Força e Vida - Tomione

41 Capítulo 41 - Uma bela tarde


Notas iniciais
Bom dia, galera! Muito obrigada pelos comentários queridos em um capítulo tão pesado quanto o último. Agora estou trazendo mais um capítulo, fofo e curto, basicamente a última paz antes do caos haha

Nós íamos bem. Mais do que bem, na verdade.

Depois daquela tarde na sala precisa, tarde que terminou apenas na manhã seguinte, quando saímos depois de um banho e de uma noite de sono quase totalmente tranquila. Havíamos ido calmamente para o salão comunal, já que era sábado, e aproveitado o final de semana perto dos nossos amigos, mas também como um casal meio grudento.

Éramos um dos casais mais comentados de Hogwarts, apesar de não sermos vistos nos agarrando nos corredores, apenas andando de mãos dadas em todos os momentos. Quase nunca estávamos longe um do outro, já que fazíamos praticamente todas as aulas juntos e tínhamos o mesmo grupo de amigos.

Havíamos repetido a dose daquela longa tarde mais algumas vezes, sempre na sala precisa, já que ele dividia o quarto com o Draco e o Abraxas, que nunca deixariam o quarto apenas para nós, e eu com a Dorea e a Cedrella que mesmo namorando grifinórios, nunca passavam a noite longe do salão comunal da Sonserina. Em todos os momentos que estávamos juntos daquela forma, ele havia demonstrado que me amava, mesmo que nós nunca havíamos falado essas palavras um para o outro em voz alta. Mesmo quando ele era possessivo, ele conseguia mostrar que gostava de mim.

Eu havia voltado às aulas normalmente, sem nenhum professor comentar nada. Eu desconfiava que um dos rapazes havia dado alguma desculpa pelo meu sumiço, e a desculpa devia ter sido boa, já que não havia nem ao menos um olhar diferente direcionado a mim.

Tudo estava em uma rotina comum, e hoje mais uma vez nós teríamos um tempo só nosso, já que ia ter treino de quadribol, e o Draco ia participar junto com os outros, já que o apanhador havia se machucado e ele sabia jogar, e as meninas iriam estar na biblioteca, com a desculpa de que os namorados delas precisavam de ajuda em Transfiguração.

Não que eu ou o Tom nos importássemos de ficarmos sozinhos, definitivamente não nos importávamos. Já que muitas vezes para termos algum tempo, precisávamos fugir discretamente dos outros e nos escondermos em um armário de vassouras qualquer.

Enquanto as meninas almoçaram correndo e saíram quase voando para a biblioteca, Draco e os rapazes foram um pouco mais lentos, porém logo eu e o moreno já estávamos passeando pelos jardins.

Depois de andar um pouco, sorrindo bobamente um para o outro, e aproveitando o tempo limpo, claro e quente de hoje, decidimos nos sentar embaixo de uma árvore próxima ao lago. Assim que me sentei, aconchegantemente dentro dos braços do Tom, reconheci o lugar onde estávamos, era a mesma árvore embaixo da qual eu havia adormecido com o moreno na época do natal.

Parecia que o natal havia sido há tanto tempo, já que tantas coisas haviam acontecido desde então. Estando ali, agora, o lugar até parecia diferente, parecia ainda mais bonito. Talvez fosse o fato de que eu amava o Tom agora, e não apenas gostava e tentava lutar contra o sentimento, e que confiava nele. Ele havia cuidado de mim em um momento tão difícil, tão delicado, mesmo sabendo do segredo que eu tanto tentava guardar, ele ainda estava aqui ao meu lado, me abraçando e fazendo carinho nos meus braços.

— O que foi? – Perguntou ele quando eu suspirei.

— Eu estou feliz. – Falei baixinho olhando para o lago. – De uma forma que eu achei que não poderia voltar a ser. – Suspirei novamente.

Nunca pensei que eu poderia voltar a me sentir tão bem depois do que aconteceu, muito menos que iria ser Tom Riddle um dos motivos da minha melhora, e que também Draco Malfoy estaria envolvido nisso. Minha vida havia mudado tanto, e tão rápido, mas eu havia me acostumado tão bem, que eu não acreditava que algo poderia ter sido diferente antes. Não conseguia mais deixar de ver o Draco como meu irmão, e não conseguia mais negar o que sentia pelo Tom, só não tinha coragem de colocar aquilo em voz alta, talvez por medo da reação dele, ou por medo de que algo desse errado se eu falasse.

