Following the Heartbeat
15 Capítulo 15 - What you Want
Notas iniciais

15. What you Want
Dreamcast de Following the Heartbeat
No dia seguinte à apresentação de Naruto e sua nova música, segunda-feira, as três meninas estavam saindo da aula de dança, tinham acabado de tomar um banho rápido, quando Hinata o viu se aproximando. Um desespero inexplicável lhe tomou. Seu primeiro pensamento é que não estava pronta para este encontro ainda; o segundo pensamento é que ele poderia pedir pra falar com ela a sós, o que faria com que suas amigas achassem estranho e ela não estava pronta; e o terceiro pensamento foi o que saiu de sua boca:
— Esqueci meu celular no armário, não demoro. – e sem esperar uma resposta das amigas se afastou correndo sem nem olhar para trás outra vez. Sabia que estava sendo covarde e, pior ainda, estava agindo como uma adolescente boba, coisa que não era mais fazia muito tempo. Mas não conseguiu sair de trás da parede que estava, suas pernas estavam bambas enquanto lembrava da letra da música.
— Oi meninas. – Naruto tinha chegado até Ino e Sakura e, mesmo à distância, tinha notado que Hinata fugira dele. – Onde está a terceira integrante do grupo. – brincou, dando um risada quase descontraída demais.
— Esqueceu o celular no armário. – respondeu Ino, mas já desconfiada. – Ela não demora. Quer falar com ela?
— Não, apenas achei estranho só as duas. – o loiro se esquivou logo. Por mais que ansiasse falar com a morena, sabia que não poderia chegar nela com as amigas do lado. – Ah, aproveitando que estou aqui. Sakura, seu ensaio comigo e com Ebisu é amanhã. Será que poderiam avisar à Hinata que o dela é na quarta?
— Claro. Ah, e que horas? – Sakura percebia o olhar azul seguindo para a porta. A demora da amiga alertava as duas que algo não estava certo.
— Às duas da tarde. – ele falou e nesse mesmo instante sorriu ao ver a morena caminhando de cabeça baixa para lá. Infelizmente não podia ver seu rosto, seus olhos ou mesmo perguntar o que ela achara. – Olá, Hinata. – ele a chamou.
— Oi. – comentou a morena simples, lançando um olhar rápido e nervoso para ele. Nenhum dos quatro disse nada e com o clima pesado, Naruto se despediu delas, repetindo o dia e o horário de cada uma antes de se afastar.
— O que foi? – Ino lançou assim que começaram a andar. – Você fugiu dele.
— O quê? Não fugi. Por que acha isso?
— Primeiro porque agora está toda armada. Segundo porque vi você pegando o celular antes. Terceiro porque ele também notou. O que foi?
— Nada. Só estou nervosa com a história da TV. Agora é mais real, né? – Hinata não era nada boa em mentir, por isso as amigas a olhavam tão desconfiadas. Mas a Hyuuga se apressou a dizer que precisava comer algo antes da aula de piano. O assunto foi deixado de lado por aqueles instantes e as três se apressaram a caminho do refeitório.
— Olá meninas. – novamente uma voz masculina as chamou, mas desta vez era Konohamaru que se aproximava da mesa delas e se sentava bem ao lado de Hinata, parecendo ansioso. – Oi Hina...
— O que você quer? – ela logo perguntou, abrindo um sorriso divertido. As outras duas riram enquanto o mais novo revirava os olhos. – Você chegou manhoso do nada Konohamaru, não pode me culpar por perguntar isso.
— Não posso mesmo. – ele admitiu, pegando um pedaço do bolo da Hyuuga e o comendo por alguns segundos. – Eu ouvi dizer que você está esperando uma visita por agora...
— Como ficou sabendo disso? – mas antes que pudesse pressionar mais o garoto para saber, Ino se mexeu desconfortável e foi a vez de Hinata fitar a amiga.
— Ouvi dizer que essa sua visita é bem interessante. O que acha de me apresentar...?
— Não. Minha irmã vem pra cá apenas para assistir um show comigo, não para arrumar um namorado o qual meu pai mataria quando descobrisse.
— Sou bom com pais. – ele explicou, mas isso apenas fez Hinata o olhar séria. – Foi uma brincadeira, Hina. Eu vi uma foto dela, ta legal? Me apresenta.
— Não. Ela é mais nova do que você alguns anos.
— Quantos? – ele insistiu e Hinata suspirou. Ela sabia que essa não era uma boa desculpa.
— Tá, não muito. Ela é só cinco anos mais nova do que eu, mas é muio nova se for ver a nossa realidade...
— Hina...?
— Eu vou pensar. – se rendeu a Hyuuga finalmente, recebendo em troca um abraço do mais novo e um beijo na bochecha. – Você me paga, Ino. – lançou para a amiga, que agora ria. Hinata era uma irmã ciumenta, mas muito pior, ela era tão superprotetora quanto o pai nesse assunto.
