Força e Vida - Tomione
7 Capítulo 7 - Presente digno de Hogwarts
Notas iniciais
E a pia começou a se mover. Eu não entendia o que estava acontecendo, eu era uma sangue ruim e não sabia falar a língua das cobras, sendo que essa era a única forma de abrir a passagem para a câmara.
Instantaneamente me repreendi por esse pensamento. Eu não era uma sangue ruim. Eu era filha de dois sangues-puros, de famílias que eram conhecidas por aceitarem apenas sangues-puros. E pelo jeito eu sabia falar a língua das cobras, mesmo que nunca havia percebido isso.
Olhei para o túnel escuro. Harry e Rony haviam me falado sobre isso, quando entraram aqui em nosso segundo ano. O brilho agora parecia vir lá de dentro. Escorreguei pelo túnel até cair alguns metros depois, com toda certeza aquilo era encantado e eu estava em algum ponto abaixo da escola. Vi a pia se fechar e a luz verde se espalhar por toda a extensão dessa nova sala. Estremeci quando vi a grande pele do antigo Basilisco que vivia na câmara, mas a distração durou pouco já que a luz começou a piscar, como se me chamasse para continuar.
A segui por algum tempo, tudo ali parecia ter se reconstruído como mágica, e provavelmente foi dessa forma que se reconstruiu mesmo. Caminhei até uma entrada circular que quando cheguei mais perto, percebi que estava fechada, havia nela uma pequena serpente de pedra onde seriam suas dobradiças. Pedi novamente para que abrisse, e notei que não havia falado em uma língua humana, parecia mais com um sibilo de cobra. Eu era ofidioglota e isso era simplesmente assustador! A porta estava abrindo, o que eu encontraria lá dentro?
A sala era gigante, talvez ainda maior do que o salão principal. Os pilares que sustentavam o local eram serpentes gigantes, e apesar de tudo lá fora estar sujo, ali dentro parecia tudo impecável. Era tudo escuro e estranho, mas era tudo limpo. Centralizada no fundo da câmara, havia uma estátua de Salazar e um lago de águas escuras. Nessas águas havia o corpo do Basilisco, com a cabeça apoiada no concreto da beirada do tanque, ou piscina, e uma poça de tinta escura, onde provavelmente o Harry havia acabado com o diário do Voldemort.
Eu observava tudo com certa admiração. Parecia que havia mais coisas ali dentro porque onde terminavam as colunas de cobras dos dois lados do salão, a câmara se entendia para os dois lados além do centro com a estátua do bruxo fundador. Eu queria explorar o que poderia estar ali há séculos e também ver se algo não havia sido deixado pelo próprio Voldemort, mas meus pensamentos foram interrompidos pela movimentação da luz que foi até o Basilisco e pareceu entrar na cobra. Logo ela se mexeu.
Eu entrei em pânico, o Basilisco não poderia estar vivo depois de tanto tempo e mesmo estando cego, poderia me matar com seu veneno antes que eu pudesse dizer quadribol. Eu estava pronta para sair correndo e lacrar a câmara, quando ela sibilou.
— Não vou te machucar. Estou cega, ferida, e a ponto de morrer a muitos anos. Minhas forças se desgastaram ainda mais, quando mandei minha essência projetada para você. Há anos te espero, mas você nunca ficava sozinha naquele banheiro, e seu sangue era mascarado como trouxa, já que ninguém já havia ouvido a verdade. – Eu estava entendendo tudo, e isso era simplesmente assustador.
— Por que quis me chamar? – Foi o que eu consegui dizer.
— Eu não posso morrer. A única forma de um Basilisco morrer é ver seu próprio reflexo em um espelho e agora que estou cega, não poderia morrer de maneira nenhuma. Dumbledore não queria que eu morresse quando mandou sua fênix, queria que o garoto sobrevivesse e que eu fosse cegada. Entendi isso assim que vi a fênix, então deixei o garoto e a memória do meu antigo dono pensarem que eu havia morrido. Aquele não era o meu dono. Meu dono era doce, e meu amigo, me tratava bem e eu sei que sempre fui sua única amiga. Precisava que ele conseguisse descansar em paz, ou pelo menos parte dele. – Eu ainda não entendia o porquê de eu estar ali.
Como se pudesse ouvir minha mente ela disse.
