Força e Vida - Tomione

70 Capítulo 70 - Infelizes coincidências


Notas iniciais
Bom dia pessoal! O capítulo é curto sim, mas é para mostrar um pouco do que está acontecendo por fora!

Belatriz Black Lestrange

O dia havia começado estranho. Desde o primeiro momento que eu havia aberto os meus olhos eu sentia que algo estava prestes a dar muito errado, e não havia nada, nem ninguém, que estava conseguindo me distrair daquele pensamento.

Há dias tudo que nós fazíamos era caçar, e por nós eu queria dizer eu, Tom e Lúcio. Desde que uma pista mais forte havia aparecido, em uma cabana em uma floresta afastada, havíamos vindo para cá. No começo achei que seria insuportável ter o loiro por perto, mas durante o dia só procurávamos sem parar e durante a noite, dormíamos cedo para começar novamente no próximo dia.

Havíamos nos instalado, expandido e modificado a cabana por dentro para criar um centro de rastreamento. Ele havia estado há pouco tempo ali, e não iria voltar, então sempre íamos atrás de pistas e voltávamos ali.

Porém hoje algo estranho havia acontecido, e infelizmente não era um estranho bom. Pela primeira vez, nenhum de nós, ou qualquer outro comensal, havia achado uma pista sequer. Não era normal, mesmo que pistas simples, nós sempre encontrávamos algo para continuar no dia seguinte, mas dessa vez não havia nada.

— Isso é impossível. – Coloquei os meus pensamentos em voz alta. – Ele não pode ter simplesmente desaparecido dessa forma. – Exasperei frustrada e cansada.

— Também acho estranho. – Tom como sempre parecia apenas pensativo. Ele nunca cansava de procurar.

Apesar de nós sabermos que ele também não havia encontrado nada, Lúcio ainda não havia voltado, então apenas eu e o moreno estávamos na cabana. E eram nesses momentos que nós dois nos permitíamos relaxar um pouco e parar de fingir que não estávamos aflitos com a falta de resultados na caça. Não havíamos combinado nada, mas desde o primeiro dia agíamos assim. Lúcio além de estranho para nós dois, já que eu era a comensal mais próxima do Lorde, e a pessoa mais próxima, fora a Hermione, também era ainda mais fechado quanto a qualquer emoção.

— Boa noite. – Falando no diabo ele aparece ofegante.

— Boa. – Respondemos eu e o moreno ao mesmo tempo.

— Se não se importarem, vou para casa essa noite. – Começou ele um pouco receoso. – Mesmo que já esteja um pouco tarde, é Natal, e eu gostaria de estar com a minha família, ainda mais que o meu filho começou a namorar, e os pais da moça vão estar lá também. – Felizmente ele terminou a frase, antes que a carranca que o Tom havia feito quando ele falou a palavra namorar, se transformasse em algo totalmente assustador.

Era incrível como o Lorde das Trevas poderia ser tão inseguro quanto à Hermione, isso me fazia rir internamente. Afinal de contas, minha filha, e maior orgulho, era dona do coração do homem que mais parecia impossível de ter tal sentimento como o amor.

— Tudo bem, Lúcio. Vá ficar com a sua família. De qualquer forma, não temos um ponto inicial fixo para amanhã. – Tom tentava transparecer o máximo de indiferença e leveza possível, mas não era o que ele sentia, mesmo que tenha sido suficiente para o loiro acreditar.

— Achei que também iria para casa. – Disse ele olhando para mim.

— Por quê? – Perguntei confusa. Minha irmã e meu sobrinho poderiam estar lá, mas não eram motivos suficientes para ir.

— Amy não está lá? – Vi que o loiro começou a ficar nervoso, mas não consegui entender o motivo.

— Não. Ela está na escola. – Respondi pausadamente tentando entender o porquê da pergunta. Talvez eu teria tentado uma desculpa para isso, porém desisti completamente quando comecei a perceber que ele estava ficando mais branco do que papel.

— O que?! Como eu não fui avisado disso?! Narcisa não me disse nada, e Draco me disse que ela iria para a Mansão! – Ele andava de um lado para o outro em estado de choque. Olhando para o Tom percebi que nós dois estávamos prestando total atenção no loiro.