Enquanto caminhava para a sua aula de piano, Hinata pensava que apresentar os dois não poderia ser tão ruim. Hanabi, apesar de ser nova, sempre tivera a cabeça no lugar, os pés firmes no chão. Hinata era a sonhadora, não Hanabi. No fundo, notou, seu medo era que seu pai pensasse que as duas sempre estiveram planejando algo assim e impedisse as visitas que poderiam vir a ser mais constantes. Perder a companhia, mesmo que ocasional, de Hanabi estava sempre fora de questão.
...
Naruto estava um pouco avermelhado. Tinha acabado de ter um discussão com Ebisu, o que não acontecia desde a época em que estudara ali. O Uzumaki vinha se dando muito bem em todos os treinos com o antigo professor, mas naquele caso em específico ambos entraram em tamanho desacordo que quando viram um atropelava a fala do outro e no fim, Naruto vencera. Não sem antes irem parar na sala de Tsunade.
— Assim que vi os dois entrando aqui do jeito que estavam, me senti revivendo o passado. Trabalham juntos agora, será que essa pode ser a última discussão? – a diretora falou, por fim, notando que ambos já tinham se acalmado um pouco com a solução a frente.
— Concordo. Mas, Ebisu, precisa parar de me tratar como seu aluno que não sabe de nada. Já não provei que posso ser útil? – a frustração de Naruto sempre fora e ainda era não ser reconhecido. Ele nunca admitiria em voz alta, mas aquele era um dos professores que ele mais queria ver o reconhecendo depois de tudo.
— Certo. Apenas não gosto de ninguém se metendo em minhas escolhas. Teoricamente, não era nem para ser documentado, como está fazendo.
— O acordo nem era esse, você sabe. – o loiro logo o lembrou. – Era para estar avaliando-os através das apresentações. Estou ainda lhe ajudando.
— Certo, certo. – interveio Tsunade outra vez, antes que os dois resolvessem voltar à discussão. – Ebisu, você ouvirá as propostas de Naruto, porque esse era o nosso acordo inicial, você também concordou com isso. E Naruto, você também tem que respeitar as escolhas de Ebisu. Combinados assim?
— Apenas mais uma coisa... – o Uzumaki falou, parecendo um pouco receoso de começar um novo problema. – Vai levar em consideração o que falei? Pensa melhor, sabe que isso vai ser bom.
— Concordo que a música que escolhi parecerá antiquada na televisão... – por fim o mais velho cedeu. – Quanto a isso irei lhe ouvir, mas preciso de mais uns minutos para analisar a sua opção. Dito isso, acredito que essa reunião esteja encerrada...?
— Pode ir, Ebisu. – disse Tsunade.
— Ah, não se esquece, daqui a pouco é a primeira reunião. O vejo lá. – acenou um Naruto muito mais feliz agora. Porém seu sorriso sumiu ao ver a expressão de Tsunade. – Que foi?
— Será que você pode ser o rapaz que veio aqui aquele dia cheio de responsabilidade de novo?
— Acho que estou mais responsável do que aquele rapaz, Tsunade. Mas convenhamos, quer mesmo que os seus alunos apareçam na TV cantando algo que ninguém vai nem entender? Gosto de música antiga, mas não antiquada.
— Não estou discordando completamente. – a loira falou, suspirando ao encostar na cadeira, visivelmente mais relaxada. – Só que precisa aprender a lidar com Ebisu de uma vez por todas. Pode ser, Naruto?
— Certo. Bem, se é só isso eu vou indo. Tenho que estar na sala daqui a pouco e quero saber logo o que esse velho metido decidiu. – ao ver o olhar de Tsunade, soltou uma gargalhada. – Algumas coisas nunca mudarão. – e ao dizer aquilo saiu da sala, direcionando uma piscadinha à diretora.
Ao chegar na sala, Naruto encontrou a antiga equipe junto com alguns técnicos da emissora, montando as câmeras nos cantos da sala e se preparando para algumas que eles andariam por ali. As coisas tinham mudado um pouco, por isso se lembrou de pedir que não colocassem as câmeras muito perto dos estudantes e nem do professor que viria naqueles dias. Sabia que isso seria demais para todos que ainda estavam começando a entender como esse meio funcionava.
Ebisu não demorou a chegar. Por sua expressão Naruto não soube adivinhar o que ele decidira, mas não parecia nada feliz ou satisfeito. O homem parecia ter engolido um grande limão azedo, inteiro. Achou melhor ficar quieto e por isso tratou de afinar o violão enquanto esperava. Chamara alguns estudantes que faziam parte da banda da escola para o auxiliar, por sorte consultara o professor antes e este aprovara satisfeito, porém como tinha alguns instantes a mais do horário marcado, não se importou em preencher o silêncio com a afinação.
Se surpreendeu ao ver uma partitura a sua frente e quase soltou um suspiro desanimado ao pensar que o mais velho não aceitara a sua ideia. Mas assim que pegou a folha e olhou na letra e na melodia, sorriu. Ebisu ainda tinha a expressão de “grande limão azedo”, mas também tentava conter o sorriso ao ver o do loiro. Ele tinha aceitado a proposta, apesar de ser uma música “mais difícil de se avaliar”. Sabia que o velho metido não iria fugir de um desafio como aquele. Ficou satisfeito em comprovar aquilo.
