For the love of her
7 O restante da madrugada
Notas iniciais
O corpo de Emma se choca no macio da cama, seus olhos não se desviam dos meus e entendo que já demoramos tempo demais para brincar. Ela me procura com as mãos e braços, quer me tocar os seios de novo, mas sou eu quem a envolvo, subindo na cama, sobre ela, amparada pela única luz acesa no abajur da cabeceira. Agarro sua cintura, e a puxo para mim. Emma arqueia, me arranha as costas com tanta força que juro sentir até meus músculos ardendo. Nossos olhos não se esquecem, e ela entreabre os lábios me deixando sedenta por um beijo. Nos entrelaçamos pernas com pernas antes que comecemos a nos mover, ela respira compassadamente, parece assustada e ao mesmo tempo tão excitada; É como se Emma estivesse esperando por esse momento a vida toda, por alguém como eu para ensinar tudo o que sei e mais um pouco. Até poucos dias achava que essa mulher vivia insanamente por pura falta de objetivo na vida. Hoje, após descobrir sua repentina paixão por mim, eu tenho certeza de que tudo o que Emma sempre precisou foi de ser compreendida. Nem por si mesma talvez ela tenha se entendido, o que é muito curioso, mas adorável, como se ela estivesse disposta a se descobrir a qualquer momento. Se ela dizia que não haviam razões para viver, queria dar ao menos uma a ela agora que íamos ter uma relação sexual. Que ela encontrasse alguém como eu para amá-la de maneira louca na cama todas as noites, que ela fosse desejada por alguém todos os dias. Não sei se sou capaz de amá-la assim, mas que eu seja sua primeira experiência, porque para mim, olhando em seus olhos verde escurecidos, é como se ela estivesse tendo sua primeira transa de verdade. Nada daquilo que ela me disse no cassino sobre ter ficado com mulheres devia ser verdade. A verdade ela saberia nas próximas horas e eu tenho a incumbência de mostrar tudo do meu jeito.
Os dedos dela acariciam as curvas nas minhas costas e me dou conta de que respiramos juntas. Estamos fervendo, a um segundo das gotículas de suor aparecerem. O corpo suave dela aceita o meu, mas chega de espera. Subo uma mão da cintura, subindo por suas costas e paro em sua nuca sentindo o calor dos cabelos dela. A seguro firme por ali, dessa vez não terá volta, e me inclino, tomando a boca delicada com vontade. E ela suspira quando é dominada. O beijo nos enlouquece. Viciante, intenso, entorpecente. A beijo de tal forma que cuido de cada centímetro daqueles lábios lindos, pequenos, como se feitos para mim. Aposto que Emma está molhada entre as coxas, sim, ela está! Eu consigo sentir a calcinha melada roçando numa das minhas coxas, ela se mexe contra minha perna e me pressiona, me prende. Que gosto deve ser o dela? Estou ansiosa como nunca pelo gosto de uma mulher.
É tudo tão rápido, no entanto tão intenso que não penso em parar. Meu beijo abandona sua boca, eu tento descer, ela me liberta só pelos braços. Está tão ansiosa quanto eu. Respira tão depressa que tenho ainda mais certeza de que essa está sendo sua primeira vez.
— Regina — murmurou ela, fechando os olhos.
Ela ergue os seios, me dando aqueles mamilos duros, prontos para serem chupados. Não perco tempo, abocanho um deles, massageio o outro com os dedos em gama, minha palma se encaixa com perfeição no peito macio e só de fazer isso sinto que estou latejando de prazer. Olho para o rosto dela, está corada, febril, abre os olhos e me vê sugando o biquinho duro, insistindo em puxar entre os dentes umas três ou quatro vezes até que ela geme manhosa e se contorce, batendo com o punho na cama. Ela repreende a si mesma pela falta de cuidado, por estar descontrolada de tesão. Então, ela geme de novo, sentindo o corpo todo responder a atenção que seus seios recebem.
