Notas iniciais
Estamos de volta e não podemos deixar de agradecer e dedicar este capítulo à Ariane Araujo e Chelle por recomendarem a nossa fic. O nosso muito obrigada, meninas. Tentamos fazer o melhor, sempre e estamos felizes com todo este retorno que estamos recebendo. Boa leitura!

Grissom avistou o carro de Greg estacionado em frente à casa que um dia também fora dele, desceu rapidamente e seguiu até a entrada. Ele se lembrava perfeitamente da senha do alarme, os números homenageavam a data que se viram pela primeira vez, em São Francisco, quando ele era apenas um professor temporário e ela sua aluna brilhante, ela era apenas uma garota, mas havia chamado sua atenção como jamais acontecera com nenhuma outra. Inteligente, perspicaz, com um par de longas e lindas pernas, além do sorriso adorável. Deus ... ele ainda amava aquele sorriso, mas odiava as lágrimas que ele havia causado nela. Ele pouco se importava que não tinha mais o direito de ir e vir, como bem quisesse, há tempos havia abdicado daquele poder, havia grande chance de não ser realmente bem vindo, mas ela estava em perigo.

Seus olhos buscaram minuciosamente a entrada da casa e novas lembranças vieram com uma força descomunal. Haviam feito algumas mudanças do projeto original, o imóvel tinha apenas seis meses, os antigos moradores haviam deixado o país por motivos profissionais e optaram por colocá-la à venda. Sara ficara radiante com a possibilidade de transformá-la no que sempre sonhara. Ele ainda se lembrava de sua euforia, os olhos brilhantes, o sorriso aberto.

A visão ampla e clara, rodeada de muito verde, a estufa que ela chegou a desenhar, fazendo com que o surpreendesse com sua multiplicidade de talentos. Ele não havia medido esforços para agradá-la, fazendo absolutamente todas as suas vontades. Sua recompensa era ver a alegria dela em cada fase da reforma, em cada pedacinho daquele lugar se transformando. Ele prometera a si mesmo fazê-la feliz. Mas sua promessa foi quebrada, como tantas outras!

Ele suspirou olhando para aquela diversidade de plantas que ela adorava cultivar. Ele estava protelando em digitar a senha, mas sabia que era necessário o fazer. Seus dedos tocaram a sequência correta, mas para sua surpresa, a porta não destravou. Tornou a digitar, mas nada aconteceu novamente.

_Ela trocou a senha? — Ele murmurou, bastante confuso tentando entender o motivo. O divórcio, talvez!

_Grissom?

A voz anasalada do interfone fez com que voltasse à realidade.

_Sim ... eu quero falar com a Sara ... pode me passar o código do alarme? — Ele sabia que Greg e Nick também tinham os antigos números e, pela lógica, deveriam possuir os atuais também.

_Desculpe ... mas não posso!

_Foi ela quem ... pediu?

O medo da resposta fez com que apertasse sua mandíbula com força.

_Não ... ela foi até o quarto, pegar algumas aspirinas.

_Ela está bem?

Ele ouviu um longo suspiro.

_Creio que não ...

_Ela está ferida? — Sua preocupação se tornou sem limites, que diabos de homem era ele, que não prestava nem ao menos para protegê-la. O que ela tinha feito? O que estava acontecendo realmente? Já estava a ponto de gritar com Greg quando ele respondeu incerto.

_Não ... fisicamente!

_Ou você desativa esta droga de alarme ou não respondo por mim!

Greg arregalou os olhos com o tom de voz agressivo dele, no fundo ele estava apenas tentando reparar certas falhas, uma delas seria sua ausência! Teria que usar outra estratégia, não seria prudente continuar batendo de frente com ele.

_Olha Grissom ... vá embora, se ela souber que está aqui, é bem capaz de não querer se abrir nem mesmo comigo ...

_Por favor ... eu preciso vê-la.

_Quem é Greg? — Ele podia ouvir a voz dela ao fundo e seu nervosismo aumentou. _É o Grissom, não é? No momento, não estou em condições de falar com ele ... — Ela não sabia, de verdade, com seria encará-lo diante daquela recém e conflitante descoberta.

_Ela não vai ...

_Eu ouvi!

De repente tudo ficou no mais absoluto silêncio, alguns segundos mais e eles ouviram o som de pneus saindo em disparada.

Grissom já estava ficando doente com todos aqueles guarda-costas em cima dela! Ele precisava de alguns comprimidos também, sua dor de cabeça parecia vir com força total! Precisava ir para seu barco, descansar e tentar se acalmar. Não sabia como conseguiria ficar longe dela, sabendo que poderia estar em perigo. Sua intuição havia lhe avisado! Não importava se ela tinha quem a protegesse, se já não era sua mulher, mas era ele quem deveria estar ao lado dela!

~♥~

Greg se ajeitou no sofá ao lado dela, notando o quanto suas mãos tremiam, os olhos assustados e úmidos. O que quer que tenha acontecido, havia a assustado enormemente.

