Notas iniciais
Oi, todo mundo! Acabei atrasando com esse capítulo, mas espero compensar nos próximos dias tanto aqui quanto em IE. Não vou ficar me justificando porque não faz sentido, só espero que ainda tenham confiança na fanfic. Boa leitura.


Dias após retornarmos para os Estados Unidos, Emma e eu não tocamos mais no assunto David e Margaret. De alguma forma, Emma fica magoada quando se lembra dos pais – que já não são mais seus pais, e tenho evitado fazer qualquer alusão a pequena discussão que tivemos em Londres por ela. Como uma pessoa muito transparente, de uma forma até assustadora, a loira não demonstra arrependimento em ter escolhido voltar comigo, embora eu saiba que mesmo com tantos problemas, ela ainda os amava de todo o coração.

Quinze dias se foram e a convivência ao lado dela tem me permitido abrir a mente para uma nova oportunidade. Se me sinto apaixonada por ela hoje, devo ter sacramentado meu novo estado de espírito em Londres. Não é a mesma coisa de antes, não existe mais aquele furor sexual, nem a necessidade se questionarmos sobre ambas. Quando Emma quer, Emma diz sem precisar se dar ao luxo de me consultar com o olhar antes, sem medo da minha reação e, principalmente, convicta de que estou ali para ouvi-la. Emma perdeu os pais na viagem, por outro lado ganhou uma amiga, uma mulher que já amava e pode amar sem recusas.

Talvez ela saiba que a amo, que ainda não sei como expressar o sentimento, que todos que me conhecem já sabem do meu envolvimento com ela. Eu não sei até onde eu precisava fechar a minha mente sobre ter um envolvimento afetivo com ela, porém há uma certeza que se intensifica a cada dia que passa e creio em breve não poder mais conter isso só para mim. Ver Emma e sua espontaneidade me torna espontânea tanto quanto ela. Seus trejeitos e formas de se declarar para mim me levam a uma dimensão nunca explorada antes, como se ninguém no mundo fosse capaz de fazer igual. E isso é uma droga. Emma está se tornando meu vício ao chegar do trabalho. Um vício daqueles que causa arrependimento de ficar o dia todo fora e ter algumas horas apenas para usufruir. Porque tudo ela consegue preencher, todo o vazio existente ela preencheu de um jeito inexplicável, tornando-a na única razão para qual me sinto disposta a voltar todos os dias para casa no começo da noite.

Não é mais possível me privar dos sorrisos e da vontade que tenho de olhar a foto dela que fica no bolso do meu terno. O intervalo entre um cliente e outro da firma e estou olhando para a fotografia entre os meus dedos. Pela quarta vez Belle me pega em flagrante e, sinceramente, não faço questão de esconder quem é a mulher para quem dirijo o olhar e atenção nesses últimos dias.

— Com licença, Regina. — Belle entra depois de perceber minha distração com a foto. Ela sorri e se aproxima da mesa, finalmente com coragem para questionar se estou me envolvendo com a moça da imagem. — Tá olhando essa foto de novo? É ela, não é? A mulher que você foi buscar na Inglaterra.

— É sim. — confirmo e guardo a foto de volta no bolso do terno por dentro. Olho para Belle e ela me parece muito contente.

— Sabia. Ela já esteve aqui, não esteve?

— Uma vez apenas, não faz tanto tempo.

— Fico feliz por você, sabia? Desde que comecei a trabalhar nessa firma, especialmente para você, eu jamais te vi como tenho visto ultimamente. A propósito, todo mundo percebeu sua mudança, Regina.

— Não estou fazendo questão de esconder. Seria uma enorme besteira negar meus sentimentos. A partir do momento em que essa mulher entrou na minha vida, tudo se abriu. Ela me permite ser uma nova pessoa.

— Que bom. A firma agradece também, você quase não falta mais.

— Até gostaria, e, quando deixei de vir, eu estava quase desistindo de advogar, foi uma fase complicada, se é que me entende.

— Sim, eu entendo. Depressão não é para qualquer um. Bom, qualquer dia, traga a sua namorada aqui para conhecermos, todo mundo fica curioso para saber como ela é. Mas, Regina, e como ficou o seu lance com aquela empresária da revista de moda? — Belle colocou as mãos para trás, fazendo o que sempre fazia quando estava querendo saber de algo.

— Fala da Kris? — Ela faz que sim. — Rompi meu envolvimento com ela de uma vez por todas. Somos agora apenas advogada e cliente, nada mais.

— Era o que o pessoal da administração estava conversando hoje cedo.

— Sei. Sou um assunto na boca dos estagiários.

— Ninguém falou por mal, tá? Mas teve aquele problema entre vocês no coquetel e alguém de outra firma comentou.

— Eu entendi, Belle. Mas o que veio me perguntar de verdade quando entrou aqui? — desvio o olhar para uma caneta que pego de cima de um papel e começo a manusear. Na verdade, as fofocas não me são bem-vindas, eu odeio saber que falam de mim pelos cantos da firma, mas diante da minha fama de conquistadora, eu não poderia querer menos. Seria um problema apagar que fui uma aventureira sexual.

