Following the Heartbeat

37 Capítulo 37 — With Arms Wide Open


Notas iniciais
Oi, gente! Como vocês foram de Páscoa? Espero que tenha sido divertido e doce para vocês como foi para mim. Chegamos ao penúltimo capítulo da história. As coisas aqui estão mais tranquilas e até mais esperadas, mas eu espero que seja tão agradável para vocês lerem quanto está sendo para mim ao escrever. Estou fazendo de todo o meu coração. Antes do capítulo, quero agradecer aos comentários de hinadiva, Luciana Neves, Regilange, João Victor, Paty Uzumaki e SrtaSus. Vocês, como sempre, são demais, me fazendo ter mais ânimo a cada capítulo.

Capítulo 37 — With Arms Wide Open

Dreamcast de Following the Heartbeat

A primeira coisa que Naruto e Hinata conversaram logo após o rapaz conversar com o Sr.Hyuuga foi sobre a carreira da mulher. Hinata não se sentia confiante ou mesmo a vontade para voltar à cidade e muito menos voltar a cantar. Naruto havia explicado que pedira a Kakashi para comunicar seu afastamento temporário, e por isso a Hyuuga pediu que ele novamente solicitasse ao Hatake que agora informasse que Hinata não tinha data para voltar depois dos acontecimentos.

A decisão foi tomada no mesmo instante que decidira contar a ele sobre a gravidez. Ela iria se dedicar a seu filho. Exclusivamente a ele. Contra aquele argumento, Naruto nada pôde dizer. Antes, porém, que o loiro sugerisse que eles morassem juntos, Hinata comentou que gostaria de ter a sua gravidez em Konoha, uma cidade que apesar de visada por conta da tecnologia desenvolvida ali, era pequena e tranquila.

Apesar de ficar triste com aquela decisão, Naruto compreendia. Depois de tudo o que Hinata sofreu, como ele poderia não compreender? Imaginar que ela poderia ser assediada pela mídia e sofrer ainda mais, o destruiria. E Naruto não poderia pedir que ela aguentasse. Quando soubessem que os dois teriam um filho, não duvidava que encontrassem Hinata até mesmo ali.

O Uzumaki não pôde ficar nenhum dia a mais, pois não havia levado nada para lá, mas foi embora à noite prometendo voltar e ficar alguns dias com Hinata após resolver tudo com Kakashi. Durante um tempo, Naruto prometeu não divulgar a notícia da gravidez.

Assim que o rapaz foi embora, Hiashi chamou sua filha. Naruto havia lhe confidenciado que gostaria de pedir a mão de Hinata, mas receava que aquele medo da menina a impedisse de aceitar, levando em conta que teria de morar na cidade com ele. Hiashi prometeu que conversaria com Hinata e pediu que o rapaz tivesse paciência para lidar com aquela situação. As coisas iriam melhorar, ele garantiu, porque conhecia a filha tempo o suficiente para ter certeza da força que ela possuía.

— O que houve, papai? Algum problema com Naruto ficar alguns dias aqui em casa?

— Não, minha filha. Ele é o pai do seu filho e terei muito prazer em recebê-lo aqui, não se preocupe. Mas lhe chamei por conta da situação em que você se encontra. Sente-se, por favor. — Hiashi aguardou enquanto a filha se sentava e lhe esticou a mão. Um pouco confusa, Hinata segurou a mão do pai. — Sei que tudo o que passou não foi fácil. Ninguém espera que continue a sua vida como se nada tivesse acontecido, minha filha, mas não quero que deixe de viver por isso.

— Papai, eu apenas serei mãe.

— Não. Você evitará morar com o pai do seu filho, pois tem medo do que pode acontecer naquela cidade. Eu entendo e entendo que precisa de um tempo. Mas, minha filha, não deixe o seu meu lhe paralisar.

— Papai eu não...

