POV Maxon

— Qual é cara? Vai ficar aí sentado, tá cheio de gata nessa festa — diz Carter chamando minha atenção.

— Sei lá, hoje não to a fim — respondo fazendo careta de quem não está se sentindo à vontade ali.

— Fala sério Maxon, que que te deu? Voltou dessa viagem estranho — Carter falava mais sério agora. Ele não era capaz de entender e eu muito menos de explicar.

— Deixa ele Carter — exclama Celeste — não está vendo que ele está apaixonado? — diz ela com um olhar convencido no rosto. Apenas reviro os olhos.

— Apaixonado? — Pergunta meu amigo confuso — Apaixonado por quem? Ta aí uma coisa difícil de acreditar.

— A única coisa dificil de não acreditar aqui, é que você não é gay — brinca Celeste fazendo meu amigo arregalar os olhos.

— Quer que te mostre o gay? — Carter a desafia.

— Você não dá conta do recado aqui Carter, então fica na sua. Vá se provar para outra. — eu sempre adoro as resposta da Celeste.

— Calma aí mulher! Eu só estou tentando entender meu amigo, Maxon apaixonado para mim é novidade.

— E quem disse que eu estou apaixonado? — entro na conversa — Eu não posso apenas querer beber e ficar tranquilo, curtindo uma boa conversa com meus amigos?

— Não em uma festa de arromba como essa — diz Carter.

— É você tem razão, vou para casa. — Digo me levantando e virando o whisky que desce queimando.

— Calma aí Maxon, o Carter também não está te expulsando. — Celeste me segura pelo braço.

— Não é isso, realmente hoje eu não estou para festa. Em casa eu vou pensar melhor. Foi mal gente. — Carter e Celeste dão um sorriso amarelo e de compreensão. Realmente hoje não estou para curtir.

Eles sabiam que havia algo errado, são meus melhores amigos desde a infância, e sabem o quanto sou festeiro e não perco tempo de ficar com uma garota. Mas uma em particular que conheci no Canadá não sai da minha cabeça. E isso está sendo um grande problema, porque sei que nunca mais vou vê-la. Eu fui burro o suficiente para não pegar nenhum contato dela durante a viagem e muito menos sei o sobrenome para encontra-la nas redes sociais. Simplesmente perdi a garota mais perfeita que já conheci. Não quero esquecê-la, mas sinto que preciso. Já estou dentro do carro me amargurado com esse pensamento quando a conveniência bate literalmente em minha porta. Kriss. Abaixo o vidro.

— Não acredito que já está indo embora Maxon! — diz ela indignada — esperava me divertir muito com você ainda esta noite — fala com um sorriso malicioso, eu vejo isso como uma chance.

— Então por que não entra ai? — ela abre um sorriso vitorioso, de quem conseguiu o que queria, eu não me importo. Kriss é bonita e boa de cama.

— Achei que não fosse convidar — diz ela em seguida abrindo a porta e entrando.

Sem mais nem menos, Kriss me puxa para um beijo ardente que correspondo imediatamente. A puxo para meu colo e tranco o carro erguendo os vidros. Ela entendeu minhas intenções, pois começou a tirar sua camisa seguido de seu sutiã, o que me deixa excitado. Me dedico aos seus seios enquanto ela agarra meu cabelo e geme baixo. Ela parecia estar com pressa, pois arrancou minha camisa e passou a abrir minha calça, enquanto eu erguia sua saia e buscava por um camisinha no porta luvas. Ajudei Kriss a abaixar minha calça e cueca. Ela massageia meu membro com as mãos me fazendo soltar um gemido baixo, enquanto abro o pacote. Após vestir a camisinha Kriss senta inicialmente com movimentos leves, mordo o lábio inferior contendo o gemido de prazer. Os movimentos se intensificam fazendo nós dois nos obrigarmos a conter nossos ruídos. Um tempo depois, Kriss chega ao seu ápice e eu forço um pouco mais para que eu chegue ao meu. A sensação de alívio é prazerosa. Pena não ser com a pessoa que tem invadido meus pensamentos.

— O que acha de irmos para o seu apartamento? — Ela pergunta enquanto veste sua camisa.

— Kriss na verdade eu vou para a casa dos meus pais. Faz tempo que não apareço e hoje é sábado. Brice deve estar com saudades — eu sei, é mancada comer ela e agora dispensar. Mas não to com saco para ela a noite toda.

— Tudo bem! Eu não estou com roupa apropriada para ver uma criança, então, vou voltar para festa — isso! Muito obrigado!

