Follow Your Heart
45 Capítulo 40
Notas iniciais
Elena
– Ele está morrendo! — berrei para meu raptor — Precisa estar no hospital recebendo o devido tratamento.
Death não disse nada, caminhando até a maca onde meu irmão estava deitado e checando rapidamente as máquinas que estavam presas a ele.
– Ele está perfeitamente bem – Death garantiu. — Se não fizer nada estúpido, poderá ficar viva tempo o suficiente para vê-lo acordando.
Encarei ele como se fosse louco.
– Do que diabos você está falando? — perguntei.
Death pegou uma arma que estava escondida em sua roupa e checou rapidamente as balas.
– Como eu disse antes – falou, olhando a arma como se não fosse nada demais, — eu queria ser médico. Queria salvar vidas e todas essas baboseiras, isso fez com que eu criasse um vínculo com a ciência medicinal. Passei a estudar remédios e diversos vírus. Você não sabe o quanto é interessante a manipulação desses elementos químicos, um frasco pode conter o veneno, ou a cura, dependendo da sua vontade e da quantidade de cada substância que inserir ali.
Então, tão rápido que sequer consegui desviar, ele atirou em mim.
Uma dor lancinante atingiu meu braço esquerdo e eu gritei de surpresa. Olhei meu braço, percebendo que havia sido um tiro de raspão, mas isso não impedia de doer como o inferno.
– Você atirou em mim! — reclamei.
– Está doendo, não está? – ele perguntou, me ignorando. — A bala estava banhada com um variante do veneno da Viúva Negra que eu mesmo inventei – se vangloriou, parecendo orgulhoso. – Em poucos segundos você ficará completamente paralisada, como no veneno original, porém, conforme ele vai se espalhando por seu corpo, você sentirá a agonia de ser queimada de dentro para fora, sem poder fazer nada, além de manter completa consciência de tudo que eu lhe disse enquanto o veneno assume seu corpo, e ele não vai parar até eu te dar a cura. É uma tortura maravilhosa, não acha?
Travei o maxilar, sentido a sensação de fogo se arrastando pelo meu braço, exatamente como ele havia dito.
– Eu vou matar você — falei enquanto ainda podia.
Death balançou a mão, como se minha ameaça não fosse nada.
– Se eu fosse você, arranjaria um lugar para sentar enquanto ainda pode se mexer.
Abri a boca para dizer onde ele devia enfiar aquelas palavras, porém o fogo se alastrou por minhas penas, fazendo com que eu gemesse de dor e caísse no chão.
– Boa menina – disse, e eu poderia jurar que estava sorrindo. — Agora, — voltou sua atenção para meu irmão, caminhando até a mesa de ferro onde havia todos os objetos que médicos utilizavam, pegando uma seringa — se meus cálculos estiverem corretos, e eu tenho certeza de que estão, em algumas horas o cérebro danificado de Jeremy Gilbert estará completamente restaurado.
Cerrei minha mandíbula, tentando esquecer a dor que fazia com que meu corpo inteiro ardesse, e tentei prestar o máximo de atenção em tudo o que aquele louco falava.
Death remexeu rapidamente uma gaveta antes de pegar um pequeno frasco com um líquido azul.
– E com o cérebro restaurado – continuou falando enquanto colocava o líquido azul na seringa — nada o impedirá de acordar.
Encarei ele e abri a boca para perguntar exatamente o que ele queria dizer, porém ao fazê-lo, o que saiu por entre meus lábios foi algo semelhando a um grito engasgado.
Maldito veneno.
Cerrei meus olhos, tentando respirar normalmente.
– Deve estar horrível aí. Eu odiaria ser você nesse momento.
– Vá para o inferno! — berrei, por algum milagre minhas palavras saindo nítidas.
As labaredas de fogo que eu sentia foram ficando mais insuportáveis enquanto minha pele passava a formigar. Tentei mexer meus pés, mas eles não pareciam responder mais ao meu cérebro.
– Valente até no último minuto — Death comentou, como se estivesse divertindo-se comigo. — Tão parecida com a mãe.
Minha mãe?
Isobel?
Tentei abrir a boca novamente, mas até ela parou de me responder.
Ele caminhou até Jeremy e segurou firmemente o tubo que estava enfiado em sua veia, inserindo a seringa no mesmo e tingindo o tubo de azul.
Ambos observamos o corpo, esperando algo acontecer.
Passaram-se exatos cinco segundos — eu contei, — antes que a máquina que anunciava os batimentos cardíacos de meu irmão enlouquecesse, apitando desesperada os batimentos anormais de Jeremy.
Comecei a me contorcer, desesperada no chão, me aproximando o quanto podia, lutando contra a maldita paralisia que tentava me ganhar.
Aquele louco estava matando meu irmão.
Não me lembro quanto tempo se passou, pareceram horas até que finalmente os batimentos diminuíssem... E então parassem completamente.
Senti lágrimas inundarem meus olhos, pela minha dor física e pelo o que eu havia acabado de presenciar.
Death, testando um maldito soro, havia acabado de matar meu irmão.
Damon
– Você tem certeza de que ela está aqui?- perguntei, pelo que parecia a milésima vez para o policial Martin, que se escorava calmamente contra uma parede.
– Tenho, Sr. Salvatore — respondeu. — Ela já deve estar chegando.
Olhei meu relógio de pulso, voltando a entrar em desespero.
Faziam exatas seis horas que Elena havia sido levada. Trinta e seis horas que o corpo do irmão dela havia sumido do hospital.
E ainda estávamos na estaca zero.
– Não vejo ninguém chegando — reclamei, olhando novamente para o fim do beco para o qual Isobel havia pedido para nos encontrar.
Ela estava vinte minutos atrasada.
– Relaxe — Jonas Martin disse, — ela está vindo.
Então ele pegou um cigarro no bolso de seu casaco.
Isso serviu para tirar toda a calma que ainda me restava. Antes que pudesse pensar, Jonas estava prensado em uma parede e seu maço de cigarros estava a alguns metros de nós, no chão.
E como Stefan havia voltado para casa, para ficar com Bia e Samantha, eu não tinha que me preocupar com ninguém no meu ouvido, me dizendo que estrangular um policial federal era errado.
– Não me mande relaxar! — grunhi no rosto dele — Porque enquanto Isobel brinca com a gente e você fuma a porra do seu cigarro, minha noiva pode estar morrendo!
– Ela não está — ouvi uma voz atrás de mim.
Soltei imediatamente o policial, e me virei para Isobel, que nos encarava de maneira curiosa.
– Onde diabos você estava? — perguntei a ela, redirecionando toda a minha raiva.
– Estava resolvendo uma coisa — respondeu.
Jonas se recuperou rapidamente, ajeitando sua farda e me encarando com ódio antes de virar sua atenção para a mãe desnaturada de Elena.
– Como pode saber que a Srta. Gilbert não está morrendo? — questionou.
Isobel sorriu, porém o sorriso não chegou aos seus olhos.
– Porque ele não quer ela morta — disse. — Não ainda. Antes irá fazê-la sofrer tanto que considerará o inferno o próprio paraíso.
Travei minha mandíbula, detestando suas palavras.
– Ele? — perguntei a contragosto.
– Meu ex-marido — Isobel Flemming respondeu, como se as palavras que pronunciava houvesse veneno. — John.
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