Following the Heartbeat

36 Capítulo 36 — New Perspective


Notas iniciais
Olha quem chegou aqui mais cedo! Hoje FtH completa 2 anos de postagem! Aos trancos e barrancos, aqui estamos. Tenho aqui leitores que acompanham tudo desde os primeiros momentos da história (né, hinadiva?), pessoas que chegaram um pouco depois e hoje me ajudam a manter essa fanfic viva. Muito obrigada a todos vocês. Por isso resolvi postar esse capítulo (que era pra ser o penúltimo) como um "presente de aniversário". Por isso, o parabéns é pra história e pra vocês que acompanham, especialmente hinadiva, Pamela Araujo, Regilange, Luciana Neves, Thammyzinhaa, PatyUzumaki, João Victor e SrtaSus, que comentaram no capítulo passado. ♥

Capítulo 36 — New Perspective

Dreamcast de Following the Heartbeat

Hinata sabia que aquele era um momento de comemoração e, talvez, se não tivesse passado as últimas semanas presa e sendo torturada enquanto seu carcereiro sabia que ela estava grávida, se sua vida não tivesse sido exposta de tal forma, ela poderia estar exultante de felicidade. Mas naquele momento, tudo o que conseguia pensar é que tipo de mãe ela poderia ser naquele momento.

— Gostaria de chamar alguém? — Ouviu a médica dizer, mas não compreendeu. Naquele momento, a médica também notou que a Hyuuga não tinha ouvido tudo o que tinha dito. — Disse que teremos que fazer uma ultra para saber como está o seu bebê e com quanto tempo você está. Por isso, perguntei se quer chamar alguém para acompanhar esse momento.

— Não. — Mesmo meio aérea, Hinata sabia que aquele não era o momento de falar nem com Naruto, nem com seu pai. Era uma conversa que deveria ser feita após todos estarem calmos e não tão assustados. — Prefiro não falar nada por enquanto. Todos estão com medo e pensariam que Toneri fez algo.

— Certo, compreendo. Então, por favor, deixe sua barriga e colo livres. Acredito que apesar de estar bem pequeno, vamos conseguir ver pela ultrassom. — A médica, por mais que não quisesse dizer, queria evitar que Hinata passasse por mais. Ela ainda não estava convencida que Toneri não tentara nada com a Hyuuga, mesmo que soubesse que nada tinha acontecido.

No fundo, Hinata estava triste por não conseguir aproveitar aquele momento. Queria se sentir mais viva, queria se sentir mais pronta, mas tudo o que conseguia pensar era em como tudo parecia errado naquele momento. Ela nem mesmo sabia se Naruto conseguiria ficar com ela, se aproximar. Na verdade, ela não tinha certeza de nada naquele momento, apenas que havia uma criança crescendo dentro de si.

Descobrira uma vida quando uma das vidas mais importantes para ela tinha deixado o mundo. Como ficar feliz quando se sentia tão mal?

Fez como a médica pediu, encarando a tela que lhe fora apontada. Não havia nada durante todo o tempo em que a médica se preparava, mas no segundo seguinte ela estava olhando para o seu interior. Por mais que não conseguisse identificar muita coisa, sabia que o espaço que deveria estar vazio, estava ocupado.

Era uma manchinha, com cabeça e o que deveria ser o corpo definidos. Nada mais. Era tudo o que ela conseguia enxergar. E no instante que percebeu isso, lágrimas caíram de seus olhos.

Por mais triste que estivesse, por mais que sua vida tivesse se tornado uma grande porcaria para todos verem, aquele momento lhe deu esperança. Aquela pequena manchinha na tela, aquele pequeno ser em formação dentro de si era a sua esperança.

Dentro daquela sala, Hinata teve a sua vida mudada radicalmente mais uma vez. Sabia que nada mais seria como antes, mas apesar disso, sabia que poderia ser feliz. Ela soube que seu filho estava com ela há dois meses e estava bem, apesar de tudo o que ela passou. A última informação lhe deixou muito mais aliviada e tranquila.

A médica receitou vitaminas e a encaminhou para tomar soro. Nenhum dos familiares foi informado, a pedido de Hinata, mas todos aguardavam, ansiosos e receosos. Asuma estava impaciente e foi ele quem se aproximou da moça quando ela apareceu.

Antes que o detetive da polícia pudesse dizer mais alguma coisa, Hinata informou que estava pronta para dar seu depoimento e acabar com aquilo. Informou a sua família e a Naruto que estava bem e que demorou por ter ido tomar soro, pois estava desidratada.

