Força e Vida - Tomione

69 Capítulo 69 - Uma noite inesquecível


Notas iniciais
Genteeeeee espero que gostem! hihi

Com o presente dos Malfoy eu me surpreendi. Não de um jeito ruim, mas de um jeito muito bom. O caderno verde metálico parecia simples, mas tinha todo o seu charme de um jeito antigo e clássico, e combinava perfeitamente com a pena e com a tinta verde escura que estava junto na caixa. Era bonito e incrivelmente eu havia amado.

— Os presentes até agora tem sido muito bons, mas aposto que mesmo que o Tom te dê um sapo de chocolate, você vai ficar mais feliz com ele do que com qualquer outro. – Olhei para o Grün tentando parecer brava, mas era difícil quando eu sabia que ele estava totalmente certo. – Eu sei disso, senhorita escondo tudo que sinto. – O ignorei e comecei a desembrulhar o que o moreno havia me enviado.

Uma parte minha que sempre foi sua.

Feliz Natal

E junto com o pequeno bilhete estava um colar prateado com um pingente de coração. Ao redor do coração vermelho havia uma cobra verde, como se estivesse se enrolando nele, e atrás, quase escondido, havia as iniciais “TMR” gravadas.

Era tão belo, e tão parecido com o que eu imaginava ser o coração do Tom, mais para uma cobra do que um órgão, que por um momento foi impossível colocar qualquer sentimento em palavras. Um presente dele, em uma data como essa, e com tanto significado. Sem que eu notasse passei longos minutos sorrindo bobamente para o colar tocando-o em cada detalhe, nem ao menos notei as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.

— Sonserinos realmente só dão presentes sonserinos. – Disse o meu basilisco depois de perceber que eu estava há muito tempo fora do ar. – Mas além do excelente bom gosto, ainda são coisas lindas. – Sorri para ele enxugando as minhas lágrimas. – É Natal, Mione. Você recebeu presentes especiais, e mesmo não estando em casa, tenho certeza de que o jantar no salão estará mágico, porque estamos em Hogwarts. – Sorri, agora com mais convicção.

Arrumei os outros presentes em cima da mesa, sabendo que precisaria agradecer a todos, mesmo que não estivesse nem perto de ter coragem para isso. Eu havia pensado em alguns presentes para o Tom, mas nenhum parecia bom o suficiente, e era um risco extremamente desnecessário quando pensei sobre, mesmo que agora parecesse tão bobo.

— Eu volto mais tarde, Grün. – Saí da câmara prendendo o colar no meu pescoço já sabendo que ele não sairia dali nunca.

Quando voltei para o banheiro instantaneamente senti um frio na espinha que não tinha nada a ver com a temperatura, e estranhamente, ali eu já soube que algo estava errado. Era uma sensação ruim que parecia estar sendo espalhada pelo ar junto com um vento gelado.

Por um momento pensei em voltar à câmara e ficar lá até o dia seguinte, mas algo me instigava a sair e ver se realmente alguma coisa estava fora do lugar, afinal de contas, estávamos falando de Hogwarts, não era como se sempre acontecessem coisas ruins em uma escola como essa. Porém buscando me prevenir, peguei a minha capa da invisibilidade, na bolsa que sempre ficava comigo, e a coloquei. Não faria mal algum andar pelos corredores sem ser vista.

Tudo estava em silêncio, porém não do fato que era feriado e ninguém estava na escola, porque não havia uma atmosfera festiva. Não havia luz em nenhum dos corredores, todas as tochas estavam apagadas, e isso só aumentava a sensação de frio e abandono que estava ali.

Temendo pelo que poderia estar acontecendo corri até o salão principal tomando o cuidado de não fazer absolutamente nenhum barulho. Todos os presentes no castelo deveriam estar jantando nesse momento. Foi com a esperança de que tudo aquilo fosse apenas uma coincidência e que eu encontraria os alunos comendo e comemorando, que eu corri ainda mais descendo as escadas.

Porém antes mesmo de eu chegar às portas do salão, eu já sabia que a minha sensação de que tinha algo errado estava totalmente certa. Eu não ouvia conversas animadas, ou risadas, não havia nem ao menos sussurros, tudo estava banhado no mesmo silêncio dos corredores.

Mas eu só soube o quanto estava ruim quando olhei para dentro. Havia apenas uma mesa no centro, já que éramos em poucos alunos, totalmente vazia já que ninguém estava sentada nela. Todos estavam encostados nas paredes e por tudo havia sujeira, todo o banquete parecia ter explodido para todos os lados.

Na frente da mesa dos professores, havia uma Minerva desacordada, já que parecia respirar, com um grande machucado na testa, e alguns outros professores amarrados com cordas enfeitiçadas. No centro, em pé de frente para mim, estavam Crabbe e Goyle com dois comensais mascarados, que vendo o sorriso dos dois garotos, tive a certeza de que eram seus pais.

Os alunos pareciam horrorizados, até mesmo os que eram da Sonserina, e os mais velhos tentavam manter os mais novos por perto. O silêncio parecia já estar ali há algum tempo, como se eles esperassem por alguma coisa, e foi interrompido apenas pelo choro de um lufano do primeiro ano. Ele parecia tentar chorar baixo, e logo alguns colegas tentaram fazer com que ele parasse de chorar, mas o desespero estava cravado em seu rosto enquanto ele tremia.