— Está certo Kriss, aproveite a noite! — Ela sorri e me dá mais um beijo. Então sai do carro e eu dou logo a partida finalmente indo para casa.

Decido ir para meu apartamento, não estou com cabeça para aguentar meu pai falando de responsabilidades. Meu pai comprou esse apartamento para mim desde a última vez que ele entrou no meu quarto e eu estava transando com uma garota. Ele ficou constrangido e disse para eu nunca mais levar uma vagabunda para casa. Aceitei de bom grado, assim eu tenho mais privacidade sempre que eu quiser. Vou direto para o banho e depois para a cama, e novamente aquela ruiva invade meus pensamentos.

Ah America, o que será que você andou fazendo desde a última vez que nos vimos?

Acordei cedo e fui correr no parque já que a academia estava fechada. Depois disso, meu domingo não foi muito produtivo. À noite fui para o apartamento de Celestes junto com Carter, Aspen e Marlee. Ia ter uma noite de pizza e como não tinha nada melhor a fazer, eu fui.

— Vocês não vão acreditar no que a Celeste me fez passar hoje a tarde — disse Marlee indignada e Celeste caindo na gargalhada enquanto pegava bebidas na geladeira. — Ela assaltou o microfone do alto-falante da loja que estávamos e começou a me chamar estilo Celeste que vocês conhecem dizendo que eu estava perdida!

— Marlee, eu fiquei te esperando por mais de uma hora naquele banco em frente a loja, depois entrei para te procurar e não te achei. Tinha que fazer alguma coisa — disse Celeste depositando as bebidas na mesa, eu não estava muito interessado, por isso estava mexendo no celular enquanto Marlee contava. — Afinal, o que tem tanto para ver em uma papelaria que leva mais de uma hora!? Ninguém fica tanto tempo dentro de uma droga de papelaria!

— A resposta é canetas coloridas e post-it — Celeste revira os olhos — mas a verdade mesmo é que eu esbarrei com alguém — nesse momento noto que Carter a olha preocupado, não sei por que ele não diz logo que gosta dela — uma garota — Carter relaxa e eu dou risada do jeito dele — vai começar amanhã na nossa escola. Ela é muito legal e divertida.

— É bonita também? — pergunta Aspen. Celeste não pareceu gostar muito do interesse dele. Essa é outra que não se assume.

— Nossa! Siiim ela é muuuiito bonita! É ruiva — nesse momento quem levanta a cabeça querendo prestar atenção sou eu. Uma garota bonita e ruiva?

— Hmm… que exótica — diz Celeste cantarolando — Qual o nome dela?

— O nome dela é…AAAH!! — grita Marlee, assustando todo mundo — Celeste! A pizza está queimando sua maluca — disse correndo para o forno — viu o que dá quando você quer dar uma de cozinheira! Porque aumentou o fogo? — perguntou Marlee enquanto tirava a pizza carbonizada do forno.

— Eu queria que ficasse pronta rápido — a morena responde — não gosto de ficar esperando.

— Então você se fodeu porque vai ter que esperar mais ainda até encomendarmos uma decente para comer — disse Carter.

Assim que a pizza encomendada chegou, passamos horas comendo e conversando trivialidades. Decidi que iria para casa dos meus pais, assim que cheguei, todos já estavam dormindo me poupando de interrogatórios. Pelo menos por hoje.

Já faz um tempo, criei o hábito de praticar exercício físico por ordens do meu pai, além de defesa pessoal. Ele diz que pessoas como nós devemos saber nos proteger a qualquer custo, principalmente o herdeiro. No começo isso era um saco, mas admito, agradeço pela insistência dele, isso se tornou um alívio para mim, uma válvula de escape. Dá para descontar em alguma coisa que não seja apenas em mulheres o peso de ser filho de Clarkson Schreave. Então, sempre que não estou de ressaca, às cinco e meia da manhã estou na academia.

Hoje isso não foi diferente, fiz meu treino e voltei correndo para casa como de costume. Ao passar pela porta de casa, o imponente investidor multimilionário da “CS securities”, parecia estar à minha espera, para um café da manhã amistoso. CS securities é um dos mais renomados escritórios de investimento do mundo. Reviro os olhos sempre que meu pai manda essa. Não que eu não fique feliz por ele, mas, ele fala de uma forma que dá ânsia. Essa empresa foi fundada pelo pai do meu pai, que passará para mim.

— Bom dia filho. Vejo que saiu bem cedo. — ele leva a sua xícara de café com tranquilidade à boca.

