Notas iniciais
PRIMEIRAMENTE: LAVEM AS MÃOS, USEM ÁLCOOL EM GEL, SE CUIDEM E FIQUEM EM CASA SE POSSÍVEL!!!! FALA, GALERA, CHEGUEI COM MAIS UM CAPÍTULO EM CAPS LOCK. É ISSO, OBRIGADA POR ESTAREM LENDO E APROVEITEM!!!!!!!!!

A expectativa em torno daquele quarto era grande. As notícias se espalharam rapidamente pelo laboratório e de repente todos sabiam que Grissom deixou o coma. A reação foi imediata. Quem pensava em um desfecho trágico mudou logo de ideia ao saber da surpreendente recuperação do supervisor.

De todos, Sara não descansava por inquietude. Na primeira noite após receber a notícia, a ex-CSI não conseguiu pregar os olhos para dormir. O sono era seu inimigo e a insônia lhe fez companhia por horas. Sara só conseguia pensar em seu noivo. Pensar no dia em que ele deixaria o hospital junto dela; ou melhor, no dia em que abrisse os olhos e a visse tão perto, coisa que desejou incessantemente, desde o momento no qual ela partiu. Imaginar seus olhos azuis como o oceano visando-a com ternura a fazia sorrir como se ele estivesse ali, bem ao lado dela naquela cama.

Sara tocou no travesseiro vazio e repousou sua mão sobre ele. A falta que Grissom fazia em sua vida a incomodava como um espinho em sua carne. Ainda que tivesse reencontrado sua âncora voltando a San Francisco, se colocado de volta nos trilhos, Sara deixou parte de si em Nevada. Para ela sobrou apenas um vazio quase impossível de ser preenchido por outra coisa ou pessoa que não fosse Grissom. A dor da saudade doía mais em Las Vegas que em São Francisco.

O medo perdê-lo quase lhe deixou doente. Tirou seu sono, mudou sua rotina, até parou de se alimentar bem. Entristeceu-lhe o rosto, antes colorido por um sorriso que há custo o recuperou. Perder Grissom seria o motivo pelo qual iria se arrepender de ter saído de Las Vegas apesar das circunstâncias adversas ou de não ter feito algo para evitar aquela noite. Se pudesse voltar no tempo e dar um jeito para que o incidente não ocorresse, Sara não pensaria duas vezes.

Tudo o que ela mais queria era abraçá-lo e sentir suas mãos quentes tocando sua pele. Um abraço, um gesto de carinho. Grissom nunca esteve tão longe, mesmo a centímetros de distância dela num quarto de hospital.

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O computador alertava para uma chamada de vídeo poucos minutos depois de ter enviado um e-mail à Universidade acerca do relatório sobre a próxima pesquisa. Quem chamava por Sara era sua supervisora e uma das cabeças da pesquisa, Claire Simmons. Era uma mulher de idade que, apesar de cabelos grisalhos curtos e algumas feições do tempo em seu rosto, possuía uma aparência jovial. Seu rosto afinado e sua pele pouco enrugada enganavam olhares que lhe dariam uma idade menor que tinha.

Simmons era conhecida de Sara há alguns anos e se tornou sua mentora quando a ex-CSI retornou a São Francisco e começou a participar do projeto da Universidade.

— Queria saber como você está. Recebi seu e-mail agora há pouco.

— Oi... Estou bem. — Sara se recostou na cadeira e se ajeitou sabendo que a conversa poderia durar um tempo. Imaginou que se trataria sobre o trabalho.

— Que bom. E o seu noivo?

— Notícias boas. — Ela mostrou-lhe uma feição contente. — Iniciaram o processo de saída do coma.

— Isso é ótimo! — A mulher de idade abriu um sorriso espantado pela surpresa da notícia. — Fico muito feliz em saber disso, Sara!

— Obrigada. — O sorriso tímido da ex-CSI se desfez aos poucos, imaginando que a chamada recebida poderia se tratar do trabalho ou de sua virtual falta dele. Ela assentiu por alguns segundos e em seguida mudou de feição aos poucos. — Acho que você me chamou para falar da pesquisa, não é?

Videoconferências não eram comuns para Simmons, que só as utilizava quando precisava falar de algo importante, necessitando de um contato mais próximo possível do "olho no olho".

