For The Rest Of Ours Lives
8 Capítulo 8
Sara tocou de leve a porta e espiou para dentro do quarto. Precisava tanto dele, de seu carinho, sua proteção.
_Posso entrar?
_Achei que estivesse se esquecido de mim.
Ela abriu completamente a porta com um meio sorriso.
_Nunca!
Jim bateu na beirada de sua cama em um pedido mudo para que se sentasse ali. Ela imediatamente obedeceu.
_Como estão as coisas? Ninguém se deu ao trabalho de me atualizar, eu ainda estou no caso. — Ele resmungou.
_Não está não! Precisa de descanso.
_O mesmo vale para você, me parece tão abatida. Está se cuidando?
_Eu não tenho quatro anos, Jim.
_Mas pode ser tão teimosa quanto, e ainda não me respondeu!
Sara suspirou e ele viu uma tristeza profunda em seus olhos. Segurou em sua mão, tentando confortá-la. Ela era uma pessoa privada e, poucos conseguiam verdadeiramente enxergar a raiz de seus problemas, se permitia compartilhar muito pouco.
_Deixe-me adivinhar ... Grissom?
_Soube que estão te tratando muito bem aqui.
_Sara ...
_Por favor, Jim ... eu não quero falar sobre ele.
_Estou preocupado com você.
Uma única lágrima deslizou pelo seu rosto e ela imediatamente a enxugou, não querendo quebrar na frente dele. Sem uma palavra, ele a trouxe para dentro de seus braços protetores e a segurou. A cabeça dela pousou em seu peito, as batidas calmas e compassadas de seu coração lhe deram uma sensação de paz.
Grissom estava os observando há alguns minutos. Ela parecia apenas uma menina desprotegida. Deus, ele queria tanto ser o único que pudesse confortá-la. Ele estava tentando seguir seus passos, tinha até contratado um colega para vigiá-la sem nem pensar duas vezes, mesmo que o escorraçasse. Sara não sabia o quanto ele estaria destruído se algo acontecesse a ela. No momento em que Louis dissera ao ex supervisor que ela estava no hospital, talvez visitando Brass, que o segurança também conhecia, ele não titubeou e foi até lá, seria uma ótima oportunidade de parecer apenas uma coincidência. Além do mais, estava devendo uma visita à ele.
Uma enfermeira educadamente anunciou sua presença e por consequência o trouxe em evidência também. Jim e Sara se separaram e ela se levantou de sua cama pouco lhe dirigindo o olhar. Eles ouviram a enfermeira conversar com Jim, checar seus sinais e sair com um pedido de licença, depois de avisar que o médico estaria com ele dentro de alguns minutos. O silêncio parecia desconfortável, Jim alternou seus olhos de um para o outro.
_Eu já estava de saída. — Ela beijou sua bochecha e forçou um sorriso. _Eu volto depois.
_Descanse um pouco.
Ela assentiu e fechou a porta atrás dela.
Grissom, que estava de pé, com as mãos nos bolsos, se aproximou dele.
_Quer se sentar aqui comigo, benzinho?
_Deve estar se recuperando bem ... seu humor parece ótimo.
_Não sei se posso dizer o mesmo sobre o seu humor. Está escrito um livro nessa sua velha carinha mal barbeada.
_Livro?
Jim ergueu a mão, e enumerou as evidências, começando a contar pelo polegar.
_Você também parece cansado. Nunca vi sua testa com tantos vincos, e não é sua tenra idade, você emagreceu e não pode ser apenas sua alimentação, tenho a impressão que vai desmoronar a qualquer momento e finalmente, o embate Sara versus Heather nunca lhe fez bem. E então, você e a bruxa velha do oeste estão juntos?
Ele tinha a impressão que havia um pequeno complô contra ele, aquela era mais uma pergunta descabida. Não que tivesse que dar satisfação de sua vida, ele fazia o que bem entendesse, mas aquilo tinha sido demais.
_Heather é apenas uma amiga.
_Vendo assim de fora, não parece.
