Following the Heartbeat
32 Capítulo 32 — Stay Alive
Notas iniciais

Capítulo 32 — Stay Alive
Dreamcast de Following the Heartbeat
Os carros estavam em alta velocidade, ultrapassando os demais que aos vê-los, abriam caminho. As sirenes estavam desligadas, apesar de acesas. Eles não queria chamar atenção, apenas não ter trânsito a sua frente.
Em um carro à frente, Shikamaru acompanhava o detetive Asuma, que falava no rádio rapidamente com os demais policiais.
Tudo começara com a ligação de Naruto no dia anterior, afirmando ter recebido um email de Toneri. Ao abrir o conteúdo, que o loiro havia encaminhado, Shikamaru ficou perplexo. A cada instante se surpreendia mais com o sequestrador e a surpresa não era algo que estava acostumado a lidar.
Com o email, porém, o Nara teve algo com o que trabalhar, e assim passou o dia inteiro burlando satélites e hackeando contas, até encontrar o endereço que tanto esperava. A casa era na cidade, porém passava desapercebida pela polícia por ser um lugar pequeno e no meio de um bairro “idoso”. Os bairros idosos eram comuns na cidade. A população que lá vivia toda se conhecia, cresceram juntos e, agora, envelheceram juntos. Se havia um lugar para Toneri se esconder, era no último lugar que procurariam por ele.
Shikamaru acionou a polícia assim que descobriu o endereço partiram no mesmo instante. Eram cinco horas da manhã, mas isso não impedia o trânsito de existir naquela que era uma das metrópoles do país. Tudo fora combinado às pressas entre os policiais e agora os detalhes estavam se resolvendo através do rádio.
Ao chegarem em frente a casa, uma viatura após a outra, os policiais saíram em formação, rodeando a propriedade com armas em punho e aguardando ordens de Asuma. Este, porém, analisava a casa do lado de fora. Se Toneri estivesse lá mesmo, como Shikamaru rastreara, eles teriam de tomar muito cuidado para que Hinata não fosse ferida. Mais do que isso, ele se perguntava se a presença deles e de seus companheiros já havia sido notada.
— Acho que devemos entrar. — Shikamaru se arriscou em falar. — Deixe seus homens escondidos. Logo irá chamar muita atenção, se é que já não fez. — Ali estava o medo de Asuma em poucas palavras. — Escolha mais dois e vamos entrar logo!
Acenando com a cabeça, o detetive acenou para dois policiais, que caminharam na direção dele no mesmo instante e, em seguida, com um gesto rápido deu ordens para os demais se esconderem. Em segundos, apenas os quatro homens estavam em frente a casa.
— Esses carros... O que estava pensando? — Shikamaru soltou, por fim, enquanto caminhavam para a varanda da propriedade.
— Isso não importa. Pelo email que Naruto recebeu, ele já sabe que estamos atrás de Hinata e se ele for tão bom quanto penso, já sabe que estamos aqui desde que entramos na rua.
— Muitos homens para pegar um único homem, não acha, detetive?
— Ordem veio de cima e tudo porque o pai da menina exigiu isso — explicou o detetive, mostrando seu desagrado com a situação também.
Eles tinham ordens de não bater, não esperar resposta. E a porta não se encontrava trancada. Ali Shikamaru teve a sua primeira suspeita que Toneri conseguira lhe enganar.
Todos tinham armas em punho, incluindo o Nara, assim como coletes a prova de balas. Estavam de guarda em alerta, assim como seus sentidos. Mas não havia nenhum barulho na sala que entraram. Parecia um lugar que era habitado, porém não o covil de um sequestrador. Mas estavam acostumados com lugares que não aparentavam ser o que eram.
Mexendo os lábios e sinalizando, Asuma deu ordens para se separarem. Os dois policiais seguiram no primeiro andar, procurando por um porão. Por experiência, esses eram os lugares preferidos pelos sequestradores colocarem suas vítimas. Asuma e Shikamaru, por outro lado, seguiram para o andar superior. Quando o porão não era o escolhido, sempre existia a chance de ser o sótão.