— Ah, nada, eu vim avisar que daqui a pouco há uma reunião comercial agendada.

— Está bem, logo vou para a sala de conferência.

Belle saiu do escritório e fico pensando nos boatos que correm pela empresa. Acho que devo contar a Emma e ela no mínimo vai achar engraçado.

. . .

Quase me esqueço que hoje é dia de terapia e devo me encontrar com ela no consultório do sr. Gold. Emma chega um pouco antes dessa vez, mas não começa a falar da rotina antes que eu esteja por perto. Entro e sou recebida pelo psicólogo com grande surpresa, ele mais satisfeito que ela em me ver ali disposta a ajudá-la a superar seus traumas.

— Que bom que veio, Regina. Sente-se, só estávamos esperando você para Emma começar. — diz ele, apontando o sofá para mim e se direcionando a sua poltrona. — Certo, Emma, como foram seus últimos dias?

A loira me observa antes de começar a falar e sorri levemente, mas seu sorriso se desfaz por precisar contar o que aconteceu em Londres. Em partes Emma está feliz, em outras ainda se sente decepcionada com tudo o que ouviu dos pais.

— ... eles dois nunca entenderam e não deve ser agora que entenderão.

— Emma, para algumas pessoas é muito complicado abrir mão de uma crença quando essa parece ser o certo. Uma pessoa que acredita muito em um ritual, desconfia que exista outras maneiras de se obter os mesmos resultados. Compreende o que digo? No seu caso, seus pais não acreditam que possa haver felicidade entre pessoas do mesmo sexo, pois eles não estão se colocando na sua pele. Logo há uma associação ao seu vício com drogas.

— Mas eles não entendem que foi graças a Regina que consegui me livrar do vício. São três meses sem colocar um baseado na boca. O senhor tem noção de como esse tempo faz diferença na vida de uma drogada? — Emma está corada. Sei que quer chorar, mas ela se segura a todo o custo para não parecer triste.

— Sei, Emma, com certeza absoluta. A senhorita não é a primeira paciente com vícios que vem ao meu consultório, embora eu espere que seja a primeira a se curar totalmente. Voltando ao assunto, seus pais necessitam de um estudo apurado sobre diferenças. Na cabeça deles, o que você fez, escolhendo Regina ao invés do conforto que eles ofereciam, é uma grande afronta ao que consideram correto. Não sinta raiva deles. Seus pais no fundo sentem medo que você esteja cometendo outro erro e talvez quando perceberem que estão enganados, voltem a procurá-la. Acontece em alguns casos.

Gold passava muito calma em sua fala. A voz comedida e elegante o tornava um sábio e Emma, na sua mais inocente mente estava finalmente aliviada em ter encontrado uma esperança em relação aos pais. Agradeço Gold mentalmente por isso, ele percebe ao me olhar de relance. Às vezes, outras pessoas com melhor percepção da vida podem ser melhores conselheiras do que nós. Aquelas palavras nunca viriam a minha mente quando eu estivesse conversando com Emma. O máximo que eu podia era consolar ela nos meus braços e deixa-la chorando até ela dormir, o que de fato aconteceu algumas vezes, incluindo quando estava sofrendo de abstinência. Por falar nisso, Gold queria perguntar a Emma sobre as crises e ela não parecia pronta para falar sobre o assunto, sendo que depois de voltarmos, algumas coisas aconteceram.

— O que acha que essa mudança brusca de humor pode significar, Emma?

— Foram só duas vezes, eu não me lembro muito, só lembro da dor de cabeça e da vontade de me atirar do alto do prédio. Sério. Acho até que a Regina me odiou aquela vez. — ela me olhou e Gold fez o mesmo.

— Por que não perguntar a própria para esclarecer? Você odeia a Emma pela mudança de humor? — Gold questiona e me vejo num beco sem saída.

— Na-Não... Por que eu iria odiá-la? Eu... Eu... — Tento gesticular, as palavras não saem como deviam. — São crises, não? Sabíamos que isso ia ocorrer mais cedo ou mais tarde. Emma está em um processo de recuperação, faz parte dele.

— Correto. Bem, acho que por hoje é só, Emma. Caso as crises de humor voltem, acho que será necessário encaminhá-la ao meu amigo Sidney. Atente para o nível de intensidade. Se achar que não vai suportar a abstinência, me ligue.

— Está bem. — ela assentiu.

Levo Emma para casa e no carro, encarando o transito infernal daquele horário, temos tempo para refletir sobre as dúvidas dela. Havia uma grande vergonha, a única, quando Emma sentia-se em crise. Mesmo sabendo que enfrentaria a abstinência das drogas em algum momento, Emma nunca se acostumava a se ver tão frágil. A pergunta era se eu ainda gostava dela, mesmo com as crises e o que ainda estava por vir. Ela sentia medo de acabar se tornando um motivo para eu enjoar e dizer que não queria mais, e veja que nem sequer disse a ela que a amo. Emma pode ter muitas certezas e ser segura de si, menos em relação a uma pessoa, eu. Por mais que dissesse apaixonada, ela achava que estava vivendo em um sonho onde o fim estaria próximo a qualquer momento.

