Força e Vida - Tomione

49 Capítulo 49 - Dia após dia


Notas iniciais
Bom dia, gente bonita! Obrigada pelos comentários, não sabem o quanto fico feliz quando percebo que alguém passou pelos comentários e mostrou que se importa! *-* Voltamos agora com a Hermione :3

O tempo estava passando rapidamente em Hogwarts, já que já estávamos no final de outubro.

A escola parecia ter mudado bastante em apenas um ano. Sendo as mudanças não causadas pela nossa interferência no tempo, mas sim pela nossa falta. Harry e Rony haviam apenas entrado em uma confusão com a Umbridge, o que era praticamente um recorde, já que todo ano havíamos passado por algo bem pior do que um simples ataque de gigante e de centauros. O que até fez com que eu me sentisse causadora dos ataques, já que eu não procurava confusão, mas dava o conhecimento para que eles a encontrassem.

Harry namorava Gina agora, e a ruiva era a única entre todos os alunos que sabia quem eu realmente era, já que assim que fui apresentada no salão principal, ela foi a única a não acreditar na história contada pelo professor Dumbledore, porém ela não contou a mais ninguém, entendendo o quanto isso poderia ser perigoso. Ela não sabia onde eu havia estado nos meses anteriores, mas entendia que eu precisava ser protegida, agora que havia descoberto ser filha de quem eu era e estava de volta para ficar.

A ruiva havia me atualizado de tudo que havia acontecido e também me contava tudo que estava acontecendo atualmente. Harry havia recebido uma memória falsa de que Sirius estava sendo torturado no ministério da magia, porém Gina havia conseguido convencê-lo a não ir até lá, mas sim contar tudo ao Dumbledore, que mandou aurores e descobriu a mentira. No fim do ano, ele havia recebido a permissão do diretor para retirar sua profecia do departamento de mistérios, e ela agora se encontrava segura em algum lugar de Hogwarts.

Todos estavam preocupados com o meu sumiço, mas Gina também havia conseguido convencê-los de que estava tudo bem, já que havia me pedido para escrever uma carta para tranquilizá-los. Eu poderia ser o cérebro racional da equipe, podia saber feitiços e também como fazer poções, mas Gina havia conseguido o impossível ao manter todos longe do perigo, ela era simplesmente brilhante.

— Vamos almoçar? – Disse Draco olhando para o meu olhar perdido. Estávamos no salão comunal da Sonserina, sentados em um dos sofás.

Eu havia me acostumado rapidamente a essa Sonserina, já que ela era realmente muito parecida com a anterior com o salão comunal quase igual, e os amigos do Draco haviam me recebido, incrivelmente, de braços abertos.

O loiro havia se afastado de Crabbe e Goyle, após os dois terem o chamado para conversar na noite em que voltamos para Hogwarts. Por alguns dias eles haviam olhado de forma estranha para ele, porém agora simplesmente ficavam longe.

Blásio Zabini era um amigo próximo, e também dividia o dormitório com o Draco, era uma boa companhia, além de ser engraçado e extrovertido. Eu não me lembrava dele antes, mesmo que era do nosso ano, mas logo nos entendemos facilmente.

Já a Pansy, havia sido a maior surpresa na minha nova casa, a menina que parecia metida e intragável, havia se mostrado uma ótima colega de quarto e até mesmo uma boa amiga para todas as horas, com um humor ácido, porém até mesmo querida. Como Draco já havia me dito uma vez, as cobras cuidavam umas das outras, e isso era fato em qualquer geração, porém eu suspeitava que ela também havia mudado bastante no tempo em que ficamos fora.

— Vamos, antes que você morra de fome. – Pansy riu ao meu lado, já que ainda faltavam quinze minutos para o início do almoço e Draco havia sido um dos últimos a tomar café.

O caminho para o salão principal foi silencioso, pelo menos pelo que diz respeito a mim, já que Pansy foi conversando animada com Draco, sem que eu soubesse ao menos qual era o assunto, e eu apenas sorria quando percebia que eles estavam rindo e de resto olhava para os corredores ao nosso redor.

