Following the Heartbeat
2 Capítulo 2 — Zombie
Notas iniciais

Capítulo 2 — Zombie
Dreamcast de Following the Heartbeat
Dois dias tinham se passado desde que Hinata recusara o chamado do professor para fazer um solo, e todos os dias ela tentava ensaiar mais e mais com a plateia que eram suas amigas. Mas sabia que isso não era suficiente. Sakura e Ino sempre a viam cantar sozinha, fazer um solo. Não tinha insegurança alguma com elas.
A palavra nem era insegurança. Hinata sabia que era boa ou não estaria ali. Apesar de ser uma universidade paga, com alguns poucos bolsistas, apenas entrava ali quem tinha talento mesmo e não qualquer um que pudesse pagar. Só isso já fazia com que a morena tivesse a confiança necessária no seu dom. Seu único e maior problema era a timidez.
Quando havia outras pessoas ao seu lado, mesmo que cantasse uma parte sozinha, ela não ligava, mas bastava que a colocassem em um destaque e a morena travava. Ninguém entendia isso, nem mesmo Hinata.
E ela sabia que treinar apenas com Sakura e Ino não mudaria nada.
Seus professores também sabiam disso, por isso, como um incentivo para ela e geral, naquele dia, Ebisu passou como trabalho para completar a nota, mas não extra, que cada um tivesse de fazer um vídeo cantando uma música marcante. Fosse por um coração partido, uma mensagem de efeito ou algo que comovesse… Eles poderiam usar a imaginação. Ao final, implorou a Sakura e Ino que deixassem Hinata fazer aquilo sozinha.
A morena se sentiu traída com aquele pedido, mas entendeu que ele apenas queria ajudá-la. Seu conforto era que ninguém mais veria, só ele, e isso era normal já que possuía aula individual com o professor todas as sextas.
Pela escola rolava um burburinho que um evento aconteceria ali, mas que por ainda ser segredo, ninguém sabia detalhes, apenas o que ouvia a diretora conversando rapidamente. Mas como fofocas nem sempre eram reais, as amigas deixaram aquela informação de lado e começaram a discutir uma canção.
Ino cismou que cantaria a música “My Heart Will Go On”, de Celine Dion. Segundo ela era um clássico que merecia o devido destaque. Sakura riu, mas isso porque ela odiava Titanic e aquela música.
— Sei que vou ter que treinar muito antes de enfim gravar, ou Ebisu vai me comer viva e vender meus órgãos no mercado negro. — As outras riram. Sabiam que apesar de amar cantar, Ino gostava mais da dança. — E você, testuda? O que vai cantar?
— Porca… — murmurou Sakura para a amiga, ambas bufando em seguida. — Pensei em “Sunday Bloody Sunday”, do U2. A letra é bem tocante e é uma música muito conhecida.
— Olha, a testuda é bem culta — implicou a loira e antes que Sakura pudesse dizer algo, passou o braço sobre os ombros de Hinata. — Você pensou e alguma, gatinha?
— Na verdade sim. Mas não vou contar — disse Hinata, confiante. — Pelo menos não até estar gravada. Aí eu até penso em mostrar pra vocês.
— O que você está aprontando?
— Vocês querem confiança, não é? Vou ser confiante. Agora vou começar a fazer esse dever antes de ir para a aula de dança. Até mais tarde — ela falou, se soltando do abraço de Ino e se apressando.
♪
— Acha mesmo que é certo? Você está fazendo com que todos sejam inscritos nisso sem saber. — Ebisu estava reunido com a diretora depois do que fora um longo dia, passando a mesma tarefa a todos e de todas as turmas.
— Não exatamente. Esse material vai ser avaliativo, mas apenas valerá para essa ideia louca que concordei se o aluno se inscrever. Além do mais, não vamos poder colocar todos pra fazer aquele teste louco, então teremos de fazer uma pré-seleção antes e mandar o melhor dos melhores. Eles decidirão pelo gosto deles.
— Isso vai ser uma loucura, Tsunade. Escute o que estou dizendo… minhas aulas com os alunos vão ser afetadas e eles serão afetados.
— Daremos um jeito, Ebisu. Além do mais, é sempre bom ver um aluno com seu disco gravado. No fim, vai ajudar alguém…
— Veremos, não é? Podemos ter alguma surpresa no meio disso tudo e confesso que pra isso eu estou curioso.
♪
Hinata demorara um pouco mais do que as amigas para gravar o vídeo, apesar de ter começado antes delas. Mostrara mesmo apenas antes da aula, cada uma com um fone enquanto observavam o vídeo no celular da morena, já que este estava agora gravado no DVD para entregar ao professor dali a alguns minutos.
As duas observavam tudo bem caladas e um pouco surpresas. Hinata de fato fizeram algo diferente até do que ela estava acostumada, mesmo sendo simples. Gostaram tanto que ficaram surpresas e sem fala por alguns segundos. A Hyuuga não sabia ler a expressão delas, por isso começou a temer que fosse algo ruim.
— Será que podem dizer algo? Porque se estiver exagerado eu digo ao professor que não fiz e pronto.
— Nem pense nisso! — As duas gritaram juntas, mas foi Sakura quem continuou: — Você deveria ter mais confiança, porque isso ficou diferente e muito interessante. Eu gostei muito!
Depois de Ino concordar, Hinata ficou novamente mais feliz e confiante, guardando o celular e o fone, já que o professor entrava na sala já recolhendo os DVDs. Mas antes que qualquer um pudesse dizer algo, um dos funcionários entrou e começou a ligar o projetor da sala. Mentalmente Hinata implorou que não fosse o que estava pensando.