Não demorou muito para os demais chegarem, um pra ficar no violão e outro que era Konohamaru. Naruto no mesmo instante se levantou para cumprimentá-lo e soube, quando todos se mexeram, que já estavam sendo gravados. Ebisu foi mais profissional, como sempre, apenas acenando para o aluno e indicando onde ele deveria sentar-se.
— Sei que muitos de vocês não devem estar muito felizes com essa minha intervenção...
— Acertou. Pensamos que íamos ficar livres do terror psicológico, isso é maldade. – mas todos perceberam que Konohamaru estava brincando pelo seu tom e seu sorriso. – Fala sério, sempre soubemos que nossas notas não iam ser esquecidas, mesmo não achando que íamos ter você nos treinando junto com Naruto.
— Não os treino. – o Uzumaki logo falou.
— Mas ele sim. – e logo o mais novo apontou para o professor que não o contradisse. – De qualquer forma, o que eu tenho que cantar perfeitamente pra você?
— Eu tinha outra música em mente, mas seu... Bem, Naruto me fez trocá-la. – ele não sabia como chamar o loiro e por isso mudou a abordagem da frase.
— Apenas o mostrei que seria um pouco inadequado. – tentava ser modesto, mas seu sorriso deixava claro sua felicidade com aquela frase.
— De qualquer forma... – cortou o professor, antes que um dos dois pudesse dizer algo. – Estou aqui para ver o potencial de vocês. Desafiá-los de uma maneira diferente. Naruto tem explorado o lado artístico e dramático de vocês, eu vou avaliar o vocal mesmo, assim como o que vocês conseguem fazer fora da zona de conforto.
— O que isso quer dizer? – o calouro perguntou um pouco temeroso.
— O que me disse que gosta de cantar? – foi o que o professor lançou, mesmo já sabendo a resposta. Apesar de dizer não gostar das câmeras, Ebisu sabia fazer um jogo dramático para elas.
— Hm... rap. Mas canto outras músicas sem problemas, dando preferência para as mais rápidas.
— Sim. Você não se sente confortável nas mais lentas, certo? – Konohamaru confirmou ao ouvir aquela pergunta. – Exatamente isto que vai cantar. Uma música lenta. Você tem que controlar sua voz, seu fôlego e até mesmo sua forma de se apresentar assim.
— Eu preciso de mais fôlego com música rápida.
— De certo modo. Se precisar manter uma nota mais longa ou mais aguda, isso pode ser desastroso em uma música lenta. – dessa vez quem explicou foi Naruto.
— Exatamente. Naruto já garantiu que isso não será avaliado no concurso. Não tem com o que se preocupar ali. Sua avaliação é comigo.
— Aí está o motivo de preocupação. Acho que com ele seria melhor, viu? – apesar da brincadeira, Konohamaru aparentava nervosismo pela primeira vez. – Bem, e o que eu terei de cantar de lento?
— Ah, isso eu anuncio. – falou o loiro se levantando animado. – Você já está familiarizado com esse cantor, apesar de ter dado preferências às músicas agitadas e rápidas dele. Mas tenho certeza que irá se dar bem. – fez uma pausa dramática e então entregou a partitura para o outro.
— Tenerife Sea? – ele murmurou e olhou para Naruto sorrindo. – Bom, vamos ao ensaio lento então.
Apesar de não gostar de cantar músicas lentas, de não ser sua especialidade, Naruto pôde notar que não era algo que Konohamaru não pudesse lidar. No início ele pareceu um pouco desconfortável, balançando a cabeça tentando pegar o ritmo da música, perdia-se quando de uma parte mais lenta ia para uma mais rápida e voltava um segundo depois a ficar lenta. Ele mesmo dizia que aquilo era louco demais, mas repetia, acertando apenas para se enrolar em um outra mais a frente. Outra coisa que Naruto observou é que ele não admitia errar sem acertar. Mesmo quando seu tempo estava terminando, ele pediu que esperassem. Não era uma música difícil e sabia que o único problema era o desconforto de notas muito longas e outras nem tanto, quando ele se sentia melhor com tudo mais curto.
— Acho que depois dessa vou continuar preferindo as mais rápidas. – comentou, se jogando na cadeira e rindo. Ele não tinha ido mal, mas não aceitava.
— Você precisa apenas ouvir mais a música e aprender seu tempo. Não desafinou nenhuma vez, o que pode acontecer quando se troca o tempo que se está acostumado a cantar. Outra coisa, para sua apresentação, tente controlar o lado agitado. Uma música lenta você pode e deve se mexer, mas não demais.
— Acho que eu deveria estar anotando isso tudo, mas tudo bem. Vocês me avisam do próximo?
— Sim. Estaremos entrando em contato. Não se esqueça de ensaiar a música e conter seu lado agitado.
— E Konohamaru... – Naruto o chamou quando o mesmo já estava na porta. – As garotas gostas das músicas lentas, se isso servir de incentivo. – o mais novo logo sorriu ao ouvir aquilo e Naruto riu.
