Força e Vida - Tomione

17 Capítulo 17 - Começando a se adaptar


Notas iniciais
Boa noite, meus amores! Tenho que admitir que gostei de postar de madrugada, já que dá o dia todo para vocês lerem em qualquer momento que puderem, mas não sei até quando vou poder fazer isso, porque aulas né! Haha Espero que gostem! :D

Chegando mais perto, vi encostadas perto de uma parede um menino e uma menina de aproximadamente uns seis ou sete anos, era perto da porta do jardim, mas parecia que ninguém havia ouvido. Reparei que as crianças estavam grudadas à parede, e olhando fixamente para um ponto no chão, vi que o ponto rastejava e era cinza claro quase como o próprio chão daqui. Era uma cobra. Eu não podia falar em língua de cobra na frente de duas crianças trouxas, então rapidamente passei pelo lado da cobra, que estava agora a uns três metros de distância das crianças, e fiquei entre ela e os pequenos.

Assim que me viu a cobra parou e me encarou. Não era muito grande, talvez uns sessenta centímetros e era muito bonita em seu cinza gelo. Assim que percebi que ela parou e me olhou como se esperasse ordens, me virei levemente para as crianças e disse para que elas fossem brincar.

— Obrigada, moça nova. – Me disse o menino, enquanto a pequena ainda choramingava um pouco.

— Não foi nada. – Sorri amigavelmente, apesar de saber que meus sorrisos não chegavam aos olhos.

Eles pareceram relaxar um pouco e saíram dali. Olhei para todos os lados, não parecia haver ninguém aqui dentro, todos estavam nos jardins.

— Não pode assustar crianças, muito menos tentar atacá-las.

— Me desculpe, eu não queria atacá-las, sem querer fui vista por elas. Procurava pela senhorita.

— Por mim? Por que procurava por mim? – Eu estava no mínimo surpresa.

— Me pediram para cuidar da senhorita, até o dia em que esteja totalmente segura novamente. – Königin. Isso provavelmente era coisa dela, queria me manter segura até eu estar dentro de Hogwarts.

— E também me pediram para ser sua amiga, para que você não fique sozinha. – Ela continuou já que eu não respondi antes.

— Será bom ter uma amiga. – Cobras eram bem mais fáceis de lidar do que humanos. – Mas ninguém poderá vê-la, se não tentariam te machucar.

— Posso me esconder facilmente, senhorita. Por isso fui escolhida.

— Por favor, me chama de Hermione. – Nunca me acostumaria com cobras me chamando formalmente, pensando bem, nunca me acostumaria com o fato de eu entender que elas estavam me chamando.

— Será um prazer, Hermione. A propósito, meu nome é Esmeralda.

— Muito prazer, Esme. – Agora eu teria ao menos alguém com quem conversar.

Encontrei um canto afastado no jardim, para que ninguém visse a Esme. Ficamos lá a tarde inteira conversando sobre esse tempo e como as coisas eram em Hogwarts aqui, ela parecia ser realmente amiga de Königin, e sabia bastante sobre a escola. Só percebi que começava a escurecer, quando novamente senti fome.

Esme disse que iria diretamente para o meu quarto e ficaria embaixo da minha cama e da de Draco, ela era uma cobra mágica, provavelmente ficaria bem. Então entrei e fui em direção ao refeitório. Entrei de cabeça baixa, não queria chamar atenção demais e nem queria conversar. Logo que pisei dentro do refeitório, me senti sendo puxada e abraçada.

— Onde você esteve o dia todo? – Era Draco. E parecia irritado. – Te procurei por toda parte, até na biblioteca. Tentei falar com você o dia todo também e nada. – Havia me esquecido completamente que tentei falar com ele pela manhã.

Ele me soltou para poder me encarar, parecia realmente bravo.

— Desculpe, Draco. Aconteceram certas coisas, e eu precisei ficar um pouco sozinha e longe da vista de todos. – O encarei, tentando fazê-lo entender.

— Que tipo de coisas? – Ele parecia menos estressado. Provavelmente era preocupação antes, mas estava desconfiado.

— Eu tenho uma nova cobra de estimação. – Falei baixinho sorrindo um pouco.

Deu certo, ele sorriu levemente também.

— Acho que elas te perseguem. Bem, então vamos jantar, e é melhor você comer bem, porque não te vi nem no café e nem no almoço, se continuar assim te levarei direto à enfermaria. – Ele foi dizendo e me conduzindo para a comida.

— Está bem, mamãe.

— Nós dois sabemos que sua mãe seria um pouco mais rígida do que isso. – Com isso nós dois tivemos que rir.

— Acho que tem razão. – Sorri levemente, mas isso doía um pouco. Eu não a conhecia. Ela era má e tinha jeitos bem obtusos de querer minha proteção.

