Following the Heartbeat

16 Capítulo 16 - Date


Notas iniciais
Olá meus amores! Como vocês foram de festas de fim de ano? Espero que tenham aproveitado e que todos que estudam estejam aproveitando as férias! Hoje começo agradecendo imensamente aos comentários que vocês deixaram, lele, Shadowgirl, Baka chan Uchira, Emi Namikaze, hinadiva, Isabel Fernanda, Luciana Neves, Hachi-chan2, UzumakiRuby, Fluffy Mary, João Victor, Saray, naruhinaruth, Reticencias, Nessa FN e Hyugaeuzumaki. Agradeço de coração a todos que vêm comentando sempre, vocês são meus motivos de sorrisos e espera a cada capítulo postado, eu me esforço por isso. E um agradecimento mais que especial a todos que deixaram de ser fantasminha e me agraciaram com seus comentários, isso foi muito importante pra mim! Novamente, capítulo sem música. Enjoy!

16. Date

Dreamcast de Following the Heartbeat

A porta bateu em um estrondo ao mesmo tempo que Hinata se jogava na cama com a roupa que estava antes e os olhos fechados. Sua mão esquerda foi até seu lábio e lá seus dedos, indicador e médio, tocaram o lábio inferior agora avermelhado. Sorriu sem perceber, deixando sua mente vagar para os momentos anteriores. O sonho de qualquer fã, sim, mas o seu sonho mais impossível.

Naruto a tinha prendido contra si, com as mãos em sua cintura, mas ela se sentia tão acesa e voraz que não pensou em se afastar quando o beijo, além de se intensificar, ficou carinhoso. Na verdade ela se prendeu a ele, com as mãos em seus ombros e isso incentivou o loiro a investir mais. A mão esquerda dele foi até a nuca dela e a prendeu de outra forma enquanto os dedos se entrelaçavam aos longos cabelos negros azulados.

E assim ficaram por alguns instantes até Hinata voltar a razão. Isso só aconteceu quando Naruto investiu um pouco mais, colando o quadril ao dela e pressionando um no outro. No mesmo instante a Hyuuga abriu os olhos e então se afastou, o empurrando. Pela surpresa, o loiro foi pra trás e a olhou. O rosto corado lhe fazia sorrir. Mesmo ela parecendo surpresa, ele percebeu que não era o único que realmente gostara daquilo, mas se desculpou.

— Não me desculpo por beijá-la. – ele esclareceu assim que o olhar se tornou um pouco melancólico e após a fala surpreso outra vez. – Me desculpo por ter me... empolgado.

Hinata não respondeu, mas se virou rapidamente. Estava muito envergonhada para conseguir falar e pelo mesmo motivo queria sumir dali. Fugir. Era a primeira vez que realmente queria fugir. Não a primeira, se lembrou, mas todas as vezes eram com ele.

Quando notou que a moça estava pronta para sair sem dizer nada, Naruto a pegou pelo pulso e a puxou para si novamente. Assim que o corpo se virou para ele, assim como o rosto, ele notou o tamanho da vergonha que ela estava. Sorriu no mesmo instante.

— Você não vai embora depois disso, vai? – ela abriu a boca, mas nada saiu. – Eu sei que você quis também, que também gostou. – ele falava baixo, como se contasse um segredo também. Esperou, mas Hinata nada disse, apenas desviou o olhar. – Você tem medo de quê? Que eu lhe magoe?

Ele sabia que ela não falaria, então continuou segurando-lhe o pulso e a olhando. Desta vez esperaria e deixaria ela saber que nada diria até que ela o fizesse. Para ele era difícil, pois queria resolver isso logo, queria entendê-la e também voltar a beijá-la.

— Também. – ela se rendeu, mas não o olhava. Sua voz saía muito baixa, assim como sua respiração com dificuldade. – São tantas coisas. Preciso pensar.

— Se eu lhe der um tempo para pensar nessas coisas, você conversa comigo depois? – ele perguntou e ela exitou, mas então confirmou com um aceno de cabeça. Hinata nunca fugiria de algo assim, não era de seu feitio. – Então me encontre hoje à noite, às 23h no terraço. – mesmo com o olhar surpreso que ganhou dela, o Uzumaki lhe pegou a mão e beijou. Não era ali que queria, mas sabia que era o melhor.

Percebendo que ele a deixaria ir agora, a Hyuuga virou-se, pegando as partituras e então saiu apressada. Apenas quando estava fora do alcance de vista da sala onde estivera é que começou a correr e não parou até estar jogada na cama. E mesmo ali, agora, ela não conseguia pensar em nada coerente para dizer a ele. Queria aproveitar o seu momento. Fora beijada, não pela primeira vez, mas por alguém que lhe era especial.

Recordara-se não apenas do momento, mas de todas as sensações. De como seu coração pareceu ter parado de bater no instante que os lábios dele tocaram os seus, mas na verdade martelava em seu peito tão rápido que quase lhe tirava do chão. Do quão atencioso e ansioso ele parecera no momento que lhe correspondeu o beijo e como ele a prendeu, para que não fugisse. Lembrou-se também que ao final, suas pernas estavam bambas, mas ao mesmo tempo parecia que tinha criado raizes ali e essas se entrelaçavam a ele. E agora se lembrava que precisava ter a mente em ordem para o encontro com ele naquela noite.

Não tinha nem ideia do que dizer, mas também não sabia o que ele queria. Um beijo? Mais beijos? Beijos encondidos? Segundo a música e o que ele mesmo contara sobre sonho, não eram apenas beijos. Então o que deveria fazer era o que se perguntava enquanto fitava o teto do quarto. Sua mente já era muito sonhadora, como bem sabia, e agora tinha mais motivos para o ser. Sabia também que não poderia ver as amigas naquele dia ou acabaria contando. Elas perceberiam. Não podia esperar que elas viessem e lhe pegassem tão corada e ansiosa.

