Força e Vida - Tomione

71 Capítulo 71 - Um dia do caçador


Notas iniciais
Bom dia, pessoas lindas! Nesse belo dia dedico esse capítulo para a Andreza Salvatore Riddle que além de sempre estar passando pelos comentários fez ontem uma linda recomendação para a fic! Muito obrigada pelo carinho *0*

Tom Riddle

Hermione. Hermione. Hermione. Era somente o que se repetia na minha cabeça. Eu não havia pensado em outra coisa quando chegamos à loja, e me importei menos ainda com o universo quando percebemos que tudo estava deserto lá e que o armário estava em uma sala nos fundos.

Porém assim que chegamos em Hogwarts, por um momento eu me permiti pensar em algo que não fosse apenas a morena. Andando pelos corredores todas as memórias da minha época de escola vieram de uma só vez. Não apenas dos anos comuns, mas também tudo que eu havia passado com a Hermione quando estávamos juntos e quando ela foi embora. Todo o sofrimento dos primeiros dias, e toda a saudade que se instalou no meu coração depois.

Isso não poderia ser um adeus, não era aceitável. Desde o primeiro dia em que ela foi embora, Königin havia me avisado de que não seria aquele o fim. Ela é a futura herdeira. Foram todas as palavras que a minha melhor amiga me disse quando a questionei sobre tudo que havia acontecido. Eu não perguntei mais, eu simplesmente entendi que, qualquer que fosse o motivo, ou a explicação, Hermione estaria no futuro.

Custei a acreditar que era realmente ela, quando a vi pela primeira vez na casa dos Malfoy, mas eu já deveria ter aprendido que nem tudo no mundo mágico tem resposta. Durante tantos anos eu havia sido atormentado pelo sonho com aquela criatura horrível, para um dia notar que eu era o monstro dos meus pesadelos. Depois que voltei a ter um corpo humano o meu primeiro pensamento não foi Harry Potter, ou os meus comensais que não haviam continuado sendo leais. Eu apenas vi o meu rosto e lembrei de cada um dos meus pesadelos, e soube que provavelmente a hora do amor da minha vida voltar estava próxima. Ela não conhecia os meus pesadelos, mas estava comigo quando eu acordei desesperado de um deles.

Havia sido um aviso, ou talvez até mesmo o aviso, mesmo que até hoje, nesse momento, eu não havia notado quanto aquilo havia me afetado. A morena não estaria desaparecida se eu tivesse me controlado no meu ataque a Murta, ela teria ficado comigo, nunca teria voltado para o futuro.

Tudo parecia começar a fazer cada vez mais sentido, o que não deixava de me assustar e me deixar ansioso. Eu não poderia perder ela no momento em que eu finalmente começava a entender tudo que havia acontecido. Seria a maior infelicidade do destino, e eu não permitiria que isso acontecesse. Eu não poderia me permitir chegar sequer perto de perdê-la.

— Salão principal? – Perguntou a Bela. Ela estava em posição de batalha, tensa e alerta, mas eu podia sentir o quanto ela estava próxima de desmoronar.

— Vocês dois vão. Não se deixem ser visto de forma alguma, e se tiver alguém lá, interceptem. – Se Crabbe e Goyle ainda estavam por aqui eles precisavam ser detidos, caso não, os dois não podiam ser vistos. – Eu vou pegar outro caminho. Encontro vocês na sala precisa novamente. – Os dois assentiram sem discutir, mesmo que a morena me olhasse com curiosidade.

Eu não queria encontrar com o velho Dumbledore, ou com os patéticos dos meus comensais. Se eles aparecessem na minha frente eu os mataria, e esse não era o momento para isso. Teria continuado vagando pela escola, se assim que os dois sumiram no final do corredor, uma bola de luz azul não tivesse aparecido.

Não era a primeira vez que eu via algo do tipo. Uma bola de luz verde havia aparecido para mim logo antes de eu descobrir a câmara pela primeira vez e conhecer a Königin. Aquela era a cor da projeção da essência do basilisco da Hermione, com toda certeza. Eu havia visto o corte azul acima do seu coração nas vezes em que havíamos estado juntos. Mesmo eu sabendo que ela possuía um basilisco não deixei de me surpreender um pouco quando notei que a luz havia me levado até o banheiro da câmara. A morena era dona da Königin agora, mas a cor queria dizer que não era mais ela que vivia na câmara.

Ao entrar no banheiro uma onda de raiva passou por mim quando notei que estava não somente no lugar certo, mas que a luz parou sobre a varinha quebrada da Hermione antes de ir até a pia. Ela havia sido atacada e levada dali, tão próxima do seu porto seguro, provavelmente havia caído em uma armadilha.

Guardei a varinha com cuidado, antes de finalmente pedir para a câmara se abrir e descer até ela. Era um caminho que eu havia feito tantas vezes quando jovem que eu tinha certeza que poderia fazer até mesmo de olhos fechados, e foi sabendo disso que eu os fechei assim que abri a câmara. Eu não sabia quem estava ali, mas sabia que não deveria confiar em meus olhos.

— Você é o Tom. – Ouvi assim que a porta se fechou. Era um basilisco, mas eu não reconhecia aquela voz.

— Sou. – Confirmei lentamente. – Quem é você? – Estranhamente eu não me sentia mal por estar com os meus olhos fechados, afinal de contas eu sabia que deveria fazer isso com qualquer outro basilisco que não fosse a minha herança de sangue.

