Notas iniciais
1. A partir de agora os capítulos serão narrados pelo ponto de vista de Lee. 2. Me perdoem qualquer erro.

“Diga a eles que eu era feliz e meu coração está partido. Todas as minhas cicatrizes estão abertas”

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— Vocês estão de brincadeira com a minha cara? — Indaguei confusa com toda aquela informação.

Estavamos na cozinha de Charlie onde Billy Black e minha mãe se encontrava. Após o acontecimento em La Push voltamos para "casa" e eu não sai mais do quarto, por mais que os gritos de mamãe e Seth soassem sobre a porta eu esperei silenciosamente dentro do antigo quarto que pertencerá a minha meia-irma, até tudo se acalmar.

Eu não sai mais do quarto aquele dia, fiquei sentana poltrona em frente a janela aquecida por cobertores e ouvindo a chuva bater contra o vidro da mesma. O relógio badalou as oito horas, quando o som de pneu triturado chamou minha atenção no lado de fora, Charlie havia chegado. Horas depois eu o ouvi perguntar por mim no corredor, ouvi mamãe lhe dar algumas desculpas lhe dizendo que eu estava cansada e fui dormir mais cedo.

Meu estômago estava roncando, eu estava com fome mais mesmo assim ignorei os chamados de Seth em minha porta quando jantar fora servido. Eu precisava de um tempo para mim, consertar minhas idéias e meus pensamentos. O lado ruim de ver Sam, eram todas as lembranças que ele me trazia, os nossos momentos foram todos esmagados e atolados em poços, para então sobrarem apenas as memorias ruins.

Eu detestava tudo aquilo, como Sam ainda tinha poder sobre mim. Ele me fazia ser uma pessoa vil e detestável, alguem que eu não queria ser, alguem que me enojava. Toda aquela confusão no penhasco me deixou confusa, o modo que ele segurou meu braço irritado, parecia que tinha algo o incomodando no meio de toda aquela situação.

O modo que Paul me olhava, o modo que ele me segurou quando eu fui pular do penhasco, era como se eu fosse feita de porcelana e pudesse quebrar a qualquer momento. Desde quando Paul se importava com meu bem-estar ou melhor ainda, quando Paul se importava com alguém ou qualquer coisa, sem ser ele mesmo?

Aquilo me deixou demasiada confusa, e um tanto pertubada que mal consegui dormir, tentando processar sozinha oque diabos havia acontecido.

Agora estavamos sentados na mesa da cozinha, Billy chegará antes de eu acordar e já me esperava. De inicio pensei que ele estava aqui para me ver e dar as boas vindas, mas seu olhar minucioso e rígido logo me fez perceber que não era, que tinha algo a mais ali.

Sentei-me em sua frente como mamãe me pediu, ela estava seria aquela manhã. Seth estava escorado no batente da porta olhando para o chão, ele não olhou para mim aquela desde que eu desci. Quando ele começou a falar de inicio eu fiquei confusa, esperando o final daquela brincadeira de mal gosto.

— A impressão é muito especial para a tribo Quileute.

Ele respondeu. Aquela conversa estava sem pé e cabeça, eu ergui a sombracelha antes de revirar o olhos e assentir com a cabeça, fazendo desdém do assunto.

— Leah... — Billy disse seriamente, me repreendendo — Francamente, o imprinting significa encontrar sua alma gêmea.

Comecei a engasgar. Agora eu realmente precisava de algo para beber. Ele estava realmente falando serio?

— Você está tentando dizer que Paul e eu somos almas gêmeas? — perguntei repulsa.

Ele continou calado, aquilo significava um sim. Não pude deixar de gargalhar diante de toda aquela conversa maluca, mas a minha risada era de completo desespero.

— Obrigado Billy, eu realmente precisava dar umas boas risadas. Eu tive uma manhã muito difícil ontem.

— Leah... — Seth começou. — É verdade.

Eu estreitei os olhos, sentindo uma onda de choque invadir meu corpo. Seth nunca mentiu para mim, mas sempre havia uma primeira vez para tudo. Olhei para minha mãe que me lançava um olhar compreensivo, não era mentira...

— Querida tente entender...- murmurou minha mãe, tentando tocar minha mão.

Minha cabeça rodava e eu não sabia exatamente oque pensar. Oque exatamente queriam com tudo aquilo? Será que eu era uma piada para eles ou algo do tipo? Olhei intensamente para Billy, negando com a cabeça, eu não queria participar de toda aquela merda que eles estavam se referindo.

