For The Rest Of Ours Lives
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Uma onda de calafrios percorreu seu corpo, açoitado pelas imagens que seus olhos não queriam aceitar, ela não queria ver aquilo! Se não tivesse se apoiado em uma pequena poltrona, já teria caído sem forças.
Ela olhou aquela imensidão de fotos, de todos os tamanhos e ângulos e sentiu um desejo imenso de dar vazão ao seu inconformismo e socar aquela mulher.
As paredes do cômodo todo cercadas por fotos de Grissom!
Dezenas, talvez centenas delas. Seu coração não conseguia se recuperar e acertar as batidas em normalidade.
_O que é você, Heather Kessler?
Ela havia clicado seu ex-marido em várias situações.
Grissom concentrado lendo um livro espesso, tendo ao fundo as estantes da Biblioteca Municipal, há algumas quadras do laboratório.
Na lanchonete com Jim, Catherine e os meninos. Ele gesticulava, com seu modo peculiar, alguma coisa com o capitão.
No jardim daquela mansão. Heather deveria ter tirado aquela foto através de uma vidraça, podia-se ver uma parte da lança da grade. Ele estava reclinado sobre um pequeno arbusto, talvez observando um inseto.
Uma quantidade enorme de fotos rasgadas pelo meio grosseiramente, apenas com imagens dele. Ela havia excluído Sara de todas elas.
Eles saindo do laboratório, da casa deles, do restaurante, na ocasião do aniversário de casamento. Grissom estava de smoking e ela podia ver uma pequena parte de seu vestido vermelho e nada mais. Ele amava aquele vestido.
Havia até uma em que estavam saindo do hipermercado, outras tantas no parque perto da casa deles. Céus, tantos momentos deles juntos, que Heather transformou em apenas momentos dele, como se ela não existisse!
Um suspiro dolorido e outra imagem chocante!
_Não Heather, como pôde? Paris?
Ela havia sido cortada novamente, eles estavam em Paris! Naquele dia, eles haviam combinado de almoçarem juntos e ela havia passado na universidade para buscá-lo, na imagem completa, eles estavam de mãos dadas, com seus dedos entrelaçados, ele a olhava com verdadeiro fascínio e adoração, talvez estivessem na melhor fase do casamento deles. Mas na meia imagem diante dela, ele parecia olhar para algo de seu interesse, com o brasão da Sorbornne ao fundo.
Inconformada, uma a uma daquelas imagens foram sendo apresentadas a cada passo que ela dava. Seus olhos estavam ardendo, sua cabeça girando, doía.
Havia fotos e mais fotos até mesmo no teto luxuoso. De repente ela estacou!
Ele estava de bruços, completamente nu! Os cabelos em desalinho, os braços debaixo do travesseiro, um lençol acetinado cobrindo apenas uma parte de suas nádegas generosas!
_Não estou vendo isso! — Ela balançou a cabeça e precisou de alguns segundos para se recompor.
Ele parecia mais jovem alguns poucos anos, e ela imaginou que talvez fosse muito antes deles ficarem realmente juntos. Ela se lembrava daquele caso, deveria ter sido em um dos casos que envolveram Heather. Ela tinha ouvido algumas fofocas sobre como ele parecia hipnotizado por ela. Jim ainda comentou que a primeira vez que eles visitaram aquela mansão, ele não havia percebido nenhum interesse dele, muito pelo contrário. Ela é quem parecia não tirar os olhos dele. Mesmo que aquele fato tenha ocorrido em um tempo em que ela imaginava que tudo não passaria de um amor platônico o que sentia por ele, doeu ver aquela imagem tão íntima, como se tivesse sido atingida por um punhal em brasa. Ele parecia estar dormindo profundamente, da mesma maneira que tantas vezes ela presenciou. Tantas vezes havia se deitado ao lado dele para acordá-lo suavemente, tocando seus cabelos macios, ajeitando um pequeno cacho displicente. Ele sempre sorria quando percebia sua presença, os olhos semicerrados, mal acordados. Ela tinha verdadeira adoração em vê-lo dormindo. Era lindo e tentador.