Levantou-se da cama e pegou o celular, digitando uma desculpa rápida de que passaria a noite ensaiando porque tinha se saído muito mal e que Ebisu exigira melhoras. Não era uma grande mentira, se não tivesse tão distraída era isso que faria sim. Mas não naquela noite. Tomou então um banho rápido enquanto pensava no que poderia vir a ser o assunto, o que precisava falar com Naruto. Sempre criava duas possibilidades, dependendo do que ele pretendia, mas sempre voltava a mesma questão: ela deveria sair do concurso?

Hinata não suportaria ser suposto que estava tendo vantagem por algo. E sabia que não. Sakura sempre contava, depois das apresentações, como Naruto sempre parecia exigir o melhor dela, como ele se atentava para seus pontos fracos e lhe ajudava com alguma coisa que acabava lhe fazendo ficar melhor em cada apresentação. Ele não era duro como Ebisu e por isso acabara ganhando a confiança e admiração de todos, inclusive da rosada que antes não dava muito por ele. Até mesmo Konohamaru, no dia anterior, ao encontrar a Hyuuga e pedir um conselho com as músicas “lentas”, dissera que Naruto tinha convencido Ebisu a não lhe dar uma música muito velha, por se preocupar.

A moça sabia que ele se preocupava com os demais, notava isso pelo o que falavam, ao menos aqueles com quem tinha contato e não duvidava que fosse assim com todos. Até mesmo com Toneri. Se lembrava das várias dicas e chamadas de atenção que o loiro dera no outro, mas soube que isso fortaleceu o antigo companheiro de equipe. Ela o tinha admirado ali e agora admirava mais. Porém, não podia deixar que pensassem que ela estava sendo privilegiada. Se recusava até mesmo a estar. Agora fazia comparações do que lhe contavam com o que passava e percebia que ao menos neste caso não o era. Mas era em outra coisa. Ela o via fora dali, ela recebia força dele e agora fora beijada por ele. Não seria certo continuar assim, muito menos deixar os outros saberem que algo acontecera.

O que mais entristecia a Hyuuga é que não poderia contar às amigas por esse motivo. Ino não ligaria, na verdade até mesmo a incentivaria de muitas formas, mas nada relacionado ao concurso. Porém, Sakura era sempre uma caixinha de surpresas. A amiga era “politicamente correta”, até mesmo com suas apresentações seu perfeccionismo estava presente. Hinata tinha quase certeza que saber que algo assim acontecera não seria bom para a amizade das duas. Essa seria a primeira vez que iria ter segredo de suas amigas.

Perdeu a noção da hora enquanto pensava sobre aquelas coisas, enquanto tentava pensar no que falaria primeiro ou mesmo no que perguntaria. Seu celular apitou ao indicar que recebera uma mensagem e ao abrir recebeu uma ironia de Ino:

O que houve? Foi tão ruim a bronca que quer sumir?

Não vai jantar?

Olhou a hora e percebeu que perdera mesmo muito tempo. Já deveriam todos estar jantando, mas não sentia fome. Mandou uma mensagem em resposta, dizendo isso e pedindo desculpas. Logo em seguida colocou o celular no mudo e deitou-se outra vez. Estava cedo para ir, porém seu coração sofria como se já estivesse no momento. De certo modo estava ansiosa para resolver logo, assim seguiria em frente, independente do que tivesse de fazer.

Não muito tempo depois, ouviu batidas em sua porta e gelou. Não precisou abrir pra saber quem era. Pegou as partituras e jogou na cama antes de abrir a porta. Seu rosto deveria estar ruim, sua expressão ou mesmo seus olhos. Algo ali não deveria estar certo, pois Ino soltou um assovio longo e fino e riu em seguida.

— Pela primeira vez Ebisu está acabando com você, Hina. – e dizendo isso, pegou o cabelo da amiga e puxou pra cima. Ela estava descabelada. A loira esticou os olhos para a cama e viu as folhas ali espalhadas. – Estudando?

— Ino... O que faz aqui? Cadê a Sakura? – perguntou sem fazer questão de esconder a surpresa.

— Sakura deve estar com alguém, ela disse que não poderia me acompanhar para lhe trazer isso. – então a loira estrendeu uma caixa para a amiga. Não parou de olhar para a Hyuuga até que esta abriu e viu ali alguns cupcakes. – Amigas são pra isso. – Finalmente, um sorriso doce dançou nos lábios de Ino.

Quando Hinata ficava muito nervosa ela sempre comprava cupcakes e comia. Os mais coloridos e bonitos. Era uma forma de se acalmar e como Ino supôs que esse era o problema da outra, fez essa surpresa. No mesmo instante Hinata a abraçou, agradecendo e se sentiu mal por não contar a ela o que tanto queria.

— Pode ao menos me contar a música ou tem que ser surpresa também? – Ino falou, notando que a amiga ficara sentimental. TPM?, ela pensou.

— Nunca fiz segredo, Ino. – explicou, deixando a amiga entrar e se sentando ao lado das folhas enquanto pegava um cupcake e comia.

— É, mas eu perguntei à Sakura e ela fez um mistério tão grande. Sei lá, até parecia que estava valendo mais do que a nota dela.

— A Sakura é perfeccionista.

— Acho que ela está com medo de perder por falar. – Ino logo disse. Ela tinha dito isso para a amiga no jantar também, não era do tipo que ficava de fofoca. Quando viu que Hinata ia dizer algo, deu de ombros antes de continuar: — Ah, eu sei que ela não faz por mal, mas Hina, ela ficar toda estranha comigo e com você não vai mudar nada.

— Está dizendo que ela não ganharia de jeito algum? – a Hyuuga semicerrou os olhos, desconfiada enquanto comia mais.

— De certo modo. Ela sabe isso também. Ebisu sabe isso também. E acho que ela ficou chateada porque contei que pedi a você para cantar na apresentação que vou fazer no final do período.

— Ino eu...

— Esquece. Eu não vou fazer isso com nenhuma das duas. Vou me apresentar sozinha para não ter esse problema. Tudo bem, Hina? Vim falar isso com você além de trazer os cupcakes.

— Acho melhor, Ino. Não quero nada estranho... somos amigas, não é?

— É. E é por isso que sei que você está escondendo algo da gente. – a loira logo acusou, se levantando da cama e caminhando pra porta. Hinata prendera a respiração, mas não se alarmara demais. – Não se preocupe, eu vou esperar você contar.