— Você precisa dizer que um dia voltará. Esse é o primeiro passo. Quando sua mãe se foi, eu fiquei devastado. Não conseguia olhar para você sem me lembrar dela. Mas eu procurei ajuda, por que como iria dar o amor que a minha filha precisava sem olhá-la? Descobri que eu precisava primeiro decidir que faria isso. Cada dia eu tomava mais coragem, até quando consegui lhe olhar. E a sua dor era igual a minha. — Hiashi suspirou, sabendo que a dor de ambos ainda estava ali com aquelas lembranças. — Não irei lhe obrigar a procurar ajuda, você já é uma mulher, mas lhe indico isso. Pouco a pouco vai aprender a dominar o seu medo, a decidir voltar e levar sua vida adiante, seja ou não cantando.

— Eu vou, papai. — Ela se referia a procurar ajuda. Com o seu filho a caminho, tinha certeza que toda a ajuda era necessária.

Hinata se levantou e caminhou até o pai, contornando a mesa, e o abraçou em seguida. O momento não durou mais do que alguns minutos, mas foi o suficiente para os dois se emocionarem e Hinata sair da sala com o pensamento fixo na ideia dada.

Dois dias depois, ela entrava no consultório do psicólogo Yamato. O homem não era nada como Hinata esperava. Tinha cabelo curto e preto, olhos castanhos e grandes, ao contrário do que esperava e uma expressão neutra, mas ao mesmo tempo tranquila. O homem usava uma roupa comum, camisa social preta e jeans. Ao trocarem apertos de mãos, e cumprimentos, Hinata notou uma voz baixa e serena, a única coisa que condizia com o que esperava.

— Parece surpresa.

— Quando me indicaram o senhor, imaginei um pouco diferente.

— Deixe-me adivinhar: velho, com óculos e exibindo um jaleco?

— Exatamente assim — Hinata admitiu um pouco sem graça.

— Ah, esse era o meu pai. Mas é bom saber que estou lhe surpreendendo. Espero que consiga no quesito profissional também. Mas agora me conte, porque decidiu me procurar para conversarmos?

— Conversarmos?

— Isso é uma conversa. Você irá me contar o que te aflige e eu irei lhe ouvir e dar a minha opinião sobre isso. Podemos trocar ideias sobre como uma atitude pode lhe ajudar e, com sorte, daqui a algum tempo você não vai querer me ver tanto quanto agora.

Os dois sorriram com aquilo. Yamato deveria ter uns quarenta anos e dificilmente sorria, pelo o que Hinata percebera, mas era simpático e a fazia se sentir a vontade.

A Hyuuga contou sua história para ele, contou sobre cada detalhe. A cada palavra dita, era como se um peso saísse de suas costas, ou pelo menos, tudo o que carregava se tornasse mais leve. Yamato não dizia nada. Vez ou outra anotava alguma coisa em uma prancheta, mas mostrava atenção em cada palavra dita pela Hyuuga. Daquela vez, mesmo sentindo toda a dor que lhe era tão comum, não chorou.

— Meu pai sugeriu que eu viesse porque acha que eu estou com medo e que isso pode atrapalhar minha relação com o pai do meu filho e, futuramente, me fazer infeliz.

— E o que você acha?

— Acho que se eu me deixar ter medo por muito tempo posso magoar Naruto e me magoar também.

— Então, acho que já temos o que conversar nas próximas reuniões. Pouco a pouco podemos controlar esse medo, mas apenas se você quiser, Hinata.

— Eu quero. Meu filho não merece ser privado do pai por isso.

— O primeiro passo você deu ao dizer “eu quero”. O que faremos agora é deixar você confortável para se arriscar. O medo sempre vai existir, não importa se é em uma situação complicado como a sua ou ao andar na rua. Só vamos aprender a viver com ele de novo, combinado?

Hinata concordou e não deixou de ir nenhuma vez aos encontros com seu psicólogo. Ao contar para Naruto, viu a alegria dele ao perceber que ela estava pronta para seguir em frente. Ele, por sua vez, tentava a todo custo não contar nada a ninguém. Era difícil esconder sua alegria, mas nunca iria trair a confiança de Hinata.