Ela sentiu como se estivessem retalhando seu coração, tantas emoções e sensações conflitantes. Eles haviam protagonizado um filme lindo e tudo terminado por um fim que ela não havia previsto!
Sara levou a mão à boca e segurou um soluço, pelo choque daquela descoberta, pelas lembranças que vieram sem que pedisse, pela desconfiança de que Heather ainda tinha um espaço importante na vida dele, talvez bem maior do que pudesse imaginar.
Heather tinha verdadeira obsessão por ele!
Aquilo tudo apenas confirmou o quão desequilibrada ela era. Uma terapeuta com problemas emocionais. Ela era uma farsante muito bem paga, embora houvesse a máxima de que “resolvemos com facilidade problemas alheios, mas somos incapazes de resolver nossos próprios”.
Sara saiu em estado de choque daquele quarto, não conseguia formular um pensamento, muito menos o que faria naquele momento, se permaneceria onde estava, se iria para casa, para o laboratório, ou ...
De repente, ela ouviu o barulho de uma porta sendo aberta e seu coração quase pulou para fora do peito. Ninguém mais tinha permissão para entrar naquele local, a não ser quem estivesse ligação com o caso e, sabia que nenhum deles, ao menos por enquanto, teria motivos para retornar àquela casa. Seus instintos lhe deram um alerta de perigo, tudo que havia encontrado naquele quarto pareceu ter se dissipado feito fumaça e, todo o seu foco se voltou para as evidências de mais alguém ali, amigo ou algoz!
Ela esperou por mais passos e eles vieram, em um som distante, quase se perdendo. Precisava alcançar o andar de baixo, saber de quem se tratava e então sair daquele lugar em segurança, sem ser notada. O risco era grande, mas precisava fazer alguma coisa. Começou a descer as escadas sem fazer qualquer barulho, olhando para todos os lados para não se deparar com o elemento surpresa. Ela parou no meio do caminho, havia esquecido algo.
_Droga! O álbum ... — Praguejou baixinho.
_Eu sei que você está ai!
Uma voz grave e intimidadora reverberou pela casa como se viesse a partir de todos os cômodos. Sara sentiu como se não pudesse respirar. Oh céus! Ela realmente estava em apuros! Terminou de descer os últimos degraus, quando viu a partir do corredor adjacente, um homem parado com os braços cruzados na altura do peito como se esperasse por ela com um sorriso frio! A distância entre eles encurtada por seus passos largos, e punhos cerrados. Foi então que o reconheceu da foto, ele era o décimo quarto paciente!
_Não se aproxime mais!
_Só recebo ordens de uma mulher e ela não é você!
_Ninguém que não seja da polícia tem o acesso permitido a esta casa. — Ela começou a caminhar para trás, tentando encontrar o acesso mais fácil que daria para o jardim lateral, onde seu carro estava estacionado.
_Sei que você não é realmente da polícia, ela me disse.
Sara arregalou os olhos, então ele sabia quem ela era. Porém, mal tivera tempo de assimilar a informação, ele avançou sobre ela, segurando firme em seu braço e então a prendeu contra o seu peito. De certa forma se viu agradecendo, para alguém como ela, formada em defesa pessoal, aquela posição seria relativamente fácil de ser revertida, e foi. Sara conseguiu desferir golpes certeiros e se viu livre de seu domínio e, sem perder mais tempo, correu para a porta.
_Sua vadia!
Ela podia sentir que ele estava atrás dela, entrou em seu carro e deu partida cantando pneus com ele ainda conseguindo bater em seu porta-malas com toda força. Assim que alcançou a estrada principal, diminuiu a velocidade, observando a todo instante pelo retrovisor, se estava sendo seguida. Ela agradeceu aos céus quando percebeu que ele não estava em seu encalço! Então sacou seu celular do bolso e discou imediatamente, sabia a quem recorrer!