— Eu não queria agir por inconveniência. Sei o quão difícil é a situação que você está passando.

— Vá em frente... — Ela gesticulou com a mão como se o assunto anterior não fosse tão importante assim. Estava blefando, mas queria ouvir o que Claire tinha a dizer.

Do outro lado da tela, Sara viu a mulher mudar a pose e se ajeitar na cadeira estofada. Ela tinha essa mania quando tratava de um assunto sério.

— Estão perguntando sobre você por aqui.

— Eu imagino. — Ela cruzou os braços.

— Tenho feito um esforço mostrando a eles sobre o seu empenho em nos manter sempre atualizados, mas-

— Eles querem que eu volte, não é? — Sara a interrompeu, deixando de imaginar para ter certeza do teor que a conversa se encaminhava.

Simmons fez um sinal de entrega, já que suas tentativas de amenizar o clima não deram certo. Sara a conhecia bem para saber que para falar de assuntos sérios, Claire não era especialista; o melhor era ser direta.

— Querem que tomem uma decisão. — A mulher de idade falou como alguém envergonhado.

Sara não ficou surpresa. Desde o momento em que recebeu uma chamada em vídeo em vez de uma ligação. Imaginou que seu trabalho em casa já não era mais suficiente para a demanda deles. Não esperava por coisa boa, inclusive.

Cruzando as mãos entre as pernas, a morena olhou para baixo e se manteve em silêncio; mais para pensar no que dizer enquanto uma mente em conflito travava uma batalha sem fim.

— Conseguimos que adiassem a viagem por mais duas semanas em respeito a você.

— Eu sei, Claire... — Sara levou a mão à testa e a coçou por um instante. Odiava encarar a verdade porque achava que por sua causa o projeto seria prejudicado. — Eu sei que por minha causa vão atrasar com o andamento da pesquisa e até agora não dei uma resposta, mas...

— Não pense que você é um estorvo pra gente. Seu trabalho tem sido impecável e não queremos te perder. Eu venho segurando eles ultimamente, o problema é que existe o medo de bloquearem os recursos e você sabe como não foi fácil captá-los.

— Eu sei. Estava junto quando isso aconteceu...

— Então... Perder você num momento tão importante seria um golpe terrível, Sara.

Piscando rápido por uns segundos, a ex-CSI olhou para trás e observou o ambiente à sua volta. Ela não estava em sua casa em São Francisco, era um ambiente familiar, mas a cidade não era. Para voltar à região que deixou marcas tão profundas nela tinha que ser por um forte motivo.

— Claire — disse ela num tom baixo e melancólico. — O Gilbert chegou ao hospital com chance mínima de sobreviver. Quase sem vida... praticamente sem vida.

Simmons não falou, manteve-se com um semblante calmo e sério, sem questioná-la.

— Ficou mais de um mês em coma induzido e é agora que vai sair dele. — Ela assentiu duas vezes, fazendo uma pausa de três segundos. — Eu o visitei todos os dias. Todos. E... ainda nem tive a oportunidade de vê-lo acordado. A última vez que eu falei com ele foi há tanto tempo que eu já estou me esquecendo o que foi. — As palavras finais saíram de sua boca com dificuldade, uma dor que quase a impediu de terminar.

— Sara...

— A pesquisa é importante para mim, Claire. Você sabe o quanto a gente passou noites em claro planejando isso tudo. Mas... eu quase perdi meu noivo. É o homem que eu amo. — Suas palavras saíram de modo aborrecido. — Sei que ele está bem, melhor que quando chegou. Só que eu não posso deixá-lo, ainda mais agora quando ele acordar. Vai precisar de toda ajuda, de gente por perto.

Ajeitando seus óculos de grau, Simmons que estava levemente inclinada para a frente voltou a se recostar. A mulher não parecia exasperada com a resposta franca de Sara. Ela sabia do amor da amiga por Grissom e de parte de sua história com ele e por isso tinha em mente que poderia não ter sucesso em sua tentativa de fazê-la voltar.

— Não posso entrar em sua pele para saber como se sente de verdade.

Sara encarou a figura na tela esperando por uma solução em definitivo ou por uma cobrança acerca de sua posição.

— Imagino ser injusto pedir que volte nesse momento, mas gostaria que repensasse em voltar logo após a alta de seu noivo ou... quando ele acordar ao menos.