— Obrigada, Ino. – ela agradecia pelo companheirismo, a compreensão e novamente pelo doce. A amiga deu de ombros, acenando e só então fechando a porta ao sair. Por mais que soubesse que podia confiar, também sabia que era o melhor a ser feito por enquanto. Como dissera, não queria nada estranho entre elas, então teria que se segurar e fazer o melhor para estar sozinha com seu segredo.

...

Eram 23h em ponto quando Hinata apareceu no terraço. Ela tinha pensado em não ir, apenas por estar muito nervosa e com medo de ficar gaguejando como uma boba e não conseguir dizer nada, mas sabi que não conseguiria evitar. Tudo em si mandava ir, inclusive sua consciência. No fim das contas, começara a dizer a si mesma que era bom pôr um ponto final definitivo naquilo em vez de ficar enrolando.

Toda a certeza desse discurso interno se desfez ao ver Naruto sentado no mesmo lugar que lhe confidenciara que a música era pra ela. Naquele instante quem encarava o céu era ele, hoje sem lua, mas estrelado. Se permitiu observá-lo por alguns instantes, alimentando sua admiração de anos, sua paixão já antiga. Não pensou em nada fantasioso, apenas que era sortuda de poder aproveitar um momento assim, como poucas pessoas já puderam.

Assim que ele se mecheu, porém, a Hyuuga começou a andar e novamente seu nervosismo pediu lugar, fazendo com que entrelaçasse os dedos de uma mão na outra e apertasse. Era seu modo de tentar aliviar a tensão. Em silêncio se sentou do lado dele. Naruto, por outro lado, tinha notado a presença dela desde que a porta se abrira, mas preferira dar espaço a Hyuuga de não ser tão observada. Soube, porém, que ele estava sendo até que a viu ao seu lado. Sem resistir, a fitou, mas também se manteve quieto, paciente.

— Eu não sei o que dizer. – ela confessou, olhando para as mãos.

— Me diz o que sentiu. – ele pediu e ela no mesmo instante negou. – Você também queria aquilo? – novamente Hinata não disse nada, mas não acenou tampouco. – Se não me responder nada, não vou conseguir fazer disso uma conversa. Vamos tentar de outro jeito... – ele suspirou e virou-se um pouco mais para a direção da Hyuuga. – Você já me observava também?

— Também...? – ela perguntou e então o loiro lançou um olhar bem significativo a ela. Hinata entendeu que ele a observara muito mais do que para a apresentação, como quem a ajudara. E era deste jeito que perguntava a ela. – Um pouco. – parou, mas ele esperou que ela continuasse. – Você sempre foi admirado... Mas também inalcansável. Eu sempre fui sonhadora, mas também realista...

— Você sempre sonhou, mas também sempre soube que era apenas um sonho, é isso que quer dizer?

— Sim. – ela agradeceu internamente por ele ter entendido. – Você sabe como é, uma fã... – tentou brincar com aquilo, imaginando que fosse o que ele esperava.

— Você não age como as que estou acostumado. – disse logo, cruzando os braços. – Você é fã sim, não estou duvidando, mas acho que também tem algo mais... Ou estou enganado? Ou sempre quis pular no meu pescoço e se esfregar e me beijar?

— Não desse jeito. – ela murmurou, mas pelo silêncio Naruto ouviu e sorriu. – Digo, não sou assim...

— Sei disso. Você tem algo diferente. Não preciso que me conte tudo agora, apenas quero que saiba que notei isso. Justamente é esse o motivo de você ter uma música. – deu uma piscadinha para ela e sorriu em seguida. – Hinata, me escute, eu não quero que você se sinta mal por isso, pois eu quis...

— Não é tão simples. – Naruto tinha pego a mão dela, mas no mesmo instante Hinata tirou. O toque complicava suas emoções e isso lhe impedia de pensar direito. – O que quer comigo? E quanto ao concurso?

— Ei, você não precisa sair. – ele logo falou, ficando de pé. Era inadmissível que ela saísse. Ela era a melhor, ninguém negava, nem o carrancudo do Ebisu. – Escute, eu quero... lhe conhecer... Sabe, algo além dos nossos encontros em frente às câmeras.

— Mas como isso? Se alguém visse.

— Segredo. Pelo menos até isso acabar. – ele falou rápido e se surpreendeu, porque já pensava que depois que acabasse poderia ser público. Ele realmente pensara nisso. Em seus olhos estavam a verdade, ele não queria que fosse segredo para sempre.

Para sempre. Aquelas palavras pensadas o fizeram refletir. Não estava mesmo pensado que não pudesse dar certo. Na verdade tinha praticamente toda a convicção do mundo que daria e que depois teriam de contar para todos sem parecer ruim para ela. Sorriu, ele realmente achava aquilo. Era quase como se tivesse voltado no tempo e fosse outra vez o rapaz de 19 anos que queria montar uma banda e era sempre otimista. Esse mesmo rapaz tinha dado sorte de tudo, realmente, ter dado certo. E agora, ele tinha outra certeza.

— Imparcial? – ela perguntou, finalmente, o tirando do transe que ele se encontrava. O olhar perdido de Naruto lhe mostrou que ele não compreendera. – Você será mesmo imparcial comigo e com os outros? Você é quem escolhe e eu não quero...

— Não se preocupe. – ele a cortou, sorrindo. – Sei que faço tudo separadamente, mas pode perguntar para qualquer um, até sua amiga, se eu não dou dicas ótimas para todos, se não elogio a todos. Meus elogios são sinceros e realmente quero trazer o lado artístico de cada um. Você tem muito talento, Hinata, mas os outros também, eu seria injusto comigo se não desse uma chance real de me surpreenderem tanto quanto a você.

— Promete?

— Essa é a condição para você aceitar se encontrar comigo? – ele foi se aproximando e ela se afastou. Naruto riu então. – Ok, eu entendi. Prometo, Hinata. Em nenhum momento quis prejudicar ninguém para você ganhar e ficar tão feliz comigo que quisesse ir pra cama comigo. Melhor? – e foi então que percebeu que fora longe. – Desculpe, só quero que saiba que não sou assim também.

