Força e Vida - Tomione

61 Capítulo 61 - Em segurança


Notas iniciais
Não aguentei a tortura! Aaaaaaa

— Eu receio que ela prefira ficar com o vestido, Greyback.

Em um segundo as garras estavam quase cravadas no meu peito, no outro o lobo estava virado na direção da porta, me dando espaço para ver o Tom ali parado. Ele parecia tranquilo, com as mãos no bolso e a postura relaxada, mas os seus olhos não estavam da cor que eu sempre gostei, estavam com um contorno vermelho intenso.

— Ela não é quem diz ser, milorde. – Disse o lobo tentando achar uma desculpa para continuar o que estava fazendo.

— Eu sei, Fenrir. Eu sou provavelmente a pessoa que mais a conhece dentro do salão. – O moreno falava calmamente. – Na verdade, acho que perco apenas para o Draco. – Disse ele pensativo.

— Ela é nossa inimiga, senhor. – Ele tentava esconder o tom de afronta, mas pelo olhar frio que Tom deu a ele, aquela discussão já estava perdida.

— Não. Não é. – Disse ele firme sem ainda ter dado um passo sequer. – Aqui fora já está ficando frio para ela. – Agora o moreno andava calmamente em nossa direção. – Então acho que nós vamos entrar. – Tom tirou o seu paletó, colocando-o em meus ombros, e com um gesto de varinha rápido e silencioso tirou a azaração que estava me prendendo.

Assim que pude me mexer novamente soltei o colar e coloquei o paletó quente do moreno me encolhendo dentro dele e cruzando os meus braços para esconder as partes destruídas do vestido. Eu tremia de frio, de medo, de desespero, mas estava me segurando ao máximo para não soluçar, chorando em silêncio e com a cabeça baixa.

— Acho que já está ficando tarde, Fenrir. Talvez seja melhor você ir embora. – Aquilo não era apenas uma forma indelicada de mandar um convidado embora, já que os olhos do Tom continuavam avermelhados, mesmo ele mantendo uma conversa baixa e agora mais séria.

O lobo concordou com a cabeça, mesmo que não parecesse nem de longe concordar com a ideia, e saiu pelas escadas em direção ao jardim e depois ao portão, aparatando assim que os portões se fecharam. Ao vê-lo sumir no ar, senti as minhas pernas começarem a tremer ainda mais.

Por um momento achei que ia desmaiar e cair diretamente no chão, mas no segundo em que as minhas pernas começaram a falhar, Tom já estava com os braços ao meu redor, me puxando para o seu peito em um abraço apertado.

Eu não queria distância, eu não queria resistir, apenas me deixei ser puxada e me acomodei em seus braços, com o meu rosto escondido no seu pescoço, e me permiti chorar de verdade. Eu queria que com aquelas lágrimas todo o desespero e o medo dos últimos minutos fossem embora, mas a cada soluço, eu percebia que aquilo não iria embora, mas que eu começava a me sentir um pouco melhor e mais segura, por estar chorando ali com ele.

— Calma. – Disse ele suavemente. – Eu estou aqui.

E mais uma vez eu estava naquele dia na sala precisa, quando o moreno descobriu tudo o que havia me acontecido. Como daquela vez, eu não precisava de mais palavras, já que aquelas já me consolavam e já me bastavam. Era a verdade, ele estava ali e havia me salvado. Eu estava segura ali com ele.

— Ele não arranhou a sua pele, não é? – Tom perguntou depois de um tempo em que eu havia parado de soluçar. Eu não havia sentido dor e nem queimação, então apenas neguei com a cabeça ainda no mesmo lugar. – Ótimo, melhor para ele. Apesar de que eu duvido que ele vá sobreviver por muito tempo. – O moreno estava profundamente irritado.

Sem pensar no que estava fazendo, e tentando acalmá-lo, beijei o seu pescoço suavemente. Ele não poderia ser visto nesse estado, todos perguntariam o que havia acontecido, assim como eu também não poderia entrar no salão com o vestido daquela forma.

— Até poderíamos arrumar o seu vestido e voltar lá para dentro, mas eu não estou mais em clima de festa. – Se eu não soubesse o quão boa oclumente era, diria que ele havia lido a minha mente, mas no fim das contas, nós sempre pensávamos da mesma forma. – Se importa se aparatarmos no meu quarto? – Mais uma vez apenas neguei com a cabeça, me agarrando ainda mais a ele quando veio a estranha sensação de aparatar.

Assim que chegamos ao quarto, Tom delicadamente me deitou em sua cama, e com o mesmo cuidado que me colocou ali, tirou os meus sapatos os colocando silenciosamente no chão. Seus movimentos eram lentos e cautelosos, como se ele pudesse me assustar caso fizesse algum movimento brusco.

Vendo-o ali, tão próximo e tão atencioso, era impossível não me lembrar do jovem Tom Riddle pelo qual eu havia me apaixonado. Tornava-se ainda mais difícil aguentar a saudades quando ele estava aparentando ter trinta anos.