"Voltar" não tem sido uma palavra presente nos planos de Sara; nunca foi desde quando chegou a Vegas. Seu foco maior sempre foi em Grissom e em sua recuperação. O que viesse depois seria apenas consequência.

— Me desculpe, Claire, eu sinto muito. Vão sem mim caso seja necessário. Podem continuar, mas eu tenho de vê-lo. Acordado e bem.

— Ok. — Vendo que não conseguiria nada com Sara, a mulher de idade, enfim, acatou ao seu pedido. — Entendi. Então nos falamos depois. — Simmons assentiu. Não podia admitir que a recusa a desanimou, ainda que a posição de Sara fosse legítima. — Novamente eu peço desculpas e desejo melhoras ao Grissom.

— Obrigada...

Após uma breve despedida, Sara encerrou a chamada de vídeo e se afastou da mesa. Ela esfregou os olhos e respirou fundo. Quando parecia encontrar seus momentos de tranquilidade parecia que o universo conspirava contra ela. Ainda que tentasse não pensar no trabalho na Califórnia, era como se ele a perseguisse para voltar à sua realidade. Uma hora teria de encarar os fatos, tomar uma decisão assim como fez ao deixar Las Vegas.

Mas a hora estava chegando, era a única coisa em que devia focar. Em breve ele sairia daquele hospital; Sara tinha fé que logo, logo isso iria acontecer. A propósito, a morena começou a repensar e adotar palavras que há muito tempo abandonou de seu vocabulário: fé.

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Três dias se passaram desde o processo de retirada da sedação de Grissom. As visitas continuaram sendo permitidas, mas foram limitadas a visão por detrás da janela. O doutor Reed comunicou que não havia tempo estipulado para um paciente acordar do coma após a retirada dos medicamentos sedativos e que era necessário ter cuidado com aquela etapa.

A equipe do turno da noite era só euforia e ansiedade. Greg não parava de falar no supervisor, comentando sobre a demora de uma notícia vinda do hospital que Grissom finalmente acordara. Nick era seu companheiro de conversa, com brincadeiras sobre seu retorno e episódios cômicos relacionados a ele. A conversa preenchia o clima na sala de descanso antes do turno começar.

— É, pessoal, podem se ajeitar que o dia hoje vai ser agitado. — Catherine chegou à sala e não economizou no tom descontraído. Parte disso se devia à melhora da saúde de Grissom.

Os quatro peritos disponíveis trocaram as atenções da conversa para a supervisora, que trazia consigo um sorriso confiante e um brilho em seus olhos.

— Antes de começar eu tenho uma notícia para contar a vocês. — Ela estendeu as duas mãos para gesticular. — Como todos sabem o Grissom vai acordar em breve. Bem, eu conversei com o médico e ele me disse que o Gil está deixou a respiração mecânica.

Os largos sorrisos abertos responderam por si mesmos. Nick ergueu os braços para o alto em comemoração, seguidos de gritos abafados de seus companheiros. Até a perita trazida do turno do dia, Carry Grimm, se empolgou com a notícia. Um pouco afastada deles, prestes a tomar café, a jovem loira se aproximou da mesa aonde eles estavam para se juntar à comemoração.

— É, Gil... foi por pouco, hein. — A supervisora comentou em voz baixa enquanto observava a empolgação nos rostos dos subordinados.

— Quando ele vai acordar? — Warrick perguntou. — Alguma previsão?

— Ainda não. Mas como ele já passou pelo pior é uma questão de tempo.

— É nessas horas que a ansiedade fala mais alto — disse Greg, na tentativa de acalmar os ânimos. — Falta pouco agora. Quase lá.

Não era a real notícia que eles gostariam de ouvir. Queriam algo como "Grissom está acordado" ou "está esperando para recebê-los", mas se havia algo que aprenderam no trabalho era ter paciência.

— É isso, pessoal. Não vou me estender mais por aqui. Vamos ao trabalho.

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Assim como nos últimos dias Sara amanheceu um pouco melhor. Sem todo o peso do mudo sobre suas costas; sem aquele gosto amargo na boca e a consciência ofuscada por dezenas de arrependimentos. Ele estava perto, Sara sentia que ele estava perto como numa realidade palpável. Em breve seus olhos iriam se encontrar no momento do qual ela sonhou por várias e várias vezes.