Com certo receio, o Uzumaki pegou a mão dela e entrelaçou os dedos ali. Não olhou nos olhos perolados, ficando em silêncio por longos instantes até conseguir falar:

— De alguma forma que não sei porque, não foi apenas a sua voz que me encantou e vem me encantando. Por isso eu quero lhe conhecer. Não posso prometer dar certo, mas é assim que começa, certo?

— Ainda não faz sentido...

— Pode não fazer, mas o que isso importa? Talvez seja destino, talvez apenas sejamos loucos. O que isso importa? Você vai me dar essa chance? Eu já prometi, agora você precisa prometer que vai tentar.

— Eu prometo. – e após dizer isso, Hinata recebeu o mais lindo que poderia imaginar.

...

Sakura já estava impaciente batendo na porta da morena, pois as duas estavam atrasadas e Hinata parecia estar demorando de propósito. Receberam um “convite” da emissora de TV para uma entrevista, algo que iria passar antes das apresentações da semi-final e, por ter sido um pouco em cima da hora, todos ficaram ansiosos e nervosos, principalmente a Haruno. Sakura não era fã de surpresas, imprevistos ou mesmo que lhe tirassem de sua zona de conforto. Essa entrevista, praticamente no escuro, não era em nada programada e por isso mesmo não gostara nenhum pouco. E estava descontando nas amigas.

Quando Hinata abriu a porta, a rosada mal absorveu a presença da amiga e a puxou pela mão porta a fora, mal cumprimentando Ino que estava ali para desejar boa sorte a elas. Enquanto Hinata tentava acompanhar a amiga, esta falava muitas coisas que não conseguia entender, mas sabia ser por ter se atrasado e chegarem por último.

Naruto tinha avisado que conseguira uma van para que todos fossem e voltassem juntos, então a Hyuuga entendia porque da Haruno achar tão ruim estarem atrasadas: todos estariam esperando apenas elas. Porém este não foi o caso. Enquanto caminhavam na direção do grupo, perceberam que faltava ainda uma moça. Hinata suspirou aliviada e Sakura reclamou do atraso desta. Ela realmente estava muito nervosa.

— Mas Sakura, ainda falta o Naruto. – foi Konohamaru quem avisou e no mesmo instante Hinata o olhou. – Ele comentou ontem, vocês não ouviram? – as duas negaram com a cabeça, pois sabiam que não tinham prestado atenção naquela parte.

Hinata se sentiu nervosa então. Um nervoso diferente do que estava sentindo antes, que era apenas relacionado a dar uma entrevista. Agora ela se sentia nervosa porque estaria, novamente, junto de Naruto e do resto do grupo e não podia deixar nada transparecer. Eles tinham se encontrado mais uma única vez sozinhos, também no terraço e também rápido, mas como da última vez, apenas tinham conversado sobre eles, músicas e até os sonhos. Hinata se sentira mais confortável depois desse encontro, mas quando estava junto dos outros e com ele, parecia que todos sabiam o que estava acontecendo e ela se sentia culpada.

Foi só pensar nisso que ele apareceu, o cabelo bagunçado e as mãos dentro dos bolsos da calça. Estava de óculos escuros e um belo sorriso nos lábios. Ele poderia estar olhando para qualquer um enquanto se aproximava, mas olhava para Hinata e suas pernas de fora por aquele vestido azul florido que lhe caía tão bem. Ela sorriu também, assim como algumas outras e novamente ouviu Sakura reclamar do atraso da outra menina.

Como se tivesse lhe ouvido esta apareceu apressada, mas diminuiu o passo ao parar ao lado de Naruto e se aproximar vagorosa com ele. Hinata olhou de um para o outro e então desviou o olhar enquanto o motorista entrava. Ela achou que era uma boa fazer o mesmo e comentou com Sakura, que sem esperar mais pulou para dentro do veículo antes da amiga. Hinata o faria, se Naruto não tivesse lhe tocado o ombro. Ficando para trás, com a desculpa de conferir se tinha deixado algo no quarto, os outros entraram.

Mas o Uzumaki não disse nada e ficou insatisfeito ao notar que haveria sim lugar para ela lá dentro. Sakura guardara, assim como Konohamaru. Assim sendo ele deu preferência a ir com os demais atrás do que na frente com o motorista, entrando logo após a Hyuuga, mas se sentando algumas poltronas depois dela.

Enquanto avançavam a caminho do estúdio de gravação, a conversa fluía e Naruto tentava participar de cada uma, dando gargalhadas vez ou outra e atraindo atenção dos demais. Quando estava descontraído, como naquele momento, ele era quase escandaloso demais, o que o fazia se sentir livre.

— Sabe o que reparei? – Konohamaru falou um pouco mais alto para chamar atenção dos demais. – Tem mais semi-finalistas mulheres do que homens, acho que isso tem a ver com o nosso “técnico” ser um homem, viu? – ele e o outro rapaz riram e Naruto os acompanhou, revirando os olhos.

— Se tivesse o meu poder não faria o mesmo, Konohamaru? – Naruto entrou na brincadeira e, disfarçadamente, lançou um olhar para Hinata. Ele não queria que ela pensasse errado, não queria magoá-la, tampouco.

— Sem dúvidas. Ainda vou poder fazer isso...

— Ah, e é assim que quer conhecer a minha irmã? Pode esquecendo! – comentou Hinata. Konohamaru se inclinou para ela, pedindo desculpas e dizendo ser tudo uma brincadeira enquanto os demais riam. – Já era, acabou de estragar tudo.

— Olha o que fez, técnico. Você que quer estar cercado de mulheres e eu que perco a chance de conhecer a Hyuuga mais nova.

— Não tem nada a ver. Vocês sabem que são talentosas, não é mesmo meninas? – o loiro comentou.

— Exatamente. – comentou Sakura e piscou pra Hinata. – Existe até mesmo uma música que explicita isso. – deu uma cutucada em Hinata, que ria. Sabia do que a amiga falava e tinha certeza que sobraria para ela.

