Notas iniciais
Começo de tudo, explicações... Não sei se sou boa em começos, mas espero que gostem! Como é universo alternativo, eu só uso a imagem do Michael, assim como um pouco da sua personalidade. Espero estar tudo certo.

Esse dia definitivamente foi diferente dos outros. Que outros ? Todos os meus dias que passei ao lado de minha mãe, no castelo real do rei Sebastian, e da rainha Charlotte. Pela primeira vez, iria trabalhar aqui de verdade. Antes apenas estudara. E hoje, tive o “preparo” pra esse trabalho. Na verdade, nunca se colocam uma serva de 17 anos para trabalhar para o príncipe, mas o caso era diferente. Futuro casamento as pressas, e, sem pessoas disponíveis para trabalhar pra ele. Eu como sou uma pessoa de “confiança”, fui designada á isso. Confiança ?! Como diz minha mãe, língua afiada, das boas. Não levo desaforo pra casa – ou melhor, para o quarto! –apenas porque vivo com realezas. E tenha certeza que, é por isso que me mantenho muito longe deles, e eu consegui fazer isso morando no mesmo castelo! Apesar daqui ser enorme. E, tiveram a brilhante idéia de fazerem isso ! Lhe dar com uma realeza o dia inteirinho ! Nasci aqui e dês do começo fui criada por ordens rígidas, que um empregado se tem diante da realeza. Eu entendo que são pessoas importantes, que cuidam do povo, mas, na minha visão, não seria preciso trata-los praticamente como Deuses. E eu confesso que tenho um pouco de dificuldade em me portar perto deles, então prefiro ficar longe deles e me manter calada. Faço isso por minha querida mãe, Louise, que trabalha aqui a muitos anos na cozinha.Mantenho-me aqui porque não posso ir embora e leva-la. Então, me dedico a ajuda-la sempre que precisa, já que ela trabalha muito. Minha mãe é a coisa mais importante que tenho na vida, e posso dizer que vivo realmente por ela estar aqui. Ela me teve muito jovem, por um tolo que a engravidou, iludindo-a. Hoje ela tem 34 anos de vida. Eu ? 17 anos. E, o motivo pra que iria trabalhar aos 17 anos no castelo é... A vinda do príncipe mais novo. Ele estudava fora, mas ultimamente o reino está passando por uma grande turbulência. Então, querem que o príncipe que herdará a coroa se case mais rápido possível. Eu seria a “serva” do príncipe Michael até que se case, em breve. Oh meu Deus, como eu odeio dizer serva ! É uma tolice tamanha achar que posso me redimir assim... Mas é meu dever, é por minha mãe, respire, respire !

Hoje como disse, tive o tal preparo para lhe dar com o príncipe. As regras foram básicas e objetivas. Não chamar pelo nome, estar pronta pra uma chamada de emergência, não encarar o príncipe, e jamais o interromper. Isso incluía bons modos, não o dirigir como “você” e sempre que o ver, fazer reverencia. A maioria disso, eu já sabia, pois essas ordens são pra todos da realeza. O problema, é que eu nunca executava isso por me manter longe o suficiente deles.Passei minha vida inteira aqui, e fazia o máximo pra não encontra-los.Acho que me prenderiam se me vissem andando pelos corredores do castelo a noite, de tão desconhecida que sou pra eles. Bem, é exagero. Eles me conhecem mas, não tem necessidade de me ver, então eu não significo algo de importante pra eles.

Agora, sentada no parapeito da janela – até que nenhum guarda me veja e chame atenção – ,olho minha pequena mala, estirada na cama. Vai ser solitário sem minha mãe aqui. Mudei de quarto temporariamente, pois preciso ficar mais acessível ao príncipe. Esse quarto é bom pelo motivo de ter uma janela. Sorri , olhando a lua cheia clarear meu rosto tristonho. E aqui, tinha outra vantagem. A janela do quarto dava no jardim, de trás do castelo. E pensando assim é muito melhor do que ver a entrada do castelo, na frente. Aqui, posso ver as o jardim, a lua, e o sol amanhecer. Será bom, acho que isso poderia me distrair até voltar para o quarto de minha mãe, depois que o príncipe se casar. Lá não tinha janelas, mas tinha a minha mãe. Tudo que teria que fazer, era atender pedidos do príncipe. Menos mal, eu poderia estar preparando o banho dele em outras circunstancias. No caso, eu avisaria pra que isso fosse feito. Mas não vou fazer nada, só avisar pra que seja feito. É como uma mensageira de necessidades. Isso, é isso !

Escuto um barulho. Era a minha porta se abrindo. Pensei em várias pessoas que poderiam vir no meu quarto á essa hora, e decidi sair do parapeito da janela o mais rápido possível. Me escorei no mesmo, afim de disfarçar. Minha mãe apareceu na porta, entrando devagar com um sorriso pequeno no rosto.

– Daniele ?

– Mãe ! – Eu sorri, e fui ao seu encontro para abraça-la.

Ela me abraçou também, sorrindo.

– Querida, vim ver como você está.

– Oh mãe, já saiu da cozinha ? – Disse me dirigindo a minha cama.