Porém, não tiveram a chance de verificar nada, pois ao chegar no segundo andar, ouviram um barulho vindo da segunda porta no corredor. Portas se fechando, talvez de um guarda-roupa, talvez de um esconderijo. Em uma breve troca de olhares os dois rumaram para lá. Shikamaru ficou na retaguarda, vigiando para caso um cômodo desse acesso a outro e Toneri não tivesse a chance de escapar.
Asuma abriu a porta de uma só vez, a fazendo bater na parede oposta com um barulho seco e alto. Mas o que viu foi oposto a tudo que imaginaria. Ali dentro uma senhora gritou, encolhendo-se em sua camisola. Uma senhora de cabelos brancos e expressões assustadas.
— O que está acontecendo aqui? — Asuma soltou, furioso.
Shikamaru teve mais uma suspeita ao ver aquela senhora. Toneri mascarara seu sinal. Ele deveria estar bem longe dali, ou mesmo muito perto. Tudo era possível.
Segundos depois os dois policiais que tinham entrado na casa apareceram no andar superior. Tinham ouvido o som da porta e o grito da senhora. O porão estava aberto e vazio. Era apenas a despensa da senhora da casa. Eles fizeram uma ronda na casa, apenas para garantirem que não havia mais ninguém ali e Shikamaru os acompanhou. Foi atrás de uma fotografia caída que ele encontrou o aparelho que o enganara. Mostrou a Asuma e eles colheram a prova, desconectando e voltando para a delegacia. Tudo o que tinham conseguido era mais uma pessoa para interrogar.
— A senhora conhece Toneri Otsutsuki? — O interrogatório começara assim que chegara à delegacia. A senhora Misu só teve tempo de trocar de roupa e teve de os acompanhar nas viaturas.
— Sim, senhor.
— Qual a sua relação com ele?
— Nenhuma, senhor. — Ela tivera a chance de chamar um advogado, mas a senhora revelou que não possuía nenhum. Neste caso, chamara um público, que estava agora acompanhando a interrogação e logo teria a chance de conversar com a senhora.
— O senhor Otsutsuki está sendo procurado por sequestrar uma jovem. Estávamos seguindo o sinal da última mensagem dele e, senhora Misu, o sinal vem de sua casa. Como explica isso?
— Toneri é um rapaz perturbado, senhor. Se ele souber que falei alguma coisa, irá matar o meu neto.
— O seu neto...? Senhora Misu, por favor, explique de onde conhece o senhor Otsutsuki e porque ele ameaça a vida de seu neto.
— Ele não possui família. Ao menos foi o que ele me disse. Precisava que eu fosse a sua avó em um evento da cidade. Disse que não queria parecer sozinho para uma mocinha que ele estava gostando. Porém, quando tentei ajuda-lo, dizendo que ele deveria explicar para ela que ele não tinha ninguém e contar o que aconteceu, ser honesto... Senhor, ele mudou. Ele riu. Riu de uma forma que nunca vi ninguém rir. A risada era fria e ele não ria com os olhos. E ele me disse com todas as letras que nunca poderia contar a ela a verdade, pois ela teria medo dele. Ele matou os próprios pais e tem o meu neto preso também! Foi assim que acabei sendo a avó dele naquele evento. Ajudei ele a enganar a mocinha que ele queria e ele me fez ficar quieta, mantendo o meu neto preso. Meu neto é tudo que tenho, detetive, e ele tem apenas dez anos.
— A senhora foi cúmplice e vítima de Toneri. — Shikamaru finalmente falou, dando um suspiro. Exatamente como acontecera com Sakura.
— Senhora Misu, vou encaminhar o seu caso para meu superior e ele irá lhe interrogar mais uma vez. Seu advogado poderá acompanhar todo o processo. Obrigado por suas informações.
— Por favor, encontrem esse louco. Encontrem meu neto! — Havia lágrimas nos olhos da senhora, mas ela se mantinha firme. Por mais louca que aquela história fosse, Shikamaru acreditava nela.
— Iremos encontra-los, senhora. — Asuma garantiu, mas soube que o número de vítimas aumentando, aumentava também a dificuldade daquele caso.
Eles voltaram ao ponto que estavam antes, mas com fatores ainda mais preocupantes, pois Toneri se mostrou um adversário mais perspicaz do que eles esperavam.