_Sei onde você quer chegar, e você não vai conseguir, Jim,
_Você poderia me responder apenas mais uma pergunta?
_Não!
_Mas sou teimoso, o que está fazendo com a Sara?
Ele foi salvo pela chegada do médico, e aproveitou a chance para escapar de suas garras. Ele sabia o quanto Jim amava Sara, talvez como a um pai. O ex capitão havia se quebrado quando ela estivera no deserto, e agora podia imaginar seus sentimentos em relação àquela separação impensada.
~♥~
Sara sentiu o vento bater em seu rosto, pensando o quanto estava cansada. O bairro em que morava era tranquilo, porém o trânsito até lá era caótico e afetava seu humor. Ela só queria um pouco de paz. Ela olhou para seu carro e desistiu de entrar nele, seria melhor que pegasse um táxi, mas antes precisava comer algo, estava com fome.
Ela resolveu ir a pé até o restaurante há três quadras do laboratório, não queria um fast food, mas uma refeição mais decente.
Em alguns minutos estava sentada diante de um prato bem elaborado e saudável se lembrando da boa surpresa que Greg havia feito a ela. Ela ergueu uma taça de vinho e brindou silenciosamente por tê-lo em sua vida, assim como Nick!
Ele havia entrado em sua sala feito um furacão, eufórico e ofegante, lhe entregando uma pasta preta. Ao descobrir do que se tratava, precisou se conter para não sair comemorando pelos corredores. Ele havia conseguido o álbum. Assim como ela, também correu muitos riscos, mas ele jurou que esteve vigiando o local por um bom tempo, ele tinha algumas horas de folga e as usou para ficar de tocaia. Assim que percebeu que não havia ninguém na casa, conseguiu entrar por uma porta destravada e teve toda liberdade para procurar, pedindo aos céus que tivesse sorte. E havia tido, pois o objeto em questão estava no assento de uma das cadeiras escondidas por uma grande mesa de madeira. Dificilmente alguém conseguiria encontrar, a não ser que precisasse se sentar justamente naquela cadeira. Ou alguém com uma sorte grande e uma enorme vontade de ajudar sua melhor amiga!
Sara precisava esconder aquele álbum, assim como a chave daquele quarto assombrado pela obsessão de Heather.
Ela precisava contar de todo o feito ao seu supervisor, mesmo que estava disposto a ajudá-la, precisava deixá-lo ciente que se responsabilizaria caso alguma coisa acontecesse contra ela.
Assim que saiu pelas portas envidraçadas, depois de ter devorado uma deliciosa sobremesa, ela se viu quase correndo pela calçada, o tempo havia virado de repente e os pingos de chuva já começaram violentos. Ela mal teve tempo de chegar até uma marquise já estava toda ensopada. O ponto de táxi estava a apenas uma quadra e meia dali, e ela estava ligando quando percebeu uma suv parar em frente a ela.
Com certa cautela, deu um passo atrás até sentir as portas de ferro do estabelecimento fechado bater em suas costas. Ela sabia quem era. O vidro foi abaixado apenas por alguns centímetros.
_Você precisa de ajuda?
Grissom quase gritou para que ela pudesse ouvi-lo, tamanho era o barulho da chuva.
_Não! Obrigada!
_Entre no carro, por favor ... vai pegar um resfriado desse jeito.
Ela apontou para frente e tentou ser audível.
_Vou pegar um táxi!
Para sua surpresa, ele dirigiu alguns metros de marcha ré, depois habilmente, estacionou o carro novamente em frente a ela, deixando duas rodas sobre a calçada, diminuindo o espaço entre o automóvel e ela. Ele abriu a porta, esticando seu corpo para alcançar a do passageiro.
Ela não soube dizer por que teve uma vontade louca de rir daquela cena tão gentil. Talvez fosse a própria expressão heroica dele que parecia dizer, “vim para resgatá-la!”.
_Sara ... por favor. — Ele sabia como amolecer seu coração, bastava que inclinasse a cabeça e apertasse seus olhos quase fechando-os.
_Por que faz isso?
_O quê?