Tudo o que a Hyuuga queria era tomar um banho e ficar sozinha, tentar colocar seus pensamentos em ordem, mas sabia que era a última coisa que conseguiria naquele dia.

Todos seguiram para a delegacia, após Hinata passar por mais uma série de perguntas dos repórteres na saída do hospital, e ignorar cada um deles. Aquele assédio lhe deixou enjoada e à beira de um ataque de pânico. Desde quando ela tinha ataque de pânico, não sabia.

No carro, Hanabi e Ino pegaram suas mãos e apertaram. Era um consolo mudo que a tocou. Queria contar a elas que havia uma pequena esperança crescendo dentro dela, mas não podia. Ino estava abalada demais para pensar em sorrir e quando pensava no motivo, Hinata também sentia esse abalo em sua alma.

Naruto tinha ido para o hospital em seu próprio carro e seguiram para a delegacia com Shikamaru. Os dois trocavam algumas informações no caminho, mas tudo o que o loiro conseguia pensar por mais de alguns segundos era em como Hinata ficaria. Ela se mostrou nervosa na frente da mídia e, por isso, ele se recusou a dizer qualquer coisa, até mesmo para que todos se afastassem, como tinha vontade.

Shikamaru teve permissão de assistir ao depoimento de Hinata, já que ele estava presente em toda a operação e foi que ajudou a solucioná-la. Para nenhum dos presentes aquele momento foi fácil. Por mais que doesse, Hinata não omitiu nenhum fato, não diminuiu nenhuma de suas dores. A única coisa que evitou dizer foi de sua gravidez, mas deixou claro que tomara algo para vomitar e, assim, ficou rapidamente desidratada.

A Hyuuga não sabia quanto tempo ficou dentro daquela sala. Todo seu relato, desde a época que começou a ser ameaçada até o momento que foi resgatada, lhe causou um desgaste maior que imaginaria. Ao final, estava se sentindo pior do que nunca.

­— Acabou, senhorita Hyuuga. Você está liberada e espero que se recupere logo. — Asuma tentou passar tranquilidade para ela, mas percebeu que não funcionou.

— Não. Eu preciso saber o que houve com ele. Ele foi preso? Foi morto?

— O tiro não foi dado para o matar, senhorita — Asuma esclareceu.

— Toneri está morto — disse Shikamaru. — O tiro não foi dado para matar, porém, quando a ambulância chegou, ele tinha perdido muito sangue. Toneri morreu indo para o hospital. — Shikamaru não disse, mas a polícia não tentou evitar que ele perdesse sangue. Um psicopata preso era tão perigoso quanto solto.

Hinata nada disse. Nunca imaginou que se sentiria bem com a morte de alguém, mas aquilo significava que não haveria o pesadelo de Toneri retornar e lhe tomar o seu filho. Os pesadelos seriam de suas lembranças, não o medo do futuro.

Ao sair da sala, todos levantaram. Ela se sentia mal com aquela atenção. Por mais que soubesse ser apenas preocupação, precisava de espaço, precisava respirar.

Naruto foi o primeiro a chegar e a abraçou. Por mais espaço que precisasse, não poderia o afastar. Ela o queria perto sempre. Ao contrário do que até mesmo ele poderia pensar, não o culpava. Se lembrava a todo instante que aquilo não era culpa dela, tampouco. Ninguém era culpado.

— Preciso ir para casa. Preciso tomar um banho. — Sua voz era baixa e mostrava o cansaço que sentia. — Prometo que irei conversar com todos aos poucos, mas preciso dormir em minha cama.

— Iremos demorar um pouco até chegar em Konoha... — começou Hiashi.

— Meu apartamento, pai. Podemos ficar lá por hoje?

— Ah, claro. Posso alugar um lugar no hotel para mim e para Neji.

— Há espaço — apressou-se Hanabi —, há espaço no nosso apartamento. Vamos logo, Hinata parece cansada.

Ino se adiantou em silêncio até a amiga. Os olhos ainda vermelhos, mas ela não chorava mais.

— Me avise quando for o funeral? — pediu Hinata em tom baixo.

— Não vai ficar aqui?

— Não pretendo. Preciso me afastar de tudo isso um pouco. E como dizia Dorothy: não há lugar como nosso lar. — Ela tentou esboçar um sorriso, mas saiu triste e doloroso.

Virando-se para Naruto, que a olhava com receio aparente, ela suspirou. Precisava conversar com ele, mas não ali, não naquele dia. Precisava pensar antes.

— Você me visitaria em Konoha? Pretendo ir amanhã, mas se não puder ir, eu dou um jeito, só sei que precisamos conversar...