— Aquilo que disse ao Gold... Tem certeza de que não estava mentindo?

Suspiro como uma reação normal à pergunta, espero que Emma não se sinta ofendida.

— Eu realmente não me importo se você continuar tendo crises, minha intenção não muda e vamos vencer esse problema juntas. — digo com algum exagero e isso a assusta.

— Nunca falou desse jeito. Quer dizer que se um dia me expulsar da sua vida será apenas se eu estiver curada?

— Já pensou que talvez eu não queira expulsá-la da minha vida?

Ela me olha, eu não consigo virar o rosto. Ficamos um tempo em silêncio e Emma decide ligar o rádio para mudar o clima. Música romântica. Ouvimos um verso que diz: “Não posso viver se for para viver sem você.”

Do meu lado, Emma está sorrindo, olhando pela janela o transito parado. Ela torna a me ver e dá aquele suspiro que tem se tornado típico entre nós.

— Juro que se um dia acontecer algo a você eu vou fazer igual essa música, eu me mato.

Olho para ela assustada com o que diz.

— Não seja louca. Ninguém deve arruinar a própria vida por outra pessoa.

— Ah é? E o que foi que você fez me colocando para dentro de casa? Não arruinou a sua no dia em que me conheceu? Acho que vale o sacrifício por amor e eu tenho certeza que não vou suportar se acontecer alguma coisa. — Emma e seu talento para me deixar sem palavras. Não tenho cumprido com a minha promessa de retribuir os momentos sem ter o que dizer. Ela tem vencido todos e eu fico parecendo uma besta olhando para o nada, deixando as músicas dominarem e ela ganhar o embate. Agradeço por não se lembrar da época em que tentei me matar por causa de outro homem, caso contrário ela abria a vantagem no confronto me contradizendo. — Não precisa dizer nada. Eu sei que você se atrapalha nessas horas e acaba falando o que não deve.

Ela me faz rir e apenas olho para outra direção. O transito anda e finalmente podemos chegar em casa.

De repente, algumas poucas semanas passam, ela completa quatro meses vencendo o vício. Seus pais já não são mais um motivo de tristeza e Emma começa a se soltar novamente para a vida. Livre das crises há muitos dias, ela também não comenta nada de absurdo sobre se matar se eu ir antes dela como fez no carro. Por falar nisso, a terapia continua e tudo parece perfeitamente bem, me fazendo suspeitar. Nunca fui um exemplo de supersticiosa, contudo, ultimamente, meus sensores medrosos andam me dizendo que toda paz é atrapalhada por uma desordem, é um ciclo vicioso. Tormentas, paz, tormentas e paz novamente. Comento isso um dia com Emma e ela acha graça.

Estamos fazendo o jantar depois que topo ajuda-la com a pasta de creme de amendoim. Sem qualquer jeito para a cozinha, me atrapalho um pouco e ela logo vem consertar a bagunça que eu deixo sobre a bancada.

— Cuidado, vai cortar o seu próprio dedo com essa faca. — alerta ela, lambendo o dedo de maionese.

— Seria cômico se não fosse trágico. — brinco, usando a faca de qualquer jeito.

— Regina, seja mais delicada... Sobre aquilo que estava falando, eu acredito em tudo, porque na minha vida sempre foi assim. Não podia acontecer nada de bom, algo sempre acontecia depois com o único intuito de atrapalhar.

— Nunca fui tão adepta de superstições como ando nesses últimos meses.

— Não são superstições, são fatos. Acredita em inferno astral?

— Odeio astrologia. — reviro os olhos porque é uma grande verdade.

— A sua cara odiar qualquer coisa desse tipo. — ela ri. Está de costas para mim e de avental como eu. Ela se vira e corta um pedaço de cenoura crua, levando a boca e mastigando sem se incomodar. — Isso me faz querer saber de uma coisa. Quando é que você faz aniversário?

— Por que quer saber, vai me dar um presente?

— Não, eu só queria calcular quantos dias faltam e assim podemos pensar que dia vai acontecer alguma coisa errada.

Paro de fazer o que estou fazendo para olhar Emma e debochar dela.

— Não faço ideia de quando vou fazer aniversario de novo, eu não lembro o dia.

— Não é possível!

— Se quer tanto saber ligue para minha mãe e pergunte. — dou de ombros.

— Pera aí, você nunca falou dos seus pais pra mim. Eles são gente boa? — Emma aproveita para prender melhor seus cabelos no alto.

— São ótimas pessoas. Na verdade você não sabe de muitas coisas sobre mim, inclusive que eles não são meus pais na realidade.

