Following the Heartbeat
30 Capítulo 30 - Somebody that I used to Know
Notas iniciais

Capítulo 30 — Somebody that I used to Know
Dreamcast de Following the Heartbeat
Hinata estava em completo êxtase. Seu corpo se contorcia e sua respiração estava completamente fora de controle. Suas mãos estavam agarrando o lençol da cama e suas pernas faziam força para se fechar. Mas não conseguia. Naruto estava ali, lhe levando a loucura com intensos movimentos com a língua.
Era ainda mais insano estar com ele daquela forma depois de tudo. Mais uma vez estavam escondidos, nem mesmo sua irmã desconfiava daquilo. Ino era a única que sabia. Naruto precisava da loira para se comunicar com Hinata e confiava nela. Assim, todas as noites que eles se encontravam, Ino era obrigada a estar no quarto, sem sair um minuto que fosse. Eles ainda não tinham certeza de como parar Sakura e estando tão perto da loira, era o melhor a se fazer.
As semanas estavam intensas. Naruto nunca marcava com Hinata no mesmo dia da semana, tentando conciliar também o horário dela com seus encontros furtivos. E sendo a sua casa o único local seguro para aquilo, era ali que estavam.
Ele havia explodido de prazer muito antes dela e não satisfeito em deixa-la daquela forma, sabendo que demoraria até estar pronto para ela novamente, resolvera a levar ao clímax de outra forma. E estava se saindo bem aos olhos de Hinata, muito bem.
Ela arqueou as costas, erguendo um pouco o troco da cama, sem afastar o quadril da boca dele e gemeu alto enquanto seu corpo explodia de prazer. Segundos depois estava novamente deitada na cama enquanto Naruto continuava as carícias, mas agora muito mais lentamente. Não conseguia nem mesmo pedir que ele parasse, pois estava sem fôlego.
O Uzumaki deitou sobre ela pouco depois, a observando enquanto esta tentava se recuperar pouco a pouco. Quando os olhos perolados se abriram, encontraram os azuis lhe fitando. Ela sorriu, imitando o mesmo sorriso que via nos lábios do loiro. Logo ele a beijava animado e carinhoso, só então se deixando cair ao lado dela na cama.
— Agora sim, estamos quites. — Ele brincou, sabendo que isso a deixaria sem graça. Se viu com razão quando a olhou. — Mais um pouco e ia ter que me aguentar novamente dentro de você — sussurrou, galante.
— Naruto! — Ela sorriu, mas não corou. Hinata já não corava com tanta facilidade.
— Estou com fome. — O assunto foi mudado rapidamente, apesar de um sorriso divertido ainda estar estampado em seu rosto. — Vou pegar algumas coisas para comermos, o que acha?
— Ótima ideia! Estou faminta! — confessou.
— Ah! — Ele parou na porta, a fitando. — Nada de se vestir ainda, tudo bem? Quero apreciar a vista enquanto posso.
Apesar de sem graça pelo comentário, Hinata concordou com a cabeça. Eles se viam bem menos do que antes e isso deixava-os com saudades. Não podia negar que não se importava de Naruto ficar nu a sua frente, pois aos poucos ia perdendo a timidez do próprio corpo com ele.
Ouviu barulho na cozinha e sabia que ele estava se esforçando para arrumar as coisas para os dois. Naruto tinha confessado que mesmo quando morava com sua mãe não tinha o costume de cozinhar e por isso contratara alguém para “cuidar dele” assim que pôde.
Hinata se levantou, enrolando-se no lençol. Ela estava se acostumando a ficar nua, mas não a perambular pela casa desta forma. Na primeira vez que estivera ali ficara com medo de estar sendo vigiada de novo, por mais que o loiro garantisse que não.
Saiu do quarto, caminhando na direção da cozinha, mas mudou de ideia quando viu a porta do estúdio de Naruto entreaberta. Aquele lugar sempre a deixara deslumbrada e como ainda não tinha ido ali desde que voltaram, se deu esta liberdade. Ela foi direto para o piano, o primeiro instrumento que aprendeu a tocar na universidade, e ali viu alguma canção que Naruto estava compondo. Não havia letra, apenas melodia. Com um sorriso afastou o olhar, não queria estragar a surpresa. Mas ao fazer isso ela viu outra coisa.
