Following the Heartbeat

1 Capítulo 1 — Shake it Off


Notas iniciais
Eu sou uma pessoa movida a música, elas me inspiram. A ideia dessa história me veio de jeito e não consegui me livrar. Sinceramente espero que dê certo e que gostem. Estou muito empolgada com essa fanfic. Músicas: [1] https://youtu.be/HaONHdLF55o [2] www.youtube.com/watch?v=nfWlot6h_JM

Capítulo 1 — Shake it Off

Dreamcast de Following the Heartbeat

O coro estava completamente afinado e isso agradava imensamente o professor que estava sendo o mestre naquele momento e conduzindo os alunos ali dispostos em agudos, graves e, principalmente no ritmo correto. Apesar de ainda serem as primeiras semanas de aula, Ebisu era um homem rígido e queria a perfeição o quanto antes. Todos sabiam disso, por isso davam tudo de si durante o coral e as aulas individuais do professor.

Nenhum dos dois momentos era fácil, pois este não era o único professor deles, apesar de ser o mais exigente. Cada aluno tinha aula de pelo menos um instrumento, podendo fazer mais se quisesse. Os horários eram sempre corridos. A dedicação individual era mais do que necessária.

Ao fim, depois de Ebisu fechar a mão indicando que era o momento de todos se calarem e todos o fazerem, cada um soltou um suspiro silencioso. Era raro não serem interrompidos por conta de alguma crítica ou uma chamada de atenção, por isso sentiam-se aliviados de chegarem até esse ponto.

— Muito bem, não se esqueçam de continuarem praticando. Estarei passando os solos individualmente. Caso não ganhe, se empenhe para o próximo. Estão liberados.

Alguns já estavam com todo o material arrumado, por isso assim que foram liberados apenas pegaram suas mochilas e saíram apressados, talvez para comer algo antes da próxima aula. Três meninas, porém, conversavam em tom baixo enquanto uma delas guardava o material dentro da bolsa. Ebisu as observou e então chamou uma:

— Srta. Hyuuga?

As meninas olharam alarmadas e se despediram rapidamente de Hinata, uma jovem de longos cabelos negros azulados. A jovem estava assustada, mas não pelos motivos que todos os demais, por temerem o professor. Ela temia ganhar um solo.

— A senhorita acha que já está pronta para um solo? — O medo de Hinata se provou real. Negou com a cabeça, abaixando o olhar. — A senhorita é a única que ainda não o fez, isso não pode continuar assim. Sei que faz apenas um ano que está aqui, mas já deveria ter perdido esse medo.

— Sei disso, professor. Mas não consigo. Minha voz não sai como eu gostaria, eu gaguejo. Por favor, não me force a isso ainda.

— Não estou aqui para forçá-la, mas conheço cada aluno que tenho e sua voz se destaca, mesmo que a senhorita tente abaixá-la todas as vezes. — Aquilo deixou a Hyuuga envergonhada, mas feliz. — Tente praticar, sim? No próximo solo espero que aceite.

— Irei sim. Obrigada, senhor.

Apressou-se a sair da sala, não queria mais um momento como aquele. Sabia que muitos matariam para conseguir um solo. Esse era o maior reconhecimento de seu talento, mas ela travava cada vez que muitas pessoas olhavam para ela cantando. Só se sentia livre de tal vergonha quando estava com muitos outros ao redor, como no coral, ou com suas amigas. Essas que estavam do lado de fora as esperando.

Ino, uma loira sensual, como ela gostava de se descrever, sempre usava roupas que destacavam este seu lado. Acreditava em uma carreira solo, e era uma das melhores amigas de Hinata, junto com Sakura, uma morena que pintava o cabelo de rosa por ter um estilo alternativo e descolado, como ela mesma classificava. Sakura não tinha a afinação perfeita, como muitos dos alunos, por isso tinha de trabalhar mais duro para isso. Seu sonho, apesar de amar cantar, estava mais ligado à dança, por isso mesmo se mantendo em dia com a afinação, seu tempo era gasto, principalmente, com a dança.

Todas as três faziam aula com o professor Ebisu, como todos precisavam fazer, e de dança, como escolheram fazer. Mas Hinata, dentre as três, era a que mais tentava se dedicar a “algo mais”. As aulas de violão ocupavam todo o resto de seu tempo. Ela era a que mais se ocupava. Não fora atoa que seu ex-namorado tinha desistido dela.