— Como assim?

— Sou filha adotiva. Minha mãe me cria desde o meu segundo dia de vida.

Emma fica boquiaberta e quase deixa sua cenoura cair.

— Para de brincadeira.

— É verdade. — volto a me virar.

— Cara, você é cheia de mistérios, hein? Isso explica muita coisa.

— Os mistérios ou eu ser adotada?

— Ser adotada. Por isso é diferente, é contida e metida também.

— Olha, dá para evitar dizer que sou metida?!

— Não! Eu não estou mentindo.

Me viro novamente e um pedaço de cenoura atinge o meu rosto levemente.

— Hey!

Emma está rindo ao me ver colocar as mãos na cintura e me desafia, atirando outra casca de cenoura em mim. Parto para cima dela, mas ela me escapa e corre para a sala. Alcanço Emma perto do sofá e agarro seu corpo em cheio por trás enquanto ela gargalha. Perdemos o equilíbrio e juntas desabamos entre as almofadas, rindo, achando graça de tudo. Tento roubar a cenoura dela e no movimento brusco Emma tira algo sobre o sofá que a incomodava nas costas, sua mochila. Ela me puxa mais à vontade e me beija na boca. Estamos praticamente deitadas, só que algo saindo do bolso da mochila me distrai. Olho para um cartão de visitas e me levanto antes que Emma consiga terminar seus selos no meu rosto.

— O que foi? — ela pergunta e se senta.

Eu busco o cartão no bolso da mochila e leio. Havia um nome que eu conhecia de outras épocas e que inclusive trabalhava para outra figura familiar.

— Roseanne Bell, fotógrafa. — Procuro Emma, segurando o cartão. — Por que tem um cartão dela na sua mochila?

Emma não parece envergonhada, muito menos indisposta a me contar como conseguiu o cartão de uma das mais badaladas fotógrafas da cidade.

— Ah, isso foi semana passada, ela teve lá na universidade me procurando. Quer que eu seja modelo dela em uma matéria para uma revista.

— Isso é sério? — estranho a história e começo a desconfiar.

— Foi a própria Roseanne que me convidou, ela esteve mesmo lá atrás de mim. Ela me deu um tempo para pensar, acho que vou aceitar porque é um trabalho e a grana dos meus pais está acabando.

— Emma, olha só — me sento ao lado dela e entrego o cartão. — Essa mulher pode até ter ido procurar por você e se disse interessada, mas não questionou de onde ela te conhecia?

— Não, eu não perguntei. Se bem que ela pode ter um olheiro, pode observar mulheres como eu por aí e me escolheu.

— Não, Emma, não foi porque ela esteve observando você. Essa moça, a Roseanne, ela trabalha para uma revista muito famosa de circulação nacional.

— Uhum, eu sei, foi o que ela me falou.

— Sabe quem é a editora chefe dessa revista? — faço a pergunta e Emma mexe a cabeça negativamente. — É a Kris. Roseanne Bell trabalha para a Kris.

Emma arregala os olhos.

— Tá brincando, né?

— Não, é verdade. Isso quer dizer que a Kris é quem anda vigiando você e de alguma forma ela sabe que estamos envolvidas. Ela quer me atingir convidando-a para trabalhar com ela.

— Meu Deus, mas será que é isso? Ela ainda não superou o que vocês duas tiveram? Não pode ser.

— Pelo visto não superou e vou precisar resolver.

— Regina, não! Não procura essa mulher de novo, não gosto dela. Ela me chamou de puta na frente de Manhattan inteira, humilhou você, fez a gente brigar... Não, eu não quero que se encontre com ela.

— Se eu não tomar uma providência você vai ser perseguida de formas ainda piores, Emma. Não vê que ela quer chamar a minha atenção? Ela está se roendo de inveja porque escolhi outra mulher, a Kris nunca soube perder.

— Se você procurar essa mulher eu juro que vai se arrepender. Me escuta, pelo menos uma vez, tá? Não provoca ela de novo.

Me levanto do sofá e ando pela sala, abismada.

— Kris está comprando uma briga desnecessária.

— Por isso mesmo que deve evitar ir resolver por conta própria. Eu prometo que vou ficar mais atenta a partir de hoje. É que a proposta que a fotógrafa fez foi tentadora e eu preciso de um trabalho, você entende.

— Tudo bem, Emma, eu entendo. Mas ela sabia o quanto eu ia ficar aborrecida se essas fotos caíssem nas mãos dela, talvez ela usasse como isca para que eu fosse no escritório da revista. É uma covarde.

— Só me prometa que não vai fazer nada. Deixa pra lá, ela não pode fazer nada. — Emma levanta e me abraça por trás, como se pudesse me impedir de cometer um erro.

Infelizmente, estarei mentindo ao dizer que prometo não procurar por Kris e tirar satisfações, mas tudo indica que ela deve atacar novamente. Creio não estar tão enganada assim.

— Prometo.

A minha promessa não durou mais que duas semanas.