Empurrei a mala, de um modo que pudéssemos sentar na cama. Nos sentamos, e eu segurei as duas mãos dela.

– Sim, eu sai agora. Na verdade, estou de passagem. Preciso ir lá ainda, e depois ir me deitar. Estou morta de cansada. Esse tal almoço está me deixando maluca.

– Almoço ? – Juntei as sobrancelhas.

Ela sorriu. O sorriso que havia puxado dela.

– Você não sabe, não é ? O príncipe Michael vai “conhecer” a futura esposa.

– Como se já não se conhecessem.

– É...

– Quando será esse almoço ?

– Três dias depois da chegada do príncipe.

– Oh...

– Você se lembra dele, filha ? – Minha mãe parecia estar fazendo uma piada.

– Hm, como assim mamãe ?

– Do príncipe Michael. Vocês costumavam brincar quando crianças.

Procurei o chão do quarto pra esconder meus olhos. Ele era uma criança legal. Que conheceu a liberdade, e estava prestes á perde-la. O pior de tudo, é terexperimentado essa vida, e saber que terá que ser aprisionado de novo. Pobre Príncipe. Tenho pena disso.

– Filha... O que... Foi ? – Ela me olhou com os olhos apertados. – Você não...

Voltei meu olhar para ela e tive a certeza do que ela estava falando. Eu podia ver nos olhos dela, o pensamento de que eu teria algum sentimento pelo príncipe, por ter ficado pensativa quando ela mencionou ele. Engraçado, isso nem mesmo seria possível.

– Claro que não mãe ! Até parece que você não me conhece. Eu estava apenas pensado. Sobre o príncipe se aprisionar aqui, logo quando teve a oportunidade de conhecer a liberdade.

– É que... Você fugiu dos meus olhos quando disse dele.

– Mãe; – Eu a encarei – Você sabe que isso não seria possível. De onde vem esse pensamento tolo ? Você me conhece bem, e sabe como eu sou pensativa.

– Tudo bem, eu me precipitei. Eu te entendo. Bem filha, preciso ir. – Ela disse já se levantando.

Eu me levantei também, ainda segurando sua mão.

– Tudo bem, te vejo amanhã. Eu não terei mais as “aulas” de preparo pro trabalho, então ficarei aqui o dia inteiro. Mas... – Soltei o ar, risonha – Acho que darei uma volta no jardim.

Ela me olhou apreensiva. Como se soubesse que eu ia aprontar. Eu ? Aprontar ?

– Filha... – Ela me repreendeu.

– Mãe eu não vou fazer nada de mais. É só um passeio.

– Você sabe que não pode...

– Não há nada de mal nisso ! Eu moro aqui, não ? E vai ser rápido, eu não sou nenhuma criança.

Ela suspirou. Parecia ter cedido.

– Amanhã na hora do almoço, eu venho te ver. Preciso saber se estar se dando bem com tudo que está acontecendo, e principalmente se está preparando essa cabecinha – Ela bateu com cuidado, o dedo indicador na minha cabeça 3 vezes – Está preparada pra lhe dar com o príncipe.

Eu ri, balançando a cabeça negativamente.

– Está tuuudo bem. – Disse já acompanhando ela até a porta.

Ela abriu, e saiu pra fora do quarto. Se virou, ajeitando o colo do vestido cinza desbotado e sorriu sem mostrar os dentes.

– Até amanhã querida.

– Até amanhã mamãe. – Sorri também, e tranquei a porta assim que ela se foi.

Me virei, olhando a janela, e em seguida a mala. Tinha essas duas opções: Arrumar as poucas coisas, ou cair em pensamentos no parapeito da janela. Olhei novamente para as duas opções e segui para a janela balançando a cabeça negativamente. Só iria ficar aqui um pouquinho, respirar o ar vindo da janela e ir arrumar as coisas, pra dormir.

Apoiei meu corpo no parapeito, fechando os olhos devagar. A brisa invadiu o quarto, fazendo meu corpo se arrepiar novamente. Mas, não estava frio, só que a noite, era um pouco gelado mesmo. Abri os olhos, escutando uma movimentação. Olhei pra baixo, vendo alguns guardas andando diferentemente. O que seria aquilo ? Estranho, isso não é de acontecer. Mas, talvez como eu nunca ficava aqui atrás, deveria estar enganada. Suguei o ar para meus pulmões novamente, indo até a mala. Arrumei tudo em 20 minutos. Não era muitas vestidos, o suficiente. Ajeitei-os no móvel ao lado da cama, e aproveitei para me trocar. Coloquei meu pijama, desfazendo o cabelo que estava preso num penteado simples. Assim que terminei tudo, me deitei na cama, puxando o cobertor até a minha cintura. Pensei como seria o dia de amanhã. Agora que não estudava mais, não tinha motivo pra sair do castelo, e assim, ficava aqui sem poder sair direito, e ao menos fazer algo. Pelo menos essetal trabalho me ocuparia um pouco. Isso pode ser bom, não é ? Adormeci com esses pensamentos. Tentei pelo menos me convencer que realmente me faria bem.

Notas finais
É claro que a linguagem daquele tempo não era tão moderinha assim, mas quis fazer algo que todos entendessem e se indentificassem!