Ela se mexe, me apanha pelos cabelos, mas eu resisto, deixando a massagem que meus dedos fazem nela para encontrar com sua umidade entre as coxas. Quando ela entende, ela abre as pernas, meu único trabalho é afastar a calcinha para o lado e sentir como meus dedos escapam pela cavidade, encontrando o sexo dela encharcado. Isso me deixa tão afoita que preciso conter a súbita vontade que sinto de ir até lá e chupá-la sem piedade alguma, mas chupar tanto seu clitóris ao ponto dela implorar para que eu pare. Só que ainda estou lambendo o biquinho do seio dela e me lembro do solitário ao lado tão ansioso quanto para ser abocanhado. Assim eu o afago com a boca, a ponta da língua e começo nele o mesmo carinho que deixei no outro. Movo os dedos no sexo dela, o clitóris inchado, sem parar de sugar o mamilo, tudo num ritmo só. Ah! Ela grita, se abre ainda mais me permitindo acelerar as voltas que dou com os dedos pressionados no sexo dela. Eu a espio, é tão bonita tensa, muito excitada, se contorcendo sensualmente com o mínimo que faço. Quero tortura-la, quero que ela sofra e me peça para comê-la. Brinco tanto com o sexo dela que o cheio da luxuria sobe ao meu nariz. É quente, é úmido, é um cheiro que eu adoro e que nenhuma outra mulher com quem fiquei tem. Emma é única, uma coisa que descubro e que guardo para lembra-la depois. Sinto o meio das minhas perna melando toda vez que ela geme. Mas seu último gemido soa como um pedido irrecusável.
— Quero — diz pausadamente. — sentir sua língua... Em mim... Por favor, me chupa...
Ela puxa minha cabeça para baixo dos seios, quer que eu desça de qualquer maneira. Não sou delicada com Emma. Me ergo sobre ela, abro o máximo que posso suas pernas espeçando para entrar, ela me prende de novo e caio de boca e nariz no meio dela. Agarro suas coxas por baixo, suas pernas estão sobre meus ombros, ela arqueia e afunda com a cabeça no travesseiro. Me deleito em seu cheiro sexual, comprovando que seu clitóris é uma florzinha prestes a brotar. Eu beijo a florzinha, entro e saio com a língua e ela ri como se a sensação fosse nova. Ela se entrega, se acalma, se joga na cama e rebola esfregando o sexo contra meus lábios como se vestisse a calcinha de novo, encaixando meu nariz, meu queixo. Estou atenta a suas reações. Parece que dormimos juntas há anos; A essa altura ela também sente seu próprio cheiro. Está tão gostoso que ambas não queremos que pare, mas inexperiente, Emma se deixa levar pelo primeiro gozo. Agarra meus cabelos com as duas mãos e treme, treme muito, arfando com um prazer sem tamanho. Ela faz o que nenhuma mulher fez comigo, ela não para na primeira. É curto demais para ela o primeiro gozo, Emma é insaciável como se não estivesse conformada em gozar só uma vez. Ela resolve que quer mais, que quer me dar pela noite toda. Mal tive tempo em degustar seu sabor, ela me pede sem fôlego para deitar, mas sou eu quem a puxo para cima de mim. Novamente nos beijamos e ela sente seu próprio gosto na ponta da minha língua. Passo as mãos pelo corpo dela, sentindo sua pele aderindo a minha, ainda podendo sentir os efeitos colaterais da minha boca na dela.
Algum tempo depois de tanto entrelaçarmos nossas línguas e ela sentir que está pronta para outra, eu a sinto se movendo, se roçando em mim, cavalgando com as pernas em torno da minha. A ajudo e a coloco entre meu sexo e o dela, aquilo começa quando nossas umidades se encontram, um grelo beijando o outro. A posição nos permite olhar uma para os olhos da outra e compartilharmos do mesmo gozo. Só de vê-la suada, corada e tão astuta, eu me excito ao ponto de gozar com ela. Ah! Urramos; Estou tão acostumada com a sensação que ficaria de olhos fechados para aproveitar os cinco segundos que reverberam em todo meu corpo, mas eles duram bem mais que cinco míseros segundos, duram 10, 20. Não sei mais contar. Olho para Emma e ela parece tão encantada com essa nova descoberta. Ela quer de novo. Sobe até meu rosto e senta, se erguendo, me pegando pelos pulsos e estirando-os na cama.
Emma monta na minha cara e cavalga, me prende e rebola, cavalga, se esfrega e cavalga. Minha língua entra nela mais brusca que da outra vez, ela vibra de susto e se acostuma rápido com o veludo molhado. Eu beijo seu sexo com a língua sendo suave e agressiva ao mesmo tempo, escorregando para dentro dela e isso é crucial para ela dançar sobre meu rosto. Emma cavalga apoiada aos meus pulsos, minha boca formiga, não penso em parar nem ela. Mas Emma goza pela terceira vez tanto quanto e lambuza minha boca, me proporcionando prazer igual quando joga os cabelos para trás e gira a cabeça com o tronco igual quando fez no dia em que fumou cigarro na minha frente depois de algum tempo sem. Gozar era como se drogar de um entorpecente lícito, chego a essa brilhante conclusão.
