Força e Vida - Tomione

60 Capítulo 60 - Conhecendo o inimigo


Notas iniciais
Hoje é um dia especial, a fic chegou a seu capítulo de número 60. Nunca pensei que ela seria verdadeiramente tão longa, nem que tantas pessoas gostariam dela dessa forma, o meu muito obrigada a todos que estão aqui todos os dias lendo, e principalmente, para quem tira um tempinho para me ver nos comentários *---*

— Desculpe, mas eu acho que não conheço o senhor. – Tentei manter a minha voz em um tom estável, e também controlar a minha respiração e os meus batimentos cardíacos, já que o meu primeiro instinto foi correr e fugir.

Fenrir Greyback, o famoso lobisomem, estava apoiado em uma das paredes próximas a porta pela qual eu havia saído, como que me dando o recado de que eu não conseguiria passar por ali.

Eu sabia que ele não era exatamente um comensal da morte, mas era bem conhecido da maioria deles, e tão letal, ou até mais, do que eles. Então fiquei ainda mais assustada quando ele continuou apoiado ali, mostrando um sorriso que parecia mais uma demonstração dos dentes afiados, sem me responder.

Olhando em seus olhos cheguei ainda mais perto de um ataque de pânico. Ele não acreditava que eu não o conhecia, e parecia também não acreditar em quem eu dizia ser, já que seu comentário ainda rondava pela minha cabeça.

— Conhecer, você realmente não conhece, mas tenho certeza de que já ouviu falar de mim. – Disse ele depois de um tempo. – Irritante sabe-tudo. – Completou ele calmamente.

Olhei para dentro tentando buscar uma forma de sair dali, tentei não parecer nervosa, como se estivesse apenas olhando, mas foi ainda mais difícil não entrar em pânico quando percebi que o Draco estava dançando com a sua mãe e que o Tom estava conversando com o Lúcio na mesa.

Eles eram as duas únicas pessoas que eu sabia que poderiam me ajudar, mas os dois estavam totalmente distraídos. Olhando novamente para eles, para o sorriso do Draco para sua mãe, e me demorando no moreno, senti lágrimas querendo se formar.

Greyback sabia quem eu era, e pelo seu sorriso e olhar, eu sairia dali morta, ou mordida. E as duas opções não eram favoráveis, já que se eu fosse mordida, me mataria antes mesmo da primeira transformação. Nunca suportaria viver me transformando como o Lupin fazia.

— Sabe, eu também não teria notado, afinal você está razoavelmente diferente. – Continuou ele normalmente, como se estivéssemos apenas conversando. – Mas o seu cheiro, ah. – Suspirou ele com os olhos fechados. – Você nunca conseguiria mudar ele, apesar de você nem ao menos ter tentado. – Eu não sabia como era possível que ele conhecesse o meu cheiro.

— Eu conheci três comensais um dia desses. Boa gente. Fiéis ao lorde. – A cada palavra eu me sentia a mais um passo do desespero. – Um dia quando nos encontramos em um bar por acaso. Eles estavam comemorando, e eu resolvi perguntar do que se tratava. Não acreditei quando eles me disseram que haviam estuprado e largado a melhor amiga do famoso Harry Potter. – Senti todo o meu sangue se tornar gelo. – Estava tão cético que eles me levaram até o lugar. Ninguém havia limpado aquilo ainda, na verdade, havia sangue fresco e o cheiro da garota impregnado no ar. – Ele fechou os olhos como se conseguisse se lembrar melhor dessa forma. – Eu nunca havia sentido um cheiro tão gostoso em minha vida, tanto que tentei seguir o rastro por toda a parte, mas a menina estava internada e com bastante proteção, seguindo para a casa dos Weasley e para Hogwarts. – Duas lágrimas já rolavam pelo meu rosto. – Mas de repente quando entrei nessa casa hoje, lá estava o cheiro novamente, e então você convenientemente resolveu ficar sozinha nessa bela noite. – Seu sorriso distorcido cada vez mais se tornava apenas uma demonstração dos dentes.

Ele iria me matar brutalmente, como fazia com as crianças que atacava. Eu iria ser assassinada na porta da casa do meu pai e a alguns metros do meu irmão, que continuava alheio a tudo e continuava dançando com a sua mãe.

Antes que o lobisomem resolvesse me atacar, olhei mais uma vez em direção a mesa onde eu havia estado. Queria poder olhar para o Tom pelo menos uma última vez, mas nem esse meu último pedido iria se realizar, já que a mesa estava vazia e eu não estava conseguindo ver o moreno em lugar algum.

— Não sei como você conseguiu entrar aqui, muito menos em uma época que deveria estar em Hogwarts, mas eu não vou desperdiçar a minha sorte por tão poucas questões não respondidas. – Disse ele sorrindo de forma maníaca. – E também nada, nem ninguém poderá te ajudar, criança. – Cada palavra ele enfatizava com um passo na minha direção, enquanto eu comecei a dar passos para a lateral, tentando pensar em algo que pudesse me salvar.