Os meses se passaram e Hinata estava já com a barriga apontando. Cinco meses de gravidez. Com o progresso em suas sessões, como um dos passos para vencer o seu medo, Hinata permitiu que Naruto divulgasse a notícia de que seria pai. Até o momento, ela tinha permitido que ele contasse a seus amigos e a seus pais, mas não a imprensa.

Bastou um post em uma rede social. Uma foto de Naruto segurando um sapatinho rosa e um azul com a legenda indicando sua indecisão. Aquilo explodiu em likes, em visualizações, comentários e compartilhamento. Em poucas horas a imprensa entrava em contato com Kakashi, que confirmava que Naruto seria pai.

É claro que logo ligaram a paternidade do Uzumaki a Hinata, a Hyuuga que sumira desde o sequestro. Onde ela estava? O assunto retomou com força total naqueles meses, mas as redes sociais da jovem estavam todas sem atualizações.

Este foi o passo seguinte que começou a praticar. Ela limitava suas publicações públicas. Ino a convencera a tirar fotos todos os meses. Ela ia até a casa dos Hyuuga sempre que podia para visitar Hinata e seu mais novo afilhado.

Ao início do sexto mês, Hinata tirou uma foto com Naruto beijando sua barriga e foi ela quem publicou. Aquele foi o passo seguinte, pois ao marcar Naruto, ela sabia que estaria na mídia novamente. Seu coração batia acelerado quando clicou em “publicar”, mas o loiro estava ao seu lado, com um grande sorriso no rosto, e acariciando a barriga. Bastou 5 segundos para vários likes aparecerem e mais alguns para que comentários surgissem. Hinata se negou a ler todos, saindo da página e suspirando. Era uma tarefa difícil, as ficava feliz a cada passo que dava.

Não podia esconder-se do mundo, nem mesmo ao seu filho, por mais que quisesse. O que ela faria agora era prestar mais atenção, ser mais cuidadosa e confiar um pouco menos nas pessoas. Naruto aprendera a mesma coisa, tanto que passou a ser uma pessoa cautelosa com o que escrevia. Suas vidas eram vidas comuns, de pessoas como qualquer outras, mesmo sendo famosos. Ele prezava por sua privacidade muito mais do que antes.

Com o sexto mês veio também a tão esperada e temida visita aos pais do Uzumaki. Por mais que ele dissesse que os dois iriam adorar Hinata e que estavam animados com a notícia de serem avós, Hinata temia que, na verdade, a julgassem como uma aproveitadora. Era mais um medo que tentava vencer ao seguir de carro para a cidade de Naruto com ele.

Naruto falou a viagem toda, contando coisas que fizera quando criança e adolescente, sobre como sua mãe era brava e como seu pai sempre tentava apaziguar as coisas, mas que quando ele ficava nervoso era melhor não o fazer falar. A cada história que Naruto contava, Hinata se sentia mais relaxada. Pouco a pouco conseguia pensar que tudo acabaria dando certo no final.

Ao chegarem, Hinata viu o casal no jardim. A mulher ruiva cuidava das flores e falava sem parar, Hinata viu sua boa se mexendo. O homem, por outro lado, apenas sorria e dividia o olhar entre a mulher e as plantas que regava. Hinata via um amor imensurável naquele olhar, tanto que desviou o olhar, pois sentia como se estivesse espiando um momento íntimo.

— Eu digo que vou vir e você começam a se sugar de terra? — Naruto saudou os dois, que no mesmo instante se viraram na direção do filho. O sorriso alegre foi idêntico.

A mulher caminhou apressada, e mesmo sob protestos de Naruto que ela estava coberta de terra, ela o abraçou.

— Pare de murmurar, sou sua mãe e tenho todo o direito de te abraçar como eu bem quiser. — Finalizando sua fala, ela lhe deu um cascudo na cabeça.

— E assim foi estragada a apresentação de família normal que eu tinha programado para a Hinata. — Naruto riu, virando-se para Hinata e lhe estendendo a mão.