_Leve o seu tempo ... mas eu preciso saber o que está acontecendo.

Sara inspirou profundamente antes de começar.

_Como eu disse, fui à casa de Heather.

_Você e quem mais? — Ele sabia a resposta, era mais do que óbvia pela leitura corporal que ela estava demonstrando. _Sozinha, não é?

Ela deu um único aceno e abaixou a cabeça, esperando ser repreendida como uma criança, mas quando não aconteceu, o encarou novamente.

_A última coisa de que precisa agora é ser repreendida, embora mereça uma bronca, não vou fazê-lo. Continue ... você foi até àquela casa ... aliás, por qual motivo?

_Eu jamais acreditaria em qualquer coisa que viesse de Heather, tudo que ela faz é mentir, manipular, se fazer de vítima, Greg! Quando ela informou sobre o número de seus pacientes da chave dourada, sabia que era preciso checar! Nós somos CSI, só não entendo como ela consegue enganar à todos com tanta facilidade.

_Grissom, você quer dizer! — Ele a interrompeu, também não acreditava nela, assim como muitos outros daquele laboratório.

_Eu tinha que fazer ... é o meu trabalho, independente de qualquer ligação que ele tenha com ela. Faria com qualquer outro caso!

_Nós dois sabemos que está apenas tentando se convencer que tudo isso é apenas por conta do trabalho ... mas deveria ter tomado mais cuidado ou compartilhado de sua decisão.

Ela não deu ouvidos e informou o ponto crucial para que todos desacreditassem naquela mulher.

_Descobri arquivos guardados secretamente de todos os pacientes que possuem aquela maldita chave, quatorze mais precisamente.

_Quatorze?

_São quatorze e não treze como ela informou. — Ela suspirou com o pensamento na descoberta do quarto de adoração à seu ex-marido. Não havia se recuperado do choque e duvidava se algum dia pudesse realmente se recuperar. Seu coração ainda sangrava com aquilo, mas era preciso compartilhar a descoberta com alguém em quem confiasse, então ela tomou coragem e decidiu fazê-lo. _Havia uma chave na contra capa do álbum, então fiz uma busca minuciosa e encontrei uma porta compatível. Não pode imaginar a minha surpresa ... — Ela engoliu em seco e se confortou logo depois, quando ele segurou suas mãos, incentivando-a, dando-lhe força. _Quando vi imagens de Grissom estampadas em cada centímetro quadrado daquele lugar. Na maioria das fotos eu estaria com ele se Heather não tivesse me excluído de todas elas. — Ela reprimiu um soluço de dor, fazendo um esforço enorme para não ceder às lágrimas que tornavam seus olhos brilhantes. _Aquela mulher tem verdadeira obsessão por ele, Greg. Deus, ela chegou a ir para Paris! — Suas lágrimas retornaram com força total, incontroláveis.

Greg a puxou para o seus braços, acalentando-a. Se ele estava perplexo, poderia imaginar a intensidade do choque para ela, o tamanho de sua dor.

_Oh querida, eu sinto muito. Posso imaginar o quanto é difícil.

_Eu só quero que isso acabe logo, dói demais!

_Eu sei, eu sei ...

Sara levantou a cabeça de seu peito depois de alguns minutos, tentando secar suas lágrimas, envergonhada por quebrar na frente dele.

_Me desculpe.

_Sabe que isso é desnecessário, eu vou entrar em contato com o Nick. — Ele se lembrou que Nick havia feito ele prometer que seria avisado se alguma coisa, qualquer coisa, acontecesse com ela!

_Não! Por favor, Greg ... não tem cabimento importuná-lo, eu vou ficar bem, pode acreditar.

_O que mais aconteceu naquela casa? — Ele ignorou seu pedido, ainda não tinha muita certeza se faria ou não o contato.

_Um homem me atacou, o décimo quarto paciente.

_Deus, Sara! O que ele fez? Ele te machucou?

_Não, eu consegui me livrar. Foi neste momento que consegui te ligar.

Ela o viu soltar a respiração e sua expressão se tornar mais serena.

_Bem, embora esteja mais preocupado, preciso ver este álbum, está com você?

_Não ... precisei escolher entre ficar longe daquele crápula ou me arriscar a voltar.

_Sabe que você, de qualquer maneira pode ser questionada sobre o porquê de ter voltado àquela casa, não sabe? — Ela apenas assentiu em silêncio. _Está se arriscando demais por essa mulher ... — Ele queria dizer pelo Grissom também, mas não caberia uma acusação como aquela no momento. _Sua carreira também está em jogo.

_Eu precisava fazer, Greg. — Ela murmurou. _Como também precisava rastrear seus registros telefônicos. DB está ciente disso. Estou no caminho certo.

_Meus dois olhos estarão sobre você agora. Este homem pode procurar por você e, Sara ... quanto ao Grissom ...

