Fomaríamos um Maravilhoso Nós
6 Não esperava
Por incrível que pareça, acordei antes do despertador tocar, e com muita energia. Fiquei surpresa comigo mesma. Era meu primeiro dia de aula e senti borboletas no estômago, estava ansiosa e animada. Sempre gostei do ambiente escolar, apesar de sempre ter quem estrague ele, mas eu sou destemida, adoro um desafio.
Me levanto e vou direto para o banheiro, tomo aquele banho perfumado, seco meu cabelo e deixo ele ondulado nas pontas com o babyliss. Adoro meu cabelo, é uma das coisas preferidas em mim. E tenho que admitir. Eu sou muito bonita, na verdade eu sou gostosa.
Não estou me gabando, longe disso. É apenas a realidade. Tenho uma cintura fina, bumbum avantajado na medida certa e peitos que deixam os meninos de boca aberta. Um corpo dos sonhos eu diria. Admito que uma hora e meia todos os dias na academia ajudam a me manter assim. Sou feliz comigo mesma e não me importo de exibir tudo o que tenho. Eu já disse que sou ousada?
A única coisa que irrita é o sexo oposto, os capetas com testosterona. Será que esses porcos não percebem que seus comentários e atitudes nos deixam mal? Ok, eu adoro garotos babando por mim, não sou nem um pouco santa. Mas tem uma coisa que se chama flertar e outra faltar com respeito. Lidar com isso é constrangedor. Mas infelizmente não dá para exterminar da face da terra homens assim.
Estou no closet com a toalha em volta do meu corpo nu pensando no que usar. Decido por uma mini saia jeans cós alto, que não é muito curta, é um tamanho decente. Com uma regata branca de cetim fosco com decote v. Calço um all-star preto. Mantenho meus cabelos soltos com suas ondas e parto para uma maquiagem muito sutil. Só para realçar meus olhos e minha saúde. Estou linda. Pego minha bolsa com os materiais, dou uma última olhada no espelho, passo mais perfume e desço para tomar café. Minha família já estava toda lá.
— Caiu da cama foi? — pergunta minha mãe surpresa por ninguém precisar me acordar.
— Acho que dessa vez o ursinho Pooh não estava no sonho. — Disse May segurando a risada junto com minha mãe. Meu pai as olhava confuso, mas não deu importância.
— Você nunca vai esquecer isso não é? — pergunto olhando nos olhos de May.
— Nunca mesmo. Isso se tornou a passagem livre para tirar sarro da sua cara. — para mim não está sendo mais tão engraçado como da primeira vez.
— América você terá que buscar seus irmãos depois da aula. Seu pai e eu temos muitas pendências na empresa sem falar no jantar de negócios essa noite. Então não voltaremos para casa tão cedo, não nos espere e tome conta dos seus irmãos. — dona Magda ditou as ordens.
— Sim senhora! — respondi enquanto prestava continência à capitã Magda. Todos riram.
Da minha casa até o colégio dava 15 minutos de carro. Durante o trajeto tentei me distrair com as paisagens pelo caminho. Angeles é uma capital de fato muito bonita. Eu estava nervosa, com frio na barriga, não sei porquê.
O estacionamento era enorme e já haviam muitos carros, o que dificultou para achar uma vaga. Depois de rodar aquele local, encontrei uma muito boa e notei que um carro preto a queria tanto quanto eu. Mas eu não ia deixar essa passar mesmo. Acelerei e entrei na vaga antes que o carro preto conseguisse. Pude notar a irritação pois o motorista deu uma acelerada que fez o motor gritar. Mas ele conseguiu uma mais a frente. Então não acho que ele devia estar tão chateado comigo.
Desci do carro segurando minha bolsa e então o tranco. Dou uma olhada para o prédio do colégio e fico impressionada, é imponente e moderno. Ainda do lado do meu carro, dou uma olhada no estacionamento e noto que a porta do carro preto se abre, e quem sai de lá, é tão lindo quanto o carro. Minha! Nossa! Eu estava babando? Um garoto atlético, de pele clara, cabelo escuro e olhos verdes, trancava o veículo e caminhava na minha direção com um sorriso de tirar o ar. Caralho! Se esperta America! Ele está chegando perto. Eita! Ele estava vindo falar comigo!?
— Você roubou minha vaga. — Disse o garoto com um sorriso malicioso.
— Não vejo o seu nome escrito nela. — dou de ombros. Ele dá risada.
— É você tem razão, mas eu queria pegar ela e você simplesmente atravessou a minha frente. — falou em tom divertido cruzando os braços.
— Engraçado… eu também queria ela e peguei… da próxima você precisa ser mais rápido — disse dando um sorriso simpático para não parecer grossa.
— Pode deixar. Da próxima serei mais rápido — disse sorrindo. E que sorriso! — A propósito, me chamo Aspen. — Disse estendendo a mão para um cumprimento. Aceitei rapidamente.
— E eu me chamo America.
— É um prazer America. É nova por aqui? Nunca te vi antes.
— Ah sim! É meu primeiro dia, me mudei a poucos dias aqui para Angeles. — iniciamos uma conversa ao mesmo tempo que começamos a ir em direção a entrada do colégio.
— Então seja bem-vinda! Em que turma está? — perguntou ele muito interessado.
— Estou no 3°A — ele abriu um sorriso como o de Marlee.