No chão havia outra pilha de partituras, mas estas tinham letra junto a melodia. Havia muitas frases riscadas, mostrando a mudança e o rearranjo. Esquecendo-se de segurar o lençol, este caiu no banco que permaneceu sentada e ela começou a ler a letra da canção.
Quando Naruto chegou no quarto estranhou a falta de Hinata. Olhou no banheiro e então se lembrou do estúdio. Ao chegar lá, a viu sentada no piano como uma deusa grega com seus fartos seios de fora e o lençol caído em suas pernas. Linda e concentrada. Ao constatar o último fato ele notou o que estava nas mãos de Hinata e os olhos desta molhados de lágrimas. Tinha certeza do que ela encontrara.
— Amor...? — ele a chamou, cauteloso.
— Você escreveu, não foi? Pra mim, não é?
— Eu estava magoado, dolorido e com vontade de te magoar. Não me orgulho disso.
— Quantas canções escreveu neste tempo?
— Muitas. Poucas eu realmente cantaria para você. Ei, não chore... — ele pediu, sentando-se ao lado da Hyuuga e a abraçando.
— Eu sinto muito. Meu medo e minha fraqueza o fizeram se magoar. Não quero me fazer de vítima agora, tenho a minha parcela de culpa, pois sei que poderia ter confiado em lhe contar, mas não nego que meu medo foi muito maior.
— Sinceramente, acho que teria feito o mesmo. — confessou, soltando um suspiro. Ele retirou a partitura das mãos de Hinata. — Esta canção não é mais para você.
Por alguns instante, Hinata ficou em silêncio, apenas pensando sobre aquilo e então, mesmo com o rosto ainda molhado pelas lágrimas, sorriu.
— Eu sei, mas podíamos fazer ser. — Naruto a olhou confuso. O que ela queria dizer com aquilo?
♪
Shikamaru estava sentado de frente para Naruto na sala do mesmo. Ele não gostava de esperar em uma situação completamente desnecessária. O loiro tinha pedido que o detetive esperasse, pois ligara para Ino e Hinata assim que soubera que o mesmo viria com informações sobre Sakura. Agora o Nara tinha que aguardar as moças chegarem.
No fundo estava curioso sobre como seria a moça que movera tudo aquilo, por isso, quando a porta se abriu e Naruto levantou, ele levou seus olhos até a bela morena que entrava, seguida da amiga loira.
Hinata era exatamente como nas fotos que ele vira, porém, trazia um olhar preocupado e triste, como se até então tivesse esperanças que Sakura não tinha nada a ver com aquela história. Ela ficou abraçada a Naruto por alguns longos minutos, com os olhos fechados e uma tensão visível. Enquanto isso, Ino se sentava e encarava o detetive a sua frente. Ela era mais dura, ele notou, estava preparada para uma acusação.
Quando finalmente o casal se afastou e se sentou, Shikamaru pôde olhar nos olhos de Hinata. Ela estava tensa e nervosa, torcia uma mão na outra enquanto o aguardava.
— Talvez queira tomar alguma coisa antes — sugeriu o Nara. Ao receber o olhar confuso da morena, ele indicou com um aceno as mãos nervosas.
— Ah, não é nada. Por favor, pode começar. — A voz baixa da Hyuuga o surpreendeu. Já a havia ouvido na rádio e sabia o quão poderosa era.
— Quero começar dizendo que não gosto de rodeios, por isso serei direto. — Preferia deixar claro para que ninguém dissesse que ele não sabia dar notícias. Se uma coisa era boa, ele dizia. Da mesma forma fazia com algo ruim.
Observou todos acenando em concordância. A loira parecia impaciente enquanto Hinata parecia prender a respiração.