— Oh, esta é a Hinata, finalmente! — Kushina praticamente cantarolou quando a viu, com a barriga já aparente. — Oh, você é linda, minha querida! E olha que barriga pontuda! É menino!

Os homens riram e Hinata não deixou de acompanhar.

— É um prazer conhece-la, senhora. E ainda não sei, não deixou ver ainda.

— É um menino, eu tenho certeza! Quando fiquei grávida de Naruto minha barriga ficou exatamente assim. — A mulher sorria, puxando Hinata das mãos de Naruto e a abraçando. — Me desculpe pela terra. Achamos que Naruto chegaria mais tarde. Ah, e não me chame de senhora, não gosto de me sentir velha. Me chame de Kushina, tá bem?

— Claro, Kushina. — Hinata sorriu. Todo o seu medo fora infundado. Estava tão aliviada por Kushina ter lhe recebido bem e alegremente.

— Olá, Hinata, eu sou Minato, o pai de Naruto. — Mesmo se Naruto não tivesse dito que iria conhecer seus pais, Hinata não pensaria em nenhum instante que Minato era outra coisa do loiro. Apesar de muito do rosto dele ser da mãe, ao olhar para seu pai, o filho era visto.

— É um prazer conhece-lo, senhor Uzumaki. — Por algum motivo, assim que Hinata disse aquelas palavras, todos os três riram. Minato muito mais sem graça do que os outros dois.

— Desculpe, querida, você deve estar confusa. — Minato a pegou pela mão e passou o braço pelo seu. — Esses dois deixaram o meu nome de fora da fama. O nome de Naruto na verdade é Naruto Namikaze. Apesar de ele ter escolhido o nome da mãe para ser o seu nome artístico. — Enquanto explicava, Minato a levava para dentro da casa, sendo seguido por dois risonhos.

— Ah, qual é, pai! Eu só queria que ninguém ouvisse o meu nome e pensasse no grande advogado. — Hinata olhou de um para o outro após ouvir aquilo. — Sim, este homem ao seu lado, Hinata, é um dos advogados mais famosos do país, porém ele se aposentou bem cedo.

Hinata estava surpresa. Naruto nunca havia contando isso e não se lembrava de ver nada sobre isso em nenhuma entrevista. Ao olhar para a família de Naruto, mais especificamente para Minato, ela soube que apesar de parecer chateado, ele estava feliz de não ser mais solicitado ou reconhecido. Havia um orgulho nos dois por Naruto crescer sozinho.

Hinata ajudou Kushina na cozinha, mas sempre que pegava na faca, a mulher corria e tirava. Era até mesmo engraçada a preocupação que ela mostrava. Sempre que limpava a mão, Kushina ia até a barriga de Hinata e acariciava, falando palavras doces e chamando-se de vovó.

Quando Naruto foi ajudar o pai e as deixou sozinhas na cozinha, Kushina suspirou e lhe olhou. O medo latejou dentro da Hyuuga por alguns segundos.

— Sabe, eu nunca vi o meu filho assim. Ele está tão feliz em ser pai e mais ainda por você estar bem, Hinata. Quando ele foi falar com seu pai, em seguida veio aqui. Nunca o vi tão devastado. Não sei o que seria do meu Naruto se algo tivesse te acontecido. — Kushina estava confessando o que vira, mas Hinata sabia que vinha alguma coisa a mais. — Eu entendo que nunca mais queira a vida que teve antes, não a culparia. Mas, Hinata, como mãe, eu imploro que não faça o meu filho escolher entre o trabalho e você. Sei que ele a escolheria, mas sentiria falta da música.

— Eu nunca pediria algo assim, Kushina.

— Sei disso. Mas se você nunca pensar em estar com ele onde ele mora, onde ele é solicitado, um dia ele irá escolher. — Kushina deu um sorriso triste. — Vi que andaram postando algumas coisas. Está tentando, não é mesmo?

— Um dia de cada vez.

— Você vai conseguir. Posso lhe ajudar com isso hoje?

— Claro. O que a senhora gostaria?

