Follow Your Soul

2 The Beginning Is Dark


Notas iniciais
Esse é tipo um prólogo do prólogo.
A estória vai pegar fogo no terceiro capítulo (primeiro se tirar os prólogos).

Penso muito sobre qual é o benefício de ter um irmão mais velho. Minha mãe me ensinou a fazer isso. “Veja o lado positivo, Miku.”

Certo. Sou cega então pois não vejo o lado positivo. O incompetente é tão incompetente que nem levantar no horário, ele faz.

Quando eu era mais nova, eu levantava o travesseiro e corria para o quarto de Mikuo. Eu batia nele com o travesseiro e gritava insultos que aprendia na escola. Se ele não acordasse, eu passava minha maquiagem Princesa Todo O Dia nele e saia correndo.

A maioria das vezes funcionava e meu irmão ia para a escola arrasando.

Hoje em dia, porém, só grito insultos à ele. E o espanco com minhas mãos.

– Mikuo, infeliz! Levanta, ou vamos perder o ônibus. – gritei. Morava nos E.U.A. há dois anos.

– Pirralha, vai cuidar da sua vida. – gritou.

– Me obrigue! – gritei de fora.

– Ô mãe, a fedelha está me enchendo! – reclamou meu irmão, provavelmente da cozinha.

– Não fale assim da sua irmã, Mikuo. Ela é um anjo. – interferiu minha mãe. Tem razão mamãe, para ter a certeza que sou anjo só falta a auréola.

– Mãe. Na. Boa. – resmungou.

Logo Mikuo apareceu. Bem a tempo do ônibus.

O ônibus, como sempre, estava lotado. Fui reto ao fundo, onde me sentava com Rin. Quando vi que meu lugar estava, novamente, ocupado por Len eu fui para frente.

– Miku, Miku! Espere! – gritou Rin.

Eu fiquei em pé e me virei para ela.

– O que foi? – falei emburrada.

– Você sabe que o Len está namorando comigo a três meses – começou ela.

– E nove dias. – falei com voz de falsete.

– É, isso! E ele pediu se eu não podia dar mais atenção a ele. – começou novamente Rin.

– Rin, olhe, você namora o seu irmão! Escondido! Mas você mora com ele! Que droga! Entenda que você tem que dar tempo pra mim também, eu só tenho você de amiga. – interrompi, gritando.

As crianças nos olhavam, inclusive Len. Fiz um gesto obsceno com o dedo para ele. Ele fez uma careta.

– Miku, eu... – começou outra vez Rin, quando o ônibus deu uma derrapada, fazendo me cair em cima de um menino que nunca vira.

Como me arrependeria do dia em que encontrei aqueles profundos olhos azuis.