— Que conselho ein?! – Soltou Ebisu, revirando os olhos.
— Foi o melhor. – disse uma voz rouca que agora entrava pela sala. Naruto ao ver quem era sorriu e em seguida riu alto. – Ah, é claro que é o melhor, fui eu quem dei pra esse plagiador de conselhos!
— Velho tarado! – riu mais um pouco o Uzumaki. – Você sempre chega no final dos ensaios.
— Meu tempo de mestre paciente acabou, garoto. Mas quem diria, vocês dois...?
— Não me lembre. – logo soltou o professor, ficando de pé. – Nosso próximo será daqui a vinte minutos. Vou pegar algo para tomar e logo volto. – e sem dizer mais nada, saiu apressado.
— Então...? – começou Jiraya, sentando-se onde o outro estivera antes. – Vi a sua apresentação na TV. – fez uma pausa para avaliar a expressão de Naruto e riu em seguida. – Garoto, todos que já te viram com a menina deve ter percebido.
— Ninguém então.
— Ninguém? Eu percebi. As amigas, talvez. E o Sasuke. Como ele reagiu com isso?
— Sasuke não olha mais pra minha cara. Fica uma situação complicada pra mim e para a banda também, você sabe. Ele sempre foi temperamental, mas agora está passando dos limites.
— Hm.. e o que você quer com aquela música?
— Como assim?
— Como assim? Você deu a entender muitas coisas. – apesar da pausa que Jiraya deu depois dessa fala, Naruto não disse nada. – Como que essa inspiração surgiu? Você e ela...?
— Não. Não pense besteira, Jiraya... Eu tive um sonho bem real, só isso.
— Um sonho? Acho que a menina não tá nem notando que mexe com você, garoto? – o mais velho riu-se e então notou o olhar perdido do loiro. – Nem você nota? Eu não mereço. Meu novo conselho é: acorde, garoto. As coisas que têm que acontecer acontecem, mas algumas você precisa agir para acontecerem.
Vendo que o loiro não iria dizer mais nada, Jiraya se despediu e saiu pouco depois, deixando um Naruto muito perdido em pensamentos ainda sentado enquanto a equipe de filmegem conversava a espera de trabalho. Em seus pensamentos, Naruto revivia o sonho, fechando os olhos para deixar as imagens dançarem em sua mente, tão reais como daquela primeira vez.
No sonho, Naruto estava em um camarim, sentado em um sofá enquanto seus nervos o consumiam. Apesar do que todos imaginavam de que os anos de experiência o deixariam mais calmo, ele sempre ficava nervoso antes de entrar no palco e, naquele momento, estava assim. Até ver a porta se abrir. O som o tirou de seus devaneios e ele viu a pessoa que entrava ali trajando um sobretudo preto e os cabelos negros, quase azulados, soltos como cascata pelas costas. Os lábios da pessoa estavam avermelhados por um batom, mas seus olhos perolados foi o que fez com que ele se inclinasse para frente e esquecesse o nervosismo.
Os olhos passavam nervosismo, timidez e toda vez que ele via aquilo sentia-se no dever de acalmá-la, de mostrar que com ele tudo era possível. Abriu a boca para falar, mas logo o pequeno dedo lhe cobriu os lábios, pedindo que não falasse. A porta estava fechada, trancada, ele percebeu. Aquilo o interessou ainda mais e por isso, lhe pegou a mão. Naruto estava confuso, mas de alguma forma sabia que ela estava ali por ele, para o acalmar e mostrar que tudo ficaria bem. Tudo com ela também era possível naquele mundo impossível.
Hinata foi até ele, apoiando as pernas ao lado das dele e se sentado de frente para o loiro, em seu colo. Automaticamente as mãos dele foram para a cintura dela e a aproximou mais de si. Nenhum dos dois disse qualquer coisa, mas seus olhos ficaram conectados e era disso que ele mais lembrava ao acordar. A sensação que aqueles olhos perolados causavam nele, aquele tremor por dentro, o mesmo que lhe fazia gaguejar acordado.
As mãos do Uzumaki foram então para o sobretudo e Hinata não o impediu, deixando que ele abrisse a roupa lentamente e revelasse não um vestido, mas um camisola preta que fez com que sua respiração acelerasse e ele quisesse tê-la em seus braços. Quando os olhos do loiro foram para os dela, notou que estavam incertos e tímidos, e sem pensar duas vezes, levou a mão direita até a nuca dela e a puxou para si. Por mais que sua intensão fosse beijá-la, Hinata parou antes que isso acontecesse. Seu rosto ficou poucos centímetros de distância e seus cabelos formavam uma cortina em volta do rosto dele, que estava inclinado no encosto do sofá.