— Ah, primeiro que não me chamasse de senhora. — As duas riram. — Pegue o seu celular. — Hinata não perguntou por que, apenas o fez. Kushina pediu que colocasse na câmera e as duas tiraram uma foto. ­— Agora, poste onde quiser. Pode me chamar de sogra. — A ruiva piscou para a nora e voltou-se para as panelas antes de continuar. — Minato diz que já está na hora de aparecermos mais com Naruto.

Hinata percebia o sacrifício que eles estavam fazendo, que até mesmo Naruto teria. Eles estariam se expondo. Estavam dando uma prova de que podiam controlar a própria vida, mesmo com todos sabendo quem eram e querendo saber o que faziam a todo instante. Sem hesitar, Hinata postou a foto.

Todo o resto do dia passou da mesma forma. Hinata viu algumas fotos de Naruto bebê e na adolescência. Em todas as fases ele era lindo. Queria que o seu bebê fosse como pai, esperava que fosse. Mas esperava que não tivesse a mesma energia que Kushina contava que Naruto tinha, ela não sabia se conseguiria acompanhar.

Ao final do dia, prometeu que voltariam antes do bebê nascer e que ela avisaria quando ele fosse nascer, para que os dois estivessem presentes. Hinata os convidou a ficar em sua casa, em Konoha, quando o bebê nascesse e prometeu que assim que soubesse o sexo ligaria contando.

Enquanto dirigia de volta para a casa da Hyuuga, Naruto contou que seus pais estavam apaixonados por ela.

— E como ser diferente, não é mesmo? — Ele finalizou, dando um sorriso.

No seu oitavo mês de gestação, Hinata recebeu uma vista inesperada. Ela estava sentada na cadeira de balanço na varanda dos fundos de sua casa. Sua barriga estava tão grande que ainda se surpreendia em como conseguia andar. Seu psicólogo agora vinha até sua casa para continuarem as sessões e Hinata ficava quase a tarde inteira na varanda.

Naquele momento ela tinha o rádio ligado em uma estação qualquer. Enquanto acariciava a barriga, cantava a música em voz baixa. Ela nunca havia perdido o gosto da música, ao contrário do que deixava as pessoas pensarem. Muitas foram as vezes que não conseguira dormir, pensando em letras de música. Tinha até pensado na possibilidade de escrever para outras pessoas, mas não conseguia levar o pensamento adiante ainda.

Boruto a chutou e ela sorriu, deixando a mão sobre a barriga no local que ele elevara. Descobrira que sua sogra acertara no ultrassom seguinte à visita que fizera. Seu menino era grande e saudável. E conseguia arrancar lágrimas do pai toda vez que o via.

Estava tão distraída, apreciando a reação do seu bebê à sua voz que não notou a presença até que a viu na sua frente. Em um segundo tomou um susto, mas em seguida sorriu. Ebisu, o seu antigo professor de canto estava ali, em sua casa.

— Ebisu! Que surpresa maravilhosa!

— Desculpe se lhe assustei. Sua governanta disse que eu poderia lhe encontrar aqui.

— Imagina! — Hinata acenou para a cadeira ao seu lado antes de dizer: — Sente-se, por favor. Gostaria de alguma coisa? Posso pedir para trazerem.

— Não, estou bem. Sua governanta já me perguntou e a qualquer instante ela deve me trazer água. Vim mesmo para lhe ver e conversar um pouco com você. Como está?

— Ah, eu estou bem. Boruto tem sido uma alegria sem fim para mim. Eu tive muito medo de não conseguir reagir, mas ele tem me dado forças.

— É o que dizem: filhos são dádivas. Fiquei surpreso, mas muito feliz em saber que estava bem e grávida. Tenho certeza que será uma mãe maravilhosa.

— Obrigada. Mas me diga, além de ver a minha enorme barriga, o que lhe trouxe aqui?

— Eu soube que está passando por um trauma grande desde aquele incidente. — Hinata deu um pequeno sorriso ao ouvi-lo e voltou a acariciar a barriga. — Tem medo, Hinata?

— Confesso que sim, professor. — Alguns hábitos nunca morriam, e chamar Ebisu de professor era um deles.