Who run the world? — ela cantou e riu. Sem esperar mais as meninas completaram:

Girls!

Who run the world? – repetiu.

— Girls!

Os rapazes riram, e Naruto ergueu as mãos como se estivesse se rendendo. Ele não negaria aquilo, mas o debate estava formado. Mesmo que fosse apenas implicancia, para ele era ótimo ver todos se dando bem assim. Melhor ainda, ele não podia negar, foi ver Hinata se soltar para cantar, mesmo de forma tão informal.

A viagem seguiu animada, mas não durou muito, pois logo que chegaram e foram abordados pela equipe, cada um foi levado para uma parte do camarim, as meninas iriam ser maquiadas também, além de receberem um microfone, um ponto, como eles chamavam. Todos pareceram entre o encantado e o assustado, mas não era nada fora do comum, Naruto sabia, pois ficara assim também na primeira vez que estivera ali. Antes, porém, que eles entrassem, tinha de falar com todos juntos e pediu que se reunissem rapidamente.

— Quero alertá-los para Shion. A implicância pessoal dela é comigo, mas isso não a impedirá de tentar alfinetá-los por isso, afinal, isso refletirá em mim. Por isso a ignorem. Vocês são ótimos e é por isso que ela fica com aquela cara, certo? – não podia deixar que nenhum deles entrasse no escuro. Infelizmente, ela seria a responsável pela entrevista. Infelizmente, era o programa dela que dava mais audiência, ele nada podia fazer.

Conforme todos saíam para os bastidores, onde a equipe dava algumas instruções, Naruto caminhou para mais perto de Hinata, que ficara por último, ajeitando a caixa do microfone em seu vestido. Usou aquilo como desculpa, a ajudava.

— Como está? Nervosa? – ela o olhou e ele sorriu. – Não se preocupe com Shion. É sério, a ignore e se sairá bem. Seja você mesma e todos vão te adorar, nada além do comum.

— Muitas pessoas não gostam de mim, Naruto.

— São todas umas Shion da vida. – ele soltou a caixa do microfone e tocou a trança que ela fizera. – Prefiro o seu cabelo solto, mas está linda. – então se afastou, sorrindo. – Pronta, Hyuuga?

E foi assim que os dois se aproximaram do restante do nervoso grupo, onde Hinata explicou a uma Sakura indagadora, que Naruto tinha lhe ajudado a colocar a caixa do microfone na parte de trás do seu vestido. As duas se apertaram as mãos, completamente em pânico. Assistiam ao programa de Shion ocasionalmente, conheciam o quão ela conseguia ir fundo. Mas por sorte, todos estariam juntos.

Quando foram anunciados, nada de nome por nome, apenas como um grupo, entraram um após o outro, sorrindo e alguns como Konohamaru e Kitty, uma das moças, acenando. Um grande espaço estava reservado para eles, assim como um poltrona para Naruto e outra para Shion, como fora lhes informado e esta tinha um sorriso grande demais no rosto quando mirou o grupo a sua frente.

— Que prazer é ter todos vocês aqui! – ela falou, seguida de agradecimentos em conjunto. – Naruto, eu imaginei adolescentes depois do que falou, mas são rapazes e moças como nós! – e assim começavam as alfinetadas.

— Como sempre, subestimando as pessoas, não é Shion? – ele dizia em tom de brincadeira, rindo. E ela o acompanhava, de certo para não ficar mal. – Esse jovens são excelentes como bem falei.

Apesar de eles estarem gravando sem plateia, sempre tinham que imaginar que estavam na frente de uma. Shion preferia que fingissem, que não se vissem antes e que todos seguissem como se estivessem ao vivo e era isso que acontecia naquele momento. Para as câmeras tudo estava lindo, mas o olhar dos dois famosos não eram tão amigáveis.

— Bem, vamos começar a conhecê-los então, não é mesmo?

Shion começou com as perguntas gerais, de modo que todos tinham a chance de falar sobre como estava sendo participar do concurso, trabalhar com Naruto e o que esperavam agora que estariam na TV. Logo em seguida as perguntas se tornaram pessoais, pedindo para contar de onde vinham e suas histórias. Naruto sabia alguma coisa de cada um que tinha se proposto a falar, mas assim como Hinata se interessou pela história de Konohamaru.

O jovem tinha sido criado pelos avós, já que seus pais faleceram em um acidente quando ele era muito novo, então crescera com muitos mimos e muita cobrança, já que seu pai era um ótimo filho. Sua decisão de viver da música foi apoiada, mas não sem antes a condição de que se não conseguisse ele estudaria mais um pouco para viver da pequena empresa do avó. Pequena, mas que proporcionava uma vida confortável a todos, ele logo deixou claro, já que conseguiam pagar a universidade sem qualquer dificuldade.

Hinata já conhecia a história da amiga, que contou parecendo um pouco insegura. Sakura era filha de dois advogados que trabalhavam como sócios e foi uma surpresa indesejada pelos pais quando ela contou que tinha feito o teste para a universidade de música e passado. Assim como Konohamaru, teve de prometer que seguiria a carreira dos pais caso não conseguisse. Hinata, ao contrário das pessoas que ouviriam a história de Sakura, sabia que a amiga estava começando a se conformar em não viver de música antes de participar do concurso. Ela não desistia fácil, mas quando decidia o fazer, criava novos sonhos.

— Chegamos a bela Hinata Hyuuga. – disse Shion com o mesmo sorriso afetado que lançara para as outras meninas. – Conte-nos um pouco de você, Hinata. De onde veio?

— Sou da pequena cidade de Konoha, como Konohamaru, apesar de não o ter conhecido antes, o que prova que nossa cidade não é tão pequena assim. – ela brincou ao receber uma piscadinha do mais novo. – Minha mãe faleceu quando eu tinha cinco anos, por isso vivo com meu pai e meus irmãos. Assim como alguns aqui, não foi bem vista a minha decisão de estudar música e querer viver dela, mas como todos, vivo do meu sonho e do de minha mãe. Ela sempre foi quem mais me incentivou e a primeira a me ensinar a cantar, mesmo ela não sabendo o fazer.