♪
Kakashi não sabia mais o que fazer naquele momento. Tinha acabado de ouvir muitas reclamações — e com toda a razão — do pessoal da gravadora. Eles não só teriam de avisar aos donos do espaço que eles teriam de devolver o dinheiro dos ingressos, como eles também teriam prejuízo. Não havia o que fazer, porém. Sem Naruto, sem show.
Naruto desistira do show faltando menos de uma semana para ele. Ele havia tentado, havia pensado em todas as coisas que poderia fazer, inclusive a música que cantaria. Mas nada disso fazia sua concentração voltar. Ele nunca conseguiria subir no palco quando sua mente e seu coração estavam tão longe.
Shikamaru o avisara do ocorrido assim que terminaram de falar com a senhora Misu. Ele tinha criado esperanças de que Toneri fosse pego naquele dia. Ele tivera esperanças que conseguiria ver Hinata naquele dia. Mas sua esperança fora massacrada pela realidade. E desde então ele não conseguia se concentrar em mais nada.
O celular vivia carregado e por perto. Naruto o fitava quase 24h por dia. Ele tinha certeza que logo Toneri voltaria a falar consigo. As pessoas estavam achando que ele não estava apaixonado, e sim doente. Sasuke falara aquilo para ele quando contou que não faria o show.
— Eu sabia! Era exatamente disso que eu estava falando quando disse que não era pra se envolver com essa menina. Você ficou fissurado nela assim que a viu. Isso não é amor, Naruto! Você está obcecado! E se essa menina morrer, você vai fazer o quê? — o Uchiha berrara.
Como resposta, Naruto lhe deu um soco. Foi instintivo, mas ele não se arrependia.
— Nunca, nem mesmo por um instante, volte a dizer isso. Hinata não irá morrer e muito menos por minha causa. VOCÊ OUVIU? — Ele poderia estar doente, como todos afirmavam, mas a culpa o corria tanto quanto o medo de perdê-la.
Fora com esses argumentos que Kakashi conseguiu aliviar a situação de Naruto com a gravadora e os organizadores dos shows. Porém, o segredo sobre Hinata estava revelado. Mesmo sabendo disso, Naruto não se importou. Ele cancelara o show pois tinha certeza que Toneri já sabia do envolvimento da polícia no caso. Não havia mais porque esconder, porém Deidara estava tentando ainda.
O cancelamento do show foi noticiado em todos os lugares, os fãs estavam desolados, ainda mais sem saber o motivo por trás daquilo. Como sempre, haviam as pessoas acusando Naruto de estrelismo, mas tudo o que ele conseguia pensar é que sentia muito. Por todos eles e por Hinata.
Ino ligara para o Uzumaki ao saber do acontecido, através de Shikamaru. Porém o loiro não a atendera. Por mais que sentisse vontade de falar com alguém que compreendesse sua dor, e talvez neste caso até a culpa, ele não sentia vontade de falar. Nem mesmo aos seus pais atendera. Ele se sentia doente, mas não conseguia evitar.
No dia do show, porém, o que tanto esperava finalmente aconteceu. Antes de abrir o email, foi direto ao computador e se conectou com o servidor passado por Shikamaru. Os dois tinham entrado em um acordo que qualquer movimento que Toneri fizesse seria monitorado pelo detetive.
Com o coração na mão e sem saber se funcionaria, Naruto abriu o e-mail.
UM SHOW PARTICULAR
Fiquei sabendo que seu show foi cancelado. Uma pena! Pensei que teria uma canção para ela. Mas veja, Hinata fez uma canção. Esta é para nós dois: o futuro amor e o que será do passado. Considere sua última música.
Em anexo estava o vídeo que ele tanto temia ver. Da última vez que ele vira Hinata ela estava em péssimas condições. Será que Toneri havia lhe machucado mais? Será que dessa vez ela estava bem? Ela escrevera uma canção... Ele se perguntava como ela conseguia. E se era para os dois, ele se perguntava como podia isso.
Clicou sobre o anexo e no mesmo instante seu coração se apertou ao ver Hinata. Ela estava magra, muito mais do que acharia ser possível. Ainda estava amarrada por cordas nas mãos e pés, mas estava sentada agora. Seu olhar era perdido, mas a marca em seu rosto estava mais clara, significando que ela não levara mais nenhum soco no rosto. Mas e seu corpo?