— Me prontifiquei a investigar mais sobre a suspeita, Sakura. O que pude comprovar é que ela é tão vítima quanto a senhorita, senhorita Hinata. — Aquilo não era o que nenhum deles esperava, ele via em cada olhar.
— Como? Mas pensei que tinha visto ela sair da cabana... — Naruto começou, mas Shikamaru ergueu a mão, o calando.
— Sim. Isso fez dela uma suspeita, a principal na verdade. Mas continuei investigando porque a moça agia exatamente como Hinata. Andava olhando a sua volta, apertando o celular e a cada vez que a via, percebia que ela ficava ainda pior. Por mais doente mentalmente que ela estivesse para agir assim, não fazia nenhum sentido.
— O que descobriu? — Ino tomou a frente da pergunta, fixando seus olhos azuis e determinados nele.
— Sakura recebe mensagens constantemente de um número privado que tem sinal do mesmo lugar que Hinata. Ela está sendo ameaçada da mesma forma, provavelmente está sendo coagida a ajudar esta pessoa.
— Oh, não acredito! — A morena levou as mãos até a frente dos lábios. Seus olhos ficaram cheios de lágrimas no mesmo instante. Ela nunca imaginaria o que Sakura deveria estar passando. Se seu inferno era ruim, o dela deveria ser ainda pior.
— Eu jurava que ela estava fazendo isso por inveja, eu sei lá... — murmurou Ino. Ela se sentia culpada por ter pensado tão mal de Sakura, por mais estranha que a situação realmente fosse.
— Como sabe que ela pode estar sendo coagida? — Naruto tomou a frente, encarando Shikamaru com confiança. Sabia que havia mais e queria toda a verdade.
— Ao final do concurso que ela participou com vocês, essa moça, Sakura, ficou afastada da escola, correto? — Ele buscou o olhar das meninas que confirmaram a lembrar do sumiço de Sakura. Ela apareceu poucas vezes e logo sumiu de novo. — Ela estava grávida. Consegui a informação que ela fez um aborto após o fim do concurso. Não sei o motivo, não sei quem é o pai, não achei que fosse relevante — disse com indiferença, mas para Ino e Hinata havia importância. Elas estavam escandalizadas. — Acho que a amiga de vocês não conseguiu seguir tão bem com esse peso na consciência, por isso se envolveu com drogas.
— Isso explica a aparência horrível dela — murmurou Naruto, sem notar o olhar cada vez mais assustado das meninas.
— Isso é normal — explicou Shikamaru —, algumas meninas não se sentem prontas para serem mães, porém não se sentem prontas para lembrar do que fizeram também. Muitas seguem por esse caminho das drogas na tentativa de não pensar sobre e juntando isso ao fato de que ela havia acabado de perder um concurso importante... Podem imaginar, certo?
Por mais que Shikamaru quisesse ser gentil, ele sentia necessidade de explicar que todo o momento de Sakura fora ruim para ela. Era a sua forma de ser gentil.
— Mas onde... — Hinata resfolegou, suspirando em seguida. — Onde esta pessoa que nos ameaça entra nesta história?
— Não é óbvio? Falei com um dos novos amigos de Sakura. Ele disse que ela se enrolou depois que mudou de fornecedor, porque não pôde mais pagar pela droga, mas ele também não sabe quem é. Sakura parece ter medo da pessoa agora, segundo ele.
— Então voltamos a estaca zero?! — Apesar de soar como uma pergunta, Naruto estava revoltado.
— Quem disse isso? — Shikamaru estava perdendo a paciência. Por que nunca ninguém entendia como funcionava? — Está na hora de falarem com Sakura.
♪
Ficara decidido que apesar da situação ser de extrema urgência, precisavam estar juntos para falar com Sakura e escolher o melhor momento. A moça estava sempre fugindo deles, até mesmo com o olhar, por isso Ino decidira vigiá-la e avisá-los quando a rosada estivesse sozinha no dormitório.
Enquanto isso, colocavam um plano em ação. Naruto tinha convencido Kakashi de dar a ideia à gravadora de Hinata de fazerem uma parceria, para que a mídia pudesse parar de publicar tantas coisas negativas para os dois. Funcionou, já que nenhuma gravadora gostaria daquilo.