Nunca saberei se foi a sensação de estar em segurança, ou a familiaridade com as coisas do moreno, ou então a falta esmagadora que eu sentia dele todas as horas, e que aumentava muito em momentos de proximidade, mas de repente eu estava chorando novamente.

Não era um choro desesperado que buscava alívio, como o anterior, mas um choro silencioso e contínuo, que não parecia que iria acabar logo, porque eu nem bem sabia o motivo para tentar controlá-lo.

De repente o teto me pareceu muito mais interessante do que o moreno que estava sentado aos pés da cama olhando para o chão. E também continuou mais interessante quando ele se levantou, porém desisti de não olhar para ele quando o ouvi conjurando um patrono.

— Fenrir tentou machucá-la, mas ela está em segurança comigo. – Foi a única coisa que consegui ouvir de tudo que ele havia falado, já que estava mais interessada no magnífico Basilisco de luz.

— Sua mãe pediu para que eu a mantivesse informada caso acontecesse alguma coisa com você enquanto ela está fora. – Me senti empalidecer só de imaginar o que ela faria com essa informação.

— Da última vez que ela recebeu uma notícia como essa ninguém sobreviveu para contar a história. – Me encolhi com o arrepio que senti ao me lembrar de que o Tom estava comigo quando eu soube que a Bela havia se vingado dos meus agressores.

— Não acredito que ela tenha uma postura muito diferente dessa vez. – O moreno tinha um leve sorriso de canto estampado no rosto. – E particularmente, não costumo me opor à violência nesses casos. – Seu sorriso estava se tornando levemente perverso.

— Mas dessa vez não são três idiotas, Greyback é perigoso. – Falei baixo, mais para mim mesma, porém me arrependi assim que coloquei aquelas palavras para fora.

Tom já parecia saber quem eu era, eu não precisava dar espaço para ele me atacar ou fazer perguntas. E eu tive ainda mais certeza disso quando ele não falou nada e ficou apenas me encarando por longos minutos, como se pudesse tirar toda a verdade de mim sem ao menos dizer uma palavra.

— Ele é perigoso, mas você está segura aqui. Meu quarto é fortemente protegido, atualmente apenas eu, você e a Nagini temos permissão de entrar. – Disse ele depois de desistir de me perguntar sobre o que eu havia dito anteriormente.

— Nagini? – Perguntei. Era um nome estranho para uma pessoa.

— Uma velha amiga. – Disse ele misterioso, sem entrar em maiores detalhes. Por alguns minutos me permiti ficar com os olhos baixos e vidrados, tentando não sentir ciúmes de quem quer que, ou o que, fosse.

— Temo que ele ataque a minha mãe, ou ao Draco. – Arfei ao me lembrar do loiro, que a essa altura já teria percebido o meu sumiço. – Ele ficará preocupado comigo. – Me levantei rapidamente da cama com a intenção de descer atrás do loiro, porém senti tudo girar ao levantar com tanta velocidade.

— Eu posso avisá-lo. – Gentilmente ele apertou os meus ombros para que eu voltasse a me sentar. – Enquanto isso descanse. – Ele tentava não demonstrar, mas parecia incomodado e levemente irritado com isso.

— Obrigada. – Disse segurando a manga da camisa dele, antes que ele saísse de perto. – Por tudo que fez até agora e por avisar ao meu irmão. – Dei ênfase a palavra irmão, como se a irritação dele pudesse ser devido a ciúmes. Era um pensamento bobo, mas Draco realmente era meu irmão.

Mesmo que parecesse bobo da minha parte, Tom pareceu relaxar e sorrir minimamente quando eu disse tudo isso a ele.

— De nada. Nunca me importo de cuidar de você, senhorita Black. – Disse ele.

Quando Tom saiu do quarto, reparei que ele nunca havia dito o meu nome falso. Desde que eu cheguei a mansão em nenhum momento ele havia me chamado pelo nome, da mesma forma que eu também não havia lhe chamado pelo nome.

Talvez eu teria continuado pensando sobre o assunto, se não tivesse ouvido um barulho no closet do moreno. Não era um bom momento para eu ouvir barulhos estranhos em lugares que estavam escuros. As experiências da noite não me deixavam corajosa, mas sim faziam com que eu me apoiasse na cabeceira da cama e ficasse em uma posição encolhida encarando a porta do closet.

— Eu não vou te machucar. – Não era uma voz que eu conhecesse, apesar de soar familiar.

Só entendi porque eu considerava a voz familiar quando olhei para o chão e notei uma grande cobra se movimentando para o centro do quarto. Eu não a conhecia, mas o que me era familiar era o sibilo, característica única da linguagem das cobras.

— Você é a Nagini. – Não era uma pergunta. Decidi que ficar em silêncio não era uma boa opção, já que a cobra me encarava demonstrando que eu conseguia entende-la. Talvez esses animais pudessem sentir esse tipo de coisa.

— Em pele e sangue. – Brincou a cobra. O que me fez sorrir, obviamente Tom seria uma das únicas pessoas que eu conheço que teria uma cobra com senso de humor.