Notas iniciais
Boa tarde, gente bonita! Hoje é um dia bem especial e eu estou bem feliz com isso porque com tudo que eu tenho planejado para a fic, chegamos agora na metade dela. Também é especial porque ontem eu estava bem desanimada, mas recebi comentários muito queridos aqui e no outro site que posto a fic, e um em especial me fez muito bem. Obrigada Isabella Petrova Malfoy Riddle por ter sido tão meiga e ter me dado forças para continuar! ♥

Dor. Isso eu sentia. Com uma frequência e intensidade desconhecidas para mim até pouco tempo atrás. Depois do momento anestésico e assustador, quando o choque passou, veio o choro, muito choro. Achei que em algum momento as lágrimas acabariam, porém parecia que não seria agora, como não foi nos últimos dias.

Sentia vergonha, bem lá no fundo, junto com a fome, a sede, a vontade de me levantar e de viver, ou falar. Não queria que o Draco soubesse daquilo, de forma nenhuma, porém quando ele veio até mim, em seus olhos eu vi que ele sabia, e percebi que mesmo que me doesse, eu queria que ele visse aquilo, não para machucá-lo, longe disso, mas porque eu confiava plenamente nele, e parecia que ao ter mostrado aquilo, um pouco daquela viva memória havia saído da minha mente.

Eu chorava ainda mais sabendo que o Draco também estava chorando e sofrendo, me sentia egoísta por não ter pensado no quanto poderia o ter traumatizado com aquelas imagens.

Dessa vez a dor estava muito mais difícil de aguentar, já que dessa vez eu não queria me cortar, não tinha um motivo, apenas não queria. Então não havia uma válvula de escape, nem algo que fizesse com que eu voltasse ao normal, na verdade, não tinha ideia do que havia me dado forças para voltar à realidade da última vez.

Com um passo de cada vez, havia decidido que iria falar com o Draco, pedir desculpas por ter lhe mostrado aquilo, e tentar devagar voltar a parecer com alguém que estava vivo. Ia colocar meu plano em prática, quando ouvi a porta da sala precisa se abrir novamente.

Meu irmão vinha me fazer companhia após cada refeição, tentando também fazer com que eu comesse, e só ia embora perto da próxima aula, mesmo que eu não falasse nada, apenas apertasse sua mão e chorasse, e mesmo que eu só aceitasse beber água em algumas das refeições e não aceitasse nada em outras.

Esperei para que ele se aproximasse da cama, como sempre fazia, para então falar. Não tinha certeza de que poderia levantar, estava sem nenhum alimento no organismo há dias, então provavelmente estava bem fraca.

— Eu já havia te visto triste, bela donzela, mas me sinto angustiado por vê-la tão chateada. – Aquela voz não era do Draco, e prestando bem atenção, sabia que não estava nem em uma língua humana.

Tudo se traduzia fluidamente e rapidamente na minha cabeça, mas eu sabia que aquilo era língua de cobra, e que apenas uma pessoa em Hogwarts, fora eu, poderia falar naquele idioma.

Senti o meu sangue gelar, ao concluir que era do Tom a sombra segurando as portas abertas. Em seguida ele fechou a sala, entrando sozinho, o que me deixou ainda mais assustada. Eu não sentia medo dele, nem lembrava direito do porquê de ter parado de falar com ele naquele momento, mas eu sentia medo do porquê de ele estar ali.

Me sentia congelada e desesperada, só de pensar que o Draco poderia ter falado com ele. Estava desesperada para vê-lo, e ao mesmo tempo queria que esse momento não chegasse nunca, e se ele não se aproximasse continuaria assim, já que eu tinha medo de fazer movimentos bruscos com a cabeça.

Tinha esperanças de que ele não soubesse de nada, e que apenas tivesse me achado ali por acaso, porém senti as minhas esperanças sendo drenadas, e lágrimas quentes e novas rolarem pelo meu rosto, quando vi que ele estava parado ao meu lado, com uma postura firme, como sempre, porém chorando silenciosamente.