Eles tinham trabalhado na música que Naruto escrevera em seu momento solitário e a tornaram deles, mesmo que em nada mais se ligassem a letra. Tinham ensaiado com a banda diversas vezes, mas sempre mantiveram distância. Quanto menos pessoas soubessem, melhor seria até que tudo se resolvesse.
Naquele dia eles completariam as gravações iniciadas dias antes. Estavam empolgados, apesar de reclusos. Deidara estava ao lado de Hinata, puxando assunto com ela enquanto esperava, tentando ao máximo fazer com que a moça ficasse confortável. Ele sempre se sentia responsável por ela e por isso lhe dava toda a atenção que podia, mesmo querendo ao menos olhar para Naruto.
O momento de troca de olhares era quando estavam cantando. Por mais que não pudessem dizer nada do que sentiam daquela forma, transformaram a música em uma piada interna. Todo o momento seria gravado, na esperança de poderem gravar um vídeo clipe.
A melodia simples e que em nada lembrava a letra quase agressiva que cantariam começou e os dois se olharam rapidamente. Naruto batia o pé no chão no ritmo da música enquanto Hinata parecia mais solta, se movendo minimamente com a cabeça.
Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember
Naruto começara a música e até o momento, não importava quantas vezes eles ouviam, os produtores não conseguiam entender como aquela letra não traria mais publicações negativas sobre os dois. Kakashi garantia que era o certo e pedia uma chance. Ele nunca errava e isso fazia com que os produtores confiassem nele.
Ao final de sua estrofe, Naruto, que até então estivera olhando para frente, interpretando seu papel de magoado, virou-se e olhou para Hinata rapidamente.
You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end, always the end
O olhar dos dois continuava fixo um no outro durante todo o momento que Hinata cantava. O clima ficou tenso imediatamente no outro lado, pois eles estavam sendo gravados.
So, when we found that we could not make sense
Well, you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad that it was over
A voz de Hinata sobressaiu neste momento da canção, porém Naruto estava presente. Dava à música o sentido de que ele queria dizer o mesmo, mas o dela era mais verdadeiro, talvez mais forte, como a voz naquele momento.
But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
You treat me like a stranger when I feel so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
O refrão teve a voz de Naruto prevalecendo, com Hinata cantando apenas algumas partes do mesmo, de modo que dava a impressão de ele estar falando aquilo para ela, ainda mais com a troca de olhares que ocorria. Por vezes, o loiro fechava os olhos e se deixava levar pela canção. Havia dor e desabafo e era exatamente assim que queriam que fosse.
Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something I have done
But I don't wanna live that way, reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know
A performance dos dois era impecável. Após vários ensaios, Hinata conseguiu pegar a letra para si de uma forma que surpreendeu a todos, inclusive a mesma. Naruto era o que estava mais familiarizado e parecia, ainda assim, assistir Hinata cantar aquelas frases para ele.
But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know
Neste momento do refrão, Naruto tomou a frente, mas logo Hinata o acompanhava. Um olhava para o outro e por estarem com os microfones do local e não móveis, não podiam se mover, mas ficara claro que fariam isso se pudessem. Era quase uma batalha para ver quem conseguia dizer aquelas palavras com mais verdade. As câmeras estavam fixadas deles, focadas em suas expressões.
Quando a música terminou, os últimos acordes ainda soando, os dois sorriram um para o outro e se abraçaram. A câmera ainda pegava aqui e os produtores do outro lado suspiraram aliviados. Não havia nada demais naquele abraço. Eles combinaram de fazer aquilo para tranquilizar seus produtores, por isso logo se afastaram e seguiram cada um para o seu lado.
Deidara estava na porta, um grande sorriso nos lábios e ansioso para explicações. Hinata passou o braço pelo dele e caminhou para a sala de espera, pegando o copo de água antes de começar:
— Nossa música tem muito significado e acho que todos notaram. Por isso conversei com Naruto e decidimos que para o vídeo clipe poderíamos mostrar que é apenas uma música e assim acabar com essas publicações idiotas.