Antes que ela pudesse continuar, porém, Naruto tocou-lhe os lábios com o seu indicador. Ele não sorria, não conseguiria sorrir vendo tanta dor naqueles olhos que tanto amava, mas tentou demonstrar o seu amor naquele momento.

— Eu irei. Me avise quando quiser conversar e eu estarei lá. Não se preocupe quanto aos boatos, irei dar um jeito em todos.

— Não quero saber disso.

— Eles vão falar de qualquer jeito, Hinata. Mas já que está sem agente, ainda bem, eu vou falar com Kakashi e nós vamos resolver tudo. Confia em mim?

— Sempre — ela sussurrou e o abraçou mais uma vez.

Ambos queriam ficar juntos mais do que tudo, isso era mais do que visível, mas naquele momento precisavam estar separados e saber que nenhum dos dois corria qualquer perigo era mais do que o suficiente para tranquilizar seus corações.

Hinata fez exatamente o que disse que faria. Saiu da delegacia abraçada a seu pai e quando chegou em seu apartamento só se preocupou em tomar um banho, tomar um remédio para a ajudar a relaxar que a médica disse que poderia e deitou-se para dormir. Deixaria para pensar sobre sua vida e seu futuro no dia seguinte.

O dia estava começando a clarear. Hinata tinha chegado ao hospital no início da noite, mas ficara lá por horas, em seguida, mais muitas horas na delegacia. Quando Naruto conseguiu ir para casa, comer e tomar um banho, o dia começava a clarear. Ele não dormia direito há dias, mas não conseguia relaxar a ponto de conseguir fazer aquilo naquele momento.

Mesmo sabendo que era muito cedo, pegou o celular e apertou o número de discagem automática. Teve que esperar muitas chamadas até ser atendido, como já esperava.

— Você tem noção que horas são, Naruto? — A voz de Kakashi saiu sonolenta e um pouco abafada. Ele deveria estar deitado ainda.

— Hinata foi resgatada. Você soube? — O Uzumaki não queria saber se tinha acordado o agente. Precisava resolver tudo o quanto antes.

— É, eu soube. Todos os lugares estão anunciando isso. Vi os dois saindo do hospital. — Naruto sabia que por “os dois”, Kakashi queria dizer ele e Hinata.

— Era justamente sobre isso que queria falar com você. Hinata não tem mais um agente para falar por ela e, nesse momento, ela não se sente confortável para dizer qualquer coisa para a mídia.

— Quer que eu faça isso. — Kakashi não era bobo, sabia onde o Uzumaki chegaria. Na verdade, quando viu os dois, imaginou o que aconteceria.

— Exatamente. Eu pago. Você vai se apresentar como o agente da Hinata. Não precisa dar muitos detalhes, só dizer que ela sofreu um grande trauma e no momento não se sente pronta para contar mais sobre. Pedir a compreensão dos fãs... Essas coisas.

— Ela está de acordo com isso, Naruto?

— Eu não... Não falei com ela sobre isso. Na verdade, só disse para ela ir para casa e descansar, que cuidaria de tudo. Me ajude, Kakashi, por favor, ou nunca vão deixar a Hinata descansar e ela precisa disso.

— Tudo bem. Vou entrar em contato com algumas pessoas que conheço e vou dar essa declaração. Agora, Naruto? — Os dois aguardaram enquanto Kakashi suspirava. — Descanse e cuide da menina, ela irá precisar de você também.

— Eu vou. Obrigado, Kakashi. Nos falamos mais tarde. — Naruto esperou o outro desligar e fez o mesmo, se jogando na cama.

Por mais que quisesse estar com Hinata e ter certeza que ela estava bem, que tudo iria ficar bem, naquele momento finalmente conseguiu relaxar. Algo lhe dizia que tudo se acertaria aos poucos. Ele, enfim, conseguiria dormir tranquilo.

Hinata acordou ao sentir-se observada. Por um segundo imaginou que o pesadelo que tinha se transformado sua vida não havia acabado, mas quando abriu os olhos encontrou seu pai sentado no pé de sua cama. Havia uma preocupação aparente junto a tristeza em seus olhos.

— Não queria lhe acordar.

­— Não tem problema. — Hinata se sentou na cama ao lado do pai e deixou que ele a abraçasse.

— Eu sinto muito por não ter conseguido lhe proteger, minha filha. — A voz de Hiashi estava embargada. Havia uma angústia sofrida em cada nota do que dizia.

— Papai, ninguém podia fazer nada. Por favor, não se culpe.