Meu medo sempre era de ver pena nos olhos das pessoas, não havia visto nos olhos do Draco, havia dor e carinho lá, e surpreendentemente não havia pena nos olhos do Tom, havia muita dor, e muito carinho, em um olhar tão doce que eu nunca havia visto nele antes.

Eu poderia ficar tonta ao levantar, mas não me importei com isso, nem com o meu medo e dor vindos do toque, quando me levantei rapidamente e me joguei nos braços do moreno, abraçando o seu pescoço e soluçando profundamente, como não havia feito nos últimos dias.

— Calma. – Disse Tom me apertando forte em um abraço depois de alguns segundos. Ele sussurrava delicadamente. – Eu estou aqui. – Parecia ser uma simples frase de consolo, daquelas que dizemos a qualquer um, porém eu sentia confiança ali, eu me sentia segura. Chorei ainda mais, o apertando com mais força e escondendo o meu rosto na curva do seu pescoço.

Devagar, depois de algum tempo, Tom nos conduziu para a cama. Ele desgrudou os meus braços do seu pescoço, me deitou na cama, e sentou ao meu lado, me puxando para deitar no seu peito. Depois de tanto chorar, e finalmente sentindo que o meu estoque de lágrimas havia acabado, afrouxei um pouco o aperto que eu havia dado a camisa dele, e suspirei sentindo o seu cheiro calmante.

Voltando a temer a tontura, devagar levantei a minha cabeça, ainda no peito dele, em direção ao seu rosto. As marcas das lágrimas ainda estavam lá, e ele estava olhando para o nada, antes de perceber o meu olhar e o sustentar, sorrindo fracamente.

— Desculpe. – Disse rouca e fraca, depois de tantos dias sem falar.

— Por que está me pedindo desculpas? – Tom perguntou baixo e em uma voz leve.

— Eu não queria que ninguém soubesse. – Funguei, me sentindo nervosa. – Nunca quis que alguém precisasse lidar com isso. Machuquei a minha mãe, o Draco e agora você com algo que não é problema de vocês. – Sentia a ameaça de mais choro, então respirei fundo e fechei os meus olhos.

— Não precisa se desculpar, Hermione. – Tom fazia um leve carinho no meu rosto, com as costas da mão. – Nós queremos você nas nossas vidas por completo. Eu sempre soube que havia algo errado, assim como o Draco, e apesar de não ser algo fácil de lidar, queremos estar aqui para você nisso também. – Abri os meus olhos, surpresa com o quanto suas palavras estavam carregadas com verdade.

— E-eu não quero traumatizá-los. – Senti lágrimas caírem, as quais foram amparadas pelo moreno.

— Não nos está traumatizando. O que é difícil para o Draco lidar, e para mim também, é vê-la tão partida e chateada. – Novamente sua mão fazia um leve carinho no meu rosto, e mais uma vez os seus olhos estavam suaves e convidativos. – E mesmo com as suas memórias, Draco está apenas assustado, ele ficará bem. – O carinho estava agora mais seguro e constante. – Queria pedir que me mostrasse, mas sei que iria te machucar, então ele me mostrou. – Tom não precisava ser mais especifico, Draco havia mostrado minhas lembranças para ele, o que me dizia o quanto o moreno era forte, já que mesmo tendo chorado, ele agora se mantinha firme.

Levantei lentamente e me sentei no seu colo, com um pouco de medo que fosse pesada demais para ele, mas me aconchegando e suspirando com o abraço que ele me deu em seguida. Tom podia ser um monstro, poderia torturar pessoas sem dó, mas eu não conseguia deixar de gostar dele quando eu o havia feito chorar e ele estava ali, me confortando e consolando, quando poderia estar vivendo sua vida, já que eu o havia ignorado por duas semanas, e simplesmente sumido depois disso.