Uma hora mais tarde, cubro seu corpo com o lençol. Ela está dormindo virada de costas para mim, só observo como se encolhe de frio e sua pele se arrepia. Não devia ser assim, eu sou quente, nós duas ainda estamos borbulhando de calor por dentro por tudo o que acabamos de fazer. Me acostumei a transar toda semana, alguns dias podem ter me deixado em abstinência como Emma ficara do cigarro. Não sou uma mulher morna, muito menos fria, então por que não posso abraça-la e aquecê-la? Por que não fiz com nenhuma outra que se deitou comigo antes? É, eu não dei carinho em compensação pelo bom sexo que tive com algumas, nem com Kris que havia ficado comigo tantas vezes e mesmo assim se apaixonou. E hoje, depois de uma briga inútil que tivemos e que nos levou para meu quarto, não sei se devo ceder a esse carinho que o corpo trêmulo dela pede que eu faça.
Vou esticando a mão até seus cabelos e acaricio. Emma acorda me livrando da dúvida de abraçar ou não. Ela respira fundo, se vira e se aninha em cima de mim. Não há como não tocá-la. Sua boca é certeira, me sela deixando um estalinho para trás e um sorriso que não posso esconder dela.
— Me aqueça, estou com frio. — é a primeira coisa que ela diz depois de tanto tempo.
Meus braços estão mais que envolvidos em torno dela, puxo o lençol mais para cima de nós duas.
— Assim está melhor? — pergunto com calma.
Ela faz que sim e deita a cabeça no meio dos meus seios. Suspira, passa os dedos na minha pele, meu abdômen e ri abafada.
— Você é uma idiota, sabia?
— Sou?
— Uhum. — geme, volta a me olhar nos olhos. — Poderíamos ter transado naquela noite em que me trouxe para cá, mas você preferiu esperar. Se tivesse acontecido naquela noite duvido que a gente teria brigado hoje. Dizer que foi ruim ter esperado, nunca. Foi só a melhor transa da minha vida, foi melhor do que eu esperava, mas ainda estou magoada com você, o que me torna uma idiota também.
— Então somos duas idiotas?
— Sim, duas idiotas e você a idiota por quem sou apaixonada. — Emma alisa meu abdômen numa região onde sinto grande sensibilidade. Se ela descer não sei se resisto. — Falando sério agora, eu sei que não devia ter deixado isso acontecer e que provavelmente você estava certa em querer evitar da gente transar. Eu sabia que seria gostoso, tão bom que ia acabar querendo que acontecesse mais vezes e isso é exatamente o que eu quero agora. Por que você foi atrás de mim? Pra que foi pedir desculpa? Devia ter me deixado sozinha lá na sala, ter se trancado aqui no seu quarto e só ter falado comigo outra hora.
— Impulsos. Você mais do que ninguém deve entender como é obedecer a um impulso, e eu basicamente vivo dos meus impulsos, das minhas vontades de última hora. Quando tenho que ser ponderada eu consigo conter comportamentos, palavras, ações, mas quando eu devo ser correta e posso não seguir só um caminho, sabendo disso, eu não costumo me controlar. Se eu voltei para pedir o seu perdão era porque eu falei sem pensar na consequência, depois não quis pensar quando te vi na minha frente indo me procurar também, aconteceu.
— Então só se controlou no cassino porque não sabia que podia fazer o que quisesse comigo? — ela pergunta contornando meu umbigo com um dedo.
— Basicamente isso.
— Acho que eu entendo. Fiz tanta merda por cauda de impulso, mesmo sabendo que ia me ferrar no final.
— Bom, talvez a gente não estivesse aqui nesse instante se seus pais não tivessem aparecido na semana passada.
— Então é meio que inconsciente. Só transamos porque meus pais te dispensaram e você não tinha mais responsabilidades comigo, passei de filha dos seus clientes a uma mulher que mora com você de favor.
— Você é minha convidada, não alguém que more aqui de favor.
— E como é que vai ser agora que a gente veio pra cama? Vou passar de convidada e mulher que dorme com você?
— Não sei. — a olho, faço carinho em seus cabelos. — A única coisa que tenho certeza é de que desejo vê-la bem.