Com muito trabalho acumulado e reuniões para assistir, casos para resolver, mal recordo do aborrecimento chamado Kris. Ela porém, ignorada por Emma, já que a loira não retornou o contato com Roseanne, parecia disposta a continuar sua perseguição como eu imaginei. Belle, no momento em que chego, me entrega o jornal do dia com uma foto imensa estampada na capa. Era uma foto minha ao lado da editora, nós sorríamos e estávamos abraçadas com certa intimidade. Minha secretária não precisou dizer nada para que eu percebesse a gravidade da situação e a calúnia que aquela mulher estava tentando me meter. A reportagem dizia que Kris e eu tínhamos nos envolvido e estávamos noivas. Com toda certeza essa informação foi colocada erroneamente a pedido dela e, por essa razão, especialmente por não admitir mentiras envolvendo meu nome, eu devia visita-la, era o que ela queria.

Não cheguei a sentar na minha poltrona atrás da mesa, peguei as chaves do carro e enfiei o jornal no bolso do terno. Em uma hora eu estava na cede da revista onde Kris trabalhava, bufando pela boca, antes de esfregar aquela foto antiga de nós duas na cara dela.

— Senhora, não pode entrar sem ser avisada! — a secretária corre atrás de mim quando entro com tudo no escritório de Kris e ignoro qualquer coisa a minha frente até ver a pretenciosa editora de revista sentada plenamente em sua cadeira atrás da mesa de tampo de vidro. É possível ver suas pernas cruzadas em baixo, sua pose e o cinismo me encarando, nem um pouco perplexa quanto eu estava.

— Tudo bem, Alice, pode deixar. — ela fala com a secretária e nós ficamos sozinhas assim que a porta fecha.

Kris tira os óculos do rosto, se levanta da mesa nos tranca ali dentro. Começo a sentir uma dor de cabeça inconveniente e ela volta a ficar de frente para mim. Tiro o jornal do bolso e estendo em sua direção.

— Será que ainda é muito complicado para entender que nós duas não temos mais nada em comum que não seja o trabalho?

Kris segura o jornal e abre, vendo a foto que ela mesma havia pedido para ser parte da manchete. Ela o deixa sobre a mesa e se recolhe em seu próprio jogo de braços cruzados.

— Exatamente, é muito difícil. Só consegue enxergar o seu lado nessa história não é, Regina? Eu amo você e quero reconquistá-la, mas você me ignora, me humilha e me faz apelar para atitudes das quais eu não sinto orgulho. — diz ela, desafiando minha paciência.

Me aproximo com as mãos na cintura e despejo em sua fuça:

— Mas eu não amo você. O que houve entre nós foi um caso passageiro como todos os outros que eu tive. O que tivemos acabou e não pretendo voltar no tempo para reviver. Conforme-se que não quero mais nada com você.

Ela fica ofendida, não quer se dar por vencida. Kris segura meu rosto com as duas mãos e tenta me beijar.

— Por favor, querida, não me entenda mal, eu só quero consertar os meus erros ao seu lado. Só você pode me ajudar, tudo o que eu fiz, tudo o que errei... Sinto que preciso do seu amor para superar. Você é a única capaz de me ajudar.

Tento afastar o corpo dela, não consigo. Ela se esfrega em mim, deixa seu perfume em minha roupa, me enche o rosto de beijos e marcas de batom. Quer me convencer a todo custo.

— Para com isso. Você sempre foi desse jeito, sempre foi desleal com as pessoas, não sou eu quem pode te ajudar com isso. Foi desleal comigo também e confesso ter desgostado ainda mais de você quando soube das suas trapaças nesse mercado sujo onde você é rainha.

— Só porque eu comprei as modelos da concorrente, usei minha influência para conseguir um marketing excelente e dormi com as fotógrafas, você me odeia? Você é muito cínica. — ela me empurra.

— Nunca precisei seduzir ninguém para conseguir o que eu queria. — rebato.

— Ah, não? E as garotas de programa que você pegava nos bares? Elas não te cobravam pela transa? Pelo o amor de Deus, Regina, foram 30 mulheres desde que te conheci, como nenhuma delas foi capaz de arrancar um mísero centavo de você?

— E ainda por cima me vigiava. Uma das coisas que mais abomino é obsessão e você extrapolou todos os limites.

— Porque eu amo você! — ela repete. — Sou louca por você desde o dia em que pôs os pés nesse escritório. — ela segura o meu rosto com os dedos e o aperta. — Só eu sei o sacrifício que foi acordar todos os dias sem seu corpo me aquecendo, os seus beijos descendo pelos meus seios, sua mão no meu ventre... Eu amei todos os nossos momentos. Os dias que aparecia aqui com a desculpa do processo para me devorar e parar na minha cama, no meu apartamento. Você não acredita, mas é isso, eu te amo e vou até o fim para ficar com você.

Aquela possessão de Kris me irrita e decido tocar em sua ferida para afastá-la. Agarro os braços dela e ofego em seu rosto, olhando dentro de seus olhos.