— A melhor ideia. Poderia até mesmo ter vindo de mim! — Ele se vangloriava por suas ideias, por isso Hinata nem mesmo se incomodava.
— Espero que funcione. Agora vamos voltar? Preciso ouvir. — Ela nunca perderia o medo e a ansiedade de se ouvir após uma gravação.
Quando entrou na sala os meninos da banda já estavam sentados em seus lugares. Todos a olharam de uma forma estranha e ela logo imaginou que eles deveriam estar chateados com ela, mas confusos após aquele abraço. Esperava poder contar logo toda a verdade a eles e ter a amizade de cada um de volta.
Enquanto ouviam a canção, Hinata ficou de pé ao lado de Naruto, que permaneceu sentado. Quando ele conferia que ninguém os observava, roçava seus dedos nas pernas da Hyuuga e ela sorria discretamente, mexendo a perna ao mesmo tempo. Ele a provocava porque sabia que ela não reagiria ali.
— Acredito que com algumas edições, tudo estará certo. — Era um dos produtores de Naruto.
— Gravo novamente se precisar, não gosto de edições na minha voz, desculpa. — Todos olharam para ela, exceto seus próprios produtores que estavam ali.
— É o que fazemos com ela, acho que Hinata acostumou com isso.
— Ela não precisa de edição em voz. — Naruto se intrometeu. — Olha, eu conheço a Hinata desde o concurso e pra mim ela cantou muito bem. Qual a edição que querem fazer?
— O de sempre.
— Fiquem tranquilos, não é voz, é apenas a mixagem do pessoal da banda com a gente. Sei que não estão acostumados porque Hinata costuma cantar sozinha...
— Um mal entendido, desculpe. — Ela se apressou, ficando vermelha. — Qualquer coisa é só me chamarem, estarei lá fora.
Ela estava realmente sem graça por ter comentado alguma coisa. Estava tão acostumada com o modo de sua gravadora que bastou uma coisa diferente e ela explodiu em estrelato, coisa que nunca gostara.
Antes que pudesse se dar conta, assim que sentou no sofá de uma das salas mais afastadas, Naruto se sentara ao seu lado.
— O que faz aqui?
— Sei o que está pensando e não há mal no que fez. Se apressou sim, mas está acostumada a edições diferentes e talvez até chame de outra forma, então tudo bem. Você não está sendo uma mesquinha por isso.
— Pois foi como me senti. Nunca fiz isso antes.
— Há uma primeira vez para tudo. — Sem pensar ele a puxou para seus braços, a aconchegando ali.
— O que o pessoal não deve estar pensando e até dizendo de mim!
— Nada. Deidara estava dizendo que vocês falam de outro modo lá, pelo menos foi o que deu tempo de ouvir enquanto vinha atrás de você.
— Mas e o disfarce?
— No momento, não ligo — disse sussurrando e então colou os lábios nos dela.
Para Naruto não havia nenhum risco de serem vistos naquele momento. Todos estavam muito interessados no single deles e logo que ficasse pronto, trabalhariam no vídeo clipe. Porém, alguém os observava atrás da porta, surpreso pela cena que presenciara.
Quando voltaram, primeiro Naruto e vários minutos depois, Hinata, Deidara caminhou apressadamente até a moça e sussurrou que eles precisavam ir. Todos os produtores iriam se reunir, mas Hinata precisava resolver algo na própria gravadora. Ela se despediu de todos rapidamente logo após pedir desculpas por seu comportamento.
Deidara estava muito estranho, parecia nervoso e ansioso. Toda hora, enquanto estavam dentro do carro, abria e fechava a boca, parecendo querer dizer algo a Hinata. Ela estava curiosa sobre aquilo, mas tinha receio de perguntar. Algo lhe dizia que não iria gostar.
Foi quando estavam saindo do carro e entrando na gravadora que seu celular vibrou. Ela estava feliz e tranquila, tanto que quando leu a mensagem seu mundo desabou.
“Quanto tempo achou que ia me enganar? Espero que tenha aproveitado o beijo.