Kiba, namorado de Hinata desde o colegial, tinha trocado a menina por outra, mas acabou esquecendo de contar, até… um feriado. Apesar de Hinata não morar tão longe de casa, era raro voltar, deixar o alojamento e as atividades, mas naquele feriado ela o fez, e ao ir visitar o namorado — que era quem a visitava sempre, mas não o fazia há muito tempo —, teve a grande surpresa de o encontrar com outra. Fora difícil, ela não podia negar, mas como todo artista, ela transformou sua dor em canção. A música a libertava, fosse da dor ou de sua timidez. Exceto com os solos.

— Ele te ofereceu o solo, não é mesmo? — Ino era bem direta. Hinata apenas acenou afirmando e continuou sua caminhada. — Não acredito que você negou de novo!

— Não posso! Não consigo!

— Se você não tentar nunca vai conseguir, Hinata!

— Mas, Ino, ainda não é o momento!

— Então por que você está aqui? — Aquilo sempre mexia com a morena, que não respondeu, mas continuou a andar.

— Vejo vocês na aula de dança — disse apressada, também apressando o passo.

— Não, Hinata! — Sakura chamou a amiga, mas esta começou a correr. Virou-se então para a loira e lhe deu um tapa. — Não dava para ser mais discreta, Ino?

— Eu morreria pra ter a voz dela e aposto que você também. Tá na hora da Hina valorizar e aproveitar isso.

E de fato, todos pensavam isso, inclusive os professores. Hinata era do tipo que tinha um dom natural. Ela atingia notas e fazia arranjos de uma forma que não se podia ensinar, mas deixava sua timidez atrapalhar. Ela se retraía ao perceber que estava chamando atenção, evitava palcos e solos. Isso era algo que por mais que tentassem, não conseguiam tirar dela e chegaria um momento que isso a atrapalharia.

Ao chegar a uma sala vazia, Hinata deixou a porta fechada, assim ouviria caso alguém entrasse, e caminhou até o canto onde tinha o violão. Era uma sala de ensaio e como tal, havia vários instrumentos, microfone e espelhos. Ela apenas precisava cantar. Mesmo que a discussão com suas amigas tivesse se dado por conta disso, ela precisava. Era assim que descobria, todas as vezes, o motivo de estar ali.

A música que começou a dedilhar não se encaixava em nada com seus sentimentos no momento, mas a melodia calma e lenta, se encaixava com seu espírito e ela gostava muito. Foi uma música que a ajudou e ficar melhor quando estava na “fossa”, como suas amigas chamavam. Exigia muito de sua respiração em determinados momentos, como no início, por isso precisava se concentrar e não pensar nas outras coisas. No refrão, porém, foi quando deixou que sua voz saísse. Era uma voz doce e ao mesmo tempo forte. Não era fina, como seria de se esperar e ao mesmo tempo mostrava pertencer a ela. Inconfundível.

“I may cry, ruining my makeup

Wash away all the things you've taken

And I don't care if I don't look pretty

Big girls cry

When their hearts are breaking

Big girls cry

When their hearts are breaking

Big girls cry

When their heart is breaking”

Sakura e Ino tinham seguido a amiga e quando ouviram ela cantar o refrão da música pela primeira vez decidiram não entrar. Sabiam que era assim que a amiga se acalmava. Mas Ino rapidamente tirou o telefone do bolso da mochila e começou a gravar. Antes que Sakura pudesse falar ela pediu silêncio, apenas desligando a câmera ao fim da nota final de Hinata.

— Não sei ainda. Mas acho que vai ser útil no futuro. — Novamente, antes que a rosada pudesse dizer alguma coisa, Ino entrou. Batia palmas e sorria. Hinata corou imediatamente. Apesar de conseguir se soltar com as amigas, sempre ficava sem graça quando a pegavam se abrindo assim. — Ei, não brigue comigo. Vim me desculpar.

— Não, você estava certa. Mas ainda não posso aceitar o solo. — Respirou fundo e sorriu quando viu as amigas trocarem um olhar. — Mas vocês me ajudam a me preparar para tentar o próximo?

— É assim que se fala. Para comemorar… — Sakura pegou os microfones que ficavam guardados, mas não os ligou. Entregou para cada uma. Ino novamente tirou o celular e o apoiou no piano, como costumavam fazer.