— É o meu dever como pai garantir que esteja bem. Eu prometo que vou fazer de tudo para que fique bem, minha filha.

— Só de ter o seu apoio, isso será o suficiente. ­— Hinata deu um pequeno sorriso e se deixou relaxar nos braços do pai. Isso acontecera diversas vezes quando era criança e se sentia triste por alguma coisa boba. Naquele dia, porém, seus motivos eram muito reais, e mesmo assim se sentia segura nos braços de Hiashi.

— O que gostaria de comer? Posso comprar e tomamos um brunch todos juntos. Depois podemos lhe ajudar com as malas.

— Prefiro que apenas Hanabi me ajude com as malas, ela sabe onde está tudo aqui. — Hinata já se levantara enquanto falava. — Mas eu aceito donuts. O resto vocês podem escolher.

— Eu já imaginava. ­— O sorriso de Hiashi foi sincero. Ele se lembrava do que sua esposa fazia com Hinata quando a menina se sentia triste: donuts de todos os jeitos que ela queria. Hinata sempre acaba com um sorriso no rosto.

— Obrigada, papai. — Ela se inclinou e deu um beijo no rosto de Hiashi. — Vou tomar um banho, tudo bem?

Hiashi saiu assim que s levantou e deu um beijo na testa da filha. Assim que a porta foi fechada, Hinata seguiu para o banheiro em anexo ao quarto. No dia anterior tomara um banho rápido. Estava exausta. Porém, naquele momento, debaixo do chuveiro, ela conseguiu examinar seu corpo.

Estava muito mais magra do que deveria estar. Não comera nada nos últimos dias, nas últimas semanas. Também tinha várias manchas roxas por seu corpo, algumas ficando amareladas, o que significava que logo iriam sumir. Mas o pior estava em seus pulsos e tornozelos. Por sempre ficar amarrada, aquele lugar tinha ficado ferido. A médica até mesmo recomendara uma pomada para passar até que tudo sumisse.

Quando lavou a cabeça se lembrou da bola de metal que levara na cabeça. Tocou o lugar e quase não doía mais. Ao olhar no espelho notou que o local estava amarelado e não tão ruim. O pior passara. Como tudo em sua vida.

Olhou para seu corpo, abaixando a cabeça e tocou o ventre com as duas mãos. Aquela criança era a sua nova vida, a prova de que o pior passara. Ela estava bem, mesmo que Hinata não estivesse. Junto a emoção que sentiu, veio o alívio. Por mais difícil que aquele período pudesse ser, ela seria forte e esperaria seu filho com felicidade.

Com seus pensamentos mais organizados, saiu do banheiro e vestiu uma calça jeans e uma blusa cinza de mangas compridas. A blusa ficou ainda mais larga do que era normalmente por conta de seu peso abaixo do normal, mas se sentiu melhor assim. Calçou uma bota baixa de cano baixo e cor nude. Estava pouco arrumada, afinal, era uma roupa que iria para a aula se ainda estivesse na universidade. Mas estar tão simples significava que ainda era ela e que estava pronta para voltar para casa.

Ao abrir a porta do quarto deu de cara com sua irmã, a esperando.

— Papai disse para eu ficar e te ajudar com a mala. Ele e Neji foram comprar as coisas para comermos.

— Ah, ótimo! — As duas entraram no quarto e Hinata puxou as duas malas que eram guardadas embaixo da cama.

— Você não pretende voltar?

— Eu não... Não sei quando posso estar pronta para isso, Hana. — Hinata achou melhor ser sincera. — Chame alguém para dividir apartamento com você, mas não qualquer um.

— Eu chamaria o Konohamaru, mas papai iria enlouquecer com a ideia. ­— A mais nova riu e, pela primeira vez, Hinata a acompanhou com sinceridade. — Estive pensando em Ino, será que ela aceitaria?

— Acho uma ótima ideia! Mas seria bom vocês duas combinarem quanto a namorados, Ino e Sai costumam ser indiscretos...

— Ah, dica anotada. — Hanabi passava mudas de roupas para Hinata enquanto falava. Porém, assim o assunto acabou, a tensão apareceu nos ombros da mais nova. — Hina, seu quarto vai continuar vazio, esperando por você.

— Não posso pedir isso e nem garantir que vou voltar, Hana. Eu... — Hinata queria falar com seu pai primeiro, mas precisava de uma amiga, da sua mãe ou, no caso, sua irmã. — Hana, senta aqui — pediu, sentando-se na cama e encostando a mão no espaço ao seu lado.