Minha varinha estava na bolsa em forma de colar, mas um movimento brusco e ele com toda certeza pararia de brincar com a refeição. Mesmo eu sendo boa em feitiços, eu nunca conseguiria ser mais rápida do que ele. Ele não era apenas um lobisomem, ele fazia da caça o seu esporte favorito e também a sua forma de vida. Poderia ser chamado de lobisomem, por talvez ainda ter alguns traços humanos, mas ele estava mais para um lobo que conseguia falar e pensar.

— Eu não sou quem você pensa. – Tentei dizer mesmo que a minha voz saiu firme, mas baixa.

Eu sabia que tentar convencê-lo de que eu era uma prima do Draco era uma tarefa impossível, já que ele não tinha me rastreado pelo rosto, mas sim pelo cheiro, mas eu precisava tentar qualquer coisa que o distraísse ou pelo menos o atrasasse.

— Sim você é. Eu te procurei por tempo demais. Acho que fiquei até mesmo meio obcecado. – Ele andava calmamente na minha direção, passo por passo, com as garras a mostra nas mãos ao lado do corpo.

Ele não estava com pressa, mas eu jamais conseguiria atrasá-lo por tempo suficiente para que o Draco sentisse a minha falta.

— Eu não sou, e você vai se arrepender disso, quando descobrir a verdade. – Mesmo que eu estava a passos da morte, o ameacei firmemente. Minha mãe acabaria com ele quando descobrisse, e essa estava se tornando a única linha a que eu me prendia. Tentava não pensar nos meus amigos e no resto da família, ou até mesmo no Tom.

— Isso seria realmente uma novidade, já que eu nunca me arrependi de nada do que eu fiz. – Ele não havia entendido como ameaça, e apenas sorriu quando eu bati minhas costas contra o corrimão, o que indicava que eu estava encurralada agora, já que ali havia apenas uma escada para o jardim, janelas e outra porta para o salão.

Não adiantaria correr. Isso só aumentaria o meu desespero e deixaria tudo ainda mais divertido para ele, já que rapidamente ele me alcançaria. Sabendo que não poderia fazer mais nada peguei o colar para tentar alcançar a minha varinha, mas ao contrário do que eu imaginava, ele não me atacou pelo movimento brusco. Ele pegou a sua varinha, sem nem ao menos eu ter notado, e me petrificou.

— Quando os rapazes me contaram o que havia acontecido, eu não fiquei apenas animado pelo cheiro que eu senti, mas me peguei imaginando o quanto eles não haviam se divertido. – Entendendo onde ele queria chegar eu queria gritar, chorar, ou até mesmo poder correr. Aquilo não podia acontecer de novo. – E agora mesmo eu penso, por que não poderíamos nos divertir da mesma forma? – Ele estava parado na minha frente. – Você está ainda mais bonita do que antes, fora que estamos em um lugar tão especial. – Ele olhou ao redor como se aquilo fosse mágico, antes de tocar o meu rosto com suas mãos. Lágrimas escorriam livremente pelo meu rosto.

— Claro que eu não serei tão gentil quanto eles foram. – Ele passava uma de suas garras lentamente pelo meu rosto, pegando algumas lágrimas que caíam. – Mas quando eu terminar, você irá querer o fim, e de qualquer forma eu já planejava o seu fim.

Se houve um momento em que eu havia desejado a morte, havia sido na tarde daquele ataque. Mas ali naquela noite, mais uma vez eu me via pedindo pelo fim. Antes eu havia tido medo de que ele iria me atacar e me matar, mas agora eu não me importaria que fosse apenas garras e sangue, antes de um fim doloroso, porque eu não queria ter que passar novamente por toda aquela agonia para então ganhar o direito de morrer.

Eu queria que pelo menos eu pudesse falar. Pudesse provocá-lo até que ele ficasse com ódio e apenas me matasse, mas eu não conseguia, a única coisa que eu conseguia fazer era chorar. Também queria desesperadamente poder fechar os olhos, para poder pelo menos não ver tudo aquilo se repetir.

— Primeiro vamos retirar esse vestido. Parece ser muito caro para que fique sujo. – Apesar do que ele estava falando, ele não parecia que iria simplesmente tirar o meu vestido já que ele levantou uma de suas mãos cheias de garras e apontou em direção ao meu peito.

Mas ele não atacou com raiva, já que rasgou a renda que ficava ao longo do meu pescoço sem me arranhar, e destruiu a parte de cima do meu vestido novamente sem tocar a minha pele. Porém eu entendi o que ele queria fazer.

A tortura seria lenta, causando cada vez mais desespero. E assim mais uma vez ele levou suas garras ao vestido, buscando uma maior abertura para lentamente retirar o resto de sanidade que eu ainda tinha.

Notas finais
O que acharam?? Dependendo podemos ter mais um capítulo hoje *0*