Fome por Aventuras
9 Capítulo 9
Notas iniciais
- Deseja alguma coisa Samuel? – Lis perguntou.
Ele deu um sorriso malicioso antes de responder qualquer coisa. Ele era muito bonito, sem dúvida. Mas suas atitudes eram do tipo que me enojavam. E percebi que Lis tinha a mesma opinião que eu. Perguntei para Lis sem usar minha voz se ela queria que eu continuasse ali com ela. Ela fez sim com a cabeça. Samuel me olhou.
- O que as senhoritas estão conversando? Fala pra mim. – disse ele se aproximando do meu rosto.
Eu fiquei sem reação. O que ele tava fazendo??
- Samuel! – Lis chamou a atenção, depois continuou com voz mansa – você não me respondeu, quer alguma coisa daqui da hospedagem?
Ele demorou um pouco pra responder, enquanto olhava para o rosto de Lis com a mesma cara redutora.
- Uma água... por favor – disse Samuel por fim, sem perder a postura
- Certo... já vou providenciar, pode esperar lá no quarto que eu já levo.
- Obrigado...
- Lis... pode me trazer umas frutas também? Comemos muito pouco durante a viagem – disse.
- Tudo bem!
Tanto eu como Samuel continuamos ali, apoiados no balcão enquanto Lis saía. Eu me senti desconfortável, queria ir pro meu quarto. Mas estava preocupada com Lis. Ela o mandou ir pro quarto mas ele continuava ali. Eu devia é ter ido com ela. Será que eu deveria chamar os meninos rapidinho? Hmm... provalmente William iria fazer escândalo e acordar quem já estava dormindo. Samuel, ainda um pouco afastado, se debruçou mais um pouco sobre o balcão ficando com a cabeça na altura do meu rosto. Não conseguia me mexer, comecei a tremer com a mão, e o pior é que ele percebeu e soltou outro sorriso sarcástico. Nos meus 16 anos nunca havia me sentido tão apreensiva assim. Afinal o que havia com ele? Parecia diferente de antes, quando estava com William.
- Então... – começou ele – você costuma viajar com vários rapazes, é?
Porque ele tinha que perguntar isso? E ainda dessa forma? Desde o princípio já tinha me simpatizado com os meninos, mas com certeza não iria com ele.
- Não pense que eu viajo com qualquer um...
- É mesmo...? Porque acho que seria interessante ir pra vários lugares com alguém como você...
Porque diabos tudo o que ele fala tem duplo sentido??
-Quer ir para um lugar melhor? – ele perguntou.
Agora sim que fiquei mais paralisada ainda. A única coisa que consegui fazer foi fechar os olhos e me encolher um pouco quando vi que ele se aproximava. Mas o que escutei foi uma risada cínica dele.
- Bom... acho que vou indo pro meu quarto – disse enquanto acariciava meu queixo.
Logo que ele passou por mim, soltei um suspiro de alívio. Também achei melhor ir pro meu quarto. Ele era rápido, já não estava no corredor quando me virei. Fui caminhando para meu quarto pensativa e ainda um pouco assustada. Será que Lis passava muito por isso? Que medo. Entrei no meu quarto e fechei a porta. Fui na cama mexer nas minhas coisas. Será que os meninos já comeram? Afinal nós viemos direto, o que não deveríamos ter feito. Depois de tudo, ela acabou não resolvendo o assunto das profissões... Suspirou a caiu deitada de lado na cama. Ela não percebeu uma sombra indo ao seu encontro devagar.
Lis se apressava para buscar as coisas pedidas. Acabara de deixar Samuel e Ulina sozinhos na recepção. Esperava que ele tivesse voltado para o quarto logo que saiu. Mas algo estava estranho com ele, ficou preocupada em deixá-los sozinhos. Acabou de fechar a geladeira, mas com a pressa acabou derrubando um pratinho que estava em cima da geladeira. Droga! Pegou uma vassoura e varreu tudo com muita agilidade, juntou os pedaços menores a pôs sobre um jornal para jogar no lixo. Rapidamente pegou as coisas e saiu da cozinha para levar aos quartos. Passou pela recepção, eles não estavam mais lá. Que bom. Chegou ao quarto dos meninos e bateu na porta. William a abriu.
- Lis! Já estava com saudades! – disse William babando.
- Eu trouxe a água que o Samuel pediu. Onde ele está?
- Já faz um tempo que ele saiu e falou que ia dar uma volta – disse Roger.
- Eu falei com ele agora na recepção, pensei que ele tinha voltado para cá
- Não voltou não – respondeu William.
De repente os três ouvem um grito.
- Ulina! – gritou Roger saindo correndo sendo seguido pelos outros.
No quarto de Ulina, Samuel tampava a boca dela com a mão.
Ele apareceu do nada de novo... Quando ele entrou no meu quarto?? – pensava Ulina.
A garota tentou revidar, mas ele pegou facilmente seu braço e a derrubou de bruço sobre a cama a imobilizando. Amarrou uma venda na boca dela para não gritar mais e ficou sentado sobre o quadril dela.
- Você é bem barulhenta... eu ainda nem te fiz nada. Para o seu bem é melhor ficar relaxada.
Eu preciso sair daqui... mas o que eu, que nem sou uma aprendiz ainda, posso fazer contra um mercenário?? Esse cara é uns 5 anos mais velho que eu! É um covarde! Eu preciso de ajuda... – pensei quase chorando.
Ele começou a passar a mão no meu cabelo tranqüilamente e a descer minha blusa pelo meu ombro direito. Foi quando ouvi uma algazarra do lado de fora.
- Ulina! Você tá aí?!?
- Ulina!
- Que saco... seus amigos são bem rápidos... – disse ele tranqüilo ainda segurando meus braços.
- Quem está aí?!Impacto explosivo!
A porta se quebrou toda de uma vez e em seguida os três entraram.
- Opa! – falou Samuel saindo rapidamente de cima de mim – vocês estão atrapalhando...
- O que você fez?! Ulina! – gritou Roger resgatando a garota.
- Oi Lis... também quer participar?
- Seu...! – falou William avançando contra o mercenário.
Mas Samuel desviou com muito facilidade, fazendo o mercador cair do outro lado da cama. Roger já ia sacando a espada quando Lis de repente foi em direção ao mercenário com os olhos lacrimejados.
- Pára! – disse dando um tapa na cara do homem não conseguindo conter as lágrimas, não sabia se era de raiva ou de assustada. (a Lis eh a única que conseguiu acertar ele! XD Grande mulher!!).
O mercenário, após o tapa não mexeu um músculo. William se levantou e ficou em guarda, assim como Roger. E eu me escondendo atrás do espadachim. Samuel virou o rosto, fez uma cara estranha olhando para todos e sem dizer nada saiu correndo do quarto, deixando todos assustados e sem entender nada.
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