A qualquer momento ela poderia receber uma ligação informando que Grissom acordou. Por causa disso não saía de perto do celular; carregava-o consigo para onde ia. Tentava não se prender ao hospital apesar disso, manter a sua mente e corpo sãos, porém a possibilidade de receber a notícia que faria seu coração palpitar não largava sua mente.

Ainda era de manhã. O horário de visitas começava as duas da tarde, então nesse meio tempo Sara usava o tempo para trabalhar ou se ocupar com outra coisa. O primeiro se tornou uma dor de cabeça. Com a indefinição da recuperação e alta de Grissom, Sara resolveu ficar em Vegas ao contrário das expectativas de seus supervisores que já cobravam uma resposta. Deixaria este problema para resolver depois de ver seu noivo bem.

Quando não trabalhava, Sara se dedicava a atividades que nunca fazia direito em Las Vegas, mas que criou o costume ao voltar para São Francisco. Após fazer a leitura de um livro a ex-CSI resolveu sair. Alugou uma bicicleta em seu parque favorito e começou a pedalar sem saber a hora de retorno.

Afastado do grande centro aquele parque era o favorito de Sara. Adorava passar um tempo ali com Grissom nas horas vagas e quando os dois conseguiam uma brecha entre os turnos após sua troca. Claro, tudo na maior discrição e janela de tempo possível.

Ninguém admitia, mas após a descoberta do relacionamento dos dois passar um tempo juntos ficou mais difícil. Era a carga emocional pelo trauma somada à pressão exercida no trabalho. Mudanças repentinas para um relacionamento que se acomodou a um mundo próprio, único. Aparentemente tudo estava bem, ficaria bem. A verdade foi mascarada até o ponto em que Sara já não suportava mais ficar num lugar tão nocivo. Bem que tentou resistir, não só por ela, mas pelos dois. Ela o amava tanto, mas não percebia que forçar sua estada em Las Vegas a machucava cada vez mais até o momento em que seu corpo deu um basta.

Sara ainda não estava recuperada totalmente, mas tentou entrar nos trilhos ao voltar para sua terra natal. Buscou recriar laços perdidos com a mãe, tirar de si os pensamentos negativos e tomar um pouco mais de luz do sol. Recomeçar era uma palavra complexa demais para Sara. "Renovar" era a melhor.

Ao percorrer as curvas suntuosas do trecho do parque, era automático se lembrar das vezes em que passeou ao lado do homem que amava. Lembrou-se de como era feliz ao lado dele, apesar de todas as dificuldades impostas pelo trabalho e o longo caminho que tiveram ao se entregarem a um relacionamento. Não havia outro homem capaz de fazer Sara se sentir bem como Grissom. Nunca amou tanto alguém como ele.

Retornando para casa após esfriar a mente e respirar um pouco de ar fresco Sara preparou seu almoço, já mais tranquila. Sentia-se melhor, mais leve, muito por conta do breve passeio que fez. O momento era esperar pelo horário de visitas para seguir ao Memorial e ver como Grissom estava.

Entretanto, uma ligação a fez interromper seus planos. Havia acabado de almoçar e se encontrava acessando o computador quando recebeu uma ligação vinda do hospital.

— Senhora Sidle, boa tarde. — Era o doutor Reed.

— Oi, doutor, boa tarde! — Sara chegou a se afastar do computador para se concentrar melhor na ligação.

— Estou ligando primeiramente a você, que é a noiva do paciente para lhe dar a notícia.

Tensão e euforia tomaram conta de Sara numa questão de segundos. Ela engoliu em seco e sem perceber até pressionou o celular sobre sua orelha.

— O que houve?

— O senhor Grissom está acordado!

Notas finais
ELE TÁ CHEGANDO GALERAAAAAA Imagino que essa notícia era aguardada por todos vocês. Como sempre eu tenho que agradecer a você que chegou até aqui e não ficou com raiva eterna de mim kkkkkk ♥ A gente aguentou o começo da 9ª e da 13ª temporada de CSI, a gente aguenta qualquer coisa não é mesmo?? Um grande beijo a todos! Mais uma vez, obrigada por lerem! Até o próximo capítulo!