— Os Quileutes têm sido uma pequena tribo desde o início. E sempre tivemos magia em nosso sangue. Nós éramos grandes guerreiros espirituais, metamorfos que se transformaram no poderoso... lobo. — Billy disse olhando para mim.

— Lobo? — Eu refleti para mim mesmo. Isso não era apenas uma lenda?

— Isso nos permitiu assustar nossos inimigos e proteger nossa tribo...

Quando Billy terminou e o olhei incrédula.

— Eu não posso acreditar no que estou ouvindo. — eu disse passando os dedos no meu couro cabeludo antes de voltar-se para meu irmão. — Até você, Seth?

Ele olhou de mim para Jake, que estava a sua frente, confirmando minhas suspeitas.

— Por quanto tempo? — Eu perguntei me sentindo traída.

—Leah... — ele murmurou, o clima pesado estava se instalando na cozinha.

— Não!

— Por favor, apenas....- ele pediu, mas eu neguei com a cabeça, eu queria uma resposta.

— Não Seth! Me diga logo, a quanto tempo?!

— Desde que o pai morreu. — Ele disse tristemente enquanto olhava para o chão.

Eu abri a minha boca e fechei varias vezes, um bolo formou-se em minha garganta.

— O ataque cardíaco do papai... — murmurei para mim mesmo enquanto lágrimas brotavam em meus olhos.

Tudo fazia sentindo agora, papai havia tido um ataque cardíaco ao ver Seth se transformar. Era por esse motivo que ele não estava mais em casa depois que eu sai do banho, a porta dos fundos estava escancarada e Sam estava de olhos arregalados, tudo havia acontecido muito rápido naquela noite. Quando eu terminei de descer os degraus tive um vislumbre se papai no chão, mamãe estava gritando segurando seu corpo já mole.

Sam... O nome do meu ex noivo veio a minha mente, e eu me virei acusadoramente para Billy.

— Sam? — perguntei sentindo o gosto amargo em minha boca ao pronunciar seu nome.

— Ele teve um Imprinting em Emily. — ele respondeu por fim.

Me levantei bruscamente da mesa, a cadeira bateu contra o chão com a força que exerci ao me levantar. Olhei para Jacob e Seth, seus olhares pediam desculpas silenciosamente. Embry, Quil, todos eles sabiam.

Traidores!

— E vocês dois? Nós não éramos melhores amigos, isso não significa nada para vocês?

Meu corpo todo tremia, a vontade de chorar se acumulava dentro de mim e a sensação não parava por aí. Ela flui para dentro da minha garganta, depois para meu peito, beliscando com uma tristeza profunda.

Sem dizer mais nada, nego com a cabeça e saio da cozinha batendo o pé com força no assoalho de madeira. Vou em direção a sala e pego meu casaco junto com as chaves e meu celular indo em direção a porta.

— Lee, para onde você vai? — pergunta Seth atrás de mim, seu tom transparência preocupação.

Não respondi, apenas abri a porta da frente sentindo o jato de vento gelado jogar meus cabelos para trás. Mal piso o pé na sacada quando tenho o vislumbre de Sam, Embry, Jared e Quil. Pelo menos Paul não estava ali para acabar de piorar o meu dia.

Meus olhos formigaram e a raiva explodiu dentro do meu corpo quando passei por Sam, que vinha em minha direção. As cenas seguintes aconteceu muito rápido, senti minha mão formigar e um burburinho atrás de mim. Abri a porta do carro ainda olhando diretamente para Sam, que massageava a bochecha e me olhava incrédulo.

Não iria mudar nada aquele tapa em Sam, mas me fez sentir-se um pouco melhor pelo menos. Ignorei os gritos de Seth e de Jacob e entrei no carro, dando partida logo em seguida antes de acelerar para bem longe, até a casa de Charlie surmir de minha vista.

— Droga!

Ralhei para mim mesma apertando o voltante enquando as lagrimas embasavam minha visão, eu iria bater em uma arvore se continuasse com essa velocidade. Encostei o carro, e sai do mesmo, a brisa gelada chicoteava meu corpo e então eu vesti o casaco e me encostei no capo do carro, pensando nos acontecimentos das últimas horas.