— Mesmo que eu estar bem signifique dormir com você pelo resto dos dias em que eu morar aqui?
— Sim, Emma, mesmo que isso me custe dormir com você todos os próximos dias. Mas não vai acontecer se você não quiser, se eu não tiver a fim. A relação que eu tenho com você não pode ficar comprometida pelo fato de sentirmos atração uma pela outra.
— Só atração?
— O que quer que você sinta por mim.
— Tô entendendo. — Emma beija minha pele, abaixa o lençol de cima dos meus seios e acomoda uma mão sobre meu busto o cobrindo. — Vou acabar me ferrando, mas eu prefiro me ferrar, sabe? Eu sou masoquista, preciso sentir porque tudo o que faço nessa vida é sentir. Se um dia você quiser ficar com outra mulher eu vou te odiar, mas eu não vou conseguir esquecer o que eu acabei de viver com você.
— Foi apenas uma transa, você vai conhecer muitas pessoas e uma delas te fará sentir sensações tão boas quanto.
— Cala a boca, você não sabe o que ‘tá falando. Eu não quero outra pessoa, eu quero você. — ela desce o rosto, belisca um dos meus mamilos, tenho que respirar fundo para conter a dor minúscula. — Uma coisa que precisa entender é que enquanto eu viver nesse apartamento, farei o possível e o impossível para que sinta o mesmo por mim.
Olhei para Emma com pena. Como uma pessoa suportaria viver dessa forma, insistindo para que outra se apaixonasse por ela? Parecia surreal, tortuoso, não parecia justo.
— Não acha que é uma grande perda de tempo?
— Você? Nunca. Você é a pessoa mais interessante que eu já conheci. Há mistério em você, há uma vontade louca de descobrir o que te leva a ser assim, além de que é gostosa e já deu pra ver que cabemos direitinho na cama. — Ela beija minha pele seguidas vezes, me sobe o pescoço com a boca, morde meu queixo, me seduz. — Preciso confessar uma coisa.
— Fale.
— Nunca transei com mulheres, menti pra você.
Solto um riso.
— Algo me dizia que havia mentido sobre isso. Mas já esteve com alguma, com certeza já.
— Já sim. Eu me interessei por algumas, foi coisa só de uma noite, mas não cheguei a ter sexo com nenhuma. Nem com os caras que eu namorei eu transei desse jeito.
— Pude perceber, mas você esteve muito bem para uma primeira vez.
Não quis dizer a ela que parecia que fomos feitas uma para a outra, ela interpretaria da forma errada. A verdade é que Emma havia me dado prazer diferente, raro. Eu me excitava com as mulheres e seus corpos, seus perfumes, mas na maior parte das vezes elas não tinham sabor ou graça. Elas me faziam gozar se me deixassem tomar as rédeas, apenas isso, então ter o poder me satisfazia. Com Emma foi diferente, havia uma grande liberdade em nós duas e vivemos ela. O sexo para mim era apenas um comportamento que adotei para encarar a solidão e Emma me mostrara com sua entrega que não era por aí que uma transa devia ser tratada. É irônico, pois ela tem seus vícios em drogas, cigarros; Eu em gostar de sexo. Se eu for cuidadosa posso curá-la, mas não acredito que ela possa me curar.
— Jura? Eu só segui minhas vontades, nunca quis tanto isso com alguém.
— É verdade. Estou muito surpresa, inclusive com o quanto você beija bem.
— Ah é? Também sei usar a língua, pois é. Quer ver?
Ela me provoca, sobe em mim e ficamos cara a cara de novo. Minha libido dá cambalhotas dentro de mim e sou ágil com as mãos na bunda dela, apertando para marcar sua pele. Droga! Estou latejando de novo, me arrepio mais do que devo, meus seios estão duros como duas rochas pontudas. Olhar nos olhos dela me faz querer tanto isso que até dói. Não posso estar gostando de transar com a mesma mulher duas vezes seguidas, não é da minha natureza.