Naruto, em um rompante os virou, de modo que Hinata acabou deitada no sofá e ele sobre ela. Puxou as pernas desnudas, que ele não percebeu muito como era, para sua cintura e então, finalmente, a beijou. Um beijo urgente, mas também profundo. Enquanto o fazia, seu corpo roçava no dela, como se aquele encontro fosse algo que ambos precisassem, como se fosse algo comum de se acontecer. Ele a amaria ali, sem pensar duas vezes e já começara a lhe tirar as roupas e as suas próprias, notando o ofegar de Hinata pelo beijo e o seu próprio.
Sentado na cadeira dentro da sala e esperando Ebisu, Naruto engolia em seco, tentando conter seu corpo de se manifestar ao sonho que tivera não uma ou duas vezes, mas que sempre tinha agora quando se permitia pensar em Hinata. Ele sabia bem como terminava, com ambos se tendo ali mesmo, como se fosse algo comum para os dois. De onde ele tirara esse sonho, não tinha a mínima ideia. Não sabia por que aquilo começara do nada, mas agora compreendia que era apenas seu inconsciente tentando lhe dizer o que antes se recusava. Ele queria que aquilo fosse real. Ele queria mesmo provar aqueles lábios macios e sentir a pele dela sobre a sua. Sonhar apenas não era mais o suficiente.
E quando Naruto Uzumaki decidia algo, então ele corria atrás sem cansar.
...
Hinata estava visivelmente nervosa e foi por isso que evitou as amigas. Ela conseguira, por milagre, disfarçar bem o seu desconforto e seus pensamentos confusos desde a apresentação para as meninas, mas naquele dia, que sabia que não poderia evitar Naruto, ela estava nervosa. Não o evitava por mal, tampouco, nem mesmo por covardia. Na verdade, Hinata tinha receio que o assunto surgisse no meio de outras pessoas e, pior, que ela demonstrasse algo para outras pessoas. Saber que Ebisu estaria lá apenas a preocupava e não aliviava.
Não era, tampouco, corajosa o suficiente para tocar no assunto do nada. Sabia que no máximo ficaria tímida e ele faria as honras, mas ela tomar a frente não. Não era covardia, era falta de saber como o fazer. Hinata tivera um único namorado toda a sua vida e não terminara bem. Apesar de não ser extremamente tímida mais, ela ainda preservava esse lado quando se tratava de relacionamentos e seus sentimentos, principalmente. Não seria nada diferente com uma paixão platônica que agora a confundia.
Por conta desse nervosismo Hinata comera rapidamente na companhia das amigas e então usou a desculpa de que estava suada e tomaria um banho antes do ensaio para se afastar das duas rapidamente. Não mentira completamente, pois fora isso que fizera, até mesmo para ocupar sua mente. Se concentrou no banho, depois em se maquiar, como sempre bem pouco e em seguida na roupa. Colocou uma calça jeans skinny escura e uma blusa azul solta que não lhe marcava muito os seios, mas que sempre que levantava os braços sua barriga aparecia. Ela não levantaria os braços.
Foi só após perceber que não tinha mais o que fazer é que saiu em direção a sala. Ouvia seu coração martelando em seu ouvido, ou talvez fosse apenas paranóia sua, mas a cada passo que dava mais ansiosa se sentia. Ele diria algo aquele dia? Torcia para que não, o professor estaria lá e estaria lhe observando atentamente. Quando viu a sala pela parte espelhada, notou que os dois estavam debruçados sobre partituras, conversando distraídos e assim permaneceram enquanto ela entrava e dava duas batidas na porta, sorrindo envergonhada por atrapalhá-los.
— Hinata! – cumprimentou Naruto, passando apressado por Ebisu e se adiantando até ela. Lhe pegou a mão e beijou, o que acabou fazendo a morena sorrir e corar e Ebisu revirar os olhos, para o professor isso deveria ser normal.
— Srta. Hyuuga, estava ansioso para lhe rever. – o professor saudou enquanto ela se aproximava e ambos trocaram um rápido aperto de mãos. – Devo dizer que me fez pensar muito no que iria lhe dar depois da última apresentação.
— É mesmo? E por quê? – ela realmente estava curiosa e apesar do nervosismo, sentou-se na cadeira de frente para os dois e mirou apenas o professor, interessada.
— Eu achei que meu trabalho seria apenas aprimorar algumas coisas, melhorar sua respiração e até mesmo afinação, mas você mostrou os seus falsetes e me surpreendeu. – aquilo deixou a morena encabulada e no mesmo instante percebeu isso. Sorrindo continuou: — Então percebi o seu padrão, a sua zona de conforto, mesmo não sendo uma regra. – fez uma pausa e olhou para Naruto que parecia estar analisando a garota. – Você se sente confortável com músicas mais lentas, correto?
— Sim, sem dúvidas. Eu gosto de músicas rápidas, mas não seria algo que eu me arriscaria no palco se pudesse escolher em um concurso. – confessou sinceramente. Apesar de saber que estava sendo gravada, via algumas pessoas se movendo para mudar os angulos de seu rosto, Hinata sabia que tinha de ser sincera para dar certo.
— Percebi. Seu nervosismo estava muito mais aparente quando cantou a música com Toneri.
— Mas mesmo assim ela arrasou. – Naruto logo falou e deu uma piscadinha para ela.
