Follow Your Heart
44 Capítulo 39
Notas iniciais
Elena
Sufoquei um grito que insistiu em sair por minha garganta.
Marcel estava morto.
O homem-com-malha-de-ferro-na-cara, Death, havia o matado.
Tinha sangue escorrendo de um buraco na cabeça de alguém morto na minha frente, e esse sangue se aproximava perigosamente dos meus pés.
O cheiro metálico atingiu meu olfato e a bile subiu na minha garganta.
Eu não tinha problema com o sangue... Nunca tive. Era a pessoa morta aos meus pés que me fazia querer vomitar.
– Não se sinta mal– Death falou com sua voz estranha, - eu já planejava matá-lo muito antes dessa cena ridícula.
A bile voltou a subir perigosamente em minha garganta e tive que me segurar para não vomitar ali mesmo.
– Você o matou — repeti, como se não fosse óbvio.
Death voltou a fazer um som estranho por detrás da máscara, como se estivesse bufando.
– E você é meio lenta - retrucou. Então se virou, saindo pela porta. — Siga-me. — ordenou.
No primeiro momento, eu quis mandá-lo tomar naquele lugar, e dizer-lhe que ele não mandava em mim, porém o cheiro de sangue e o corpo sem vida na minha frente me fizeram mudar de ideia e segui-lo sem reclamar.
Caminhamos em silêncio por um corredor escuro, todo lugar que eu olhava tinha uma aparência antiga e várias portas, o que me fez deduzir que estávamos em algum tipo de depósito velho.
Que sorte a minha.
Depois de alguns poucos minutos caminhando, pude ouvir o som de algo como um coração batendo... Parecia um monitor cardíaco, como aqueles que ficam ao lado de pacientes em hospitais.
– Elena – Death chamou, virando seu rosto metálico para mim, céus, eu já comentei o quanto aquela máscara era estranha? — Não sei se lhe disse — ele continuou, — mas eu sempre quis ser médico.
Fiquei realmente surpresa.
Porque diabos aquele serial killer estava me confidenciando seu sonho de infância?
– Engraçado — falei, — você queria ser médico e acabou virando um assassino. Que ironia.
Death fez outro barulho que soou abafado, dessa vez parecia uma risada curta.
– Realmente– concordou, — mas foi porque eu percebi que é muito mais interessante matar uma pessoa do que salvar a vida dela.
– Discordo — falei.
Ele então balançou a cabeça, a malha se mexendo na altura de sua boca.
– É bom que discorde — disse, então parou em frente a uma porta, onde o barulho do monitor cardíaco estava mais alto, — pois atrás dessa porta tenho um tipo de... Experiência... Por assim dizer. Então deve confiar essa vida em meus dotes médicos.
Fiquei calada, tentando imaginar no que diabos aquele psicopata estava falando.
Então ele abriu a porta.
Dentro dela estava mais limpo que todos os corredores ou o armazém em que eu tinha estado... E havia realmente um monitor cardíaco ali, junto a objetos que apenas médicos utilizavam e uma maca...
Uma maca onde meu irmão em coma estava deitado.
Death estava com Jeremy.
Damon
– Como assim, Jeremy Gilbert não está no hospital?! — gritei para o policial Martin.
Céus, se esse dia pudesse piorar, era capaz do Sol explodir.
– Meredith deu queixa mais cedo — ele disse. — Esse era o “assunto” que eu estava resolvendo.
– E como diabos isso aconteceu? — Stefan perguntou, me atropelando.
O policial Martin suspirou.
– Parece que seu corpo sumiu essa manhã — respondeu, — Jeremy Gilbert não teve nenhum histórico de visita hoje e, pelas câmeras, as únicas pessoas que entraram em seu quarto, foram médicos ou enfermeiras. Porém, por volta das 9:20 as câmeras tiveram um apagão que duraram cerca de 10 minutos.
– 10 minutos não é tempo o suficiente para alguém fugir de um hospital com um corpo em coma sem ser visto por ninguém — Stefan reclamou.
– Talvez não seja — comentei, — mas se a pessoa conhecesse o hospital seria um tempo bastante razoável.
O policial e Stefan me encararam.
Martin foi o primeiro a abrir a boca.
– Está insinuando que alguém que trabalha no hospital sequestrou o corpo? — perguntou.
Dei de ombros.
– É a lógica — falei. — Pense. Apenas enfermeiros e médicos entraram na sala antes das câmeras apagarem, então, a não ser que tenha registro de outra pessoa de fora visitando Jeremy nessas últimas semanas, esse sequestrador trabalha lá dentro.
O policial Martin ficou em silêncio por alguns segundos, ponderando minhas palavras. Em seguida virou para outro policial e pediu que ele lhe trouxesse o registro de visitas do paciente Jeremy Gilbert no hospital das duas últimas semanas o mais rápido possível.
Stefan se virou para mim.
– Porque você acha que o criminoso o visitou antes de sequestrá-lo? — quis saber.
– Para checar o lugar — respondi, — montar melhor seu plano, eu não sei. Eles fazem isso. Você não assiste TV?
Meu irmão fez uma careta tão feia que cheguei a pensar que ele me daria língua, porém a manteve dentro de sua boca.
O outro policial logo voltou com os registros e Jonas Martin se apressou em ler os nomes dos visitantes.
Alguns segundos depois ele soltou um longo suspiro.
– Nada — disse. — Além de Elena e Damon, Jeremy não recebeu nenhuma visita além da dos enfermeiros e médicos, e... — ele voltou uma página, relendo novamente — Ele teve outra visita faz três dias.
Fiquei atento.
– Visita de quem? — meu irmão perguntou.
– Isobel Flemming.
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