— Eu imagino que não seja nada fácil passar pelo o que você passou e não sentir medo de acontecer de novo ou pior, não é mesmo? Mas quando fiquei sabendo que esse medo estava lhe paralisando de novo, eu não consegui me conter e vim.

— De novo?

— Lembro-me muito bem quando você era uma jovem que estava com medo de participar da audição de um concurso porque tinha medo de ser julgada. — A lembrança arrancou sorriso dos dois. — Você tinha medo de algo que não conhecia. E novamente, tem esse medo. Dessa vez, por um motivo muito mais forte, é verdade, mas, Hinata, este caso em que um psicopata se aproximou de você e causou tudo isso é de um em um milhão. Sei que conseguiu tirar lições valiosas disso.

— Sim. Minha confiança nas pessoas, especialmente as que não conheço, nunca mais será a mesma.

— E isso é bom. Confiar demais é o perigoso. Mas me diga, o que aquela menina, que venceu o seu medo de julgamento lhe diria agora, ao ver que está deixando um sonho tão grande e criado junto com a mãe por medo?

— Ela estaria triste. A música era a paixão dela, e uma das formas que a fazia sentir a mãe.

— Está pronta para se desligar de sua mãe? Se desligar de uma parte sua? Quem tem o dom não é capaz de largar a música sem perder uma parte de si.

— Acho que não. Mas essa não é uma decisão que estou pronta para tomar neste momento. — Hinata voltou o seu olhar para a barriga e sorriu.

— Então deixe as pessoas saberem que você ainda ama a música. Se algum dia conseguir vencer o seu medo, elas estarão conscientes dos seus motivos.

Ebisu se levantou, caminhou até a Hyuuga e afagou sua barriga com carinho. Ele sempre fora o professor mais “carrasco” que tivera, mas sempre fora o seu preferido. Naquele momento ela entendeu por que.

Hinata e Naruto estavam sentados na cama, a TV do quarto estava ligada, mas nenhum dos dois prestava atenção no que passava. Naruto estava contando como fora o último show que fizera. Hinata gostava de ouvir as histórias que ele contava, em como as coisas estavam melhorando para ele depois do último bloqueio, que o fez começar o concurso em que eles se conheceram.

Agora Naruto se sentia muito mais confiança em contar a Hinata sobre sua vida artística novamente. Desde que Ebisu a visitara, Hinata permitia que Naruto postasse pequenos vídeos de ela cantando e Boruto se mexendo em sua barriga. Em nenhum momento ele mostrara o rosto de Hinata, mas a voz era inconfundível e pouco a pouco os fãs dela apareciam na página dele, pedindo por mais.

— Então nós tivemos que sair escondidos, porque a menina cismou que Sasuke estava dando mole para ela e nos seguiu até o camarim. — Os dois riam da situação. Tudo acontecera justamente com Sasuke, o mais fechado da banda.

— Ah, coita- — Hinata parou de falar ao sentir uma pontada na barriga. Sua expressão foi de dor e Naruto se empertigou ao seu lado. — Ai.

Assim que a exclamação saiu, Naruto sentiu a cama molhada. Aquilo só podia significar uma coisa!

— O bebê vai nascer! — gritou. — O bebê! — Levantou-se em um pulo e foi até a porta do quarto. Ao abri-la, gritou: — Hiashi! Hanabi! Neji!

Naruto voltou correndo até Hinata que tinha acabado de ter a primeira contração. Não era tão ruim quanto imaginou.

— Eu estou bem. Vamos ligar para seus pais para avisar e pegar as coisas. Preciso trocar de roupa também. — A dor tinha acabado. Será que era tão pouco mesmo? Tentou se levantar, mas Naruto a impediu.

— Não. Fique aí, não sabemos se pode andar.

— E como eu vou pro hospital?

— Eu te carrego. — O Uzumaki estava sem camisa, por isso correu ao pé da cama para a vestir.

No mesmo instante Hanabi apareceu correndo. Junto dela estava Konohamaru. Um segundo depois apareceu Hiashi, que olhou para Hinata.

