Following the Heartbeat

35 Capítulo 35 — The End of the Storm


Notas iniciais
Uma semana! Fala sério, pessoal, estou conseguindo bater meu record nas últimas semanas, não é mesmo? Isso se chama empolgação. Não sei quantos, além dos lindos que comentam, que estão acompanhando, mas estou ansiosa para terminar essa história. Sabem que vai fazer 2 anos, no dia 10/04, que eu a postei? Pois é, por isso gostaria de terminá-la esse mês (mesmo não podendo ser dia 10). Enfim, gostaria de agradecer a Pamela Araujo, Regilange, hinadiva, Luciana Neves, Paty Uzumaki e João Victor por terem comentado no capítulo passado. Vocês sabem como isso é importante e me alegra. Vocês são os melhores!

Capítulo 35 — The End of the Storm

Dreamcast de Following the Heartbeat

Durante vários minutos Hinata não ouvia nada do que acontecia a sua volta. Via, mas não prestava atenção nas pessoas que entraram no quarto quando Toneri caiu. Policiais checaram os sinais vitais do homem e falaram algo, mas a Hyuuga não ouviu. Houve mais movimentação. Asuma, o policial ao seu lado, falava com alguém. Ela o via mover os lábios, mas não conseguia ouvir suas palavras. Assim como Shikamaru, o homem que ainda a segurava e falava algo consigo.

Hinata estava em um estado de topor. As cenas que acabara de testemunhar estavam se repetindo em sua mente e quando relembrou a queda de Sakura, as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Foi neste momento, também, que voltou a si.

— Sakura. Precisamos ajuda-la. — Ela conhecia Shikamaru por conta de Naruto e foi com ele que falou.

— Sakura já está sendo atendida. Hinata, precisamos leva-la à delegacia para que dê o seu depoimento. — Asuma passara na frente do Nara.

— Não. Ela precisa ir ao hospital primeiro. Quero ter certeza de que ela está bem. Conheci Hinata antes desse sequestro e ela está muito abatida.

— Podemos leva-la ao hospital se quiser, senhorita Hyuuga, mas seus familiares devem estar lhe aguardando na delegacia.

Asuma tinha informado à delegacia que tinham conseguido resgatar Hinata e estavam indo para lá. Por isso, pedira que informassem aos familiares da menina para que eles a encontrassem lá.

— Quero ir ao hospital. Preciso. — Ela se lembrava do que Toneri dissera. Precisava ter certeza de que ele dissera a verdade. — Akiro também. Ele está aqui há muito tempo e não sei o quanto sofreu.

— Akiro? — Asuma virou-se na direção do menino que encarava o corpo caído de Toneri com os olhos arregalados. — Você é neto da senhora Misu?

— Quero minha vovó. — Ele repetia uma vez após a outra, ainda sem desviar os olhos de Toneri, esperando ele levantar e lhe dizer que nunca mais veria sua avó, como sempre fazia.

— Shikamaru, acompanhe a senhorita Hyuuga e Akiro até a viatura, por favor, vou pedir alguém para controlar a situação aqui e iremos ao hospital.

— Vejo você lá.

Shikamaru indicou o caminho à Hinata que, pouco a pouco, voltava a si. Ela que ajudou o menino a se levantar e o convenceu a ir com ela. O menino a abraçou pela cintura, deixando as lágrimas caírem em um choro sofrido. Ele sabia que enfim estaria livre de seu carcereiro.

Assim que entraram no carro, Shikamaru pegou o celular. Mesmo antes de ouvi-lo falar, Hinata sabia para quem o detetive estava ligando. Seu coração se acelerou e apertou ao pensar em Naruto. Ele vira tudo o que ela sofrera, ele sabia o que ela tinha passado, pois Toneri fez tudo isso para torturá-lo. E agora Hinata poderia estar grávida desse mesmo homem que, muito provavelmente, estava sofrendo junto com ela.

— Entre em contato com a família dela. Eles foram avisados que ela iria para a delegacia, mas houve uma mudança de planos. — Hinata voltou a prestar atenção na conversa de Shikamaru com Naruto quando o detetive entrou no carro. Ela estava abraçando Akiro, que pouco a pouco se acalmava. — Te explico melhor quando nos encontrarmos. Asuma está vindo. Até mais.

