Força e Vida - Tomione
21 Capítulo 21 - O Beco Diagonal
Notas iniciais
✣ Tom Riddle
Eu estava muito confuso. Observava Hermione há muito tempo e sabia que o que eu sentia por ela não era amizade, nem apenas desejo. A desejei no primeiro momento em que a vi na enfermaria, e quis matá-la por ser uma trouxa, mas ao invés disso me afastei. Tentei me manter afastado o máximo possível e estava indo bem, não me aproximei quando ela passou mal em seu primeiro dia depois de sair da enfermaria, mesmo querendo ajudá-la me segurei, e também não falei com ela quando descobri que falava a minha língua. Estava bem afastado até o momento em que a vi com a expressão torturada no quarto, ela deve ter pensando que achei que era uma simples desculpa o fato de ela não ir à biblioteca, mas eu já havia notado que o Draco pegava os livros para ela. Ela nunca chegava perto da biblioteca, mas parecia amar ler. Na noite em que entreguei o livro para ela percebi que não conseguiria me manter afastado.
Eu gostava dela e descobrir que ela era bruxa que nem eu, já havia me aliviado um pouco, quando ela me contou então que era uma aluna da Durmstrang, me senti dividido. Eu sentia algo por ela, e não teria problema se eu demonstrasse, já que ela era uma sangue puro, mas ao mesmo tempo eu não podia me envolver porque amor e carinho eram iguais à dependência, e eu seria poderoso e temido, não podia depender de uma moça frágil quando estivesse conquistando meus ideais.
Fiquei na indecisão durante vários dias e mais para o final dessas férias havia tomado minha decisão. Eu iria esquecê-la em Hogwarts. Lá não a veria toda hora e com tantas garotas ia esquecer da sua existência. Só percebi o quanto havia sido ingênuo, ao pensar que poderia ignorá-la, quando acordei com suas contorções na noite passada. Ela parecia estar sendo profundamente torturada apenas com um pesadelo, não falava nada apenas gemia de dor, suava e se contorcia. Não aguentei e a acordei, tê-la nos braços foi a melhor sensação que já tive na vida, e dormir ao seu lado, mesmo nunca tendo dormido com uma garota, não desse jeito, foi reconfortante. Fazia meses que eu não conseguia dormir tão bem quanto dormi naquela noite.
Agora eu estava confuso, havia sido carinhoso com ela como nunca fui com alguém antes, e eu sabia que no que havia dito havia sido totalmente sincero.
Saí do banheiro já de banho tomado e arrumado. Hermione já estava arrumada, sentada na cama do Draco, seu perfume se espalhava pelo quarto todo, era magnífico e acho que ela não tinha noção disso. Estava com um vestido floral até os joelhos e um casaco fino combinando por cima. Depois de ontem eu sabia das suas cicatrizes, sabia o porquê de ela usar roupas compridas. Ela faria muito sucesso em Hogwarts e esse pensamento me gerava incômodo, mesmo escondendo seu corpo ela era muito bonita.
Assim que saí do banheiro, Draco chegou. Sua roupa estava toda amarrotada e ele exibia um sorriso bobo no rosto. Assim que a Hermione o viu começou a rir, seu riso era doce e tão raro, escondi meu encantamento com a cena, e comecei a rir também.
— Vocês dois são uns imbecis. – Ele tentou parecer bravo, mas hoje acho que seria impossível.
— Ninguém mandou você entrar no quarto com um sorriso como se fosse virgem. – Não conhecia esse lado da Hermione, mas gostei dele.
Rimos mais ainda.
— Eu não esperava isso de você, prima. – Draco tentava fingir que estava chocado, mas pelo jeito, no fundo estava um pouco mesmo, talvez por não ver a morena tão feliz normalmente.
— Não tente fingir que o que ela disse não é verdade. – Tentei falar sério e sarcástico, mas no fundo já estava rindo.
Hermione riu mais ainda e dessa vez Draco também caiu na risada. Continuamos rindo enquanto ele foi tomar banho e saímos do orfanato comentando o ocorrido.
Os guiei até o Caldeirão Furado e de lá para o Beco. Os dois pareciam encantados com o lugar.
— Nossas varinhas são do Olivaras, mas nunca tivemos permissão de vir até aqui. – Disse Hermione olhando para todos os lados.
— É um lugar incrível. – Foi tudo que o Draco disse.
Os conduzi até onde conseguiriam comprar seus uniformes. Quando a Hermione foi experimentar, para fazer os ajustes, sobramos apenas eu e o Draco.
— Ela parece feliz hoje, não esperava por isso. – Ele falou a última parte bem baixo.
— Por quê? – Eu não consegui conter a minha curiosidade.