— Te chamei aqui porque Salazar não possui mais um herdeiro de sangue em Hogwarts. E a ordem era de que quando isso acontecesse eu deveria sentir o poder, a essência e a força de todos os alunos e achar um novo ou uma nova herdeira. Como rainha das cobras, possuo poderes antigos e que poucos conhecem. Sondei aluno por aluno, e a escolhida foi você. Você não possui os ideais do meu primeiro dono, mas você possui muito poder e está destinada a fazer algo grande, posso sentir isso. Você será uma boa herdeira, mesmo sendo da Grifinória.
Eu não conseguia pensar em nada que pudesse falar, estava chocada como nunca estive antes.
— Eu não posso mais continuar aqui. Estou ferida e fraca. Estas águas abaixo de mim só ficariam dessa cor quando eu estivesse enfraquecendo. E quando eu achasse uma nova herdeira, teria o direito de deixar a câmara e deixar no meu lugar outro da minha espécie.
O que tudo isso quer dizer?
— Deixarei parte da minha essência em você para sempre guiá-la e protegê-la. Assim que eu sair, o novo Basilisco irá nascer de um ovo que foi enfeitiçado, por mim e por Salazar, para chocar e crescer assim que eu tivesse partido. Ele viverá durante anos, te protegerá e fará o que você mandar. Quando ele estiver pronto, misturará seu veneno com o seu sangue, assim você estará imune ao veneno dele e ao seu olhar, se tornando uma herdeira legítima. Antes de ir misturarei o meu veneno com você também, sinto que ainda nos veremos. Alguma pergunta, criança? – Ela parecia doce como uma mãe.
— Qual é o seu nome? – Apesar de um milhão de perguntas estarem na minha cabeça era isso, acima de tudo, que eu queria saber.
— Königin. Agora preciso do seu sangue, criança. Faça um corte no pulso. Não tenha medo de se aproximar. – Eu ainda estava congelada na mesma posição, no mesmo lugar desde o começo da nossa conversa. Fechei a porta da câmara e comecei a me aproximar.
Podia ser loucura e eu poderia ser morta, mas eu não me importava muito com isso. Com a minha varinha, fiz um corte no meu pulso direito. Königin levantou sua cabeça.
— Aproxime o corte da minha boca. – Ela iria pingar seu veneno em mim?
Mesmo receosa aproximei meu braço dela. Ela pingou o veneno ali e eu comecei a sentir dores e queimações por todo o meu corpo, enquanto ela parecia cantar algo em uma língua que parecia estar entre algo humano e algo ofídio. Uma luz verde começou a sair do corte e ficar incandescente, como era o brilho da serpente na pia do banheiro. Logo a dor começou a passar para uma leve dormência e de repente eu estava bem. Então Königin começou a cantar outra canção e algo brilhante saiu dela e começou a se dirigir a mim, formou uma espécie de lenço na frente dos meus olhos e se amarrou atrás da minha cabeça. Em seguida desapareceu um pouco e outro pouco, então desceu e entrou no meu peito, exatamente onde fica o meu coração.
— Não será morta pelo meu olhar e nem pelo meu veneno ou o de uma cobra, e minha proteção estará sempre contigo. Agora eu preciso ir, doce criança. Não se preocupe, você será uma excelente herdeira, e no futuro entenderemos mais do porque da essência da minha magia pedir que você, e nenhum outro, ganhasse essa câmara.
Então ela desceu pelas águas escuras e algo, como um alçapão, se abriu abaixo de toda aquela água. Assim que o alçapão se fechou a água começou a clarear, até ficar transparente, mostrando o fundo de pedra verde esmeralda. Enquanto eu olhava isso, um livro apareceu e começou a pairar na minha frente, ele era de couro verde, da cor da pele dos Basiliscos. O peguei em minhas mãos e ia abri-lo, quando o lado direito da câmara começou a brilhar, era um brilho azul. Reparei que daquele lado da câmara havia livros e uma enorme escrivaninha prateada. Os livros nas estantes estavam protegidos pelas mesmas cortinas que eu havia visto na sala precisa e a câmara toda parecia estar ficando mais clara, mostrando mais o caminho prateado central e os detalhes em verde nas serpentes-colunas. Parecia que a câmara sentia que possuía uma nova dona.
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