_Realmente não sei se quero falar sobre ele, só o que tenho a dizer é que tenho a impressão que toda essa coisa parece suspensa por um fio muito sensível. Ter ele de volta está acabando comigo, confesso.

_Ele estava desesperado para saber de você.

Ela apenas o olhou muito triste, tinha medo de ser influenciada em seu julgamento, mas fora ele quem escolhera seu destino.

~♥~

Grissom seguiu pelo corredor, prestando total atenção à sua volta. Ou seria aquele momento, ou sabe-se lá quando conseguiria falar a sós com Sara.

Ele entrou na sala, fechou a porta devagar, depois se virou no mesmo instante em que ela levantava a cabeça de uma montanha de papéis.

Silenciosamente, ele se sentou de frente à ela, Sara apenas inclinou de leve a cabeça e abriu levemente seus lábios.

_Você pode falar comigo, agora?

Os olhos dele estavam totalmente vermelhos, com toda certeza também não havia conseguido dormir. Ele havia revirado na cama a noite toda. Além de toda aquela preocupação havia ainda as palavras de Greg sobre quase a perderam. Outra vez, seus medos atiravam contra sua consciência.

_Eu fui até a casa de Heather! — Ela simplesmente disparou, sem rodeios.

_Como é?

_Precisava de provas, então ...

_Sem nenhuma proteção policial? Como pôde se arriscar desse jeito, pelo amor de Deus! E se alguma coisa tivesse acontecido? Eu não sei o que faria ... — De repente ele teve um sobressalto. _Ou aconteceu?

Uma chuva de perguntas, uma após a outra, ele havia se levantado e andava de um lado para o outro, depois se sentou novamente, esperando explicações.

_Você conhece bem aquela casa, Grissom?

Sua expressão era de surpresa, onde ela estava querendo chegar? Queria respostas, não novas perguntas.

_Sim.

Ela apertou os lábios, por alguns instantes desconfiou que ele conhecia o quarto da adoração, depois mudou de ideia. Se ela bem conhecia seu ex-marido, ele não esconderia aquele fato, mesmo que fosse constrangedor, abriria o jogo. De uma coisa ela tinha certeza, sua honestidade estava acima de qualquer suspeita. Ocultar informações não fazia parte de sua personalidade.

_Enquanto estava pesquisando, alguém mais esteve lá ... tivemos um pequeno confronto ... mas consegui me livrar dele.

Grissom levantou as mãos e balançou a cabeça, muito impaciente.

_Hey ... hey ... quem apareceu? O que ele fez ... eu não acredito o quanto teve coragem de se arriscar! Jesus Cristo, Sara ... o que está acontecendo de verdade com você? Eu ... eu ... — Ele se levantou novamente, pela segunda vez e esmurrou a mesa, nas últimas horas estava se descontrolando com muita frequência! A reação dela o assustou também, ela empurrou a cadeira para trás e engoliu em seco. _Desculpe, não quis assustá-la ... mas ... querida ... Sara ... — Ele corrigiu. _Me diz que não está fazendo isso apenas para me provar que Heather está realmente por trás de tudo!

_E ... se for?

Ele se lembrou de acusá-la de ser antiprofissional, havia errado com ela naquele momento e não ia fazer o mesmo, outra vez.

_Nós podemos conversar sobre o que você quiser ... mas não pode sair por aí se arriscando apenas por causa de ... de ...

_Minha teimosia?

_Não ia dizer isso, é só que estou começando a me apavorar com essas suas atitudes. O que está por trás desta necessidade de me provar algo?

Bom momento para ela extravasar toda sua frustração, se não toda, pelo menos uma parte dela.

_Você disse, conversar sobre o que quiser ... não acha que é meio tarde?

_Sei que não tenho sido o que esperava em relação a me comunicar, mas estou disposto a fazer o que quiser para mudar isso. Só não posso imaginar todo esse perigo à sua volta e não poder fazer nada. Eu sou o responsável por suas atitudes ... eu sei ... — Ele mesmo respondeu à sua própria pergunta.

_Encontrei algumas provas ... arquivos com o histórico dos pacientes de Heather, ela mentiu sobre isso, existe um décimo quarto, Grissom. E ele tentou me atacar.

Ele se inclinou sobre a mesa, as mãos espalmadas sobre o tampão.

_Décimo quarto? Você ... tem as provas? Quer dizer, ele ainda pode estar atrás de você?

_Não tive tempo para trazê-las comigo ...

_Você não vai mais ficar sozinha, em momento algum. Não me interessa sua opinião sobre isso, só não quero perder você de vista. Nós vamos levar a polícia até lá, desta vez.

As palavras de seu melhor amigo novamente sendo ditas, desta vez por seu único amor! Estava bem cercada, quase conseguiu sorrir, mas não tinha forças. Ele estava verdadeiramente desesperado, tudo bem que eles tiveram uma vida juntos e parecia natural que se preocupasse com ela, mas aquela linha que separava a normalidade da extrema estranheza parecia não existir.