— Eu gosto de te ver assim. – Tom sussurrou, me tirando do meu devaneio. Olhei para ele tentando entender o que ele queria dizer. – Gosto de te ver bem. Sorrindo, conversando, rindo. – O moreno me olhava de uma forma doce. – Quando você chegou aqui, parecia tão distante, e mesmo que tentasse disfarçar, tão triste. Eu fico feliz de te ver tão diferente. – Ele delicadamente fez um carinho no meu rosto com as costas da mão, sorrindo para mim. – E sabe, me sinto bem em saber que faço parte disso. – Tom estava coçando a nuca e olhando para baixo, com um leve tom de vermelho nas bochechas.

— Eu gosto muito de que você tenha feito parte disso. – Sorri passando minha mão pela sua bochecha. Eu o achava ainda mais adorável quando ele ficava envergonhado, talvez por ser um momento tão raro.

Beijá-lo era sempre bom, ainda mais nos momentos em que estávamos assim, conversando calmamente, porque nessas horas os beijos eram calmos, carinhosos e demorados. Eram mais uma prova do que sentíamos um pelo outro. Depois de ficarmos assim por alguns minutos, Tom interrompeu o beijo, dando selinhos no meu pescoço antes de falar.

— Eu sei onde isso vai parar, se eu deixar você continuar. – Não havia notado que estava sentada no seu colo com as pernas ao redor da sua cintura. Não havia percebido o quanto havíamos nos aproximado. – E apesar de eu gostar disso, e muito, sinceramente acho que não conseguiríamos chegar até a sala precisa, então melhor pararmos por aqui. – Foi a minha vez de sentir a vermelhidão invadir o meu rosto. O moreno estava sendo tão sincero e direto ao ponto, que era impossível não corar.

Sentindo o meu rosto queimar, o escondi no ombro do Tom, o meu esconderijo favorito.

— Você poderia ser um pouco menos direto, eu estava apenas te beijando inocentemente. Você tem esse efeito sobre mim, eu nunca percebo o quanto me aproximei até estarmos assim. – Meus olhos estavam fechados, para que eu pudesse me concentrar no que falar, e em como diminuir a minha cor.

— Eu até poderia, mas não o faria. Gosto de ver como você fica envergonhada sobre isso. – Suspirei, sabendo que nessa parte seria sempre derrotada, já que nunca seria um assunto casual para mim. – Mesmo que já tenhamos feito tantas vezes. – Prendi a respiração, não acreditando que ele realmente havia dito aquilo. Mas olhando para o seu rosto, onde havia um sorriso levemente malicioso, sabia que ele realmente havia dito.

— Ok. Eu vou entrar. Talvez ler um livro. – Disse começando a me levantar devagar.

— Não vá. Eu estava apenas brincando. – Tom estava com uma carinha de cãozinho que caiu da mudança, com direito até ao beicinho de choro. Acabei rindo e me sentando novamente no seu colo, eu não iria embora de qualquer maneira, mas queria saber o que ele faria se eu dissesse que ia.

— Eu sei. Eu também não ia entrar, só queria te distrair. – Sorri dando um selinho nos seus lábios, o impedindo de protestar ao reclamar de ter sido enganado.

Toque ainda não era natural, como já foi um dia, na verdade, eu acho que nunca voltaria a ser. Quando eu esbarrava com alguém no corredor o meu coração ainda acelerava, mesmo que eu tentasse me manter indiferente.

Apenas o toque do Tom, do Draco, e até mesmo do Abraxas, era algo com que eu conseguia lidar naturalmente, e sem me desesperar. Eu os abraçava, e recebia abraços tranquilamente, assim como de qualquer menina.

Em todos os momentos em que eu havia estado com o moreno, ou o beijando ou na sala precisa, eu nunca havia me lembrado do que havia acontecido. Seja em um toque, ou em um beijo, nada nele me fazia lembrar daquele dia. Até mesmo minhas lembranças sobre aquele dia pareciam estar diminuindo.

Eu só ainda não sabia que isso não era totalmente verdade.

Notas finais
Comigo não é só amor, mas muita e muita confusão.