— Sim, Sr. Uzumaki, ela foi muito bem, mas agora estamos falando da minha aula, certo? E na minha aula eu trabalharei sua apresentação fora da sua zona de conforto para que se sinta mais confortável nela.
— Minha música será mais rápida?
— Sim. Claro que não é muito, eu escolhi algo que poderemos trabalhar também o seu estilo, que acho que já entendi qual seja, e também a sua habilidade vocal. Você precisará treinar muito, mas creio que dará conta.
— E qual música é essa?
— Somebody to Love, da banda Queen. – anunciou Ebisu já estendendo a partitura com a letra para Hinata que pegou um pouco atônita. – Já ouviu?
— Na verdade sim, mas não a conheço muito bem. Sei que ela tem umas partes rápidas e outras nem tanto. Acho que vou precisar mesmo treinar bastante, inclusive a minha respiração.
— Sim. Bem, se quiser a ouvir primeiro. – ele acenou para Naruto que imediatamente tirou o celular do bolso. Aquele escolha de Ebisu foi uma que ele aprovara imediatamente. Vinham fazendo isso com todos, tocando a música antes de começar os ensaios, assim a pessoa ao menos identificava o ritmo que teria de usar.
— Se observar, sua música sofreu alguns cortes e uma nova organização, mas é a questão do tempo. Irei avaliar vocês seis no mesmo dia e não pretendo utilizar todo um dia. Serão gravadas as apresentações, mas sem a pompa de apresentarem vocês e tudo mais. Certo?
— Sim, claro. Será que posso tentar? Acho que peguei a parte que vai modificar, mas gostaria de ouvir mesmo com meus erros.
— Sim. Será melhor. – Naruto se manifestou, finalmente. – Assim saberemos melhor o que trabalhar com você, certo, Ebisu?
— Sim. Senhorita Hyuuga... – o professor acenou para perto do piano onde ela ficaria. Ainda sem microfone, o que deixou Hinata mais confortavel. Apenas uma aula com Ebisu, repetia pra si mesma tentando esquecer as câmeras captando seus erros. – Lembre-se, o primeiro verso é agudo e prefiro que o mantenha assim. Estude a partitura nessa parte inicial e quando estiver pronta, inicie.
Hinata estava acostumada com esse pequeno tempo, por isso nem se incomodou quando Naruto virou-se para Ebisu, pronto para contestar, ela apenas olhou para a partitura, lembrando-se da música e montando a que li em sua mente e mesclando com o que ouvia. No primeiro período tinham estudado a fundo como ler uma partitura e, a partir daí, como ouvir a música. Por ter feito aulas de piano isso se apromorou em Hinata e agora estava mais com o violão.
Não demorou para que ela iniciasse a frase, não muio segura, os outros dois notaram, mas nada que mais um pouco de treino não ajudasse. Era a primeira vez e ela tinha ido bem até mesmo no tempo da música antes do rapaz começar a tocar no piano. No início ela parecia correr com algumas notas, não as acertando muito bem, ou as apressando demais ou as retardando, mas manteve o ritmo, o que parecia até mesmo quase impossível. Ela fazia caretas aos seus erros, mas ainda assim, Ebisu deixou que ela continuasse a primeira leitura, fazendo anotações e Naruto permanecia a olhando, surpreso por ela não desistir. Foi impossível para o loiro não comparar. Sakura, no dia anterior, tinha desistido cada vez que errava e começado novamente, tirando Ebisu do sério algumas vezes.
Na segunda parte, Hinata precisou parar, mas o rapaz que se juntara com a guitarra não parou. Eles preferiram colocar ao menos a guitarra para que tivessem uma noção além do piano e não deixar a música completamente parada. Hinata riu, pois acabara se enrolando com as palavras e no fim, seu agudo não durou muito tempo como deveria. Esse seria um desafio e ela claramente gostara.
Após perceber que ela tentava se encontrar, Ebisu pediu que os rapazes parassem e olhou para a aluna que ainda ria.
— Desculpe. É que acho que não peguei a música ainda. Dicas, por favor? – ela sabia que precisava e aguardava ansiosa.
— Agudo. Faça o agudo por maior tempo que conseguir. – pediu Ebisu. E assim Hinata fez, usando a letra da música. – Está esquecendo de contrair o diafragma para que o ar não lhe escape antes do tempo. – ele falou, mas Hinata novamente não conseguiu.
Antes que Ebisu falasse algo, Naruto ergueu a mão e tomou a frente. Apesar de contrariado o professor apenas observou. Seria interessante ver o que mais o seu antigo aluno aprendera. Acenou então, confirmando a aproximação e no mesmo instante, apesar de ninguém estar realmente prestando atenção nisso, Hinata ficou tensa.