— Bom dia pai. Sim. Você sabe que me exercito de manhã.

— Não tem aparecido muito em casa ultimamente — começou! Reviro os olhos. Até o momento ele não olhou na minha cara — tem fugido de alguma coisa? — Engulo em seco, já perdendo a paciência.

— Tenho! Tenho fugido dessas conversas inúteis e sem sentido. — Ele me olha possesso — Se me der licença, vou tomar um banho.

— É inútil e sem sentido os negócios da família para você!? — ele diz com raiva na voz — É insignificante para você todo o esforço que seu avô e eu dedicamos a tudo!? — Eu não quero responder a essas provocações, sigo a caminho da escada mas ele se levanta e me impede ficando a minha frente — Cresça Maxon! Chega de ser esse garoto arrogante e egoísta!

— Eu! Arrogante e egoísta!? — eu já estava puto — O senhor não se enxerga? Não deixa eu viver minha vida, quer me controlar a qualquer custo, sempre se dirige a mim como se eu fosse mais um dos seus fantoches, nunca veio até mim como pai. Tem certeza que sou eu o arrogante e egoísta!? — nunca havia dito isso a ele, e não sei o que houve, mas, os olhos dele estavam… marejados? Isso é confuso. Ele não diz nada, fica me encarando com uma expressão indecifrável no rosto. Ele continuava na minha frente, então o contornei e segui para as escadas até o meu quarto.

Subi batendo o pé, estava puto com toda essa situação. Ele não perde a oportunidade de jogar na minha cara o quanto eu sou inútil. Que não sei de nada. Que não me importo com nada. Mal sabe ele o quanto me esforcei para ser o que ele quer, mas caralho! Nada está bom para esse filho da puta!

Ao chegar no topo da escada me deparo com minha mãe. Ela estava encostada na parede ao lado de um enorme vaso de folhagens, com as duas mãos no peito e os olhos fechados com uma expressão de angústia no rosto. Odeio que minha mãe tenha que presenciar esses momentos, ela sempre se esforça para que sejamos uma família unida, e esse tipo de situação só a desgasta e a faz perder as esperanças. Isso me preocupa pois o estado de saúde dela é frágil. Então sempre tento evitar ao máximo colocá-la nessa situação. O que é impossível quando eu e meu pai estamos no mesmo ambiente. Por isso venho poucas vezes para casa.

— Mãe? — Ela abre os olhos assustada e uma lágrima cai de seus olhos. Isso me parte em mil pedaços.

— Oi filho — Ela responde enxugando a lágrima rapidamente temendo que eu a tenha visto — como está querido?

— Mãe, não tente tornar as coisas mais leves — disse me aproximando — você sabe que a cada dia que passa tudo piora. — Ela não evita a lágrima dessa vez e me olha com olhar de súplica.

— Não faça isso Maxon, por favor! Não se afaste, por favor! — Ela me implora e eu a abraço ternamente.

— Nunca vou me afastar de vocês, você sabe. — Afago seus macios cabelos morenos.

— Não estou falando de nós, e sim do seu pai. Ele precisa de você. — Ela me olha pedindo para que eu acredite naquilo. Não quero chateá-la mais, então apenas concordo com a cabeça, dou um beijo na sua testa e vou para meu quarto.

Desejo seguir com os negócios da família, não pelo meu pai, mas sim por minha mãe e meu avô que fundou a empresa. Não sei como meu pai se tornou um babaca tendo duas pessoas maravilhosas ao seu lado. Mas foda-se, não quero mais pensar nisso por hoje, só vou tomar um banho e ir para o colégio, quem sabe fazer algo com o pessoal hoje depois da aula.

Chego no colégio e como sempre aquela merda de estacionamento está lotado. Leva séculos para achar uma vaga. Após conseguir desço do carro e vou em direção ao meu armário. Estava revisando meus emails enquanto caminhava até ele. Ouço Marcos me chamar. Ele quer que eu o coloque no time esse ano, então não para de puxar meu saco, apenas dou um sorriso para ele e um aceno com a cabeça. Ele é um cara legal. De repente meu celular vibra e é meu pai avisando que quer falar comigo mais tarde. Mas que merda! E novamente, a conveniência bate em minha porta. Kriss aparece na minha frente.

— Oi amor… — diz ela enquanto passava seu dedo pelo meu peito com um sorriso malicioso — não consegui parar de pensar no que fizemos no seu carro — ela sabe seduzir um homem. É bonita, tem um corpo maravilhoso. E eu estou estressado. Agarro ela pela cintura e a prenso contra o armário dando-lhe um beijo quente. Ela sorri durante o beijo.