Ao chegar ao salão principal, continuei em silêncio aproveitando para comer, já que esse estava sendo um dos raros momentos em que a minha mente também havia se esvaziado. Saboreei a comida do meu prato com calma, olhando para a conversa dos meus amigos, e tentando fingir que prestava atenção, mas não me esforçando muito.

Desde que havíamos voltado para Hogwarts, esse era um dos poucos momentos em que minha mente se encontrava tão tranquila. Normalmente eu estava estudando e mantendo a minha mente ocupada, e quando não estava dessa forma estava pensando nele ou por fim, dormindo.

Era impossível esquecer tudo o que havia acontecido. Principalmente quando eu frequentava os mesmos lugares do passado, só que agora com histórias diferentes. Mesmo que Hogwarts tivesse mudado um pouco em todos esses anos, ela ainda parecia praticamente a mesma.

Nos primeiros dias, quando voltamos da viagem, a dor da saudade havia sido praticamente impossível de suportar. Por vezes minha vontade havia sido a de pegar o vira-tempo, e voltar, mesmo que fosse para vê-lo de longe apenas mais uma vez.

Não era como se eu não o visse todos os dias em meus sonhos, já que eu nunca mais havia tido meus pesadelos, mesmo quando estava nervosa. Na verdade, quanto mais nervosa eu ficava, ou ansiosa, mais os sonhos com ele eram nítidos e longos.

Quando voltamos para as aulas, não deixei que ninguém percebesse, mas senti a mesma dor do primeiro dia que voltamos, foi o mesmo sentimento como se não se tivessem passado três meses. Meses que não fizeram nem cócegas no meu peito dilacerado. Nada fazia aquela dor passar, nem saber que eu havia feito o certo, já que a Murta havia sobrevivido, e Hagrid ainda tinha a sua varinha, e era professor de Trato das Criaturas Mágicas.

Na noite em que chegamos ao castelo, fugi do salão comunal da Sonserina e fui para a câmara. Assim que o Grün me viu entrando com dificuldade, deslizou até mim preocupado, como se pudesse me abraçar, ou tirar aquela dor com alguma magia.

Mas não havia feitiço ou poção que pudesse ter me ajudado naquela noite. Eu não podia esquecer e a dor não era a de um machucado físico. Era uma dor que precisava ser sentida e chorada. E durante várias noites eu fiz a mesma coisa, fui à câmara, chorei até dormir e então acordei cedo, voltando para o dormitório e me maquiando para esconder as olheiras.

Depois de duas semanas, tudo mudou. Naquela noite eu fui para a câmara como sempre, mas eu não chorei, apenas dei um mergulho com o Grün e caí no sono antes que as lágrimas começassem a cair, sendo vencida pelo cansaço. O sonho havia sido diferente de todos os outros dias, dessa vez eu não havia visto flashes do nosso passado juntos ou do futuro que a minha mente havia criado.

Meu coração desesperado havia criado um sonho diferente. Tom não estava mais nos tempos de Hogwarts, continuava bonito como sempre, mas estava mais velho, aparentando talvez uns trinta anos. Parecia extremamente irritado, de uma forma que eu talvez nunca o havia visto. Algo muito errado devia ter acontecido, e mesmo dormindo, senti pena de quem era o culpado por tamanho mau humor, porque com certeza a pessoa seria seriamente punida.

— Milorde, como pedido, todos estão presentes. – No final do corredor, na direção para onde Tom estava indo, estava a minha mãe de cabeça baixa.

— Excelente, Belatriz. – Porém seu rosto não havia mudado em nada, pelo contrário, parecia ainda mais perigoso.

Bela não havia dito nada além disso, apenas assentiu e girou nos calcanhares para abrir a porta quando o lorde se aproximou. Porém assim que ela se virou a expressão dele mudou totalmente como se ele estivesse sofrendo, então de olhos fechados ele respirou fundo.

— Que saudades, Hermione. – Disse ele antes de abrir os olhos ainda um pouco assustado, e rapidamente voltar para a sua pose anterior, sem muitas mudanças.

E então ele voltou a andar, como se nada tivesse acontecido já que a minha mãe não o ouviu, e assim que os dois passaram pelas portas, e a Bela as fechou, eu acordei.