— O bebê vai nascer, a bolsa estourou! — exclamou Naruto. O desespero estava em seu rosto.

— Tudo bem, Naruto. Vamos ajudar Hinata a se trocar. Quanto foi a dor, filha? — Hiashi havia passado por aquilo com sua esposa três vezes, sabia que seu neto ainda demoraria a nascer.

— Pouca. Naruto que não quer me deixar levantar.

— Está tudo bem, Naruto. Ela pode se levantar e andar até o carro. Quando a dor aumentar e o tempo também é que temos que nos preocupar. Vai dar tempo, tudo bem?

Hanabi já ajudava Hinata a ir até o banheiro enquanto os dois conversavam. Naruto entregou as bolsas a Konohamaru, que saiu para leva-las ao carro. Hiashi saiu para se trocar e ligar para Neji. Naruto calçou os sapatos enquanto ligava para os pais. O bebê estava vindo uma semana antes do esperado.

Durante o caminho até o hospital, a dor que Hinata sentia aumentava. Ainda havia um intervalo de tempo, mas ela sentia a mudança no seu corpo muito mais intensamente do que antes. Naruto estava ao seu lado, segurando sua mão, sua irmã estava do outro lado.

Por sorte, o hospital era perto. Eles não demoraram a chegar. Hiashi foi cuidar dos papeis da filha e Naruto a acompanhou até a sala de parto. Estava apavorado. Sabia que Hinata escolhera o parto normal. Ela era uma dessas mães que queria algo natural. Mas ele não estava pronto para ver o que aconteceria.

A médica disse que ela poderia andar pela sala e voltaria dali a dois minutos para ver se já havia dilatado. Quando a contração vinha, agora em um espaço de tempo muito mais curto, Hinata se curvava na direção da cama e Naruto esfregava seu quadril pelas costas. Apesar da dor, tudo o que Hinata emitia eram grunhidos contra a cama.

Quando a médica chegou, os dois suspiraram aliviados. Hinata tinha conseguido atingir a dilatação necessária. Logo ela estava na cama, as pernas abertas e apoiadas no alto. Naruto tinha se posto de costas para onde a médica se encontrava e lhe segurava a mão, uma coisa que tinha certeza que se arrependeria depois.

Quando a médica mandava, Hinata fazia força. Ela não conseguiria gritar, como via nos filmes, mesmo que quisesse. Toda a sua força só existia para soltar um gritinho fino. Quando parava de forçar, caía respirando rápido. A médica sabia quando as contrações vinham, de três em três segundos e esse era o tempo que Hinata tinha para respirar, depois, fazia força.

Ela sentiu. Quando Boruto finalmente começou a sair de si ela sentiu. Não conseguiria deixar de fazer força por mais que quisesse muito. Depois que seus ombros passaram, todo o corpo escorregou para fora e Hinata caiu ofegante.

Estava um pouco grogue, mas tinha certeza que via Naruto chorando. O motivo das lágrimas chegou no minuto seguinte. Boruto foi posto sobre ela. Estava enrolando em uma manta branca, ainda um pouco sujo, mas ela sabia que era porque estavam terminando o procedimento necessário.

Naquele segundo, quando seus olhos encararam os pequenos olhos fechados, o pequeno nariz, a pequena boca, todo o receio que tinha de sua vida caminhar para um caminho complicado se desfez. Ali estava o grande motivo de sua felicidade. Ele tinha sido sua esperança, depois a sua força e agora era a sua maior alegria e motivação.

Naruto se abaixou ao seu lado. Junto das lágrimas tinha um sorriso. Hinata sabia que estava igual a ele.

— Seja bem vindo, Boruto! — sussurrou o Uzumaki para o seu pequeno.

Notas finais
Boruto chegou! O que acharam, pessoal? Ficou muito confuso? Ficou bom? O que será que tem mais para acontecer? Último capítulo está chegando, pessoal. Semana que vem a história chega ao fim... E eu já estou com o coração doendo. haha