— Olhe para a câmera, princesa, irei tocar a música como fizemos antes, tudo bem?
A câmera estava na frente de Hinata e Naruto podia ouvir a voz de Toneri. Doce, mas doentia ao chamá-la de “princesa”. Hinata tremeu antes de erguer o olhar, sem qualquer brilho, para a lente da câmera. Naruto chorou em silêncio ao encará-la através da lente.
You trembled like you'd seen a ghost and I gave in
I lack the things you need the most, you said
Where have you been
You wasted all that sweetness to run and hide
I wonder why
I remind you of the days you poured your heart into, but you never tried
I've fallen from grace
Took a blow to my face
I've loved and I've lost. I've loved and I've lost
No início era apenas a voz de Hinata que preenchia o vídeo. Apesar de claramente mais fraca, ainda era a mesma voz que enfeitiçara Naruto como o canto de uma sereia. Apesar do sentimento bom de a ouvir, a letra lhe mostrava a dor que ela passava e se era mesmo uma canção também feita para Toneri, tudo fazia sentido. Ela misturava as partes, podendo ficar confuso para quem não estivesse a par da história, mas ele sim, ele sabia qual era para ele e isso doía ainda mais.
Explosions
On the day you wake up
Needing somebody and you've learned
It's okay to be afraid
But it will never be the same
A emoção que tomou conta da voz de Hinata naquele momento, fez com que a voz dela falhasse. Hinata estava chorando em silêncio, com algumas poucas lágrimas escapando de seus olhos e por esse motivo era fechara os olhos. Naruto, porém, não conseguira desviar o olhar, mesmo que suas lágrimas estivesse correndo por seu rosto também.
You left my soul bleeding in the dark
So you could be king
The rules you set are still untold to me and I
Lost my faith in everything
The nights you could cope
Your intentions were gold
But the mountains will shake
I need to know I can still make
Novamente ela abriu os olhos e dessa vez, mesmo com a dor, Naruto presto mais atenção no que ela fazia. Nas partes mais sombrias, Hinata parecia fixar os olhos na câmera com um fogo incomum. Ela tentava passar uma mensagem. Qual seria era o que ele se perguntava. As mãos estavam entre as pernas, mas dava para ver a corda amarrada nos pulsos, assim como a postura tensa que ela tinha.
Explosions
On the day you wake up
Needing somebody and you've learned
It's okay to be afraid
But it will never be the same
Era nítido, porém, que o refrão da canção, quando ela tinha que se entregar completamente, era a parte mais dolorida para ela. Novamente Hinata fechou os olhos e se entregou à canção. Em seu rosto, também, ficou clara a entrega à dor. Naruto levou a mão até a tela. Queria estar lá... Não, queria que ela estivesse junto com ele, não lá.
And as the floods move in and your body starts to sink
I was the last thing on your mind
I know you better than you think
'Cause it's simple darling, I gave you a warning
Now everything you own is falling from the sky in pieces
So watch them fall with you, in slow motion
I pray that you will find peace of mind
And I'll find you another time
I'll love you, another time
Ela não abriu os olhos naquele momento. Na verdade, Hinata se balançava levemente de um lado para o outro, exceto ao final da estrofe. Ao dizer que rezava por ele e que o amaria em um outro momento. Ele teve esperança apenas por um segundo. O olhar de Hinata acabou com essa esperança, pois ela fazia daquilo a sua despedida. Eles nunca mais se amariam de verdade, ele nunca mais a teria em seus braços.
Explosions
On the day you wake up
Needing somebody and you've learned
It's okay to be afraid
But it will never be the same
It will never be the same
Havia tido um pequeno espaço entre o que fora cantado antes para o refrão desta vez. Ela tentara conter as lágrimas, mas não conseguiu. Hinata chorava sem se conter enquanto cantava, as lágrimas banhando seu rosto. Mas Naruto não conseguia prestar atenção em mais nada. Ele só pensava que ela estava se despedindo naquela música. Porque ela sabia de algo que eles não.
Toneri a mataria.