— Que ótimo! Somos da mesma turma então. O que precisar pode contar comigo, admito que não sou muito bom nas matérias, mas sou excelente para outras coisas — olhou para mim de uma forma sedutora. Não acredito que ele já está flertando comigo.
— Eu imagino que sim — respondi da mesma forma, ele pareceu gostar da minha resposta. Também não ia deixar um gato desses passar — aliás — ele me olhou esperançoso — preciso comparecer à secretaria. Sabe me dizer onde fica — ele pareceu levemente decepcionado. O que ele estava esperando? Sorri com isso. Nesse momento já havíamos chegado na entrada, nem percebi o quanto viemos andando devagar para que a conversa durasse mais tempo.
— Claro que sei. Vem eu te levo — ele pegou minha mão e me guiou.
Aspen é muito simpático, ele disse que podia o considerar um amigo e fiquei super feliz com isso. A companhia dele é muito agradável e divertida. Notei que ele ficou interessado em mim, pois os flertes da parte dele eram constantes. Não me senti incomodada, afinal Aspen é muito educado e atencioso. Ele me levou até a secretaria e depois se despediu. Me senti mal, não queria ficar sozinha. Ter alguém ao meu lado me fazia sentir que já fazia parte daquele local, que eu não era uma novidade. Notei muitos olhares sobre mim na curta caminhada até a secretaria. Agora imagina pela escola inteira.
— Aqui está senhorita Singer — uma senhora de cabelo curto e óculos apoiados na metade do nariz muito antipática me entregou uma folha — seus horários juntamente com a senha do seu armário do corredor e do vestiário. Se precisar de documentos, alterações cadastrais ou qualquer coisa do gênero pode vir até aqui que auxiliamos você.
— Muito obrigada senhora — saí rapidamente de lá. Que mulher grosseira.
Ok, e agora? Estou no terceiro andar do prédio, que é muito silencioso e assustador, o caos de vozes de jovens despreocupados está mais distante. E não faço ideia de como se anda por aqui. Por sorte encontrei um funcionário muito simpático, que fez o favor de me guiar até onde eu precisava chegar. Ele me explicou que o terceiro andar é apenas administrativo e para pesquisas de nível superior. Que a ala dos alunos se limitava no segundo andar. Agradeci mil vezes o senhorzinho e segui a procura do meu armário.
O corredor dos armários é bem comprido, havia muitas pessoas por lá, algumas revirando o armário. Outras apoiadas nele conversando com alguém. Outros só de bobeira. Notei que eram só adolescentes normais como eu. Expulsei a intimidação dos meus pensamentos e dei vez a personalidade verdadeira da America Singer. Imediatamente fiquei mais tranquila conseguindo respirar, as pessoas olhavam para mim, e conforme caminhava chegando perto do numero do meu armário, escutava assobios e garotos me chamando de gostosa. Até então, tudo normal. Ok, estou em casa.
Encontrei finalmente o bendito armário. Quando abri, já estava com todos os livros que usaria no semestre. Guardei o que precisava guardar e então o fechei. Olhei para longe e imediatamente minhas pernas vacilaram. Borboletas se remexiam no meu estômago. Um sorriso enorme fazia parte do meu rosto naquele momento. Pois lá, na ponta do corredor vinha caminhando lentamente olhando o celular o loiro mais gato que já vi na vida.
Ele olha para frente mas não me nota. Vejo ele sorrir para alguém, e MEU DEUS QUE SORRISO, é de arrancar calcinhas. Ele estava usando uma calça e tênis preto, a camiseta era da mesma cor do restante das peças, deixavam seus belos braços fortes à mostra, e valorizava horrores seu corpo atlético. Seu cabelo extremamente charmoso me fazia suspirar, um loiro mais escuro com o corte sempre em dia, mais comprido em cima e mais curto nas laterias. Ele é simplesmente o cara mais lindo que já conheci. Ainda não tive o prazer de ver aqueles olhos incríveis que só pertencem a ele, e também escutar aquela voz que me deixa louca.
Eu não estava conseguindo acreditar, era ele! Era o Maxon!
Acordo do meu transe quando uma menina com características orientais aparece na minha frente abrindo seu armário. Maxon vinha caminhando pelo corredor olhando novamente para o celular se aproximando cada vez mais. Não sei o que me deu. Ao invés de ir cumprimentá-lo eu entrei em uma abertura que quebrava a continuidade dos armários e dava acesso ao jardim. Me senti uma boba, porque fugir? Ele ficaria feliz em me ver, não é?
Voltei determinada a pelo menos dar um oi, ou fingir esbarrar nele criando aquela cena clichê de filmes. Sorri internamente com minha ideia. Mas a verdade é que nem oi nem tchau eu daria a ele. Assim que dei as caras no corredor novamente, vejo Maxon agarrar uma garota com cabelos morenos e prensa-la em um dos armários dando um beijo quente. Fiquei sem reação. Não estava nem respirando mais. Mas tinha consciência que era ridículo ficar encarando-os daquela forma no meio do corredor. Andei o mais rápido que pude para o banheiro mais próximo que encontrei ainda segurando o ar que não conseguia soltar.
Ok, aquilo doeu, não estou conseguindo assimilar. Eu fiquei tão feliz de reencontrá-lo, nosso tempo, apesar de curto no Canadá, havia sido tão incrível. Parecíamos dois bobos apaixonados vagando por aquele frio. As lembranças ainda são tão recentes. Talvez seja por isso que estou me sentindo… traída.
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