— Conte mais disso. – Shion incentivou. Ela podia não ser tão boa, mas era boa no que fazia.

— Minha mãe sempre cantou muito mal, mas quando percebeu que eu gostava, ainda pequena, buscou aprender algumas coisas e me ensinar elas. Acho que é por isso que tento aprender sempre, foi uma das coisas que ela me ensinou: Nunca devemos achar que sabemos tudo, mas também nunca achar que não sabemos nada. Gosto de fazer as coisas do meu jeito, por conta dela.

— E seu pai?

— Meu pai é o típico empresário. Ele tenta ficar conosco o máximo que pode, mas também tenta dar-nos a melhor vida possível. Conciliar as duas coisas é difícil, mas ele tem se saído bem. – e não era mentira, apesar de saber que ele não aprovava em nada a ida de Hinata para aquela universidade. – Ele ainda não aceitou a minha decisão, mas quem sabe um dia?

— Ah sim, tenho certeza que se ganhar isso ele mudará de opinião, como muitos aqui. – Shion disso animada, olhando em volta. – Para finalizar, a produção do programa me pediu para fazer um convite a vocês. – e nesse momento ela olhou bem para Naruto. – Que vocês cantem todos juntos com Naruto na abertura do programa. Podem escolher a música, e apenas para termos algo marcante. O que acham?

— Bem, isso nos pegou de surpresa. – Naruto sabia que nada daquela última conversa estaria no programa, pois não estavam mais sendo gravados. – Vamos conversar e entramos em contato, tudo bem? – dizendo isso ele já se levantava.

— Fugindo de um bom desafio, Naruto?

— De jeito algum, Shion. Estou sendo alguém melhor, apenas. Não posso aceitar nada que não foi combinado antes sem conversar com eles e com meu agente. Agora se me dá licença, preciso ir embora.

Os demais já tinham saído e estavam se desfazendo do microfone enquanto observavam de longe Naruto falar com Shion. Mesmo não ouvindo, tinham percebido que não era uma conversa amigável. O loiro parou ao lado deles, devolvendo o aparelho que tinha puxado para fora de si e sumiu de vista, já pegando o celular. Naruto era impulso, mas odiava quando tentavam pegá-lo de surpresa e, por algum motivo, algo lhe dizia que aquela ideia era inicialmente de Shion.

...

Hinata tinha acabado de voltar de mais um ensaio com Ebisu, onde tinham ensaiado um pouco mais e, por sorte, ela conseguira pegar um pouco melhor a música. Estava ensaiando sozinha enquanto ouvia a música apenas tocada que tinha gravado ao pedir para os rapazes o fazerem no início da aula. Isso sempre a ajudava a se concentrar na letra e cantar melhor. Sabia que era muito diferente imaginar o ritmo do que o ouvir de fato já com a banda. Isso tanto a ajudava que após cantar aquela parte se sentia bem mais satisfeita do que em todo o dia. Foi nesse instante, também, que viu seu celular aceso, indicando uma mensagem recebida.

“Me espere às 20h na parte de trás dos dormitórios. É um verdadeiro encontro.

— Naruto”

A reação imediata da Hyuuga foi sorrir e se alegrar, afinal mesmo que eles tivessem se encontrado algumas vezes, nunca tinham tido um “encontro de verdade”, coisa que ele prometia agora. Mas logo que percebeu o que seria, se sentiu em pânico. Não podia sair juntos. Ela já tinha tido a prova que ele não estava lhe beneficiando, pois tinha ouvido todos elogiarem na entrevista a atenção de Naruto e suas dicas tão valiosas, mas se fossem vistos assim qualquer pensamento do tipo seria desfeito no mesmo instante. Não podia. O que ele estava pensando? Mandou uma mensagem o lembrando disso e poucos instantes depois recebeu a resposta:

“Confie em mim e esteja, como sempre, linda.”

E Hinata confiava. Mesmo que talvez não fosse o recomendado. Ela confiou quando ele prometeu e confiou ao prometer também. Não seria diferente agora. Ela confiou. Por isso mesmo foi escolher algo para vestir. Por mais que achasse que não deveria se arrumar demais, tinha receio de não o fazer e ficar muito simples. Era o seu primeiro encontro às escuras e estava muito insegura por ser com Naruto.

Tentou cantar enquanto fazia outras coisas, como escolher a roupa ou mesmo arrumar o cabelo, mas não conseguiu se concentrar, sempre esquecia que parte da música cantarolava. Avisou Ino e Sakura que não iria jantar com elas, pois iria sair. Não deu detalhes. Iria arrumar uma desculpa depois que tivesse com a mente mais vazia, depois que não estivesse tão nervosa e então foi tomar um banho.

Estava cedo ainda. Mesmo que Naruto e Ebisu sempre lhe marcassem no horário da tarde, ainda estava cedo para estar atrasada. Mas com tempo ela conseguia pensar melhor, ou assim se enganava. Por isso seu banho foi tentando se acalmar enquanto pensava em como ele faria para que ninguém os visse e onde eles iriam. Nenhuma dessas respostas apareceu, o que apenas fez com que Hinata ficasse mais ansiosa.

Fez uma maquiagem leve e que não dependia da roupa para ficar boa, assim poderia decidir quando tivesse de se vestir. Iria prender o cabelo quando se lembrou que ele dissera gostar de seu cabelo solto, por isso fez apenas um trança na frente e deixou todo o resto solto, enquanto enfeitou essa com alguns pontos de luz. Quando enfim parou em frente ao armário, sabia que não teria tanto tempo para o esvaziar ao decidir o que vestiria. Por isso foi direto nos vestidos e escolheu um que se apaixonara ao comprar.

Era um vestido vinho, quase roxo na opinião de Hinata, justo em sua cintura, mas leve na saia. A alça era presa atras de seu pescoço, deixando uma parte de suas costas nua. Não muito formal, não tão informal. Hinata se olhou no espelho e achou que estava bom, finalizando apenas com uma sandalia dourada e um cordão da mesma cor. Passou então a colocar algumas coisas na sua pequena bolsa de mão e recebeu uma mensagem de Naruto avisando que tinha chegado bem quando tinha acabado de colocar o celular ali.