Em um pulo, seu telefone tocou e torcendo para ser ela, atendeu sem ver quem estava ligando. Sua decepção foi instantânea ao ouvir a voz de Ino do outro lado.
— Ah, você atendeu! Naruto, por favor, não desligue, a coisa é séria.
— O que foi? — Não havia emoção em sua voz. Ino já esperava por isso.
— Toneri postou um vídeo de Hinata. Um vídeo dela cantando!
— O quê? — No mesmo instante ele foi para o navegador da internet, acessando o canal de Hinata. — Como ele pode ter conseguido fazer isso? Será que ele hackeou a conta da gravadora? Eles que colocam...
— Foi o que pensei também! E Naruto... Agora todos sabem que ele está com ela. Ele disse no vídeo.
— Vou ligar para Shikamaru. Vamos achá-la, Ino. Não aceito perde-la assim.
Ele desligou sem ouvir a resposta da Yamanaka, mas antes de ligar para Shikamaru, acessou o vídeo. Se ele dizia mais alguma coisa no vídeo que não lhe mandou, precisava saber.
— Olá pessoal, meu nome é Toneri. Vocês devem estar se perguntando o que estou fazendo aqui e também o motivo real de Hinata estar tão sumida. Ela está comigo. E mais uma novidade: agora eu que tomo conta de todas as contas dela, assim como sua carreira. E para verem como essa parceria na vida será proveitosa, Hinata já fez uma canção nova, inédita. Olhe para a câmera, princesa, vou tocar como fizemos antes, tudo bem?
O que se seguiu foram as mesmas cenas que Naruto já havia visto. Agora todos saberiam como ele estava tratando Hinata, como ela estava e o que estava passando. Se antes já se sentia mal e culpado, tudo acabara de ficar pior.
Enquanto a voz de Hinata permanecia, ele se levantou, andando de um lado para o outro do quarto e ligava para Shikamaru. Foi atendido no terceiro toque, mas não deixou o detetive terminar de falar:
— Eu me conectei antes de abrir, mas a coisa é muito mais séria, Shikamaru. Toneri hackeou a conta da Hinata que apenas a gravadora tem acesso. Ele a expôs na internet. Amarrada, machucada e cantando chorando. Tem que fazer algo. Precisa encontra-lo!
— Acabei de assistir o vídeo. — Shikamaru sempre falara muito pausadamente e sem pressa. E aquilo sempre deixava o Uzumaki nervoso. — Acho que não estamos lidando com uma pessoa comum. Tenho um palpite, mas vou precisar de mais algumas horas para confirmá-lo.
— Estamos nisso há dias!
— Mas estamos cada vez mais perto, Naruto. Encontramos um dos disfarces de Toneri ao encontrar aquela casa, mas vou conseguir acha-lo.
— Ele vai mata-la. — Finalmente conseguira colocar as palavras para fora. — Ela disse isso através da canção.
— Não. Ele não vai fazer isso até ter certeza que não pode mais usá-la ou à sua fama. Faz parte do meu palpite. Eu te ligo. Até lá, tente avisar ao pessoal da gravadora dela, passe o servidor e vamos tentar achar o sinal.
Nenhum dos dois se despediu antes de desligar. Naruto, imediatamente, discou para Deidara, mas ele não atendeu. Diversas e diversas vezes e nada. Com uma única ligação para a gravadora ele descobre que o agente não apareceu naquele dia e ninguém conseguia contatá-lo. Ele tinha acesso a conta de Hinata e precisavam de esclarecimentos.
Um gosto estranho surgiu na boca de Naruto, mas se recusava a perder as esperanças quanto àquilo. Ligou para Shikamaru no mesmo instante.
♪
O tempo entre uma ligação e outra de Naruto fora curta, porém fora o tempo necessário para que Shikamaru contatasse quem ele precisava. O que lhe restava era aguardar para obter as informações que precisava e confirmar ou não as suas suspeitas. Esperava que dessa vez estivesse no caminho certo, pois caso contrário ele não imaginava com quem estava lidando e muito menos com que mente estava trabalhando em oposição.