— Não vou lhe morder, pode relaxar. – ele comentou bem baixinho enquanto se colocava atrás dela. Por um instante ele se distraiu, sentindo o cheio do cabelo ainda um pouco molhado da Hyuuga. – Hm... Pode repetir o agudo? – ele pediu, antes pigarreando. Evitara gaguejar com aquilo. Hinata fechou os olhos e se concentrou no que deveria fazer, mesmo que seu coração martelasse no peito e quando se encheu de ar e coragem, tentou novamente. – Precisa contrair aqui. – e dizendo isso por trás dela, Naruto apoiou a mão esquerda nas costas dela e a direita pressionou um pouco abaixo da costela esquerda de Hinata. A blusa se erguera um pouco, já que ele não sabia que isso poderia acontecer e, assim, a mão de Naruto roçou na pele da morena.
No mesmo instante Hinata se calou e olhou para o lado. Os olhos azuis tão perto dos seus, foi impossível para ela não corar. Naruto sentiu a boca seca, mas logo ouviu Ebisu murmurar algo como “está a distraindo, se afaste” e por isso o fez, dando um sorriso sem graça. Por algum motivo, o loiro queria voltar lá. Molhou os lábios com a língua e se sentou, pensativo.
— Bem, Naruto já mostrou onde você deve contrair. Podemos tentar? – Ebisu continuou, lançando um olhar raivoso ao antigo aluno que nem sequer viu.
Hinata, apesar de um pouco atordoada, confirmou. Respirou fundo e desta vez, além de querer acertar, ela queria mostrar que a ajuda de Naruto servira. Ignorou o nervosismo por aquele instante e fechou os olhos, deixando que sua voz saísse. Ao notar que sua voz iria falhar por conta do fôlego, levou a mão até abaixo do seio, encaixando no meio entre uma costela e outra, quase na boca do estômago e pressionou ali, mostrando ao corpo o que queria fazer e conseguindo, enfim.
Quando abriu os olhos, notou que Naruto a encarava. Ele sempre ficava surpreso com o quão rápido ela conseguia pegar as coisas. Ela não era perfeita, não era prodígio na música, mas era alguém que tinha um dom e ele sabia reconhecer aquilo. O sorriso era genuíno, mas não tivera tempo de dizer nada. Logo após elogiar, Ebisu começou a treinar outras partes da música, sugando a morena a ponto de Naruto se ver na obrigação de observar e não piorar mais as coisas.
Ao fim do ensaio, quando o professor se viu satisfeito com o dia, a Hyuuga se jogou na cadeira, pegando uma garrafa d’água e tomando vários goles de uma só vez, quase sem respirar. Ebisu estivera tão satisfeito que logo se despediu após elogiar a aluna, como raramente viam fazer. E foi no instante que o mais velho saiu da sala que a morena ficou nervosa novamente. Ainda haviam pessoas ali, que saíam aos poucos e outros apenas guardando o material de filmagem antes de ir. Se levantou, pronta pra ir também.
— Hinata. – ele percebeu que ela iria, por isso mesmo a chamou. – Fique, por favor.
— Mas... Não acabou? Digo, todos estão indo já...
— Por isso. Quero falar com você uma coisa, pode ser? Enrole aqui comigo. – ele indicou as partituras então e ela, sem saber que desculpa poderia arrumar, se sentou ao lado dele para fingir que estudavam algo. Na verdade, ela queria aquela conversa.
— Naruto. – um dos técnicos de filmagem o chamou. – Podemos ir ou tem mais algo?
— Podem ir. Isso aqui é apenas umas dicas de ex aluno pra atual aluno. – ele brincou e os demais riram também, pois desde o primeiro ensaio o comentário era de como Ebisu era rígido. Não demorou muito para que apenas os dois estivessem no local. – Finalmente. – ele suspirou, jogando as folhas para outra cadeira vazia. Encarou Hinata que parecia nervosa. – Acho que minha música lhe deixou mais quieta quando finalmente estava se soltando, ein?!
— Foi inesperada...
— Mas eu avisei... – ele tentou dizer e então a analisou. – Fala da letra? Não gostou?
— Não é essa a questão. Eu e Ino já até a compramos, mas...
— Me diga que parte está lhe deixando assim. Posso esclarecer todas.
— Eu não... – ela começou, já se levantando. Não teria coragem, por mais que quisesse.
— Você nunca me pareceu covarde, Hinata. Então se sair assim, sem resolvermos isso, vou começar a achar que me enganei quando compus a música.
— Você não gagueja. – ela logo falou. Imediatamente corou e virou-se. Não o olhar talvez a ajudasse mais. – Digo, na música está “você me faz gaguejar” e “você me faz estremecer”. Além de outras coisas...
— Que outras coisas? Pergunte tudo e vou contar tudo.
— O que lhe fez escrever essa música? Digo... existem partes como estar estático, sem conseguir se mexer por... algum motivo.
— Foi um sonho. – ele logo falou, não querendo que ela pensasse que fosse algo ainda pior. Apesar de ter começado a perceber que com ele Hinata ficava um pouco diferente, ele não poderia afirmar que ela o dava todas as pistas.
— Foi pelo sonho que você gaguejou e estremeceu? – ela ainda não o olhava. Estava andando de um lado ao outro. O olhar fazia com que se sentisse nervosa. Os olhos azuis de Naruto eram profundos e lhe desconcertavam a ponto de não conseguir pensar, ainda mais sabendo que ele sonhara consigo, uma coisa que não era difícil imaginar a partir da letra da música.