— Põe na sua cabeça uma coisa... Eu não gosto de você, eu não quero ficar com você, eu amo outra mulher... Tá ouvindo bem? Eu amo outra mulher. Eu vou ficar com ela, eu vou viver a minha vida ao lado dela e por mais que você tente desesperadamente me convencer o contrário, o que nós duas tivemos morreu quando você mexeu com ela. Se ousar mandar uma das suas fotógrafas com propostas irrecusáveis para Emma de novo, eu juro, dou um jeito de arruinar a sua carreira. — falo entre os dentes e Kris está apavorada.

— Você o que, Regina? Me trocou por uma puta de cassino? — ela sussurra, fica confusa, estranha.

— É, exatamente! Uma puta de cassino que eu amo. Só que para mim, Kris, ela não é puta, ela é a Emma, a mulher que eu passei a conhecer e, que diferente de você, me abriu os olhos para quem eu fui e quem eu estava me transformando. Emma me ama de graça, eu não precisava ter colocado ela dentro de casa, nem dormido com ela para saber disso. Já você, me ama porque não gosto de você. A verdade é que você só gosta do que não pode ter e quando tem você enjoa, joga fora ou maltrata. Conheço algumas ex modelos e elas não recusariam testemunhar contra você num possível julgamento. Elas sabem de muita coisa. Muito cuidado, eu aconselho.

Kris não sabe como reagir, foi vencida. Ela franze o rosto, olha para as próprias mãos e para todos os lados. Volta a me olhar e não consegue pronunciar nada além de um mudo “vá embora.” Me afasto, não há mais nada que precise ser dito. Kris começa a chorar copiosamente e ouço seus lamentos quando fecho a porta do escritório. Saio dali com um peso a menos nas costas, aliviada e convicta de que jamais serei perturbada por essa mulher de novo.

Demora até eu chegar em Upper East Side e Emma está há muito tempo à minha espera. Entro desajeitada, meu terno amassado, os cabelos mal arrumados e com o cheiro enjoado do perfume de Kris. Emma levanta o rosto e me olha daquele jeito. Devo uma explicação para ela.

— Desculpa... eu não pude avisar...

Ela se levanta e me dá um abraço, sentindo de imediato o cheiro de Kris misturado ao meu. Ela me olha, segura o tecido da minha roupa e abana a cabeça.

— Não acredito.

— Emma, me deixa explicar.

— Explicar o quê? Eu pedi pra você não procurar essa mulher! Eu falei que eu não gosto dela!

— Não é o que você está pensando.

— Então é o quê? Esse cheiro de perfume caro, essas marcas no seu pescoço, a forma como você está me olhando, como é que não é o que eu estou pensando?!

— A Kris me obrigou a procurá-la, se eu não fosse até o escritório dela, isso nunca iria parar.

— Me poupa, Regina, você mentiu. — Emma se afasta de mim e chora. Era como se estivesse me esperando há muito mais tempo e seu dia não foi dos melhores, de quebra ainda chego em casa com o cheiro de Kris em mim, se sente traída. — Eu pedi tanto para não ir.

— Emma, me escuta. — tento ir atrás dela. Bruscamente, Emma Swan abre a porta do quarto de hóspedes e puxa suas roupas do armário, jogando tudo na cama em seguida. Pega a mala, abre, enfia tudo ali dentro de qualquer jeito enquanto tenta secar as lágrimas. — Saiu uma foto nossa no jornal com uma notícia falsa, eu fui confrontar a Kris sobre essa história. Ela inventou tudo, queria chamar a minha atenção.

— E conseguiu, você caiu igual uma pata! — ela falava, fechando a mala. — Ela deve ter dado uma excelente explicação e você deve ter caído de boca nos peitos dela para variar. — Ela se vira, andando até o banheiro para buscar o que tinha e estava lá. Quando volta, puxa a mochila de cima de uma cadeira, abre a carteira para ver se tem dinheiro. — Vocês duas se merecem, você merece ela principalmente! — Emma funga. — Ela é a pessoa perfeita, vai lá, Regina, fica com ela. Ela é rica, bonita, mentirosa. É bastante óbvio que ela combina mais com você.

— Eu não estou mentindo, Emma. — tento convencer, mas Emma acredita mesmo que perdoei Kris.

— Tô indo embora, não dá pra ficar morando aqui. — ela fala, chorosa, de nariz vermelho, decepcionada.

— Vai ao menos me deixar contar a verdade? — Parece que Emma está em crise e minha atitude de ir até Kris a deixa em um estado pior. Ela para e senta na cama, cobre a cabeça com as mãos, chora compulsivamente.

Estou preocupada com ela, com medo de prosseguir minha explicação sendo que em seu estado nada adianta.