— O que acha de repetirmos a dose mais tarde? — a convido e ela apenas concorda balançando a cabeça e com um sorriso de triunfo. Eu me sinto péssimo, mas ela está dando sopa.

— Até mais tarde então. — Ela sai e vai de encontro com as amigas. Que a olham de uma forma que me faz revirar os olhos e bufar. Vou direto para a sala.

Meus amigos já estão todos lá nos lugares de sempre, porém Celeste está em pé discutindo com a Marlee.

— Fala ai! Bom dia… — passo cumprimentando Carter e Aspen com um estalo de mãos — bom dia meninas!

— Bom dia é o caralho — Celeste não estava nos seus melhores dias — Marlee quer me trocar por uma ruiva sem sal. Achei que você me amava sua traidora. — Eu apenas reviro os olhos e sento em minha cadeira cm dupla com Carter.

— Celeste! Deixa de ser ciumenta, é o primeiro dia dela em um ninho de cobras, e eu sou a única pessoa que ela conhece! — diz Marlee tentando convencer a amiga. — Senta com o Aspen por enquanto. — Ela deu um sorriso malicioso para a amiga que arregalou os olhos para Marlee.

— Eu conheci ela hoje — Aspen estava na carteira à nossa frente e se virou para nós — cara vocês dois não tem noção do quanto ela é gata e gostosa. — Disse baixo para apenas nós dois ouvirmos. Carter e eu demos risada do jeito de Aspen, fazia tempo que eu não ficava tão empolgado com uma garota.

— Mesmo? — Perguntou Marlee para Aspen.

— Sim! — nesse momento Celeste se senta ao lado dele rapidamente, eu sei que ela ficou preocupada dele se oferecer a sentar com a menina nova — encontrei ela no estacionamento. Ela é muito simpática. — Notei Celeste se remexer na cadeira.

— Sim, realmente ela é muito legal — diz Marlee empolgada. Ela ia continuar mas o sinal toca e o professor entra na sala.

— Bom dia aluninhos queridos — cumprimenta nosso professor de biologia. Ele é gay.

Meu celular vibra novamente, e quando vejo, é Brice me mandando mensagem dizendo que ficou chateada por eu ter ido para casa e não ter ido ver ela. Enquanto respondia algo para ela, alguém bateu à porta mas não dou importância.

— Com licença. Bom dia, sou aluna nova — congelei na tela do celular.

— Seja bem vinda senhorita é… — professor Miller dá boas vindas a garota tentando descobrir seu nome.

— Singer. America Singer.

Meu mundo parou.

Aquela voz, levantei imediatamente a cabeça do celular e lá… estava ela… senti meu coração parar de bater por alguns segundos, minha respiração falhar e meus músculos perderem as forças. Eu não estava mais lá, meu mundo simplesmente parou admirando aqueles lindos par de olhos azuis e aqueles belos fios alaranjados como fogo. Era ela. Era realmente ela! America!

— Senhorita Singer, escolha um lugar para se sentar — disse o professor e ela passou a buscar com o olhar algum lugar vago. Eu ainda estava hipnotizado pela euforia de vê-la novamente. Simplesmente meu mundo pareceu ter cores outra vez.

— AQUI! — gritou Marlee rapidamente dando acenos rápidos com a mão. America olhou para ela e sorriu. A meu Deus que sorriso!

America foi rapidamente se sentar ao lado dela, mas antes de fazer o mesmo, nossos olhares se encontraram. Eu. Com certeza estava com um sorriso idiota nos lábios. Notei a surpresa nos olhos dela também, e um sorriso estonteante surgiu em seu belo rosto. Uma mistura de sentimentos inundaram meu corpo e sei que ela sentia o mesmo. Nossos olhares compartilhavam entre si tantas emoções que esquecemos completamente onde estávamos. Não existia mais ninguém ao nosso redor, éramos só eu e ela nos comunicando a apenas com o olhar e emitindo toda nossa felicidade pelo reencontro com nossos sorrisos.

Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, America desfez o sorriso parecendo lembrar de algo desagradavel e se sentou. Notei que a sala toda estava nos observando, inclusive meus amigos. Fiquei constrangido. Eu com certeza estava com cara de idiota apaixonado.

— Ei! — Carter me cutuca chamando minha atenção — o que foi isso?

Só ignorei a pergunta de Carter, não estou conseguindo dar conta do que estou sentindo no momento, e muito menos daria conta de responder questionamentos impossíveis de explicar com palavras.