Shikamaru desligou o telefone rapidamente e o guardou com igual rapidez. Ele sabia que o detetive iria achar ruim Naruto e a família de Hinata no hospital, uma parada que deveria ser rápida, mas o Nara fora contratado pelo Uzumaki e por isso não iria abrir mão de avisá-lo o quanto antes. Sabia que iria ouvir reclamação, mas estava adiando para quando nada mais poderia ser feito.

A viagem foi feita em silêncio. Akiro havia dormido no colo de Hinata. A Hyuuga desconfiava que ele não dormia tão bem desde que fora sequestrado por Toneri. Enquanto o observava, tranquilo em seu colo, se perguntava o que tinha acontecido com Sakura. Sabia que uma ambulância fora chamada, pois Asuma entrou no carro falando sobre. Mas poderia ser para Sakura ou Toneri. Hinata preferia não se questionar sobre isso. Preferia ter esperanças de que a amiga ficaria bem.

Shikamaru e Asuma falavam baixo, justamente para que a moça, no banco de trás, não ouvisse. Isso estava deixando-a nervosa e ansiosa. Toneri estava vivo? Havia risco de ele fugir mesmo machucado? No fundo, Hinata sabia que sim. Se Toneri estivesse vivo ele daria um jeito de escapar e muito provavelmente iria atrás dela. Aquele pensamento fez com que sua respiração acelerasse e se sentisse angustiada.

Olhou a volta, com medo de que estivesse sendo observada novamente. Quem sabe ele não tinha mais algum cúmplice? E se ele já estivesse atrás dela nesse exato momento? O medo lhe tomou de uma forma que não tinha permitido antes. Isso porque até então achava que não havia como fugir, mas uma esperança apareceu e abrir mão dela naquele momento seria o mesmo que a pior tortura de todas.

— Estamos chegando, Hinata. — Shikamaru havia notado seu estado agitado, por isso olhou para trás. — Fique tranquila, está segura conosco. Eu lhe garanto que ninguém irá lhe fazer mal.

Apesar de toda a tortura, Shikamaru estava feliz que Hinata estivesse bem. Sim, ela se encontrava abatida, muito pálida e magra, mas estava bem. Estava viva, como ele tinha certeza que iria encontra-la. Seu dever estava cumprido.

Assim que estacionaram na frente do hospital, junto a algumas viaturas se encontravam carros da imprensa. No mesmo instante Asuma olhos para Shikamaru que sequer desviou o olhar da Hyuuga.

— Você comunicou a alguém, não é mesmo?

— Fui contratado por Naruto, não iria deixar de avisá-lo.

— Não dava para esperar até estarmos aqui? Olha o que a garota vai ter que sofrer...

— Por que há tantos repórteres? — Hinata decidira parar de fingir que não os ouvia. Era óbvio que falavam dela, que todas aquelas pessoas estavam ali por causa dela.

— Hinata, Toneri não mandou os vídeos apenas para Naruto. — Shikamaru decidira ser direto, pois logo notariam que eles estavam ali. Asuma suspirou e entrou em contato com os demais policiais, para ajudarem a escoltar Hinata até dentro do hospital. — Ele publicou na internet. Todos sabem não apenas que estava sequestrada, como também quem e o que acontecia.

Hinata nada disse ao ouvir aquilo, mas estava claro em seus olhos como aquilo a atingira. Sua vida fora exposta. Seu maior sofrimento, desde a morte de sua mãe, estava online para quem quisesse ver.

— Por favor, não me façam falar com eles agora.

— Isso não vai acontecer até que esteja pronta, senhorita Hyuuga. Venha, meus homens estão aqui para te escoltar até o hospital. — E realmente, quando Hinata olhou para o lado de fora, viu alguns homens já formando uma barreira ao redor do carro. Assim como vários repórteres caminhando e correndo na direção deles.