— Quero que conheça alguém, e se não se importar, poderíamos jantar com ela. – Ele queria mudar de assunto, e isso era ótimo.

— Claro, sem problemas. – Provavelmente era a garota da qual o Tom havia falado, e que estava hoje mais cedo com o Draco no jardim.

— Desculpe por estar te deixando tão solitária, eu deveria ser melhor com você. – Ele interpretou mal minha falta de mais palavras.

— Draco, eu estou bem. Fico muito bem sozinha. – Depois de tudo, isso era a mais pura verdade.

— Você não era assim. – Ele falou bem baixo, talvez apenas para ele mesmo. Estava com uma expressão torturada.

— O que me aconteceu, aconteceu. Não podemos mudar isso. Ninguém pode. – Falei sem pensar, nunca havia falado sobre aquilo com alguém, nem queria deixar que as pessoas entendessem que mudei por causa dos acontecimentos.

— O que aconteceu com você? – Ele estava tenso e rígido.

— Essa não é uma conversa que eu esteja pronta para ter. – Baixei minha cabeça, eu estava triste. Queria poder contar para ele, mas aquele tipo de coisa jamais sairia pela minha boca.

Peguei minha comida em silêncio e esperei por ele. Ele nos conduziu até duas cadeiras livres, uma na frente e uma do lado da garota loira de olhos cinza que eu já havia visto. Sentei-me em sua frente.

— Olá, sou Elisa Hugbir. – Ela sorriu para mim. Era realmente bonita e combinava com Draco.

— Hermione Black. – Sorri cordialmente, como sempre fazia.

— Ouvi falar muito de você ultimamente. – Ela estava tentando puxar assunto, mas eu não estava no clima.

— Eu imagino. – Sorri novamente. Ela com toda certeza estava passando bastante tempo com o Draco, devia ter ouvido falar de mim.

O resto do jantar foi silencioso, pelo menos da minha parte. Draco e Elisa conversavam animadamente, pareciam já bem amigos, e ele parecia bem leve com isso. Deve estar gostando dela. O pensamento me fez sorrir, mas comi meu jantar de cabeça baixa e calmamente.

— Vou te levar até o nosso quarto, provavelmente ainda não o conhece. – Draco queria ser um bom irmão, mas eu sabia que ele queria ficar com a menina.

— Tudo bem.

Fomos em silêncio até a última porta do corredor de dormitórios. Era um quarto de tamanho médio, com o lado esquerdo com uma cama e um guarda-roupa, e o lado direito com um beliche e outro guarda-roupa, embaixo da janela no centro da parede dos fundos, havia uma escrivaninha cheia de livros. A parte de cima do beliche provavelmente era minha, já que minha mala estava ali.

— Dividimos o quarto com o Tom, ele se dispôs a te dar a cama, mas eu achei que você ficaria melhor perto de mim no beliche. – Tom sendo cavalheiro?

Olhei com uma expressão de surpresa para o Draco, ele sorriu de leve e assentiu. Sabia o que eu estava pensando. Ele me mostrou o banheiro, era pequeno, mas estava bem limpo e organizado, nem parecia que dois meninos moravam aqui.

— A Esme vai ficar embaixo da sua cama, provavelmente já está ali, ela é mágica então pode se virar. Direi para não te machucar. Apesar de que eu acho que ela já sabe. Agora pode voltar para a Elisa, ficarei bem. – Eu sei que ele queria ir.

— Você é a melhor. – Ele me abraçou. Ele está apaixonado. O abracei de volta.

— Só tome cuidado, ok? – Não o queria machucado.

— Pode deixar. – Ele piscou para mim, e sorriu maroto.

Assim que ele saiu, resolvi abrir minhas malas e guardar minhas coisas no armário. Após meia-hora, tudo estava do meu jeitinho. Então peguei uma muda de roupa e fui ao banheiro tomar um banho.

Tomar banho, com toda certeza, era a melhor sensação do universo. Saí relaxada e leve, e teria continuado assim, se não tivesse percebido que o livro que estava em cima da minha cama, precisava ser entregue hoje na biblioteca, e eu havia me esquecido de avisar o Draco. Não podia incomodá-lo, mas a ideia de ir a biblioteca fez com que um arrepio passasse pela minha espinha.

— Está tudo bem? – Levei um pequeno susto, mas eu já reconhecia aquela bonita voz.

— Está sim, Tom. – Minha voz estava mais fria do que o normal, estava mecânica. Eu não conseguiria ir à biblioteca.

— Tem certeza? – Ele parecia preocupado.

— Sim, apenas notei que preciso entregar esse livro hoje. – Só percebi o quanto a minha desculpa, para a minha reação, iria parecer muito falsa, quando já havia falado.

— Nunca te vi na biblioteca, pegou ele hoje? – Tinha algo a mais no fundo da sua voz.

— Já tem alguns dias que o Draco pegou para mim. – Eu ainda estava fria.