_Greg?
_O que houve, Sara? Que voz é essa?
Um soluço escapou de sua garganta o deixando mais apavorado.
_Querida, está me assustando. Onde você está?
_Fui à casa de Heather, eu preciso falar com você. Pode ir até minha casa agora? Por favor ...
Greg não percebeu que Grissom estava atento àquela conversa, sua preocupação era tamanha que ele nem mesmo havia percebido a presença de seu antigo supervisor e o quanto ele também estava se tornando preocupado.
_Eu estarei lá, só me dê alguns minutos. Fique calma!
Sara desligou a chamada no instante em que as primeiras lágrimas deslizaram pelo seu rosto. Segurou o volante com força quando sua visão começou a ficar desfocada.
Todas aquelas lembranças, a descoberta daquele quarto, o perigo que havia passado, tudo havia se transformado em muitas lágrimas e um coração ainda mais despedaçado!
Greg estava praguejando quando seu alarme não estava dando sinal de ser desativado.
_Droga!
_Sara está bem?
Ele se virou imediatamente para o dono da voz em tom de desespero.
_Espero que sim! Ela precisa de mim ... Grissom!
_O que houve com ela?
_Eu não sei ... além do mais, não tenho tempo para isso. Como eu disse, ela precisa de mim!
_Por favor ... eu tenho o direito de saber! Eu vou com você.
_Não! — Sua resposta reverberou no estacionamento praticamente vazio. _Você disse direito? Desde quando?
_Você pode não me querer no mesmo carro com você, mas não vai me impedir de ir até ela! — Grissom ignorou seu cinismo, no momento sua prioridade não era o julgamento de Greg!
_Naquela casa você não entra! Eu não vou deixar que a machuque mais! Ela viveu o inferno por sua causa! Quase a perdemos ...
_Como é? Do que está falando?
Greg também ignorou o que ele dizia e continuou disparando sua raiva.
_Não me faça perder tempo com você! Além do mais, essa sua preocupação não me interessa. Saber que está envolvido com Heather só me deixa mais enojado! Vá para ela ... continue a defendendo o quanto quiser. Ninguém e muito menos Sara vai fazer parte dessa sujeira! Fique longe dela!
Grissom ficou estarrecido e sem ação, seus olhos se tornaram opacos, quase sem vida. Um soco iria doer bem menos.
Greg percebeu o poder de suas palavras pela sua reação. Ele já não idolatrava mais o homem à sua frente. Ele devia seu sucesso àquele homem. Por anos teve seu respeito, mas aquela coisa doente que ele tinha pela ex dominatrix havia lhe tirado até mesmo sua gratidão. Sara era como se fosse sua irmã e, era seu dever protegê-la, principalmente do homem que ainda possuía o seu coração.
_Eu preciso ir! — Greg partiu sem dizer mais nada.
Grissom correu até a suv e seguiu o mesmo caminho. Nem que o enxotassem daquela casa, ele iria ver com seus próprios olhos se ela estava bem, precisava saber o que havia acontecido. Ele havia ouvido coisas que o magoaram, mas o que Greg queria dizer com aquela coisa de quase a perderem?
Uma confusão de pensamentos ao mesmo tempo. Ele se punia por tê-la magoado, mais a cada instante e se alguma coisa muito grave tivesse acontecido com ela, mesmo estando separados, ele tinha que saber! Por que ninguém o comunicou? Heather também não havia sequer insinuado algo sobre qualquer situação grave que sua ex-mulher havia passado.
_O que está acontecendo com todo mundo?
De repente sua consciência lhe deu um tapa na cara! Ele queria ter direitos com que autoridade? Tinha sido um idiota, um egoísta que julgou pelos dois uma decisão que deveria ter sido compartilhada, melhor analisada. E se ...
_Meu Deus! — Ele não queria pensar que talvez pudesse estar sendo enganado!
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