— A verdade é que eu só sirvo para transar com você. Tava na cara desde aquele dia. Estava com raiva dela e me usou de novo, me usou muitas vezes. Era pra isso que você me comia todas as noites, não era? — Ela me olha com os olhos cheios d’água. Eu sei que o que está causando aquela confusão mental nela é a abstinência, já enfrentamos isso juntas, eu sabia como era complicado lidar com a mudança de temperamento.

— Não. — nego, me apoio na porta e cruzo os braços, olhando Emma de longe. — Jamais foi minha intenção usar você. Não amo a Kris, não quero ficar com ela e fui até a revista para dizer duas coisas muito sérias. — Emma soluça. Realmente não havia sido um dia bom para ela. Mesmo assim, me vejo certa na minha atitude, ainda que tenha descumprido com uma promessa. Respiro fundo, tomando um ar de coragem que necessitava para o momento. Se não fosse de surpresa, eu jamais conseguiria confessar para a própria Emma o quanto estava apaixonada por ela. — O que eu fui dizer é que estou apaixonada por outra mulher e que quero viver com essa mulher, que não quero ficar com a Kris e que se ela fizer alguma coisa contra essa pessoa que eu amo, ela vai se arrepender muito.

A loira levantou o rosto e fungou. Passou longos segundos fitando minha expressão. Eu sinto minhas mãos suadas, minhas pernas bambas e minha respiração falhando. Meu peito sobe e desce com frequência e juro estar prestes a desmaiar. Minha visão está embaçada, só posso ouvir o som do meu coração batendo sem parar. O amor nunca foi tão nocivo, contar que a amo doía, mas me afetava e eu não sabia se todas essas sensações eram boas.

— Repete o que você disse. — ela pede, notando meu desconforto. — Repete se você tem coragem.

— Amo outra mulher e quero viver com essa mulher. — Me desgrudo da parede e dou três passos na direção de Emma. Nada sinto, nem mesmo sei como estou andando. É uma energia que me leva até ela, que me faz querer tocá-la e dizer o que ficou engasgado comigo esse tempo todo. — Amo você.

O rosto de Emma se ilumina. Ela se ergue e vem para mim sob o mesmo efeito. Ela me segura, me toca e me abraça. Está me tocando para ter a certeza de que não vive um sonho muito generoso.

— Se estiver mentindo pra mim eu vou matá-la. — ela diz brincando, rindo. — Eu sabia que você ia confessar, sabia que um dia ia ter coragem de dizer que me amava também.

Me encontro em um estado de alívio quando ouço a voz dela. Suspiro em seu abraço e me mantenho calada até ela querer me fitar de novo, me dar aquela boca para beijar e o rosto para desenhar com selos.

— Acho que nunca me senti assim antes. Me perdoe por fazê-la sofrer, por mentir, descumprir com a promessa que eu fiz, mas foi pelo seu bem, por nós duas. — digo baixo, segurando o rosto dela.

Emma pisca muito, fecha os olhos e sorri colando os lábios nos meus.

— Eu tive um dia péssimo, tive uma crise horrível na faculdade, até me tranquei no banheiro pra chorar e vim para casa mais cedo. Imaginar você se encontrando com aquela mulher me corrói por dentro, me desculpe. Eu odiei você pela primeira vez quando senti o cheiro dela no seu terno, eu jurava que tinha acontecido alguma coisa quando houve outra completamente diferente. Não estou acreditando! Você disse que me ama e agora tudo parece tão perfeito. Eu sinto que vou ser feliz do seu lado, estou surpresa com os meus desejos se realizando.

— Antes de você começar as consultas com Gold, ele me questionou por que eu havia trazido uma mulher desconhecida para dentro de casa. Eu já amava você quando te trouxe para cá. — repito sobre os lábios dela. — Demorei a dizer por medo. Um pavor de vivenciar o meu pior pesadelo outra vez.

— Juro que nunca vou permitir você sofrer de novo. — Ela abre os olhos e põe a mão nos meus cabelos. — O que aconteceu passou, não tem que recomeçar. Olha pra mim, me ouve. — ela levanta meu queixo. — Você não vai se arrepender de nada daqui pra frente. Vou fazer o possível e o impossível para te livrar desse medo. Me dá essa chance e nunca vou decepcioná-la.

— Tenho feito coisas que não fazia antes de chegar na minha vida, Emma, coisas das quais eu teria vergonha em outro momento. Com você tem sido mais fácil entender que preciso me dar essa mesma chance. Se eu fui a única a estender uma mão por você, essa mulher na minha frente foi a única capaz de me abrir os olhos.

— Eu não disse que ia te ajudar também? Eu ia curar todas as suas mágoas, seus medos e, se for para viver em função disso, eu vou.

— Gosto do seu tom sonhador e meigo, gosto desse sorriso, do seu cheiro. Você veio na hora certa, Emma.

Ela me rouba um beijo quente, porém longe de ser erótico como uma súplica para fazermos amor. Tomamos banho juntas para tirar o cheiro da Kris de mim, e toda vez que nossas bocas se encontravam os arrepios são mais intensos. Deslizo a bucha pelas costas dela e os dedos pelos cabelos enquanto a ducha banha nossos corpos em uma espécie de benção acolhedora. Não sei precisar quanto tempo esse banho durou, eu só sei que estamos há horas trocando carinhos.