— Você vai me contar o que houve, é isso? Hina, você não precisa se não estiver pronta.

— Eu estou. Você é minha melhor amiga desde que nasceu. E é por isso que vou precisar de você do meu lado quando contar para o papai. — Hinata via que Hanabi estava com medo do que poderia vir. — Toneri nunca abusou de mim. Ele me torturou, sim. Fazia isso para que quando vocês vissem como eu estava, para quando Naruto visse como eu estava, ficasse desesperado. Era um jogo para ele, uma forma de eu ser vista e, consequentemente, ele também.

— Ele estava usando a sua imagem pública... — sussurrou Hanabi, percebendo o quão bem ele conseguira aquilo.

— Isso. Mas ele não era um viciado em sexo ou algo assim, pelo contrário. Ele me deu algo no que eu bebia e sempre que isso acontecia, colocava tudo para fora, por isso fiquei tão ridiculamente magra... — Hinata suspirou. Ela tinha que esclarecer que não havia nenhuma chance desse bebê ser de Toneri. Se fosse, ela tiraria? Aquele pensamento lhe veio a mente em um momento errado, pois logo ficou pensativa.

— Hina? — Hanabi a chamou, percebendo que Hinata ficara longe. — Hina, não precisa continuar, eu entendi...

— Não! Digo, não, eu não contei o que preciso. — Com um novo suspirou, Hinata tomou coragem para continuar: — E de alguma forma, desde o início, Toneri sabia o meu estado. Coisa que só fui descobrir no médico. — Quando encarou a irmã, Hinata percebeu que ela estava com medo do que se seguiria. — Eu estou grávida, Hana. Do Naruto, é claro.

Os olhos de Hanabi se arregalaram e lágrimas começaram a surgir. O olhar seguiu para a barriga de Hinata, como se esperasse ver algo que não tinha visto antes. Na cabeça da Hyuuga mais nova as duas últimas frases se repetiam vezes seguidas, mesmo que tudo não passasse de segundos.

— Hina, eu... Eu não sei o que dizer. Como está se sentindo?

— Confusa. Com medo — admitiu Hinata em um fio de voz. — Me sinto quebrada, mas com esperança. Não sei como dizer isso ao papai e muito menos ao Naruto.

— Vai dar tudo certo. Eu vou estar com você a todo instante, eu prometo. — Hanabi se inclinou e abraçou a irmã. — Tenho certeza que Naruto ficará feliz.

Mas ele realmente ficaria? Tudo o que Hinata queria saber é como contar aos dois homens que estava grávida. Queria saber como seguir sua vida com aquele medo. Queria saber como ser uma boa mãe, como a sua fora.

A viagem até Konoha foi feita de carro, como eles faziam frequentemente e aconteceu de forma calma. Ao contrário do que Hinata esperava, não havia nenhum fotógrafo ou repórter na porta de seu prédio. Ela não sabia, mas naquele momento Kakashi estava falando com eles sobre o seu sequestro.

Naruto conseguira ajuda de Neji para programar a hora certa em que eles sairiam. Todos sabiam onde a família de Hinata morava, mas se não soubessem que ela tinha ido para lá, não iriam procurá-la tão cedo. E o Uzumaki esperava que aquela coletiva atrasasse um pouco mais essa procura.

Hinata, por outro lado, se sentiu bem mais tranquila ao não ver ninguém a sua espera e conseguiu dormir durante o trajeto. Hanabi segurava e acariciava sua mão durante o percurso. Naquele momento, a irmã mais nova fez o papel de sua mãe, ou como Hinata imaginava que seria a reação de sua mãe naquele caso.

Quando chegou, foi direto desfazer as malas. Ela acreditava que uma pessoa só fixava seu lugar quando as malas eram desfeitas. Com a ajuda de sua irmã tudo foi feito bem rapidamente e puderam se reunir para um lanche antes do jantar.

Enquanto conversavam, apenas as duas, Hinata decidiu que não esconderia da família o seu estado. Eles mereciam que fosse sincera e se precisava do apoio e ajuda deles, então não poderia omitir nenhum fato. Com o apoio de Hanabi, decidiu que a conversa seria naquela noite, após o jantar.

Os Hyuugas sempre jantavam no mesmo horário todos os dias, por isso, mesmo quando estavam no trabalho, era certo que deveriam sair ou avisar de seu atraso para comparecer. Almoços e cafés da manhã nem sempre eram feitos com todos reunidos, mas o jantar sim. Era uma regra que Hiashi nunca abria mão, nem mesmo quando as duas filhas estavam morando em outro lugar. Ele e Neji mantinham a tradição.