Saía do quarto como uma adolescente prestes a ser pega fugindo de casa estando de castigo. Olhava para os lado, mas aquele era o horário do jantar, poucos ficavam por ali. Enquanto se apressava para os fundos, olhava em volta e para trás e ria em silêncio de si mesma. Aquilo poderia significar que o que fazia era errado, mas prometera segredo e não queria pensar muito além disso ou voltaria para o quarto.

Ao chegar, ficou feliz em ter se arrumado um pouco mais. Naruto estava parado em frente a um carro completamente diferente daquele que sempre o via. Não entendia de carro, não saberia dizer qual o modelo, mas sabia ser muito bonito e discreto. Naruto, por outro lado, apesar de muito bonito em uma calça social, blusa social sem gravata e um blazer, não era nada discreto. Era justamente a sua beleza que fazia com que chamasse atenção. Hinata não via como ele poderia ter sucesso em mantê-los em segredo assim.

Ele, por outro lado, não conseguia pensar em mais nada a não ser em como ela estava linda. Hinata nascera para se vestir assim, ele pensou. Apesar do vestido lhe ir até os joelhos, as belas pernas estavam a mostra e ele olhara para lá, notando que eram bem definidas, provavelmente pelas aulas de dança. Ela também andava muito bem no salto. Ficou feliz também em notar o cabelo solto, apesar do penteado e sorriu ainda mais quando encarou os olhos perolados.

— Está linda! – ele sussurrou, pegando a mão da moça e beijando. Como sempre, ela corou e ele se sentiu maravilhado com o fato.

— Está muito bonito também. – estava mais do que muito bonito, mas dizer “está lindo também” não parecia muito com ela. E Naruto sabia disso.

— Pronta? – ela confirmou ao ouvi-lo, mas abriu a boca para dizer algo. No mesmo instante o Uzumaki levou o indicador até os lábios rosados e lhe impediu de continuar. – Não estrague a surpresa. Não confia em mim? – novamente ela confirmou e ele abriu a porta para que ela entrasse. – Então vamos, antes que alguém volte e nos veja de algum quarto. – após a piscadinha, Hinata não tinha mais o que dizer ou contextar.

Apesar das várias conversas que tiveram, em sua maioria de Naruto contando alguma coisa que acontecera quando se tornara famoso, ou mesmo alguma experiência em sua casa com os pais, eles “se conheciam” mais com beijos, pois o Uzumaki sempre a pegava de surpresa e, em seguida, dizia que não conseguia ficar sem beijá-la muito tempo. Por isso mesmo o caminho foi um pouco mais silencioso do que o normal. Uma música baixa preenchia o silêncio e quando conhecia, Hinata mexia os lábios sem deixar sair som e Naruto lhe lançava olhares ocasionais e sorria por isso. Não tinham a necessidade de preencher o silêncio quando uma música tocava.

Naruto parou em frente a um restaurante e no mesmo instante Hinata o olhou. Eles iriam a um lugar público? Ela não compreendia o que ele queria e deixava isso claro em seu olhar enquanto o mesmo lhe abria a porta e esticava a mão para lhe ajudar a sair do carro.

— Confie em mim. – pediu novamente enquanto a conduzia para a entrada do local.

A surpresa foi grande. Não havia ninguém lá dentro a não ser os funcionários. Hinata olhou em volta e em seguida para Naruto, percebendo o que este fizera. O restaurante fora fechado para os dois naquela noite. Fizera isso porque podia. Fizera isso porque queria levá-la ali, porque era ótimo e ele queria ter algo o mais perto do normal possível com ela. Não era o certo ainda, mas estava quase e por isso se sentiu satisfeito.

Enquanto eram conduzidos a uma mesa, que mais parecia um pequeno sofá com uma mesa na frente, Naruto pegou a mão da morena e entrelaçou os dedos nos dela. A mesma o olhou com um pequeno sorriso e ele retribuiu com um grande seu. Nenhum dos dois disse nada até estarem sentados, cada um com um cardápio em mãos e o garçom longe.

— Me desculpe ter de ser assim. Mas não quero privar-nos de algumas coisas. Em breve o concurso acaba e tudo vai ficar mais fácil, eu prometo. – ele confessou algo que queria dizer até mesmo para os encontros escondidos que tinham, apesar de gostar um pouco. Escondido dava um gosto de aventura que lhe lembrava anos antes.

— Eu entendo. Me pediu uma chance, estou dando. E confio em você. – ela dizia aquilo para ele e para confirmar seus sentimentos. Era, além de tudo, um aviso. Ela não perdoaria um deslize, mas aceitaria apenas a sinceridade.

— E já decidiu o que comer? – ele falou após soltar um pigarro. Hinata negou e passou para ele o próprio cardápio. – Que responsabilidade! Terei que escolher por nós dois, mas estava torcendo por isso. – confessou, erguendo a mão para chamar o garçom. – Aquele prato especial, por favor.

— Quer dizer que já tinha um pedido? – ela se escandalizou, mas riu em seguida. – E se eu tivesse escolhido algo?

— Eu iria persuadí-la. Mas como não foi preciso, fica sendo uma surpreso mesmo. – piscou para ela e então esperou que o garçom servisse o vinho.

O prato não demorou a chegar, sendo este uma receita chamada Okonomiyaki, um prato japonês muito parecido com uma pizza, mas que na verdade era um bolo frito feito de uma massa chamada polme e com cobertura, ou recheio, do que lhes agradasse. Hinata acenou, afirmando, antes mesmo de ser servida. O cheiro era maravilhoso, assim como a aparência. Naruto acertara e notou isso, ficando satisfeito consigo.

— Acho que me conhece já, Naruto. – ela começou após soltar um gemido baixo de prazer com o gosto da comida. – Eu amo qualquer coisa de massa.

— Mesmo? Tenho que anotar isso. – ele parou, fazendo uma pose como se estivesse pensando e então acenou, como se estivesse feito. – Não entendo como consegue ser magra então.