— Você precisa comer alguma coisa, Hermione. – Depois de um longo tempo, o moreno quebrou o silêncio.

— Eu não sinto fome, Tom. – Queria que o meu tom de voz fosse comum, mas estava um pouco manhoso, talvez pelo fato de que eu não queria mover um músculo, para absolutamente coisa alguma.

— Mesmo assim, você está há dias sem se alimentar, não pode ficar assim. – Tom parecia autoritário, mas seu tom era gentil, mostrando que ele estava apenas preocupado.

— Eu não quero sair da onde estou. – Criei coragem para dizer, já que não olhava para os seus olhos. Me senti corar.

— Eu também não quero que você saia, mas eu vou passar o tempo que você quiser te fazendo companhia, e é só desejar que a comida vai aparecer aqui, então sem desculpas, mocinha. – Mesmo ainda estando um pouco corada, sorri feliz por ele ter me abraçado ainda mais apertado, e por ele parecer melhor agora, assim como eu.

Ainda não olhando para ele, desejei um misto quente e um suco de abóbora, eu queria um refrigerante, mas um misto quente já era pedir demais para os elfos, mesmo que pouco tempo depois já havia uma bandeja na minha frente. Os lanches haviam sido feitos em pão branco sem casca, e eram com peito de peru e não presunto, os elfos me conheciam tão bem.

Ri um pouco animada, vendo que estava começando a sentir fome, então pulei do colo do Tom e sentei ao seu lado, puxando a bandeja comigo.

— Não estava com fome e me trocou por uma bandeja de comida, me senti muito bem agora. – O moreno tentava parecer magoado, mas estava rindo da minha atitude de criança que havia ganhado um presente de natal.

— Desculpe. – Disse dando uma pausa nas mordidas para poder respondê-lo. – Você almoçou antes de vir? – Ele havia vindo depois do horário do almoço, mas provavelmente havia ficado um tempo conversando com o Draco.

— Não. Eu chamei o Draco para conversar enquanto os outros iam para o salão principal. – Me senti confusa, havia pensado que o Draco havia procurado o Tom, e não o contrário. – Eu me preocupei com você, Hermione. Desde o momento em que o Draco te puxou daquela sala, mas não vim antes, porque eu me sentia confuso, e não sabia como você ia reagir já que estávamos sem nos falar antes mesmo daquele dia. – O sonserino olhou para baixo, não deixando mais que eu olhasse para os seus olhos.

Senti o meu coração se apertar por um momento, Tom havia sentido a minha falta de verdade, e realmente havia se preocupado comigo. Sorri involuntariamente, pegando um dos lanches, os elfos eram um pouco exagerados, e entregando a ele, me sentando mais perto e acariciando seu rosto com a mão.

O moreno fechou os olhos sentindo o carinho que eu fazia, ele tinha olheiras que eu não havia percebido antes. Eu não havia notado o quanto ele parecia cansado.

— O que aconteceu? – Sussurrei ainda o acariciando. – Por que não tem dormido? – Eu não estava apenas trocando de assunto, mesmo que não pudesse contar os motivos do meu afastamento, eu realmente estava preocupada com ele.

— Tenho tido pesadelos, em todas as noites. – Ele permaneceu com os olhos fechados, apenas suspirando ao fim.

Era bom ver o Tom dessa forma, se abrindo comigo naturalmente, me mostrando que ele não tinha apenas a faceta do Voldemort, mas também a de um garoto comum. Que conseguia ser doce, inteligente, educado e protetor quando queria. Me aproximei e beijei suas pálpebras e suas têmporas.

Não iria forçá-lo a contar sobre o que eram os pesadelos, pelo menos não agora, e ainda estava com fome, então voltei a me sentar no seu lado, pegando outro lanche e começando a comer.

O moreno abriu os olhos e sorriu carinhoso, me dando um beijo na bochecha antes de também começar a comer.

Notas finais
Acho que podemos imaginar o que está por vir hihi