Naquela noite, porém, Hiashi estava contente. Tinha a sua família completa à mesa. Após tantos dias de angústia, de medo e desespero, ele finalmente tinha todos os seus filhos sob o mesmo teto e, o que era mais importante, estavam bem.

Hinata permaneceu em silêncio durante todo o jantar, enquanto Hanabi tentava fazer com que todos falassem sobre assuntos leves e descontraídos. Desde pequeno ela conseguia unir a família nas reuniões com sua “tagarelice”. Era uma qualidade que todos agradeciam naquele momento.

Porém, ao final da refeição, quando se dirigiram para a sala de estar, Hinata se sentou de modo a ficar de frente para todos. Naquele momento sabiam que ela iria falar. A tensão tomou conta de cada um dos presentes. Hiashi pediu à governanta que ninguém os incomodasse e a mulher se retirou do local.

— Filha, tome o tempo que precisa. — Hiashi tinha visto a filha suspirar, vira o nervosismo em seus olhos e em suas ações.

Hinata apertava uma mão na outra e não conseguia olhar para nenhum deles por muito tempo, sempre desviando o olhar para o chão. Hanabi, percebendo aquilo, sentou-se ao lado da irmã e lhe apertou a mão.

Naquele momento ela começou a contar. Desta vez deu detalhes de tudo o que Toneri havia feito. Seu pai precisava saber e ela tinha conhecimento que ele nunca descansaria até saber de tudo. Via a tristeza e a raiva nos olhos do homem a sua frente, mas viu o alívio quando contou o que a médica disse, sobre ela não estar nada mais do que desidratada por conta dos contínuos vômitos e falta de comida.

— Mas no hospital descobri algo que vai mudar a minha vida completamente também. Eu não estou doente, como já falei. Mas sinto que posso decepcionar vocês dois mesmo assim. — Enfim colocou em palavras o que pensava. Sabia que seu pai era conservador, sabia que ele ficaria insatisfeito em saber que sua filha estava grávida e não havia certeza se o pai assumiria. — Mesmo que isso cause um afastamento entre nós, eu não seria capaz de negar a esperança que essa descoberta me trouxe.

Hanabi sorriu, olhando para a irmã. Se havia um momento que Hinata precisava de esperanças era aquele e ela ganhara. Por mais que pensassem que não era o momento, ela sabia que era o momento perfeito.

— Eu estou grávida. — Esperou alguma reação. Olhou para seu pai e para seu irmão. Os dois pareciam chocados, mas não com raiva... ainda. ­— Não é de Toneri, como devem imaginar depois do que contei. Acabei de fazer dois meses, segundo a médica.

— Naruto. — Foi seu pai quem sussurrou o nome do loiro.

— Sim. Sei que não é o que gostaria para mim, sei que não tenho garantias dele, posso ter de criar essa criança sem que ela saiba quem é o pai, mas eu o amo. Amo esse bebê.

As palavras surgiram junto com o conhecimento daquele sentimento. As lágrimas brotaram em seus olhos da mesma forma que acontecera quando vira aquela manchinha na tela do consultório. Ela amava desde o momento que o vira. Nada poderia mudar isso.

— Minha filha... — Hiashi começou, mas engasgou. Hinata percebeu que seu pai estava chorando. Estaria ele chorando de decepção? O homem se levantou e caminhou até onde a filha estava. Ajoelhando-se, pegou as mãos de Hinata. Havia um pequeno sorriso, discreto, nos lábios do patriarca. — Sinto muito se passei a impressão que iria lhe abandonar neste caso, que ficaria decepcionado com você. Hinata, você e seus irmãos são o meu orgulho. Esse seu filho será o meu neto. E eu serei feliz em poder lhe ajudar em tudo que puder, minha filha. Depois do que aconteceu, de imaginar que eu poderia lhe perder... A afastar de mim não está em questão nunca mais.

Sem nada dizer, Hinata abraçou seu pai e deixou que a emoção a tomasse. Sem dúvidas Hiashi seria mais rígido se isso acontecesse antes do sequestro. O próprio sabia disso. Mas depois daqueles dias de trevas, tinha percebido que nada valia a alegria de ter os filhos por perto, de saber que eles estavam bem e felizes. E agora, uma vida estava chegando para alegrar sua filha. O que mais ele poderia querer para ser feliz também?