— Pelo que eu ouvi falar, Hermione foi atacada em um lugar bem parecido com o Beco Diagonal. – Olhando para a minha expressão confusa ele continuou:
— Ela não era assim, fria. Era doce, forte, corajosa e destemida, fiel aos amigos. Até que algum tempo atrás ela apareceu assim. No começo na verdade nem vida ela parecia ter, agora está apenas com poucos sinais daquele tempo, seus olhos e sua voz. Suas cicatrizes foram feitas por quem a atacou pelo que ouvi dizer. – Ele parecia anos mais velho enquanto me contava isso, mesmo ele já tendo me falado algo sobre essa história, agora ele falava mais sério, provavelmente o ataque a prima o machucava muito.
— Quem teria coragem de fazer algo assim com ela? – Falei bem baixo com tons de perplexidade em minha voz. Eu já havia torturado trouxas em Hogwarts, mas jamais faria algo contra a Hermione.
— Eu não sei, meu medo é que ela não tenha sido atacada apenas com a faca. – Ele estremeceu por um momento.
Quando entendi o que ele queria dizer senti o meu sangue gelar. Será? Faria sentido o jeito com que ela se esquivava de toque. Não. Era doloroso demais pensar nisso.
— Ela teria contado, não? – Me esforcei para esconder todas as minhas emoções nesse momento.
— Acho que sim. – Ele, como eu, parecia querer se convencer disso.
Depois de vermos os uniformes e deixá-los ajustando, enquanto comprávamos o resto dos materiais, os levei a Floreios e Borrões. Hermione parecia tensa.
— Não é uma biblioteca. – Ouvi Draco falar bem baixo perto dela, antes de pegar sua mão e entrar.
Ela assentiu com seus olhos opacos vidrados, e se deixou ser puxada para dentro. Ela havia sido atacada em uma biblioteca. Isso era mais uma peça que se encaixava.
Lá dentro Hermione pareceu estar melhor. Pegou sua carta e foi atrás dos livros que precisaria com um atendente. Reparei que ela comprava mais livros do que um aluno comum, provavelmente, como eu, fazia várias matérias a mais. Parecia animada vendo os títulos e os livros em si.
— Sim, nós tínhamos livros em Durmstrang. Mas minha prima trata todos eles como se fossem o primeiro que viu na vida. – Draco também encarava a euforia dela. — É tão raro vê-la feliz, estou ficando muito tempo longe dela ultimamente, precisarei compensar isso na escola. – Draco parecia apenas falar seus pensamentos em voz alta.
— Você está gostando de alguém, Hermione entende e te apoia nisso. – Era verdade, mesmo estando sozinha, ela nunca reclamou.
— Se a Elisa não fosse trouxa. – Ele falou bem baixo, olhei para ele, parecia torturado. — Minha família não aceita trouxas. Minha mãe talvez entenderia, mas meu pai jamais. A família da Hermione então é pior ainda. Cresci ouvindo para ficar longe de trouxas, estudei em uma escola que nos ensina que somos superiores a eles. Só aprendi recentemente a tolerá-los ao lado da Hermione. – Fiquei um pouco tenso nesse momento. – Ela tem o sangue tão puro quanto o meu, mas nunca teve nada contra os trouxas, pelo contrário, sempre manteve, mesmo que escondido, contato com a cultura deles. – Soltei a respiração que nem percebi que havia trancado. Por um momento achei que ela podia ser uma nascida trouxa.
Isso é ridículo, ela era uma Durmstrang. Me senti um idiota por pensar sobre isso, e por me importar.
— Nunca gostei de trouxas, mas sou mestiço e por não ter família cresci em um orfanato trouxa. Sempre me incomodaram por eu ser diferente, mas eu não me importava, somos superiores a eles, Draco. – Parei para pensar por um momento. – Se você gosta dela de verdade, pense bem antes de fazer mais alguma coisa.
Ele apenas assentiu. Era por isso que eu e o Draco nos dávamos bem, ele mesmo influenciado por Hermione, havia crescido com os valores em que eu acreditava.
Terminamos nossas compras perto da hora do almoço. Agora voltaríamos para o orfanato para arrumar nossas coisas e aproveitar os últimos dias, já que em menos de uma semana, estaríamos embarcando para Hogwarts.
Draco estava segurando as compras da Hermione, junto com as suas, em uma mão e na outra segurava a mão da prima. Ela parecia tensa com algo e estava bem quieta, desde que passeamos para eu mostrar todo o local para eles. Algo ali provavelmente, como Draco dissera, lembrava a ela o ataque que sofreu. Isso fazia com que algo dentro do meu peito apertasse. Era uma sensação estranha, e eu sabia que não podia sentir isso. Isso era me envolver demais.
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