— Não se preocupe, pequena criança. – Disse um dos dois mascarados. – Não estamos aqui para lhe fazer mal, estamos apenas esperando pelo professor Dumbledore. Temos certeza de que ele logo virá fazer parte dessa nossa pequena reunião. Assim como outro colega nosso, e talvez o próprio Lorde também esteja presente! – O comensal falava animado como se anunciasse que haveria mais sobremesas hoje.

Aquilo não estava me cheirando à ideia do Tom. Ele amaria um espetáculo desses, mas não mandaria dois idiotas fazer o trabalho. Muito menos escolheria fazer isso em um dia que quase ninguém estava presente, não. Além do mais, pelo que pude observar, Snape não parecia estar presente entre os professores feridos, e ele com toda certeza estaria em um momento como esse.

Tudo parecia mais com uma ideia dos dois idiotas, Crabbe e Goyle, tentando fugir da responsabilidade impossível que era matar o diretor Dumbledore. Eles provavelmente acharam que como eles não tinham sucesso, os pais poderiam ter, ainda mais em uma época que nem todos estavam presentes na escola. Era burrice já que nem mesmo o diretor parecia estar ali, mas em um ponto eu estava em dúvida: Como eles haviam conseguido uma passagem para dentro de Hogwarts?

Mas isso não importava no momento. Eu precisava voltar para a câmara e avisar a minha mãe, ela provavelmente estaria com o Tom e os dois saberiam o que fazer. Fora que lá eu estaria segura, ninguém sabia entrar e mesmo que conseguissem Grün daria um jeito em qualquer um que tentasse chegar perto de mim.

Com um aperto enorme no peito, por deixar os meus colegas ali, saí correndo pela escada, dessa vez tomando ainda mais cuidado, já que eu não sabia de onde eles tinham vindo, nem se o colega que eles disseram que poderia chegar já estava no castelo. Tudo parecia mais perigoso agora.

Enquanto eu andava só conseguia pensar em me esconder e tentar não começar a chorar. Eu não era mais a grifinória dos primeiros anos de escola. Parece que depois que algo ruim acontece com você, a confiança de que tudo pode ficar bem se esvai. Você supera, mas o medo fica, e com ele vem o desespero, mas eu não podia chorar, eu precisava chegar até a câmara e avisar a minha mãe.

Se ao menos eu não tivesse insistido em ficar em Hogwarts. Estaria em segurança agora. E eram esses os pensamentos que eu estava lacrando em um canto do meu cérebro para que eles não me invadissem. Não era a hora de pensar no que eu poderia ter evitado, era a hora de pensar nas pessoas que eu poderia ajudar no salão principal.

Respirei fundo quando notei que estava chegando ao banheiro e não havia encontrado com ninguém, nem ouvido qualquer barulho. Tudo continuava no mais perfeito silêncio. Tive que usar todo o meu autocontrole para não correr os últimos metros, porém assim que passei pela porta e tirei o capuz da capa, a mesma se fechou, e no segundo que eu ia virar para ver o que estava acontecendo caí para frente petrificada.

— Palpite de sorte. É assim que eu vou chamar a minha incrível intuição de não sair correndo para todos os lados quando percebi que você não estava no salão principal. Não. Primeiro eu pensei nas masmorras, já que seu cheiro está impregnado lá, o que não fez muito sentido para mim, mas tudo bem. Porém depois eu simplesmente segui seu magnífico cheiro e cheguei até esse banheiro. Fiquei bravo por você não estar aqui, é verdade, mas então pensei: Ela pode voltar, e se não voltar, eu posso continuar procurando, tenho tempo. E cá estamos nós, irritante sabe-tudo.

Fenrir Greyback. Agonia. Desespero. Medo. Pavor. E mais uma longa lista poderia ser citada antes mesmo de eu começar a chorar. Não que eu conseguisse realmente chorar, mas eu sentia que quando o feitiço fosse tirado de mim eu começaria a tremer e a perder os meus sentidos, então tentei me manter firme.

Mentalmente comecei a berrar, torcendo para que o Grün conseguisse ouvir, já que eu não estava assim tão longe, considerando que a câmara não fica em um andar específico, mas possui apenas uma porta. Socorro! Fenrir Greyback. Avise o Tom. Era o mantra que eu repetia sem parar. Grün, se conseguisse me ouvir, acharia um jeito, qualquer que fosse, de avisar o moreno.

— Opa! É verdade, esqueci que mesmo que você queira você não vai conseguir me responder, porém isso não importa muito. De qualquer forma não conversaremos em Hogwarts. – Sua voz beirava a insanidade de tanta alegria que exalava.

Sem cerimônias, ou qualquer cuidado, Fenrir pegou minha varinha que havia rolado da minha mão, a quebrou e me pôs nos ombros, deixando os restos daquela que havia me acompanhado por tantos anos e todas as minhas esperanças de conseguir ajuda no chão do banheiro.

Notas finais
E um feliz natal.