Com tudo resolvido entre sua família, Hinata se sentia mais leve para pensar sobre Naruto. Não conseguiu, porém, ligar para ele no dia seguinte, nem mesmo nos dias que se seguiram. Sentia medo. O amava, queria que ele estivesse por perto, mas sentia medo de ser rejeitada após tudo o que acontecera e, mais ainda, após a descoberta da gravidez.

O dia do funeral de Sakura chegou e por mais que soubesse que toda a imprensa estaria lá, pronta para abordá-la, não poderia abrir mão de prestar sua homenagem a luto a sua amiga. Sakura fizera aquilo como uma forma de a proteger, após se sentir culpada pelo dano que causara. Hinata não a culpava, mas sabia que se sentir culpado era o pior dos castigos. O perdão fora dado muito antes, mas pela família Haruno, ela estaria lá.

Seu pai a acompanhou, assim como seus irmãos. Ino estava lá com a família desde o início. As duas amigas estavam sem lágrimas, mas sentiam a dor da perda. As duas tinham sido amigas durante muito tempo, tinham se tornado uma família na Universidade. E apesar de aquilo não fazer muito tempo, era como se uma vida tivesse passado.

Havia muitos fotógrafos, mas a imprensa ficara do lado de fora do cemitério. Ninguém abordou Hinata em especial. A pergunta era feita a esmo, esperando que alguma pessoa respondesse, apesar dos cliques serem mais frenéticos em cima da Hyuuga. Era a primeira vez que a viam depois do ocorrido.

Naruto também estava lá. Hinata o viu de longe ao lado de Konohamaru. Ele estava, assim como todos ali, totalmente de preto. Usava camisa social e jeans preto. O cabelo loiro e os olhos azuis ficavam destacados com aquela roupa escura.

O dia estava frio, permitindo que Hinata usasse camadas de roupas que escondiam suas marcas na pele. Porém, mesmo frio, o sol brilhava. O dia perfeito, segundo Sakura. O tipo de dia que ela gostava de sair e sentar na praça em frente ao dormitório da universidade. Ino comentou isso em seu discurso sobre a amiga. E por mais que soubesse que havia muitas pessoas ali que publicariam o que ela diria, Hinata também fez o seu:

— Sakura foi uma das melhores amigas que tive na vida. Durante muito tempo ela tomou o lugar de mãe do grupo, dando conselhos e puxando nossa orelha. Ela era esforçada e, apesar de poucos saberem disso, sonhadora. Os sonhos de Sakura eram segredos para todos, até para nós. — Um suspiro e Hinata ouviu um soluço da mãe da rosada. — Seu coração era bom. Ela se doava de corpo e alma e foi assim que a vi pela primeira vez e pela última vez. Sakura sempre será uma das minhas melhores amigas. O que seria de nós se ela não estivesse em nosso lado? — Ino concordou naquele momento. — Sempre sentiremos sua falta, mas tenho certeza que também sempre estará olhando por nós, acalentando nossos corações e mostrando que sempre há uma chance de ser feliz.

Após terminar, Hinata foi até o Sr. e a Sra. Haruno. O abraço que deu em cada um foi longo e um conforto para ambas as partes. Quando voltou ao seu lugar, Naruto tinha ido para lá.

— Desculpe, não consigo me manter longe. Não mais — ele sussurrou.

— Não quero que fique. Estava com medo de te ligar.

— Medo? Hinata, tenho estado a sua espera todo esse tempo.

— Precisamos conversar. Pode encontrar comigo na minha casa amanhã?

— Iria até agora se precisasse. Mas sim, estarei lá amanhã. — Antes de se afastar, ele a abraçou e depositou um beijo em sua testa.

Hinata ficara com esse sentimento até o reencontro. Naruto não se atrasara nem um minuto. A campainha soou exatamente às 14h, como se ele estivesse todo o tempo do lado de fora, esperando a hora certa. Ao abrir, o loiro tinha um pequeno sorriso em saudação. Ele estava com receio, assim como ela.

— Vamos para a varanda? — Assim que ele confirmou com um aceno, Hinata o guiou pela cozinha, onde pegou suco para os dois e, em seguida, para o lado de fora.

A varanda era pequena, dando espaço para uma grande área de lazer, com piscina. Os dois se sentaram em cadeiras lado a lado e Hinata pareceu nervosa no mesmo instante.

— Hinata, eu...

— Não — ela pediu ­—, não fala nada. Eu preciso falar.

— Só me diz que não quer que eu me afaste, por favor. Esses dias todos longe só me deram mais certeza que eu preciso de você na minha vida.

— Talvez você queira se afastar — ela murmurou, fazendo com que o loiro ficasse confuso. — Antes de tudo, preciso te contar o que aconteceu.