Bastou que a moça aparecesse saindo do carro para que flashes começassem. Era final de dia, o sol começava a se pôr e por isso os flashes se destacavam contra a pouca iluminação. Hinata não olhou para ninguém, mas virou-se para ajudar Akiro a descer. O menino estava assustado e por isso agarrou a perna dela. Enquanto andavam, com a ajuda dos policiais que abriam espaço, Hinata conseguia distinguir algumas perguntas gritadas pelos repórteres:

— Hinata, é verdade que estava presa com um antigo amor?

— Hinata, qual o motivo da tortura que passou?

— Hinata, quem é o garotinho que está com você?

— O que houve com Toneri? Vocês estavam mesmo se relacionando após o término com Naruto Uzumaki?

A Hyuuga abaixou a cabeça. A cada pergunta feita mais ela se sentia humilhada. Sua vida fora exposta. Toneri conseguira fazer com que ela fosse conhecida, como queria, mas no processo destruíra sua privacidade.

— A senhorita Hyuuga não irá responder nenhuma pergunta até prestar depoimento. Até, peço que deem licença, pois ela precisa ser examinada. — Asuma tomou a frente ao notar como Hinata parecia mais frágil após mais exposição.

Isso não afastou os repórteres, mas fez de Asuma o novo alvo. Shikamaru viu ali a oportunidade que precisavam para que Hinata pudesse continuar seu caminho com mais paz. O Nara se inclinou para o detetive e após alguns segundos trocando palavras, Asuma ficou com mais dois homens no meio dos repórteres e Shikamaru seguiu com Hinata e Akiro, ainda escoltados por policiais.

Uma enfermeira os aguardava na porta, onde os policiais ficaram para impedir que alguém invadisse o espaço. Mal a enfermeira os conduziu para a sala seguinte e Hinata pôde ver toda a sua família se levantar do sofá onde estavam sentados.

Seu pai foi o primeiro a chegar até ela. Desde que sua mãe falecera, Hinata nunca o tinha visto chorar. Mas era daquela forma que Hiashi se encontrava. O rosto estava vermelho e inchado. Em seus olhos podia-se notar desespero e desamparo. Ao olhar Hinata as lágrimas caíram mais intensamente, mas toda a sua postura ficou mais relaxada no momento que abraçou a filha.

Logo atrás dele estavam Neji e Hanabi, que sem se importar com o fato de o pai ainda estar abraçando a irmã, passaram os braços sobre os deles. Um abraço em família. Um abraço de desespero, por recuperarem alguém de fundamental importância para cada um deles.

Shikamaru havia se afastado com Akiro, entregando o menino à enfermeira e pedindo um momento para que Hinata pudesse falar com a família. Percebendo que a menina não estava em um estado urgente, aceitou e saiu com menino que ainda pedia pela avó. Shikamaru sabia que precisava avisar a senhora Misu sobre o neto, mas apenas Asuma tinha o contato. Teria que esperar o detetive voltar.

— É bom lhe ver bem, minha filha. O que você passou... Queria ter podido impedir isso. Eu sinto muito — Hiashi por fim conseguiu falar, ainda abraçado aos filhos.

— Eu sei, papai. A culpa não foi sua nem de ninguém. — Hinata não se sentia bem para falar sobre aquilo ainda, mas sabia que precisava. — Toneri era um psicopata. Não havia como ninguém saber disso.

— Era? O que houve? Ele está morto? — Só então Hiashi se afastou e olhou para Shikamaru.

— O senhor terá de conversar com o detetive Asuma sobre isso. Fiquei com Hinata todo o tempo, senhor.

Shikamaru tinha conhecimento do que acontecera com Toneri, eles sabiam disso, mas evitava falar, muito provavelmente a pedido de Asuma.

— Você está tão magra, minha irmã. Está se sentindo bem? — Hanabi por fim perguntou. A voz estava embargada pelo choro, mas tentava se manter firme.

— Não muito, por isso pedi para vir ao hospital. Pode ser apenas fraqueza, mas quero ter certeza que Toneri não me deu nada nesse tempo.

— Hinata... — A voz baixa de Neji a vez olhar para ele. Seu irmão tinha os olhos vermelhos, a expressão preocupada. Ele a analisava, tentando saber a realidade do que a irmã dizia. Mas assim que encarou os olhos tristes de Hinata, a abraçou.