— Eu danço. – ela falou com simplicidade. Sempre queimava tudo o que podia dançando, fosse nas aulas ou mesmo ajudando Ino a ensaiar. – Eu ia participar com Ino no final do ano, das apresentações que fazemos, mas acho que Sakura ficou com ciúmes, por isso resolvemos que ela vai fazer isso sem mim.

— Mas e você? Não vai participar? – era bom conversar com ela sobre algo pessoal que não fosse apenas do concurso, na verdade os dois sempre evitavam falar sobre este.

— Não sei. Ebisu disse que preciso, pois depois das minhas apresentações eu não tenho como fugir. Acho que vou. – finalizou, enchendo a boca mais uma vez.

— Quem sabe eu não poderia aparecer para lhe ver? Seria uma boa forma de nós começarmos após o fim de tudo, não é?

— Talvez... – ela murmurou, corando com o pensamento. Saber que Naruto realmente pensava que poderia dar certo a ponto de levar adiante até mesmo depois de ser segredo a deixava feliz e ligeiramente envergonhada.

Até mesmo para o Uzumaki aquilo o deixava surpreso. Não imaginava que conhecer Hinata fosse deixá-lo daquele jeito. Se antes ela tinha o encantado, agora estava mais. Doce, era a palavra certa para descrevê-la. E essa doçura natural o encantava.

— Em breve teremos menos tempo para fugirmos, não é? – ele recomeçou a falar. Apesar de uma boa música estar ao fundo, desta vez ele sentia necessidade de falar com ela. Percebeu, porém, que ela não entendeu. – Sua irmã, ela chegará para ficar com você em breve, certo?

— Ah sim. Ficará apenas alguns dias. – e então compreendeu: não teria como fugir para vê-lo com sua irmã lá.

Notando que Hinata abaixara a cabeça ao pensar, parecendo um pouco desanimada com algo, Naruto se inclinou e, com a mão no queixo dela, ergueu-lhe a cabeça.

— Podemos dar um jeito. Apresente-a a Konohamaru. – brincou, lembrando do que o rapaz pedira.

— De jeito algum. Ela é a minha irmãzinha! – mas logo recebeu o olhar mais atento de Naruto. – É um lado egoísta meu. Tenho medo de meu pai descobrir e achar que armamos isso e então proibir Hanabi de me ver. Ela é cinco anos mais nova, Naruto, ainda é menor de idade e meu pai pode fazer isso.

— Entendo. Não acho justo não dar uma chance para o garoto, mas entendo. – deu de ombros enquanto terminavam de comer.

Como sobremesa pedira algo que se lembrou que Hinata dissera gostar. Fondue de chocolate. Os pedaços de frutas vieram cortados e eles mergulhavam no chocolate e comiam. Hinata tinha de se virar para não acabar se sujando, como sempre acontecia e isso virou motivo para Naruto tentar fazer isso com a moça e, claro, os dois riam pelo mesmo motivo.

Foi quando Hinata pensou que a noite estava acabando que ouviu uma música conhecida. No mesmo instante disse que gostava daquela música e era do cantor que iria ao show com a irmã. Sem esperar mais, Naruto se ergueu e estendeu a mão para ela. Sabia que era um convite para dançar, mas não tinha ideia de onde seria, não parecia haver um espaço para isso. Mas aceitou mesmo assim.

Não foram longe, apenas ficando em um espaço maior entre uma mesa e outra. Também não estavam dançando como profissionais. Na verdade, Naruto apenas aproveitou para ter Hinata perto de si, segurando a cintura dela e a mão, balançando o corpo dela junto com o seu lentamente, como o ritmo da música romantica que ouviam.

— Acho que vou roubar essa música pra mim. – ele brincou, falando no ouvido dela.

— Não pode, todos sabem que é dele.

— Então eu a faço nossa. O que acha? Combina?

E no mesmo instante Hinata concordou. Aquela música era em muitas coisas parecidas com os dois. E seria impossível depois daquela noite não associá-la a ele. Thinking out Loud nunca mais seria a mesma, pois seria o rosto de Naruto e a sua presença que marcariam a música para si.

— Eu menti. – o Uzumaki confessou após um tempo em silêncio.

— Como? – no mesmo instante ela gelou, com medo do que viria a seguir.

— Menti quando disse que não sabia como nem porque tinha me encantado com você. Eu sei sim.

— E o que é? – essa revelação era importante para a Hyuuga, era o que faria, talvez, ela ter mais confiança naquilo que tentava ter com ele.

— Com você eu me sinto alguém que gosto: eu mesmo. Sem pressão, sem cobranças. Apenas eu. É por isso que me sinto tão bem, tão inspirado de novo. Você me trouxe de volta com o seu jeito. – a voz de Naruto estava anormalmente baixa, como se fosse um segredo que ele lhe confidenciava. Ela se arrepiou por isso. Nunca imaginaria que teria tal capacidade e se alegrou por isso. – Você está sorrindo. – ele constantou ao olhar pra ela.

— Estou feliz. – confessou, fechando os olhos e encostando a cabeça no peito de Naruto. – Você me traz confiança ao mesmo tempo.

Estavam os dois em um determinado lugar que não queriam mais voltar. A cada instante que se conheciam a admiração aumentava, assim como o carinho. Por mais que fosse difícil, não era algo que nenhum dos dois estavam dispostos a abrir mão. Nesse aspecto, ficavam muito bem ao serem egoístas.

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Notas finais
*Date = apesar de ser "data" em inglês também pode ser "encontro", que neste caso é o nome do capítulo. Mais uma vez eu venho implorar para que me deixem seus comentários lindos ou mesmo raivosos. Nesse capítulo muitos podem odiar a Hinata, muito podem odiar o Naruto, ou até mesmo os dois, mas o que prevalece? O que têm a dizer? Podem dizer! Venho também dizer que fiz o grupo no face, até mesmo já mandei o link quando respondi os comentários anteriores. Lá eu posto notícias das fanfics e dos capítulos, além de recomendar as minhas favoritas e as que já recomendei. Quem quiser participar pra ficar de olho em tudo, serão muito bem vindos: https://www.facebook.com/groups/SBFernandaFanficseLeitores/ Beijinhos, e até o próximo!