— Eu sei o que aconteceu. Aquele louco fez tudo que é tipo de tortura com você, gravou e me enviou.

— Ele queria que você ficasse assim. Quanto mais furioso ficava, mas visibilidade ele tinha. Ele apenas me usou para se tornar conhecido.

— É. Ainda bem que ele está morto, ou eu poderia ser preso... — murmurou o loiro. As mãos estavam fechadas em punho e sua respiração estava pesada. Hinata, porém, não o queria assim. Colocou a mão sobre a dele, esperando até que a olhasse.

— Mas ele não fez de tudo comigo. Toneri nunca quis e nem precisou que eu o amasse. Ele nunca me tocou. Não do jeito que pode imaginar que aconteceu. — Não havia qualquer expressão em Naruto, mas aos poucos ela pôde notar o alívio. — Eu estou bem. Ele me fez ficar magra e desidratada tão rápido me dando alguma coisa para vomitar. Todos os dias, eu não conseguia comer nada. Tudo isso para chamar a sua atenção. Mas eu estou bem. Tenho exames que comprovam. Aos poucos, com as vitaminas, estou me recuperando.

E Naruto já podia ver a diferença. Ela ainda estava magra, mas não aparentava mais tanta fragilidade. Aos poucos, a vida voltava aos olhos e aos traços de Hinata.

— Porém, Toneri descobriu uma coisa antes mesmo de mim. Ele usou isso para me paralisar e para fazer com que Sakura agisse como uma mãe preocupada. E isso que ele descobriu pode mudar o que deseja para nós.

— O quê? O que foi? Você disse que estava bem. Você está doente? Por favor, eu não vou lhe deixar se estiver.

— Acalme-se. Eu não estou doente. — Hinata fez uma pausa, mas ao notar que Naruto começaria a falar, tomou a frente: — Eu estou grávida, Naruto. Grávida de você.

Não houve reação imediata. Era como se ele precisasse absorver aquelas palavras. Os olhos de Naruto pararam, fixos no rosto de Hinata, arregalados, mas não mostrando medo, e sim surpresa. De tudo o que ela podia dizer, aquilo era o que menos esperava.

­— Com tudo o que estava acontecendo, acho que esqueci de tomar os anticoncepcionais. Eu vivia em estado de alerta com Toneri e acabei esquecendo disso. Eu sinto muito. A culpa não é sua, não foi um deslize seu. Eu só achei justo que você soubesse, já que também é seu...

— Eu vou ser pai... — ele sussurrou de forma quase inaudível.

— Juro, juro que é seu, Naruto. Espero que acredite em mim. Toneri nunca me tocou.

— Eu vou ser pai. — Desta vez Hinata escutou. Em silêncio ela aguardou. — E você achou que eu iria querer me afastar?

— Nós nunca falamos sobre filhos e foi um deslize meu...

— Eu te amo, Hinata. Sabe o que é isso? Eu te amo. E não há motivos para que eu não ame ter um filho com você.

— Vão surgir boatos... Você é famoso.

— Você também é.

— Em breve vão me esquecer. — Naruto sabia o que aquilo significava. Ela não queria mais uma vida pública. E como a condenar se sua vida pública fora o motivo de tanto sofrimento.

— Não ligo. Que venham boatos, que venham especulações. Hinata, eu não vou abrir mão de você. — Ele sorriu. O primeiro sorriso genuíno em dias. — De vocês.

— Você está feliz. — E como sempre, bastou ver o sorriso de Naruto e ela sorriu. Ele era como o sol, trazendo vida para a Terra, trazendo alegria para ela.

— Sim! Eu vou ser pai e eu te amo! — Desta vez, Naruto gargalhou. Sem se conter, ele se levantou e a puxou para seus braços.

— Eu também te amo.

Notas finais
Feliz Aniversário para FtH! Esse era pra ser o penúltimo capítulo, mas ele ficaria MUITO grande, então o dividi. Teremos mais dois capítulos. Não estou prolongando, pessoal, eu juro! Eu não sei se até o final da semana vou ter escrito (quinta tenho que ajudar o pessoal aqui de casa a preparar as coisas para a sexta-feira santa e a páscoa), mas não vou demorar, isso eu prometo! E como um "mimo" simples, estarei disponibilizando para vocês dois marca páginas que fiz (e imprimi) da fanfic. Recomendo que se alguém fizer isso também, use o papel contáctil para deixar mais durinho e não estragar com facilidade. Link: http://imgur.com/a/pghqH Sem mais delongas, até mais! Amo vocês!