— Alguns podem ter feito palhaçadas nesses vídeos, achando que era brincadeira. — Os gêmeos no fundo da sala riram, batendo as mãos. — Então quero ver como vão se sentir quando a turma vir isso. Mas não é um castigo para todos, pelo contrário. — E neste momento ele olhou para Hinata.
Havia músicas nada convencionais e algumas que não se encaixavam no especificado pelo professor. No mesmo instante ele perguntava o motivo da escolha e se percebia que a música era importante para quem a gravou, mas não em um contexto geral.
Ino recebera muitos aplausos, mas não de Ebisu, que apesar de concordar com o fato de a música ser um clássico, ela não cantara da maneira correta. Ino mudara algumas notas para seu tom, ou desafinaria. Ebisu não gostara muito daquilo. A loira revirou os olhos, sem dizer nada saiu da sala.
— Eu vejo vocês mais tarde. Tá na hora de ficar só na dança. — As meninas sabiam que não era para seguirem-na, pois enfim Ino faria o que tanto lhe faltava coragem para fazer.
Sakura não tivera qualquer problema, já que a música estava em sua zona de conforto e ela não exagerara, preferindo fazer uma versão acústica.
Como que de propósito, ou talvez fosse mesmo, o professor deixou o vídeo de Hinata por último. A menina se encolheu na cadeira, sentindo as bochechas corarem violentamente por todos a verem daquela forma.
Ela tinha conseguido a versão playback da música escolhida, assim poderia fazer a versão original como gostaria. O local a sua volta estava praticamente todo escuro, com algumas velas apenas iluminando e dando a perceber que ao lado esquerdo havia um espelho, de modo que a morena estava vagamente refletida ali.
E ela estava um pouco diferente do que estavam acostumados a ver. Hinata era do tipo romântica até para se vestir. Sua timidez não a permitia se destacar de forma alguma, mas tampouco de vestia mal ou com roupas largas. Porém, ao vê-la com um vestido longo, negro e que lhe marcava as curvas do corpo, assim como o cabelo preso em uma trança lateral, deixando seu rosto, obscurecido pelo local e uma maquiagem um pouco mais escura, todos se surpreenderam e a olharam antes de voltar o olhar para o vídeo.
A música começara com um violão apenas, mas logo entrava a bateria e a guitarra dando um ar mais pesado à canção. Antes, porém, que a voz de Hinata entrasse, a melodia ficou um pouco mais calma, não perdendo o ar pesado em todo o caso.
Another head hangs slowly
Child is slowly taken
And the violence caused such silence
Who are we mistaken
No início, apesar de clara, a voz de Hinata era baixa e quase sofrida, era como se de fato ela sentisse aquilo que cantava. As mãos estavam caídas ao lado do corpo, o microfone sobre o seu tripé. Ela realmente estava entregue à música.
But you see it's not me
It's not my family
In your head, in your
head they are fighting
With their tanks and their bombs
And their bones and their guns
In your head
In your head they are cryin'
Agora a voz aumentava de tom, trazendo o desespero que a letra pedia, trazendo a dor que ela falava. Ela não apenas cumprira com o trabalho como se dedicara em se entregar a ele. Ebisu não poderia estar mais surpreso e satisfeito.
In your head, in your head
Zombie Zombie Zombie
What's in your head, in your head
Zombie Zombie Zombie
Agora sua voz saía em alguns rosnados em determinadas partes do “zombie”. Suas mãos agarraram o microfone, apoiando o peso ali, se entregando. Os olhos fechados lhe davam essa confiança de se entregar sem se sentir envergonhada e quando gravara estava sozinha, se sentindo ainda melhor por isso.
Another mother's breakin'
Heart is taking over
When the violence causes silence
We must be mistaken
It's the same old theme since 1916
In your head
In your head they're still fightin'
With their tanks and their bombs
And their bones and their guns
In your head
In your head they are dyin'
Ela claramente respirara fundo antes de cantar outra parte, a música se acalmara e ela junto, mas a entrega continuava. Encostara seu corpo no apoio do microfone enquanto o mesmo tom baixo vinha, seguido do mais alto.
In your head, in your head
Zombie Zombie Zombie
What's in your head, in your head
Zombie Zombie Zombie
E novamente ela se entregou a ponto de praticamente rosnar ao início da palavra “zombie”, jogando a cabeça para trás ao final da música e então o vídeo acabou.
Hinata estava muito envergonhada, encolhida na cadeira como alguém do ensino médio e não da universidade. As pessoas soltavam suspiros.
— Eu acho que não preciso perguntar quem gostou né? — o professor falou, enquanto guardava o DVD e anotava algo em sua prancheta com a listagem dos nomes. Todos concordaram, acenando com sorrisos.
Como suas amigas diziam, muitos queriam a sua voz, mas se consolavam por ela não mostrar. Essas mesmas pessoas, que existiriam em qualquer lugar e em qualquer momento da vida, como Hinata aprendera, eram as que a fitavam como se ela fosse uma estranha.
Ao sair da sala, comentou com Sakura sobre isso e a amiga deu de ombros.
— Inveja, Hina. Agora que você se mostrou, prepare-se.
Antes que pudesse dizer alguma coisa a mais para ela, viu Ino vir correndo. Ao contrário de antes ela não parecia mais aborrecida e sim eufórica.
— Vocês não vão acreditar em quem eu vi na sala da diretora quando estava saindo de lá! Hinata, qual é mesmo a sua banda favorita?
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