Olhei em volta da estrada pouco movimentada e percebi que tinha dirigido para perto da reserva, ótimo, só oque me faltava. Suspirando, travei o carro e entrei na floresta, onde por muito anos foi meu abrigo, e esse momento era exatamente tudo oque eu precisava.

Após minutos andando sobre o matagal, encostei-me na árvore tentando acalmar minha respiração. E então tudo voltou de repente, fiquei triste por Seth, — por mais que ele tivesse mentindo — papai teve um ataque cardíaco ao vê-lo transformar-se, foi por esse motivo que ele se culpava tanto. E fiquei triste por mim mesma.

A tristeza vai aumentando, como se toda a dor do mundo convergisse para um só ponto logo acima de meu coração. Quero chorar... Quero tanto que chego a ficar sem ar.

excruciante respiração. Tento falar, mas não consigo. A tristeza vai ficando cada vez maior. Cada batida de meu coração esgota meu peito feito uma sanguessuga. Quero escorregar para o chão, enrodilhar-me em mim mesma e chorar para sempre.

Eu sabia que tinha sido uma má ideia retornar, eu deveria ter ficado em Phoenix e continuado minha faculdade, longe desse lugar que me sufocava e me fazia se sentir pequena, longe de toda essa bagunça, longe de todas essas lembranças que voltaram a me atormentar depois de anos.

Então as lagrimas vieram, desciam livremente por minhas bochechas junto com os soluços que estavam sufocados em minha garganta. Eu me dobro e um grito agudo irrompe de minha garganta, tão profundo que fere minhas cordas vocais e esvazia meu abdômen.

O grito termina em um soluço, e tudo fica em silêncio.

Eram seis horas da tarde, o crepúsculo lambia o céu quando estacionei o carro de Seth na frente da casa de Charlie. Mamãe deveria estar pirando essas horas, meu celular tinha oito chamadas perdidas dela, eu sabia que estava encrecada, mas ela não poderia me culpar.

Abri a porta da frente, Seth e minha mãe estavam no sofá assistindo TV em silêncio. Ela virou-se para mim e se levantou em supetão, vindo em minha direção e abraçando-me.

— Onde você está querida? — ela perguntou preocupada após soltar-me — Você está congelando Leah!

Me encolho um pouco, fiquei tanto tempo parada sentada na pedra no meio da floresta que nem cheguei a me importar com a garoa que caia sobre mi. Poderia soar dramática depois, mas eu precisava daquilo, precisava sentir o frio ou qualquer outra coisa que não fosse o meu coração sendo despedaçado novamente.

— Eu estou bem. — murmurei retoricamente — Só preciso de um banho.

Ela assentiu com a cabeça, sabendo que não anditava me dizer nada naquele momento. Seth levantou-se e veio até a mim e como cedo, eu lhe dei as costas, começando a subir as escadas.

— Lee, podemos conversar?

— Agora não Seth...

Murmurei entrando no corredor com ele vindo atrás de mim.

— Eu queria me explicar, não gostaria que ficasse esse clima chato entre nós. — ele suplicou.

— Está tudo bem Seth.

Respondi abrindo a porta do quarto e o parando, sabendo que se ele começasse iria passar horas tentando explicar o assunto que eu queria esquecer.

— Não Leah, não está! Eu te conheço e sou seu irmão. — ele passou as mãos pelo rosto — Posso entrar?

— Tchau Seth! — bati a porta na cara dele, suspirando pesadamente.

Andei pelo quarto e fui até a comoda e tirei o pijama cheio de coelhos que Jenara — minha melhor amiga que eu conheci em Phoenix — me comprou quando eu lhe disse que voltaria para Forks. Sorri com a lembrança dela me entregando o pijama.

“Mantenha-se aquecida, quando você fica com frio ou com fome coisas drásticas acontece.”

Fui em direção ao banheiro do quarto, mamãe me informou que depois que Bella se casou, Charlie construiu um novo banheiro um mês antes de minha chegada. Liguei o chuveiro e me despi, gemendo baixinho quando senti a água quente entrando em contato com o meu corpo.

Molhei o cabelo, estava emaranhado por conta da brisa e da garoa. Demorei alguns minutos no banho, deixando meu corpo relaxar e toda tensão que havia em meu corpo descer pelo ralo.

Após minutos, desliquei o chuveiro e me vesti. Secando o meu cabelo com a toalha eu voltei para o quarto, um falatório no andar de baixo constatou que Charlie havia chegado após um longo dia de patrulha.