_O que você faz aqui? Costuma salvar mocinhas indefesas que sofrem em tempestade ou resolveu cumprir suas promessas, agora?
_O quê?
_Está me seguindo, não é?
_O fato de estar há apenas algumas quadras do laboratório ajudaria em minha defesa? Vamos, Sara ... entre!
Que mal tinha uma trégua, afinal estava mesmo em apuros.
_Ponto para você.
_Não estamos em uma disputa.
Grissom mal havia a visto no laboratório, esteve por quase todo o tempo na sala de evidências e ela com algumas papeladas burocráticas. Pelo menos ele sabia onde ela estava.
Ele ligou o aquecedor e olhou para ela, a blusa encharcada, antes mesmo de desviar seus olhos daquela visão maravilhosa, Sara havia percebido! Ela cruzou os braços com força e olhou para frente. Sem jeito, ele precisava de algo para acabar com aquele clima constrangedor.
_Vai para casa, não é?
_Sim.
_Onde está seu carro? — Como se ele não soubesse, ele já havia visto seu carro estacionado no laboratório. Estar por perto havia sido planejado, desde que soubera que ela estava no restaurante. Ele imaginou se ela fosse encontrar alguém, e não gostou do mal estar que sentiu. Depois seu alívio foi enorme quando também soube por sua “fonte” que ela não estava acompanhada.
_No estacionamento. — Ela se encolheu, mesmo com o aquecedor ligado sentiu que suas costas estavam geladas.
No primeiro sinal vermelho, Grissom arrancou sua jaqueta e ofereceu a ela.
Como ela poderia se afetar com aquele cheiro que ele deixava em suas roupas? Se continuasse daquele jeito, fraquejaria covardemente.
_Obrigada, eu estou bem. — Ela recusou sem muita convicção.
_Por favor ...
Ela suspirou e se rendeu aquele ato generoso, estava tremendo e não era apenas o frio.
Ela não se permitiu ficar atenta à maneira como ele dirigia. Todo ele era diferente. Em uma época não tão distante, ela já estaria, quase de lado, com um sorriso discreto e atenta à tudo que ele fazia, observando seu perfil perfeito. E no momento em que ele percebesse, ele sorriria para ela, piscando apenas um olho.
Ela parecia tão distante, com seu pensamento longe, talvez preferisse estar na chuva, do que em sua companhia. Ele mal sabia que ela estava afogada em lembranças, também.
Eles estavam em silêncio, Sara nem se atrevia a dizer uma só palavra e foi com enorme surpresa que se viu tentando responder à sua pergunta.
_O que aconteceu com você?
_Apenas pense que sobrevivi!
Um carro passou por eles, todo enfeitado com latas e corações desenhados nas janelas, e ele mal teve tempo de digerir aquela resposta seca. Eles olharam juntos imaginando que talvez também estivesse coberto com rolos e rolos de papel higiênico, mas a chuva devia ter destruído aquele detalhe. O para choques possuía minúsculas luzes brilhantes, que resistiam com valentia. A chuva parecia não dar uma trégua.
Eles se entreolharam por um momento com a nítida conexão de um casal. Ele sugerira um carro daqueles, no dia em que se casaram e ela teve um acesso de risos.
“Não acredito que esse é seu sonho?”
“Não é meu sonho, Sara, foi apenas uma sugestão.”
“Não combina com você!”
“Eu sei o que combina comigo ... você!”
Ela parou imediatamente de rir para lhe dar um beijo demorado.
Imediatamente seus olhos queimaram, mas ela segurou novas lágrimas heroicamente.
Ele estacionou e olhou com atenção a chuva no para brisas.
_A chuva ainda está forte.
_Acho que consigo, são apenas alguns metros.
_Você vai se molhar, ainda mais.
Com todo aquele clima quase hostil, ele ainda se lembrava de ser gentil, assim como também fizera com ela debaixo da marquise.
_Obrigada, Grissom!
Ele ficou imaginando quando ela o chamaria novamente de Gil.
Antes que descesse do carro, ele segurou seu braço e disparou.
_Posso entrar?
Ela paralisou.
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