— Ela está segura na escola, Lúcio! Não entendo porque está agindo dessa forma. – Tentei me convencer de que ele estava apenas exagerando, mas algo parecia estar fora do lugar. Ele parecia a beira do choro.

— Não ela não está! – Gritou ele exasperado. Andando mais rápido conforme parecia pensar mais rápido.

— Acalme-se, Lúcio. E nos conte porque acha que ela corre perigo. – Tom falou de uma forma tão autoritária que o loiro sentou e começou a respirar fundo.

— Tudo faz sentido agora! – Ele parecia ainda mais desesperado, se é que isso era possível. Mas antes que eu ou o Tom o azarasse ele começou a falar. – Há algum tempo Crabbe e Goyle me procuraram buscando uma forma de entrar na escola, já que os filhos deles se mostraram totalmente incapazes de cumprir a missão que lhes fora designada. Procuramos por feitiços, poções, qualquer coisa, e nada parecia promissor, porém quando estávamos para desistir, eu encontrei uma forma. – Disse ele com amargor. – Queria ajudar os meus amigos em seu desespero, por isso insistia tanto para que ela fosse a festa do fim de ano. – Comecei a me sentir cada vez mais nervosa. – Na Borgin & Burkes, o lugar mais improvável, nós encontramos uma solução. Um armário sumidouro. Descobrimos que havia um em Hogwarts, mesmo que aqueles dois meninos idiotas levaram meses para saber o que era, e então achamos esse outro, fechando o par. – Eu já estava ficando horrorizada com o rumo que o relato dele tomava.

— Nós consertamos os dois, e eles estão funcionando. Nessa noite Crabbe e Goyle vão entrar em Hogwarts. Não contei nada porque eles queriam fazer uma surpresa, chamando o Lorde apenas quando já tivessem matado o velho. Porém precisamos ir urgentemente para a loja e de lá para a escola. – Eu não prestava mais atenção, só sabia que precisava ir, precisava ter certeza de que a minha filha estava bem, mas o fato de ele ainda parecer assustado, chamou a minha atenção. – Mas o pior de tudo, é que eu acho que sei o porquê do Greyback não ter sido descuidado o suficiente para deixar pistas hoje. Os dois haviam me dito que fariam um favor para um amigo, que queria entrar na escola para ver uma garota. Não liguei os pontos na hora, mas agora parece estupidamente óbvio. Algumas das pistas que achei foram muito próximas de locais que me encontrei com os dois. Fenrir provavelmente é o amigo, e acho que sabemos bem de quem ele está atrás.

E ali o meu mundo desmoronou. Minha filha. Aquele monstro poderia já estar bem próximo de encontrar a minha filha. Como uma bomba, todo o meu mau pressentimento do dia caiu mais uma vez sobre os meus ombros. Eu não iria conseguir aguentar, era demais para mim.

Não pensei, não tive vergonha, apenas comecei a chorar desoladamente. Eu não era uma comensal da morte naquele momento. Eu era uma mãe que sabia que a filha estava correndo um grave perigo. E eu teria continuado ali chorando se no momento em que o Tom segurou a minha mão com força demonstrando apoio, eu não tivesse notado algo que estava faltando. Meu anel de rosa, que eu nunca tirava para praticamente nada, não estava na minha mão.

— O anel. – Sussurrei aterrorizada. Tom e Lúcio olharam para os meus dedos assim como eu. – Eu esqueci de colocá-lo essa manhã! Hermione pode estar com o Greyback há horas, Tom! Por isso eu não percebi nada! – Olhei para o moreno desesperada sem ter ideia de como agir.

Mas foi nos olhos dele que eu encontrei um pouco de esperança. Ele não estava apenas mortalmente preocupado, estado do qual eu não conseguia passar, ele havia atingido um estado de profunda raiva que havia lhe dado uma borda vermelha ao redor das íris.

Seria assustador em qualquer outro momento, mas agora me trazia a certeza de que ele ia encontrar a Hermione e faria o lobo pagar com cada gota do seu sangue.

— Precisamos ir para a loja. Preciso ir para Hogwarts, e isso tem que ser agora. – A voz era arrastada e calma, como a de um psicopata.

E aquilo me fez sorrir enquanto aparatávamos.

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Notas finais
Quando o seu pai manda uma carta dizendo para você ir para casa, vá para casa.