— Grün. Meu nome é Grün. Sou o basilisco da Hermione, sucessor da Königin desde que ela se machucou e foi embora. – Era bom saber que ao menos a minha cobra apesar de ferida estava bem.

— Você me chamou. Tem alguma coisa a ver com a Hermione? – Infelizmente não era um bom momento para fazer amizades.

— Minha dona foi levada pelo Fenrir Greyback há algumas horas, no começo do jantar. Ele esperou por ela no banheiro e a petrificou, mas mentalmente ela gritou por mim. Ela gritou para que eu lhe avisasse que ele a havia levado. – Meu sangue ferveu e minhas mãos automaticamente fecharam em punhos.

— Conseguiu ver para onde ele a levou? – Seria de grande auxilio saber diretamente para onde ir, o tempo já estava correndo.

— Ao chegar lá, ele tirou o feitiço dela e ela sussurrou para que eu pudesse ouvir pela conexão com o meu ovo. Ele não pareceu notar, mas começou a torturá-la logo depois. Porém ela conseguiu gritar três palavras antes de começar a gemer de dor: Biblioteca e Beco Diagonal. Acho que para você deve fazer algum sentido. – Sim fazia. Eu sabia onde ela estava e iria acabar com a festa do lobo.

— Eu sei onde fica. Vou buscá-la, Grün. – Falei começando a voltar em direção a porta.

— Espere! Leve meu veneno e água da piscina, ela vai precisar. – Eu podia sentir o seu pesar e aquilo fez o meu coração doer. Ela estava sofrendo. – E depois que ele sofrer um pouco, traga-o para mim, iria adorar participar disso.

— Pode deixar. – Eu iria torturar, e torturar muito, mas o fim poderia ser dessa forma.

Com veneno e água em frascos guardados saí do banheiro praticamente correndo para a sala precisa. Se a Bela e o Lúcio já não tivessem voltado eu iria sozinho, mas não perderia nem mais um segundo. Porém os dois já estavam lá.

— O velho já estava no salão quando chegamos, mas nós nocauteamos os idiotas e os filhos deles. Utilizei as palavras: Hermione em perigo, e aquela velha história de inimigos se juntando para combater um inimigo em comum serviu bem para a ocasião. – Bela falava enquanto carregava um Crabbe desacordado dentro do armário. – Lúcio está do outro lado cuidando para que nenhum deles fuja. Vamos levá-los direto para a mansão.

— Sei onde a Hermione está. – Disse ajudando ela a carregar o último idiota, Goyle, para dentro. Bela olhou para mim assustada. – Greyback a levou há algumas horas, então precisamos correr. Precisamos chamar alguns comensais de confiança para ajudar o Malfoy a colocar os quatro nas masmorras, para que você possa ir comigo. Mas ele é meu, Bela. – Ela pareceu ponderar por um segundo, porém suspirou e concordou finalmente. Ela queria se vingar tanto quanto eu, mas sabia que a minha sede por sangue sempre seria maior.

Sabendo que agora era a hora da vingança entrei no armário deixando a Bela por último, sendo que logo que saí e fechei a porta ela já chegou também. Os patéticos dos meus comensais e seus filhos estavam no chão da loja esparramados. Felizmente o Lúcio havia cuidado para que nenhuma porta ou janela estivesse aberta, e mesmo que distraídos, nós também havíamos chegado ali em silêncio, o que era bom levando em conta que sem nós sabermos, Hermione estava ali perto.

— Vou chamar o Dolohov, o Avery e o Rookwood. Se assegurem de que esses quatro. – Apontei para os desacordados. – Fiquem presos nas masmorras até eu ver o que farei. – Lúcio concordou e sem nenhum comentário levantou sua manga estendendo a marca para mim.

Tocando a marca com a varinha pensei nos três comensais e ordenei que viessem até ali. Em poucos segundos eles já estavam aparatando. Eficiência era algo muito importante em um dia como esse, logo eles devem ter sentido o quanto eu queria que eles se apressassem.

— O Malfoy tem ordens para vocês. – Disse rapidamente. – Ajudem-no. – Não dizendo mais nada dei meu braço para a Bela para que aparatássemos juntos do lado de fora.

— Aonde iremos? – Perguntou a morena estranhando que ainda estávamos do lado de fora.

— Até a biblioteca. O maníaco resolveu seguir os passos dos retardados que atacaram a Hermione. – Todo o meu autocontrole foi para não gritar e extravasar parte da minha raiva.

Se fosse possível, acho que os olhos da Bela estariam vermelhos como os meus, mas mesmo que não era, a mão da varinha com um leve tremor e a pele branca como papel já a deixavam suficientemente assustadora.

— Eu sei que precisamos ser discretos, então acho melhor que você tenha um plano. Porque a única coisa em que eu consigo pensar é em entrar lá e explodir aquele desgraçado em pedaços. – Sorri com a sinceridade mortífera dela.

— Eu não pensei em algo muito complexo. Vamos nos aproximar sem ser visto e assim que possível imobilizamos ele. Quero torturá-lo na masmorra e o basilisco da Hermione pediu para participar da brincadeira. – Mesmo com toda aquela pose de assassina ela ainda conseguiu sorrir com a ideia. Um sorriso maníaco, mas era um sorriso.

—--—--

Notas finais
Para quem estava com saudades do Tom!