Dedilho seu rosto, tento beijá-la, mas ela desvia e sorri travessa, me provocando. Também provoco e aperto de novo sua bunda ameaçando entrar nela com um dedo. Emma mexe a cabeça, não me permite fazer isso, está respirando rente ao meu rosto e seu hálito está quente com o cheiro do gozo dela. Ela morde o próprio lábio inferior, esfrega o nariz em meu pescoço de maneira felina e volta a me olhar. Deixo ela ter o controle como jamais deixei que uma pessoa tivesse por mim e ela responde a isso de uma forma incrível que me agrada muito. Estou latejando, ansiando aquela boca delicada me chupando. E o que ela escolhe é chupar minha boca. Ela puxa meu lábio inferior, me beija e me desperta ainda mais. Emma me deixa sem fôlego. Nos olhamos sem dizer nada por alguns segundos e é quando ela resolve curtir meu corpo, meus seios, meus bicos, meu abdômen onde antes ela deslizava um dedo, e desce, desce mais um pouco me olhando como uma felina caçando. Ela está linda de um jeito que não me recordo de ter notado antes. O lençol já não está mais sobre nós, Emma desce completamente nua sobre mim, me aperta o seio esquerdo e entendo o porquê. Meu coração dispara dentro do peito, ela quer me provar alguma coisa ganhando essas palpitações, porque sim, são palpitações por ela, pelo o que está me causando.
— Fale o que está pensando. — ela sussurra, alcançando minhas pernas.
— Emma — eu digo seu nome porque é a única coisa que consigo pronunciar tamanha minha ansiedade e descontrole.
— Eu? Está pensando em mim?
— Emma, por favor. — peço, fecho os olhos brevemente e os abro de novo enquanto ela me vigia.
— Por favor...?
Estou ofegando, um frio sobe meu estômago, vejo meus seios subindo e descendo, Emma lá embaixo nas minhas coxas. Deixa de me olhar por um minuto para vê meu sexo. Fica com água na boca, lambe os beiços e molha um dos dedos primeiro na língua, depois em mim sem nem mesmo pedir permissão. Emma entra na fenda do meu sexo, me penetra fundo. Arde por há tempos não permitir esse tipo de contato com ninguém. Ela vai e volta dentro de mim, espera que eu reaja, mas não sou eu, é meu corpo se oferecendo a ela. Vem e vai, ritmada e precisamente, a ardência aumenta, eu puxo o ar entre os dentes, silvando.
Não é mais meu corpo numa ação mecânica ao prazer, é o meu desejo.
— Emma... — sussurro, ela ri.
— Peça logo. — ela responde.
— Me chupa — solto a ar com força entre os lábios. — Quero gozar na sua boca.
Minhas mãos vão parar nos cabelos dourados de Emma, afastando eles para trás, para os lados, ainda vendo seu sorriso malicioso antes de mergulhar o rosto no meu sexo. O dedo dela dentro de mim se enfurnava até onde podia enquanto a língua massageava meu clitóris com força. Emma foi bruta, usava a boca como se fosse outro dedo, muito hábil, deliciosa. Estou acariciando seus cabelos, vendo Emma entre o vão das minhas pernas, sentindo a dor do esforço no abdômen naquela posição mesmo deitada. Meus dedos coçam a orelha dela conforme me aproximo do êxtase. Ela está dividida, prendendo meu seio esquerdo, esfregando os lábios no meu sexo e me abrindo com um dedo. Pego seus cabelos e prendo num punhado, os seguro como minhas rédeas, ergo a cabeça e vejo sua língua trabalhando junto do dedo, Emma sequer toma ar. Não sou mais capaz de não me deixar levar por Emma. Ela enfia seu dedo em mim, me lambe tão determinada que não posso voltar atrás. Meu corpo é dela nesse instante. Há quanto tempo não me entrego desse jeito a alguém. Quando fraquejo e puxo demais os cabelos de Emma eu dou a ela o prometido. Grito, caindo na cama. Emma não para enquanto não se satisfaz com o meu gozo. Ela está me olhando, eu sei que está, me impedindo de parar, me fazendo urrar de orgasmos que não conto mais quantos são se é que é possível uma mulher ter tanto prazer numa noite só.
Uma satisfação sem igual me toma o corpo, e isso é tão belo para Emma que ela se deleita assistindo minha convulsão de prazer. Nesse momento ela me oferece seu carinho, seus beijos e dentes a me marcar. Sou cuidada por ela, por suas mãos, por sua boca e seus olhos. Nunca foi assim antes, com ninguém e eu ainda acho que estou delirando ou tendo um sonho bom demais. Quero ficar com ela o resto das horas nessa cama. Quero me matar de prazer com ela, sentir esse calafrio estranho me apertando o peito. Não tem jeito, ela é minha, eu sou dela e não tem mais volta. Assim como Emma entrara em um mundo sem volta atrás de sua “brisa” eu estava sendo lançada a um perigoso jogo, uma atração fatal entre nós que certamente acabaria mal para uma das duas e eu já não acreditava que acabaria mal só para ela, mas sim só para mim.