— Realmente, nunca te vi por lá, até parece que nunca vai a bibliotecas. – Ele falou a última parte bem baixo. Ele observa o que eu faço.

Não costumo ir. – Era a verdade, e eu não sei porque, mas eu senti que queria contar pelo menos isso à ele.

— Mas gosta bastante de ler. Por que não vai? – Ele estava curioso, e eu estava olhando para o chão.

— É complicado.

— Eu devolvo o livro para você.

Rapidamente levantei a minha cabeça olhando para ele.

— Muito obrigada. – Minha voz estava encharcada com gratidão.

— Não por isso. – Ele sorriu.

Nesse momento percebi o quanto ele era bonito, mesmo com roupas simples e provavelmente de segunda mão, ele definitivamente era muito bonito. E está muito perto. Realmente ele havia se aproximado e estava me encarando nos olhos. Ele sorriu novamente, me encarou uma última vez, pegou o livro e saiu do quarto.

Assim que ele saiu, me senti mais quente e leve novamente, subi a escada para a minha cama e me ajeitei, deitei de bruços por cima da coberta e com o travesseiro apoiado no peito. Peguei minha varinha na bolsinha que mantinha sempre comigo, e fiz um feitiço ao redor da cama, para que eu não caísse no chão se me movesse durante a noite. Também apenas para garantir, coloquei um para fortalecer a escada. Em seguida, guardei a minha varinha novamente.

— Você está aqui, Esme?

— Estou, Hermione. Mas não posso conversar agora, logo o outro moço estará de volta, e você também precisa descansar.

— Está bem. Boa noite, Esme. – Ela parecia como uma mãe. O pensamento me fez sorrir.

— Boa noite, Hermione.

Arrumei meu travesseiro na posição normal, e fui para debaixo das cobertas. Estava pensando e quase dormindo, quando ouvi a porta do quarto abrir. Continuei de olhos fechados. Ouvi o armário da esquerda ser aberto, alguém pegar roupas e ir ao banheiro. Provavelmente era o Tom.

Logo ele saiu do banheiro, e ficou parado durante um tempo. De repente se moveu se aproximando da minha cama. Eu estava com o rosto virado para o meio do quarto, ainda de olhos fechados e com a respiração tranquila.

Então seu gesto me surpreendeu, coisa rara ultimamente. Ele acariciou meu rosto levemente. Tive que me policiar para continuar “dormindo”.

— Quem e o que você é? É sozinha que nem eu, e gosta disso, parece trouxa, mas fala a língua que eu falo. Como? – Ele falava extremamente baixo, era apenas para ele ouvir.

Nesse momento quase entrei em pânico e denunciei que estava acordada. Ele havia me ouvido enquanto eu falava com a Esme. E me observava aqui no orfanato. Estava quase surtando quando ele simplesmente parou de me acariciar, e pelo barulho, deitou em sua própria cama. Apagando as luzes, pelo interruptor que ficava próximo a ele.

Tom Riddle estava descobrindo muitas coisas sobre mim, e eu nada sobre ele. Devia começar a me aproximar ou pelo menos observá-lo mais. Me repreendi mentalmente, por não ter feito isso hoje. Mas começaria amanhã, agora eu precisava dormir e minha mente já não funcionava direito. Adormeci assim que pensei nisso.

Estava de novo naquela pequena biblioteca, e de novo via os mesmos homens de sempre, os dois loiros e o ruivo. Eu dessa vez, não ouvia nada e não enxergava nada além de não poder me mexer, apenas sentia os toques, e sabia que as dores estavam por vir. Já me preparava para a dor, quando acordei.

Levantei rápido, eu estava suada e ofegante. Então percebi que eu estava em segurança no meu quarto do orfanato. Meu corpo relaxou um pouco, e enquanto eu tentava me acalmar totalmente, Draco entrou no quarto. Não parecia ser muito tarde, eu havia dormido razoavelmente cedo, ele parecia feliz e animado, até que me viu acordada. Minha cara não devia estar das melhores pela reação dele.

— O que houve? – Ele estava preocupado.

— Foi apenas um pesadelo. – Minha voz estava trêmula. Eu provavelmente estava com um aspecto pior do que pensava.

Ele veio até mim, mesmo eu estando no andar de cima do beliche ele não era alto o suficiente para que o Draco não me alcançasse. Ele olhou nos meus olhos por alguns segundos, e então me abraçou com cuidado.

— Um dia, quando estiver pronta, espero que me conte o que aconteceu. – Então retribui seu abraço bem apertado.

— Um dia. – Creio que não seria tão cedo, mas eu provavelmente precisaria disso.

Notas finais
Gente esqueci de falar lá em cima, mas novamente muito obrigada à todos e todas que sempre que terminam de ler vão lá me ver nos comentários! Amo vocês! ♥