Mostrei para o Grün o sonho, e ele, como eu, teve um pressentimento de que aquilo não era apenas um sonho. Por carta também contei a minha mãe, perguntando se algo havia mudado com o lorde das trevas, porém ela disse que ele havia ficado irritado sim, e muito ultimamente, mas que ela não havia percebido nenhuma diferença nele, em nenhum dia, mas que para ver se algo mudava, usaria meu perfume por alguns dias e me manteria informada.

Desde aquela noite, o sonho se repetia de vez em quando, e naquela manhã eu havia acordado mais forte, sabendo que mesmo doendo, eu precisava lutar para me manter de pé. Eu sabia também que em algum momento teria que lutar contra ele, já que mesmo que eu estava afastada dos meus amigos, ainda chegaria o dia em que nossos caminhos se cruzariam de lados opostos da mesma guerra.

— Amy, está tudo bem? – Draco me trouxe para a realidade, com um olhar preocupado.

— Está sim. Só acho que vou dar uma volta, até depois. – Larguei metade do meu prato sabendo que não conseguiria voltar a comer, e saí dando um último olhar para o loiro, avisando que iria para a câmara.

Mesmo tendo pressa, tentei andar o mais devagar possível para não chamar muita atenção. Ainda teríamos aulas depois do almoço, já que não era final de semana, e alguns alunos ainda não haviam sido liberados das aulas da manhã, então os corredores não estavam lotados, o que me deixou livre para andar rapidamente para os andares superiores.

Também aproveitei o banheiro vazio para entrar rapidamente na câmara, já que agora ele não era mais um banheiro interditado. Eu precisava tomar ainda mais cuidado para entrar ali do que antes, o que me fazia pensar em como Tom era bom nisso, já que além dele conseguir abrir a câmara com o banheiro livre, ainda ele era um menino no banheiro feminino.

— Olá, Grün. – Cumprimentei assim que fechei a porta da câmara.

— Olá, Amy. – Era engraçado achar senso de humor no tom de sibilo de uma cobra, mas como Draco, Grün achava divertida a piada interna do meu novo nome. – Não que eu não goste de vê-la, mas você não deveria estar no almoço, e depois ir para aula? – Apenas olhei para ele, deixando à vista o que eu não conseguia entender para falar.

— Dessa vez, nem eu entendo. – Disse Grün, respondendo aos meus pensamentos. Eu apenas sabia que precisava sair do salão principal e que não queria estar em mais nenhum lugar. – É incrível como os seus pensamentos estão como sempre, mas os seus olhos estão tão diferentes. Ainda não me acostumei acho. – Disse ele mudando de assunto, sabendo que o anterior estava bem delicado.

— Nem eu me acostumei. O cabelo foi mais fácil, mas não sei se algum dia me acostumarei totalmente aos olhos. – Às vezes me encarava no espelho e acabava me perdendo em meus próprios olhos.

— Mas combinam com você. – Grün sabia como ninguém o quanto havia me feito bem me parecer com a minha família.

Mesmo que meus pais fossem quem eram, e estivessem na situação que estavam, saber que eles estavam vivos preenchia uma solidão que havia se instalado com a morte dos meus pais adotivos. Fora que apesar de eu não falar com o meu pai, além daquele encontro bizarro na estação, eu tinha a minha mãe por perto, e era bom saber que era parecida com ela.

— Eu também achei, fora que eu até gostei. – Sorri indo para a mesa que havia ali.

— Chegaram duas cartas hoje. – Minhas correspondências não iam para o salão principal, já que não podia acontecer de alguém por engano ver cartas da minha mãe, e também não iam mais para a sala precisa, já que eu não era mais da Grifinória, e seria suspeito eu andar pelos corredores próximos à torre.

Me sentei calmamente, sabendo que de qualquer forma eu não iria para as aulas da tarde. Mas assim que vi de quem era a segunda carta, senti um frio se instalar permanentemente na minha espinha.

— Está tudo bem? – Grün saiu do tanque e se aproximou rapidamente, quando percebeu o meu olhar petrificado.

— Não. E estou com um péssimo pressentimento. – Deixar a carta fechada não traria um melhor agouro, então lentamente abri o selo com o brasão dos Malfoy.