Arrumei os cobertores sobre a cama pronta para uma boa noite de sono quando uma batida na porta me fez suspirar. Será que Seth não me daria um minuto de paz? Eu preciso de um tempo sozinha droga! Pisando duro eu marchei até a porta e a abri bruscamente.

— Seth será que você...- parei abrudalmente ao ver que a pessoa que estava do outro lado da porta não era Seth. — Charlie?

— hn... Olá Leah. — ele parecia sem jeito, eu afastei o corpo dando espaço para ele entrar.

Desde que eu voltei para Forks troquei no minimo duas palavras com Charlie, me senti culpada por isso, ele estava se esforçando.

— Você não vai descer para o jantar? — ele indagou coçando o pescoço. Certo, ele estava muito sem jeito.

— Eu não estou com fome Charlie. — sorri minimamente, tentando convence-ló.

— Entendo...- ele murmurou e um silêncio constrangedor recaiu sobre eles. — Escute Leah, eu sei que isso tudo é novo para você... Mas eu estou feliz em ter você aqui, sua mãe também e eu não quero que você se sinta desconfortável, quero que se sinta em casa.

Aquelas palavras me fizeram lembrar-me de papai, em como ele poderia melhorar tudo com algumas palavras. Sorrindo sinceramente, assenti com a cabeça.

— Obrigado Charlie.

Ele assentiu bagunçando o meu cabelo molhado e dirigiu-se a porta.

— Charlie?

Eu o chamei antes dele sair do quarto, ele virou-se para mim.

— Você já passou por uma coisa muito ruim ao ponto de não ter como fazer nada para impedir?

Ele fez uma careta pensando.

— Querida eu passei por isso muitas vezes com o namorado de Bella, e acredite, eu não pude fazer nada para impedir. — ele sorriu de lado — Então, eu tive aceitar.

Eu assenti com a cabeça, sabendo que Charlie tinha uma pequena rixa com Edward desde que Bella fugiu para Itália atrás dele.

— Boa noite Leah.

— Boa noite Charlie.

E então ele fechou a porta e o silêncio recaiu novamente sobre o quarto. Exceto claro, pelo som que veio do meu celular. O peguei na mão, observando o nome de Jenara aparecer sobre o visor.

— Hey Jen.

— Olá Lee, lembrou-se de mim? — ela dramatizou do outro lado de mim.

— Como eu poderia esquecer sua chatice Jen? — ela gargalhou do outro lado da linha.

— Rabugenta. — ela ralhou — Mas então Lee, me conte como está sendo a sua estadia na cidade do gelo?

Revirei os olhos diante do comentário.

— Está sendo legal, nada de diferente.

— Ah não... — murmurou preocupada — Me conte tudo.

Era incrível como Jenara me conhecia tão bem ao ponto de saber que algo estava errado a mais de duzentos km de distância.

— Não é nada Jen, só estou sentindo falta do sol.

— Corta essa Leah. — eu quase poderia ver ela revirando os olhos do outro lado — É o seu ex namorado idiota? O pessoal não está sendo hospedaleiro com você?

— Não, não é nada com o Sam.

— Eu sabia que era uma má ideia voltar para Forks Leah, você nunca me escuta. — ela suspirou — Você que eu eu agende uma passagem para você?

— Não! — falei rapidamente. — Vai ficar tudo bem Jenara.

— Está tentando convencer a si mesma ou a mim? Eu vou agendar uma passagem para o fim de semana Leah, ok? Agora me conte, oque está lhe afligindo.

Suspirei andando pelo quarto e parando em frente a janela aberta, a brisa chegou até a mim fazendo-me estremecer.

— As coisas só estão diferentes agora Jen.

— Diferentes? Diferente bom ou ruim?

Mordi o lábio inferior abraçando meu corpo com um braço enquanto buscava as palavras certas para responder a pergunta de Jen. Corri os olhos para fora observando a floresta do outro lado da rua, foi quando algo prendeu a minha atenção.

Um arrepio subiu a espinha quando eu tive um vago vislubre de grande olhos caramelos através das árvores e então um lobo de pele prateada escura de um tamanho cinco vezes maior do que um lobo normal estava me encarando.

Era Paul.

— Apenas estão diferentes....

༻──── CONTINUA ────༺