Quando atendeu a segunda ligação de Naruto, se preparou para dizer que ele precisava de tempo, que não podia resolver tudo rápido. Estava tão esgotado quanto o artista com aquela história toda. Mas o que ouviu lhe deixou ainda mais tenso e desarmado. No mesmo instante sua mente começou a lhe perturbar com diversas hipóteses, mas garantiu ao loiro que ia atrás do agente no mesmo instante, junto com a polícia. Naruto não o contradisse e ele soube que ambos pensaram na mesma possibilidade.
Entrara em contato com Asuma assim que entrou no carro, dirigindo-se para a delegacia. O mais velho garantiu que iria levantar a ficha de Deidara, para saber os seus dados e assim que eles chegassem, partiriam para a casa deste. E assim o foi. Deidara tinha três propriedades, sendo apenas uma na cidade, uma de sua família no interior e uma na cidade vizinha. Todas em seu nome.
Os dois detetives partiram sozinhos para a casa do agente na cidade. Era na verdade um apartamento, como muitos ali possuíam. Ao chegarem à portaria foram informados que Deidara não aparecia ali desde cedo, quando saíra de carro. O porteiro não sabia informar onde o agente estava, supondo que ele tivesse ido trabalhar como sempre.
Os detetives se entreolharam. Ambos pensavam da mesma forma. Asuma ligou para a delegacia, pedindo que tentassem falar com a família de Deidara e os dois partiram para a cidade vizinha. Em seu caminho, a ligação informando que a família de Deidara não o vira ou ouvira falar dele desde o ano anterior apenas fez com que os dois homens tivessem mais certeza daquilo que pensavam.
Asuma acionou a polícia sobre o desaparecimento de Deidara e informou onde eles estavam indo. Porém, não conseguiram chegar a seu destino. Havia uma estranha movimentação na saída da cidade. Ela era pouco usada, por ser pequena e deserta, mas haviam alguns carros parados, com algumas pessoas com seus celulares nas mãos. Vendo a polícia, as pessoas abriram caminho. Asuma e Shikamaru saíram do carro e caminharam para onde estavam aquelas pessoas. Um carro queimava na beirada da pista, o que fizera com que muitos que passavam por ali ignorassem o ocorrido, mas os curiosos aos poucos apareceram.
No mesmo instante Shikamaru teve um pressentimento ruim, que se confirmou quando ele viu o corpo no chão. O rosto estava desfigurado, uma pedra ensanguentada estava jogada ao lado de sua cabeça, a arma usada para causar tal atrocidade. Além disso, via-se a língua jogada no chão, esta tinha sido cortada, provavelmente antes de ele ter sido morto.
Mesmo com tanto sangue e tanta deformidade em seu rosto, Shikamaru reconheceu o corpo ali chão. Deidara estava morto. Asuma tentava não demostrar sua surpresa com o fato, mas falhava miseravelmente.
— Eu pensei... pensei que eles...
— Que eles estavam trabalhando juntos. — Shikamaru completou e sorriu friamente. — Ainda acho isso. A língua dele foi cortada, um sinal claro de que ele ou chegou a falar ou falaria algo.
— Isso é tudo... — Asuma suspirou, estava completamente esgotado. — Pessoal, vamos continuar a viagem, por favor. — Enquanto falava ele acenava para a multidão. O telefone de Shikamaru tocou e ele voltou-se para longe para atender. — Vou chamar reforços. — Asuma informou antes que o Nara se afastasse e caminhou para o carro.
— Nara. — Essa era a forma como Shikamaru atendia seu telefone e por um instante ele apenas escutou. Estava atento a sua ligação. — Certo, obrigado. — Ao desligar, continuou com o celular na mão e abriu o arquivo recebido por e-mail. Pela primeira vez naquelas semanas, tinha conseguido achar o caminho certo. — Asuma, preciso te mostrar uma coisa agora.
Os dois encostaram no carro, aguardando a perícia chegar com os reforços. A presença da polícia no local fez com que os poucos curiosos se dispersassem.
— Tenho um conhecido na Interpol que me ajudou a descobrir algumas coisas sobre o nosso criminoso. — A informação fez com que Asuma se mostrasse surpreso. Interpol? — Algo me dizia que Toneri, com toda essa inteligência não poderia ser um simples estudante de música. Passei uma foto dele e todo o histórico que tínhamos a esse meu conhecido. Não encontraram nenhum Toneri Otsutsuki, mas encontraram Haruma Kobayashi. Por coincidência, na certidão de nascimento de Toneri, Haruma é o nome de seu pai, enquanto que Kobayashi é o nome de sua avó. Porém, mais coincidentemente ainda é isto...