Na hora em que paramos, Emma senta sobre o mármore da pia na suíte e penteia os cabelos. Ela veste um roupão dos meus, me observa e não esconde sua euforia.

— Amanhã será um dia especial, sabia?

De frente para o espelho, passando meus cremes no rosto, penso no quão exagerada essa loira era e o quanto isso me agradava. Sorrio sem mostrar os dentes, ainda assim, contente.

— É mesmo? Será que alguém vai contar para os colegas da faculdade que está namorando? — resolvo especular.

— Não, claro que não, eles já sabem que eu namoro uma advogada gostosa. Amanhã vai ser um dia especial por outra razão, mas eu não vou contar, vou deixar que descubra.

— Eu sou curiosa. Vamos, me conta. — esfrego o Victoria Secret’s de pera pelos braços.

— Se eu contar deixará de ser surpresa. — ela termina com o cabelo, desce da bancada e sai para o quarto rindo como alguém que planejava algo desde cedo. O engraçado era que eu realmente não me lembrava do que ia acontecer amanhã.

. . .

Depois de dormirmos agarradas a noite inteira, dou falta de Emma na manhã seguinte quando o relógio desperta às seis e vinte. Á medida que dormimos juntas, menos vontade de acordar eu tenho só para fazê-la de meu travesseiro, por isso é tão estranho quando não encontro mais Emma na cama.

Levanto, ponho um robe e ando pela casa, sentindo um cheiro fabuloso de ovos e bacon. E para minha surpresa, como Emma havia prometido, há uma faixa enorme na parede da sala: “Feliz aniversário, Regina!!” Era o meu aniversário. Emma descobriu que hoje é o dia do meu aniversário.

— Surpresa! Parabéns, meu amor! — ela surge atrás de mim, pulando em meu colo.

— Emma, como...? — A coloco no chão e tento entender como ela descobriu sobre mim. — Como soube que hoje é meu aniversário?

A loira morde os lábios e ri, arteira, feito criança.

— Eu só fiz o que você me disse para fazer, perguntei para sua mãe. — ela dá de ombros, faz um bico engraçado.

— Ligou pra minha mãe??!

— Uhum, faz umas duas semanas. Tô organizando seu aniversário desde esse dia.

Tento dizer alguma coisa, mas Emma não permite e tampa minha boca. Me vira e mostra a mesa pronta na cozinha. Há um prato com ovos mexidos e vários pedaços de bacon frito montados em formato de um 33, a minha idade. Eu já tive festas de aniversário, incluindo surpresas, mas a dedicação de Emma em me dar uma pequena comemoração me deixa em estado de graça. É quase capaz de eu estar sem reação.

— Minha nossa, Emma... Obrigada! — digo, ela puxa uma cadeira para mim e se senta de frente.

— Tenho uma grana sobrando no banco, mais tarde se quiser, a gente pode sair pra jantar e comemorar da forma que merece. Só não quero deixar passar essa data, porque a partir de agora ela é muito importante para mim também e se eu não lhe lembrasse, você não daria sinal sobre fazer aniversário hoje. Bem que a sua mãe avisou o quão esquecida você é.

Coço minha cabeça, devo estar corada e minha única saída é saborear o bacon que Emma preparou. Emma estava certa. Se eu não me lembrasse que dia é hoje, ninguém mais faria isso. Estou contente por ela ter procurado saber e me assusta que ela tenha falado com mamãe. Mas falarei sobre esse assunto com ela mais tarde, agora preciso do meu café da manhã para aguentar esperar o dia todo até reencontrá-la e comemorar meu aniversário.

— Emma, quer saber, obrigada. — espeto um dos garfos no primeiro pedaço de bacon, tirando uma das pernas do primeiro 3 feito. — E... só mais uma coisa — termino de mastigar. — Eu te amo. — isso sai como um sussurro, alto o bastante para ela entender e abrir um sorriso brilhante, cheiro de calor. Sua alegria é tanta que não é preciso que ela fale mais nada o restante do dia, todos vão saber.

Notas finais
Você deve estar se perguntando sobre a Kris. Ela volta para atazanar as duas? Não! Ela retorna, reaparece, mas não para atrapalhar ninguém. Digamos que essa foi a sacudida definitiva da Regina nela. Emma vai voltar a ter algum problema agora que Regina disse as palavrinhas mágicas? No caso da Emma eu acho que é um longo caminho a percorrer até a cura. Óbvio que ela tem razões fortes nesse momento e, se algo acontecer, Regina estará lá até onde puder. Gosto dessa fanfic, gostaria mais ainda de saber o que acham e o que pensam, me faria muito feliz de verdade. Até mesmo se estiver ruim, digam! Um abraço forte, até o próximo e fiquem bem.