Será o último.”
♪
Ino havia mandado mensagem para Naruto e Hinata e estava de prontidão no andar de Sakura, apenas algumas portas de distância. A Haruno estava no quarto há quase uma hora, um tempo record até o momento, o que levou a loira a achar que poderia demorar mais e por isso ligara para os amigos. Hinata avisou que estava na gravadora e iria se atrasar, mas os encontraria assim que possível. Naruto estava vindo.
E de fato o loiro não demorou a aparecer. Estava ansioso, nervoso e ofegante. Hinata já havia contado a ele sobre a mensagem, não havia como esconder mais nada. Como a pessoa descobrira era algo que ele queria saber e esperava que Sakura desse algumas respostas naquele momento. Ele não esperaria mais.
— Vamos, Ino. — ele a chamou, sem parar de andar.
— Você está com um olhar maluco!
— No momento me sinto assim. E muito, muito irado. Espero que essa menina não complique as coisas ou a levarei à polícia sem pensar duas vezes.
Ino não queria argumentar contra aquilo, na verdade, desde o início pensara em convencer Sakura a denunciar aquela pessoa. Ela poderia ser expulsa por conta das drogas que usara, se fosse provado que o fizera ali dentro, mas era melhor do que perder a vida, a Yamanaka pensava.
Naruto praticamente esmurrou a porta ao bater nesta e no mesmo instante ouviram o som de algo se quebrando dentro do quarto. A porta não se abriu e por isso o loiro bateu novamente, ainda com mais raiva.
Dois segundos se passaram, apenas o tempo de haver uma troca de olhares entre os dois loiros e então, à porta, surgiu uma Sakura completamente diferente do que eles se lembravam.
A Haruno tinha uma aparência cadavérica. Seus ossos do rosto e do corpo estavam todos sobressalentes sob a pele. A olheiras estavam tão fundas e escuras que Ino duvidou que ela estivesse dormindo direito, se é que dormia. E a pele sempre tão impecável estava manchada. Isso sem falar no cabelo que sempre tivera uma cor viva agora estava quase branco. Ela estava horrível.
— O que querem aqui? — O tom rude não disfarçava o alívio que sentia.
— Precisamos falar com você.
— Eu não tenho nada para falar com nenhum dos dois. — Sakura começou a fechar a porta, mas Naruto a segurou sem qualquer esforço.
— Se não nos deixar entrar vamos te fazer sair e, algo me faz acreditar, que você não quer ser vista agora, não é mesmo?
Relutante a moça se afastou e os dois se esgueiraram pela porta. O que encontraram, porém, era diferente de tudo o que conheciam de Sakura. Ela que sempre fora extremamente organizada e politicamente correta tinha o quarto em uma zona e com o pior cheiro que Ino poderia imaginar. Sem dúvidas ela usava drogas ali.
— O que fez com você? — a loira sussurrou, triste.
— Agora se importa? Agora querem saber?
— Você nos afastou, Sakura. Nem mesmo disse que tinha engravidado! — berrou e em seguida tampou a boca. Tinha ido rápido demais e o olhar que recebeu de Naruto comprovou isso.
— Como... Como sabe disso? – ela murmurou, deixando-se cair e segurando o braço esquerdo.
— Isso realmente importa? Éramos suas amigas e você nos afastou quando descobriu algo assim. O que achou, que íamos te largar por isso?
— Eu tinha perdido a chance que a vida tinha me dado e então me descubro grávida? O que queria que eu fizesse? Hinata estava feliz e eu ia estragar isso com essa notícia? Eu teria que parar de estudar e voltar pro fim de mundo que saí. Eu tentei!
— Mas você não estava pronta para o que aconteceu. — Dessa vez foi Naruto quem falou. O olhar da Haruno parou nele e ela não conseguiu conter as lágrimas.
— Não. Após sair daquele lugar eu me sentia pior do que quando entrei. Meu maior erro foi pesquisar como isso é feito. Eu me sinto um monstro! Me sinto suja! Outras pessoas podem ser fortes, mas eu não. Eu não pensei sobre isso! Eu simplesmente... Simplesmente pensei só em mim.