Neji sempre fora o irmão protetor. Ele a protegera na escola, quando ela se mudara, quando ela começara e terminara a namorar. E agora, ela sabia, ele sentia que havia falhado em lhe proteger de Toneri. Queria poder tirar este sentimento dele, mas assim como aconteceria com ela, apenas o tempo curaria tais feridas.

Só quando Neji a soltou que Hinata o viu. Ele estava ao lado de Shikamaru durante todo o tempo. A olhava enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto. Via cada diferença no rosto de Hinata. Ela estava mais magra, como no vídeo. Ela estava abatida, cansada e amedrontada. Não importava o quanto ela se mostrasse forte, ele via o medo através dos olhos perolados.

— Naruto... — em um sussurro, Hinata falou seu nome.

Ele estava diferente do que lembrava. Naruto também estava mais magro. A barba estava grande como nunca vira até então. Seus olhos estavam vermelhos pelo choro e para completar seus traços, haviam recentes e fundas olheiras. Ele sofria, como ela imaginou que fosse o desejo de Toneri.

Em passos lentos, ele se aproximou. Hinata não se moveu. Os olhos estavam presos nos dele, suspensa naquele momento, ansiando para ter certeza que não era um sonho, que enfim estava livre e com ele novamente.

Seu desejo foi realizado no segundo seguinte. Naruto a envolveu em um abraço que a prendia contra si. Nenhum dos dois disse qualquer coisa, mas ambos deixaram as lágrimas caírem em silêncio enquanto o corpo sacudia. O pesadelo tinha terminado, mas deixaria marcas para sempre. Apesar disso, tudo terminara bem, porque tinham um ao outro.

— Você não imagina o quanto lhe procurei. Me desculpe por não ter denunciado esse maluco antes. Eu deveria ter feito desde o início, mesmo sem você querer. — Naruto só conseguira falar após vários minutos.

— As coisas aconteceriam de qualquer forma. Nada impediria Toneri, Naruto. — Essa era uma verdade que ela conhecera junto aos muitos discursos do psicopata.

— Eu sinto muito. Sinto muito se foi o meu amor por você... O nosso amor...

— Não. — Ela o cortou, deitando a cabeça em seu ombro e relaxando pela primeira vez de verdade naquele dia. — A culpa não é nossa. Toneri era doente. Ele nasceu doente.

Hinata falava no passado, não porque tivesse certeza que o homem havia morrido, mas porque era lá que queria deixa-lo e, eventualmente, esquecê-lo: no passado.

— Senhorita Hyuuga, estamos aguardando-a para os exames. — A enfermeira voltara para busca-la.

Agora era o momento que Hinata descobriria se Toneri estava mesmo certo ou se mais uma vez jogara consigo. Não tinha certeza se queria um filho daquela forma. Estaria ela pronta para isso? Se sentia tão quebrada que não conseguia se imaginar tendo uma vida que dependesse dela naquele momento. Mas, por outro lado, seria seu filho com Naruto, o homem que amara desde antes de conhecê-lo.

Enquanto a médica analisava os sinais vitais de Hinata, perguntando sobre como ela se sentia, se tinha alguma dor e se além das agressões aparentes ela havia sofrido alguma mais, Hinata só conseguia pensar em Sakura. Tinha tentado bloquear este pensamento ao máximo, agir com naturalidade e se mostrar bem para toda a família. Mas sempre que respirava fundo e parava de pensar em Toneri e em seu suposto filho, a imagem de Sakura vinha em sua mente.

— Hinata? Preciso colher seu sangue, para termos certeza que Toneri não a drogou de nenhum modo, tudo bem? — Hinata havia pedido aquilo à médica e, após fazer os exames mais simples primeiro, ela estava atendendo ao pedido da paciente.

Enquanto seu sangue era colhido, pensou em perguntar se havia a possibilidade de estar grávida. Estava sozinha com a médica dentro da sala, o que perguntasse ou dissesse estaria apenas entre as duas.

— Gostaria de dizer alguma coisa? — A médica percebeu o quanto ela estava aflita.

— Se eu lhe pedisse discrição, isso seria possível? Não quero alarmar ninguém, independente da resposta.