Shikamaru mexeu nos arquivos do celular e uma foto de um jovem, talvez com a mesma idade de Toneri ou mais novo apareceu na tela. Ele era mais albino, seu cabelo em um tom quase branco, assim como seus olhos, bem mais claros. Tirando essas pequenos detalhes, todos os traços de seu rosto eram os mesmo, apenas mais jovens. A pessoa demoraria alguns minutos, como Asuma demorou, para associar um ao outro, ainda mais se não estivesse pensando no rapaz ao olhar a foto. Mas todas as características estavam lá.
— Haruma cometeu quatro assassinatos nos estados unidos, onde nasceu antes de ser descoberto. Porém, antes de ser pego, ele fugiu do país. Há desconfiança de passagem dele por alguns países da europa, mas nenhuma confirmação. Alguns psiquiatras o caracterizaram através de estudo de suas ações como um psicopata. Difícil de pegar, cuidadoso até certo ponto, mas que não se preocupa em deixar seu rastro de morte. Ele não tem medo de ser pego, apenas busca fortalecer seu ego e conseguir o que quer. Não se importa em matar.
— Está me dizendo...
— Que segundo a Interpol... — Shikamaru disse e passou a imagem do celular para a seguinte, em que a analise tinha sido feita e lá estava Toneri, misturado a palidez de Haruma. —, Toneri é Haruma. Eles estão vindo para cá e pedem que não façamos nada até sua chegada. Estão atrás dele há muito tempo e não querem perder essa oportunidade.
— Estamos lidando com um psicopata!
— Sim, e algo me diz que o seu ego não vai passar despercebido aqui. — Apontou para o corpo de Deidara e, pegando uma luva no carro e a vestindo, ele se aproximou do corpo.
Asuma apenas olhava. Em todo o seu tempo de serviço, nunca havia se deparado com um psicopata. Diziam que eles eram normais, que estavam misturados na sociedade, mas ele nunca imaginou em ver um tão egocêntrico em seus feitos. Nunca havia visto um de verdade.
Shikamaru se abaixou ao lado do corpo e com a mão vestida com a luva, tateou pela calça deste. Não demorou para encontrar o que queria. O celular de Deidara. Deu um sorriso pequeno e se aproximou de Asuma, já mexendo no aparelho. Não havia senha e a página de saudação já estava no vídeo.
Ao clicar no play, o rapaz que viram na foto estava em frente a câmera, aparentemente segurando o celular. Ele sorria, como uma criança feliz. Seu cabelo mostrava uma tintura loira saindo e seu cabelo branco aparecendo. Shikamaru logo soube que ele usava bronzeamento ou mesmo maquiagem na pele e lentes de contato para mudar sua aparência. Ele era abino.
— Eu me pergunto o que deu no Deidara. Sabe, ele estava se saindo tão bem, sua carreira como agente estava voltando a crescer como ele queria e então, ele se tornou tão inútil. Eu preciso dizer, ele foi um ótimo cúmplice, me ajudou a ameaçar Hinata, a sequestra-la e até a fazer vocês acreditarem que eu não sabia de nada. Mas agora ele ia abrir a maldita boca. Não era o momento, vocês entendem? Agora eu vou ter que ajudar a Hinata a ser famosa em outro lugar e ela é tão apegada a cidade e a sua família... Pessoas que falam demais não vivem muito tempo, é o que sempre digo. Então, pessoal, vamos evitar perder a língua, não é mesmo?
O rapaz da uma piscadinha para a câmera, finalizando o vídeo ao mostrar a língua de Deidara no chão e o seu rosto deformado.
Ele queria que achassem aquilo, queria que todos soubessem que ele tinha conhecimento das buscas. Mais do que isso, ele queria fazer conhecido que ele iria embora com Hinata.
— Não temos tempo para a Interpol, Shikamaru. — E de fato, eles não tinham.
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Confiram também minha shortfic "O Sacrifício"
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