Sakura caiu sentada na cama, chorando. Ela não queria ser mãe, pois sabia como tudo mudaria. Se afastou de suas amigas porque sabia que elas iriam lhe ajudar e fazê-la mudar de ideia. Quando não havia mais volta notou que ela também não queria abortar. Agora era tarde.
— E aí você se meteu nessa?! — Ino não conseguia esconder o nojo do lugar.
— Eu não conseguia suportar a dor de saber o que fiz. Era meu bebê e eu o joguei fora! — Ino percebeu, naquelas palavras, que Sakura não fizera aquilo de caso pensado. Ela agira por impulso e agora se arrependia mais do que transparecia. — Durante um tempo foi bom, mas fui me acostumando. Isso é um labirinto que não tem pra onde fugir...
“De todas as maneiras eu destruí o meu caminho de sucesso que queria tanto trilhar. Por um instante culpei Hinata. Era tão irracional! Eu achava que ela deveria desistir para que eu ganhasse. E imagine só quando alguém veio me dizendo a mesma coisa?! Além de me trazer outros tipos de drogas que aliviavam minha dor. Era um bom amigo, alguém que me entendia. Até que ele disse que eu precisava pagar. Eu não tinha dinheiro para tanto.”
Naruto não compreendia porque Sakura contava tudo aquilo sem nem mesmo eles pedirem. Algo lhe dizia que viria a pior parte e que ele não iria querer saber qual era.
— Como pagamento ele me pediu que o ajudasse a fazer Hinata ver o erro que estava cometendo. Neste momento eu já não queria que Hinata saísse do concurso, eu já tinha aceitado que meu futuro se fora. Mas ele me ameaçou. Exporia meu segredo e mataria quem fosse que aparecesse antes de mim. Eu não queria morrer, mas menos ainda queria que todos soubessem o que eu tinha feito. Por isso ajudei. Vim até Hinata e despejei tudo o que ele mandou. Eu vi a dor nos olhos dela todos os dias depois disso e até depois do fim do concurso. Tive que aguentar sem dizer nada, fazendo tudo o que ele me mandava. E como pagamento eu recebi mais drogas.
— Sakura... — Ino começou, mas parou assim que viu a amiga negar com a cabeça.
— No fundo eu sabia o que estava fazendo. Mas queria, ao menos uma vez, algo fácil na vida. E isso veio com facilidade. Mas se complicou. Todos os dias tenho uma mensagem diferente, tenho uma ameaça de como irei morrer diferente. E hoje... — Ela suspirou, estendendo o telefone para Ino.
Na tela havia a foto de um feto aos pedaços e em baixo uma legenda:
“Trabalho mal feito. Ela voltou para ele.
O que acha de encontrar o seu bebê?”
— Ele vai me matar assim. — Sakura esclareceu.
— Sakura, me escuta! — Ino colocou as mãos nos ombros da amiga enquanto Naruto olhava para a tela do celular com cara de assustado. — A gente pode evitar isso. Vamos até a polícia e você conta tudo isso a eles. Você sabe quem é, certo? Isso tudo vai acabar.
— Não, não vai. Ele virá atrás de mim daqui a pouco.
— Me escuta, Sakura...!
— Ele virá assim que a tirar daqui.
Aquelas palavras gelaram o sangue de Naruto. Ino olhou para o loiro, congelado com o celular na mão e virou-se novamente para a amiga.
— Quem? Tirar quem daqui? Quem vai tirar?
— Toneri. Ele virá quando tirar Hinata daqui.
Ino cambaleou e caiu. Naruto deixou o telefone cair de sua mão. Eles tinham sido atraídos até Sakura. Desde o telefonema para Hinata ele sabia que eles estavam vindo e pedira a menina um último serviço: os distrair.
As últimas palavras brilhavam na tela do celular enquanto Naruto corria para fora do quarto.
“Diga toda a verdade e prometo que serei rápido.
Tic-tac eles estão chegando!”
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