— Claro, Hinata. A não ser que isso afete sua saúde. Neste caso, eu devo sempre coloca-la em primeiro lugar.

— Gostaria de saber se é possível eu estar grávida? Se com o sangue colhido isso será possível.

— Acha que pode estar grávida? De Toneri?

— Não! — Hinata arregalou os olhos, a respiração falhando naquele momento. — Por Deus, não mesmo. Não aconteceu nada, doutora. Toneri, na verdade, é quem me disse que notou isso.

— Quer ter certeza, certo? — A médica então compreendeu. Com um pequeno sorriso, concordou em acrescentar o exame na listagem e manter a discrição sobre aquilo. — Está com medo? — O sangue, assim como o pedido dos exames, tinha ido para o laboratório do hospital através da enfermeira.

— Um pouco. Minha vida está uma bagunça. Acho que eu estou uma bagunça e uma criança...?

— Pode ser que ela venha ajeitar essa bagunça. Mas não sofra antes da hora. Você quer ficar com sua família até que os resultados dos exames saiam?

— A polícia não está ali fora me esperando?

— Apenas o detetive Asuma, mas posso pedir que eles esperem um pouco.

A médica saiu da sala e caminhou em direção a Asuma. Logo atrás dela foi Hinata, que se sentou junto de sua família e Naruto. No mesmo instante todos se viraram para ela, prontos para fazerem perguntas.

— Ainda estamos aguardando os resultados, por isso ela me deixou ficar aqui com vocês antes de ir prestar depoimento. — Eles acenaram em uma confirmação, mas antes que qualquer um pudesse falar, Hinata olhou para Shikamaru. — Detetive Nara? Gostaria de saber de Sakura.

— Hinata eu não...

— Senhorita Hyuuga? — Asuma tomou a frente após ouvir a pergunta da jovem. Ele tinha uma expressão dura no rosto, tentando esconder algum sentimento. — Sinto muito informar que sua amiga, Sakura Haruno, não sobreviveu.

Hinata tinha certeza que Asuma continuava falando, talvez sobre como eles fizeram de tudo para salvar Sakura, ou mesmo o quanto ela lutara. Era sempre isso que os médicos ou, neste caso, a polícia diziam. Era exatamente o que tinham dito quando sua mãe ficou doente, que ela lutara, mas que nada poderia ser feito naquele momento.

A Hyuuga apenas abaixou a cabeça e deixou que mais lágrimas caíssem dos seus olhos. A cada instante se lembrava de como Sakura fora uma boa amiga. Ela fizera escolhas que a destruíra, mas se arrependera de todas. Hinata sabia que Sakura havia se arrependido, pois bastou saber que sua amiga estava grávida, ainda que não fosse certeza, para se colocar no lugar de Hinata. Sakura morreu porque não conseguira sobreviver com suas escolhas.

O corpo de Hinata tremia com seus soluços. Naruto, que estava ao lado dela, passou os braços ao seu redor e lhe apertou em um abraço. Hanabi não conseguiu conter as lágrimas também, pois Sakura visitara sua casa muitas vezes, todos a conheciam bem. Neji deu apoio à irmã, enquanto observava a outra sendo amparada pelo Uzumaki.

Neji tinha mesmo acreditado que sua irmã não tinha mais nada com Naruto, mas ao que tudo indicava, estava enganado. De alguma forma, ver os dois juntos não lhe causou o desconforto habitual. Ele nunca achava que nenhum rapaz estava a altura de sua irmã. Elas eram preciosas e Hinata, em especial, era sentimental. Ele sempre vira Hinata como uma menina que se magoava com facilidade. Sua fragilidade era em sentimentos e ele via isso em suas músicas, que sempre a mostravam como um livro aberto.

Mas ao ver Hinata naqueles vídeos, sua força ficou muito mais clara. Ela tinha superado a perda da mãe e o descaso do pai durante anos. Tinha superado sua vergonha e conseguira realizar seu maior sonho. Agora, Hinata tinha aguentado semanas nas mãos de um psicopata que não se importaria em tortura-la, como de fato fez, e até mata-la. Junto de tudo isso, tinha perdido uma amiga. Se sua irmã não era mais forte do que qualquer pessoa que conhecera, então ele tinha que repensar o que era ser forte.