O resto da madrugada foi distribuído em beijos viciosos na boca e elogios que ela tece a mim, palavras a respeito do meu corpo, do meu cheiro, da minha voz até ela me dizer que precisava se recuperar do cansaço que causei. Me limito a retribuir suas carícias, sorrir para seus elogios e dormir com ela por algumas horas. Finalmente adormece e eu puxo meu braço debaixo dela. Fecho os olhos. Seu corpo ainda está ao meu lado, estará quando eu acordar, irá a minha procura se eu levantar. Sonho com a noite em que a conheci, o cassino, as insinuações e o cheiro do cigarro, mas, no final, não vou embora porque nós dançamos juntas uma música romântica.
Abro os olhos. Nem uma hora se passou. O cheiro da nossa luxúria se espalha pelo quarto, um odor que sei o sabor. Fecho os olhos novamente. Ela respira calidamente sobre mim, grudando os resquícios de suor na minha pele e seus cabelos loiros. Não me incomodo, pelo contrário, eu gosto. Ter ela comigo, sobre mim, me isenta da solidão que eu tanto temia. Nada vai acontecer a ela, eu prometo que não. A olhando assim tão inocente e desprovida de sorte eu desejo que fique comigo para sempre. Mas isso é um delírio de sono que estou tendo antes de adormecer de novo.
Acordo uma hora depois, ela não se mexeu. Deixo-a na cama e levanto. Emma dorme profundamente, acho que não deve acordar tão cedo. Preciso ir trabalhar, ainda falta uma hora. Visto um roupão e vejo o dia amanhecer da sacada. Já está virando um doce rotina ver Nova York clareando por cima dos prédios, embora minha cabeça não queira pensar em outra coisa que não seja Emma. Penso em voltar para a cama, acordá-la com um café da manhã e desejar Bom dia. Se ela é apaixonada por mim, brincar um pouco de casinha não me parece tão cruel, mesmo assim será difícil justificar minhas ações quando eu precisar dizer “Adeus”. “Emma, você não pode ficar mais aqui, eu estou gostando de outra pessoa.” Me recordo do que ela me disse, ela vai me odiar, porém ainda vai me amar. Nunca quis magoar ninguém, e me envolver desse jeito com ela jamais esteve nos meus planos. Tenho que fazer uma escolha. Me sinto aliviada de por enquanto não estar mais envolvida com Kris ou com qualquer outra mulher.
Sinto algo rastejando pelo meu pescoço, é a boca dela me levantando os cabelos e beijando a minha nuca. Seus braços me cercam por trás. Eu me viro, Emma me olha, mas não sorri.
— Antes que me diga qualquer coisa, vim avisar que vou passar o dia deitada na sua cama. Você vai trabalhar e eu vou ficar dormindo. Se importa?
— Não, eu não me importo. Achei que fosse fazer isso mesmo. — eu digo.
Como alguém sem qualquer maquiagem ou graça no rosto podia ser tão bonita como ela é? Há duas semanas Emma estava com uma aparência horrível: olheiras, espinhas, abatida. Hoje, no entanto, está linda da maneira mais natural possível. Os cabelos dela correm tão vividos para baixo dos ombros, seus olhos se perdem nos meus com as sobrancelhas marcando um jeito de olhar maduro. Emma não é a mesma pessoa que conheci há duas semanas, não em aparência.
— Você é exatamente o que eu precisava. — ela segura a abertura do meu roupão. Veio nua do quarto, não é uma boa ideia no outono de Nova York desfilar pela sacada de um apartamento sem uma roupa no corpo. Ela nem percebe o quanto sua pele se arrepia, o vapor que o frio tira de sua boca.
Nego com a cabeça, tirando o roupão de mim e cobrindo ela. Agora sou eu quem está nua no frio.
— Deixe para dizer isso quando realmente valer a pena. Ainda é cedo para você ter essa certeza. — Aliso gentilmente o queixo dela e entro antes que eu congele.
Tomo um banho quente tirando os vestígios de Emma e toda a noite anterior da minha pele. Por um lado me entristeço em não poder ficar na cama até tarde com ela. Me arrumo, escolho meu terno favorito e quando vou pôr os brincos e passar o perfume, Emma está de volta a minha cama, ocupando o espaço que deixo para ela no lado direito.
Ela cumpriu com o que disse e vai dormir o dia todo.
Fale com o autor