Hinata riu, porque apesar de sentir muita vergonha, esses eram momentos que seu corpo e seu espírito se libertavam e elas tinham bons vídeos para morrer de rir depois. A morena pegou o próprio celular, onde havia algumas músicas em playback e o ligou, sem aumentar muito, em uma caixa de som.

Quando a música começou, as três começaram a rir. Isso porque muitos tinham o grande preconceito com a pobre Taylor Swift, mas elas gostavam. A menina, apesar de parecer muito metida, tinha uma voz que admiravam imensamente. Além do mais, “Shake it Off” era uma música completamente dançante, que sempre faziam vídeos engraçados e, no fim das contas, tinha tudo a ver com o que queriam que Hinata fizesse: “Deixar pra lá”. Não revezavam pra cantar, sempre cantando juntas, o que deixava tudo mais engraçado em meio às danças nada ritmadas e cheias de pulinhos.

Na sala da diretora da universidade havia dois rapazes sentados, ouvindo-na falar sobre os prós e contras de sua ideia e sempre deixando claro que era muito bom tê-los novamente ali. Os dois rapazes eram ex-alunos da universidade e acabaram se afastando antes de receberem seus diplomas por conta do sucesso que a banda deles fizera. Pouco depois, em um acordo, prestaram as últimas provas e receberam o diploma apenas para dizer que tinham, pois o sucesso da banda apenas aumentou com o tempo.

Agora eles estavam ali para ajudar mais um aluno, ou ao menos era o que o loiro a sua frente garantia ao dizer que mesmo fazendo uma bagunça na rotina de seus alunos, mesmo que poucos, no final ao menos um deles faria um clipe com ele e com a banda e ainda teria um CD gravado. Sabia que isso era o sonho de todos ali, mas não sabia se poderia ceder. Tinha pedido alguns minutos, para comunicar ao conselho da escola, que aprovou após dizer como funcionaria tudo. Ela ainda receava, mas acabou concordando.

— Isso vai ser demais, você vai ver!

— Eu ainda não entendo porque resolveram fazer isso. Promover o sucesso?

— Isso foi ideia dele, eu apenas dei apoio. — O moreno continuava do mesmo jeito, uma expressão entediada, como se nada mais importasse.

— Eu não sei. Eu senti que deveria. Isso vai ser divertido… como se fosse o último ano na universidade. Se anima, Sasuke!

O moreno revirou os olhos para o loiro que apenas riu. A diretora acompanhou a risada, constatando que apesar dos anos eles não tinham mudado nada. Acompanhou os dois até a porta, combinando que dali a alguns dias começariam a anunciar tudo pela escola e eles fariam antes a primeira seleção dos alunos que se apresentariam aos dois.

Enquanto os dois amigos caminhavam pelos corredores vazios, pois todos estavam ou em suas aulas ou no refeitório, como sempre, o loiro tentava animar o amigo dizendo ser a sua melhor ideia e que iam se divertir. Sasuke sabia que seria divertido, mesmo que não demonstrasse muito. Era assim, ele quase nunca demonstrava, mas sentia.

Quando passaram em frente a uma das portas das salas de ensaio ouviram a música da Taylor Swift, mas outras vozes a cantando. Uma rápida troca de olhares e foram até a porta. A visão não tinha como não arrancar risadas dos dois rapazes, que se mantinham em silêncio apesar de tudo. Não era possível ver o rosto das meninas por elas estarem de costas, que dançavam de forma solta, mas não desengonçada, apesar de às vezes ser assim de propósito. Estavam, claramente, se divertindo. Se afastaram um pouco depois.

— Então, é pra ver meninas dançando e cantando Taylor Swift que estamos fazendo isso?

— Não, Sasuke… Estamos fazendo isso para ver pessoas se divertindo e mostrando seu talento. Eu duvido que elas cantem apenas isso e dancem assim. Aquilo ali é o intervalo.

— Veremos, Naruto… Veremos.

Naruto não sabia por que, mas tinha certeza que aquilo seria interessante. Mesmo que não fizesse nenhum sentido sua ação altruísta, como os rapazes da banda diziam, ele ainda queria fazer. Se não desse certo seria apenas um clipe e muitas risadas.