Naquele momento, quando Hinata ergueu sua cabeça, logo atrás de Asuma surgiu Ino. A loira estava com o rosto vermelho e, assim como o de Hinata, banhado em lágrima. Sai estava atrás dela, a segurando, mas ao ver que Hinata se levantara, soltou. No mesmo instante Ino correu na direção da amiga.

O choro que se ouvia era sofrido. Ino estava feliz e aliviada por ver a amiga bem, por a ver viva. Mas ambas estavam em luto.

— Ela me mandou uma mensagem — começou Ino —, pedindo desculpas por tudo o que fez e dizendo que iria te salvar. Ela bloqueou meu número depois, mas sei que era pra eu não a impedir. Hina, ela fez isso porque estava se sentindo culpada.

— Eu sei. Eu sei, ela me pediu desculpas. Eu a desculpei no mesmo instante. Ela...

— Ela se sentia culpa pelo bebê também, eu sei. Ela me disse. — As duas ainda choravam, mas tentavam se consolar, garantir que ninguém se sentisse culpada pela morte de Sakura.

— Ela não merecia isso. Ela merecia uma segunda chance. — Por fim, Hinata conseguiu verbalizar o que tanto a machucava. Ino apenas concordou em um aceno e voltou a abraçar a amiga.

Ninguém disse nada nos minutos que seguiam. As duas amigas eram as que mais sofriam com esta perda, eles precisavam deixar que passassem por isso.

A médica, porém, voltou. Vendo o que acontecia, não se pronunciou até falar com Asuma. Em um pigarro, entretanto, conseguiu a atenção de Hinata.

— Quer que eu vá com você? — Naruto quem perguntou, apesar de Hiashi estar a ponto de perguntar o mesmo.

— Não. Eu vou sozinha agora, obrigada. — Todos estranharam este fato. Talvez, eles pensavam, Hinata desconfiasse de alguma coisa e não quisesse contar. Mas ninguém falou.

Quando a Hyuuga entrou e se sentou na cadeira de frente para a médica, seu coração que tinha estado em pedaços pela perda da Haruno, voltou a acelerar. Sua perna começou a balançar sem que se desse conta disso, um típico sinal de que estava nervosa. Suas mãos começaram a suar também.

— Peço que tente ficar calma, Hinata. — Pediu a médica. — Vamos começar pelo mais preocupante. Quero lhe tranquilizar, pois Toneri não lhe drogou em momento algum, mas foi encontrado vestígios de um remédio usado para causar vômito. Provavelmente tem ingerido isso todos os dias.

— Sim. Enquanto comia sentia esses enjoos e não conseguia conter.

— Este é o motivo. Ele fazia isso para que não se alimentasse, acredito eu. Pelo o que me foi contado, ele queria causar impacto na aparência da senhorita e não há uma forma melhor do que lhe deixar desnutrida.

— Isso significa que não estou grávida? Toneri disse que meu enjoos eram por esse motivo, mas já que foi uma armação dele...

— Receio que não. O seu teste deu positivo. De alguma forma, Toneri sabia disso e usou esta informação contra você. Ou então ele não sabia e acertou sem querer, o que duvido muito.

— Estou grávida?

— Sim, senhorita Hinata. Gostaria de lhe parabenizar.

Notas finais
O que acharam? Esse capítulo foi complicado de escrever. Tentei passar como Hinata se sentia, um pouco apática, mas tentando se erguer pouco a pouco. O que aconteceu com sakura não foi esquecido no início, ela apenas tinha esperança de que tudo ia ficar bem e estava realmente preocupada em estar grávida. Quanto ao reencontro com Naruto, não fiz nada a mais, porque não tinha como levando em conta tudo o que aconteceu. Espero ter conseguido passar um pouco dos sentimentos confusos desse capítulo e o quanto toda essa exposição afetou Hinata. O que acham que vai acontecer? E ela está grávida! Como será que ela e os demais vão reagir? Façam suas apostas haha Capítulo 36 sendo escrito!