— Também. Já gaguejei com você, caso não tenha notado. – ela se lembrou então, principalmente quando foram no restaurante reservado. – E agora, além do sonho, você me faz estremecer. – A voz de Naruto saiu baixa, mas ela notou que ele estava logo atrás de si. Parou no mesmo instante, ficando tensa novamente. – Quando lhe toquei aconteceu isso, Hinata. Apenas fazer isso... – ele a tocou novamente, mas desta vez colocando-se atrás dele e ao pressionar a mão em sua barriga, não foi seu corpo que estremeceu, mas sua respiração, assim como a da Hyuuga.
Por poucos segundos Hinata fraquejou, estremecendo ao sentir a respiração dele em sua nuca e só então, ao pensar sobre, acordou. Abriu os olhos e se afastou, escapando das mãos dele. Pela primeira vez, apesar do êxtase, ela estava com certa raiva.
— O que pensa que está fazendo? – soltou. Apesar do que sentia, não gritava. Hinata raramente eleveva seu tom de voz. – Não pode fazer isso. Não sei o que pensa que sou ou o que pensa que pode fazer, mas não pode. Não é assim. Não estrague a visão que tenha sua. – a última parte foi um pedido.
— Não quero estragar nada. – foi sincero, erguendo as mãos como se estivesse se rendendo. – Quero apenas lhe mostrar que minha letra foi sincera. Foi para você.
— Não sou... assim... – ela não conseguia nem mesmo falar, mas queria deixar claro que não era o tipo de garota que acreditava em qualquer coisa e depois seria simplesmente mais uma conquista. Ela não queria nem que ele pensasse assim.
— Sei disso. Notei. Não antes da música, mas antes de lhe dedicar. Foi por isso que decidi falar que era pra você. – e novamente ele estava sendo sincero. Naruto não era um bom mentiroso, todos que o conheciam sabiam disso. Hinata então suspirou, como se estivesse cansada de pensar sobre aquilo.
— O que você quer então?
— Quero sua atenção, seu carinho, sua perfeição. Você me faz bem. – ele recitou um trecho da música e Hinata suspirou novamente, e novamente como se estivesse cansada. – Quero uma chance...? – ele parecia não ter certeza e Hinata notou.
— Nem sabe. – ela estava corada, porque estava de frente para ele. Mal se conheciam, é claro que era algo completamente físico e algo que começara em um sonho. – Você vai mudar de ideia depois.
— Hinata... – ele pediu, se aproximando devagar. – Segredo, eu prometo. Segredo até isso acabar. – e por isso ele queria dizer o concurso.
— O que garante que não vai mudar de ideia? A mim e a você? Isso é irracional! Você não me conhece! – ela falava com uma coragem imensa, apesar de estar claro em seu olhar e até na sua voz falha que estava envergonhada, e muito!
— Eu vou conhecer. Eu já conheço um pouco. Conheço algumas manias que ninguém deve conhecer, como você desviar o olhar pra ganhar coragem, como torcer as mãos, entrelaçando um dedo no outro de nervosismo, como sua voz falhar quando está com muita vergonha, o que até hoje só vi acontecer comigo. Eu só nao conheço o que não pude.
— Isso é irracional... – ela novamente murmurou, sabia que não fazia nenhum sentido. Nenhum.
— É, é sim. Mas tenho certeza que vai dar muito certo. – ele afirmou. Mas novamente ele não sabia dizer a si mesmo de onde vinha aquilo. Em qualquer outro caso ele simplesmente deixaria de lado já que ela não queria e seguiria em frente. Em qualquer outro caso ele não estaria se preocupando. Desde aquele sonho, desde que começara a observá-la mais, Naruto percebeu que ela o encantava de verdade.
— Como...? Por quê?
— Por isso. – não aguentaria mais esperar. A melhor forma de convencê-la e se convencer era assim. Ele mataria sua vontade e também mostraria a ambos que estava certo. E quão feliz ficou ao perceber que estava mesmo.
Quando seus lábios encostaram nos dela, Naruto soube que sonhara bem. Surpresa, a Hyuuga não correspondeu de imediato, mas ele a convenceu e quando isso aconteceu foi ainda melhor. A boca dela se encaixou na dele em um beijo lento e intenso. Era apenas um encaixe, um provar dos lábios dela, uma coisa que precisava desde aquele sonho. Ou antes?
Ele a puxou para junto de si, as mãos na cintura de Hinata, a impedindo de se afastar em um rompante. Mas Hinata nem sequer pensava nisso. Apesar de saber ser irracional, apesar de saber, no fundo, que aquilo era perigoso demais para si e para sua imagem, ela se entregou. Apenas nos seus sonhos isso aconteceria. Mas ao que parece, se lembrou, acontecera nos dele também. E agora era real. Naruto a beijava, com calma e intensidade, como quem tinha esperado muito por aquilo, como ela.
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