesma conversa?

— Sim. Eu estou com medo deles, não sei dizer porquê.

— Que foi que te disseram?

— Estão tocando muito na tecla de me levarem para Londres, só que quanto mais parece que eu nego querer voltar a viver com eles, mais eles se mostram dispostos a, sei lá, me levar a força.

— Emma, isso não pode.

— Aqueles dois acham que podem tudo, não adianta. — Emma meneia a cabeça. — Eu só quero te deixar em alerta se de repente eu desaparecer.

— Se você não quer ir com eles, eles não podem te obrigar. Não é possível que não haja uma forma de proibir a entrada deles na universidade.

— Eu queria que estivesse lá para conversar com eles e me ajudar a convencê-los, mas é impossível saber o dia em que eles vão aparecer de novo.

Viro o rosto dela para mim.

— Olha, Emma, se acontecer algo a você, eu prometo que vou processar os seus pais.

— Acho que vai precisar de muito mais do que os seus poderes de advogada para eles desistirem e darem no pé de uma vez.

Olho para ela e penso qual seria a melhor solução judicial para afastar Emma dos próprios pais, porém Emma acredita que não é uma boa hora para nos preocuparmos, apesar de ter avisado de que algo poderia acontecer com ela e a culpa seria deles.

— Temos que dar um jeito neles, uma ordem de afastamento, um processo, você precisa agir.

— Não, deixa, eu me viro com eles. — ela desgruda de mim, sai da cama e pega um roupão dos meus no closet, voltando para o quarto se enrolando nele. — Quanto mais a gente se preocupar, pior vai ser. Eu pretendo vencê-los no cansaço.

— Qualquer coisa você sabe onde me procurar, como ligar, como voltar...

— Sei sim. — ela anda na direção da porta. — Eu vou fazer alguma coisa pra gente comer, tá?

— Okay, estou mesmo com fome.



Acordo tão atrasada na manhã seguinte que o assunto dos pais de Emma some completamente da minha mente. Ainda estou nua por ter continuado o que comecei com a loira na noite anterior pela madrugada e ela não se encontra mais na cama quando percebo já ter amanhecido. Me levanto, me arrumo toda e encontro sobre a bancada da cozinha um bilhete de Emma avisando já ter saído para a faculdade.

“Tentei acordá-la, mas acho que você ficou muito cansada da nossa maratona. Eu fiz seus ovos mexidos, se quiser estão guardados no forno. Tô indo pra faculdade. Te vejo mais tarde. xoxo”

Amasso o papel e jogo fora, um pouco decepcionada comigo mesma de não ter acordado a tempo de falar com Emma e ter pelo menos levado ela a estação do metrô. Tomo o café rapidamente e saio de casa quase nove e meia da manhã. Àquela altura minha secretária na firma deve estar pensando que não vou aparecer.

Há muita coisa para resolver em um dia apenas e perco muito tempo no fórum e escritório. Quando resolvo ir para casa já é quase sete e meia da noite e o transito não me ajuda. No apartamento subo com pressa e encontro tudo no mais absoluto silêncio. Já era para Emma ter chegado. Algo pode ter acontecido, então eu só espero indo fazer o que eu preciso para ter poucas horas de descanso.

Depois de trocar a roupa, organizar tudo o que recebi da lavanderia no closet e olhar o relógio, percebo que há algo muito errado. É nove da noite, nada de Emma, nem sinal de que ela vai chegar e isso me causa um estranho frio na barriga. Aquela certeza de que ela apareceria logo começa a se transformar em certeza de que algo grave aconteceu. Ando pelo apartamento, olho pela sacada, mas é muito alto para reconhecer Emma vindo de alguma direção. Volto para dentro e tudo está como de manhã, do jeito que ela deixou. Um pensamento cai sobre mim como um meteoro e tudo começa a fazer sentido, só então eu olho para a bancada da cozinha e lá está outro bilhete, menor ainda com uma única palavra escrita.

“Socorro”

É a letra da Emma. Tudo indica que ela o escreveu e correu dali, sua letra estava tremida. Esse bilhete eu não amasso ou jogo fora. Deixo ali na bancada enquanto corro até o quarto de hóspedes e a mala dela não se encontra mais ao lado da cama, nem em cima, nem por baixo, em lugar nenhum. Ela veio buscar a mala, mas algumas de suas roupas ainda estão no armário do quarto. Emma levou o que conseguiu pegar rápido. Ela não deve ter saído por livre e espontânea vontade. Eu sabia para onde tinham levado ela, eu tinha certeza para onde e quem foi que levou Emma.

Não posso raciocinar demais, nem quero, só preciso resolver esse assunto o quanto antes, se não eu jamais volto a ver essa mulher.

Volto ao meu quarto, tiro o celular do bolso do terno e disco para Belle, indo atrás de uma roupa nos armários para trocar novamente.

— Alô, Belle, sinto muito pelo incômodo, é que preciso que faça algo para mim agora. Entre em contato com a companhia de aviação da firma, preciso de uma passagem para Londres com urgência!

Notas finais
Não preciso nem adiantar que Regina vai dar um passo gigante indo atrás da Emma. Bem, o que estamos esperando que ela diga não está longe de se assumir. Alguém se identifica com a espontaneidade de Emma em se declarar? Aguardo vocês. Sobre Intimamente: Trabalharei intensivamente nela essa semana. Muito obrigada desde já. Um beijo enorme.