Follow Your Heart
9 Capítulo 8
- Isso é sério? — perguntei para Stefan quando ele chegou em casa, trazendo a boa noticia — Não brinque com o meu coração, irmão.
Stefan sentou na minha frente, ele tomava um gole do whisky que servi a ele.
Ele tinha apenas 19 anos, mas quem se importava? Eu não.
- É serio, Damon, ela aceitou.
- O que disse a ela?
- Contei a história do avião.
- Mentira.
- Verdade.
- PORQUE?
Eu iria matar o Stefan.
Céus, ele adorava aquela história, disso eu sabia, mas contar para Elena?Eu iria parecer fraco, ela teria uma ideia errada sobre mim, sobre minha vida, provavelmente na próxima vez em que eu a visse ela me trataria diferente. Que droga, Stefan!
- Ela perguntou — Stefan disse encolhendo os ombros, — ela me contou um pouco da vida dela também. Ela passou por muita coisa, Damon. Elena é uma garota muito forte.
- E o que isso quer dizer? — perguntei.
Elena não tinha me contado nada da vida dela, porque contou ao meu irmão?
- Os pais dela morreram a três anos em um acidente de carro...
Acidente de carro? Isso explica o trauma. Será que ela estava junto? Deus, espero que não.
- ... Parece que tudo o que eles deixaram pra ela foram dívidas e mais dívidas. Uma tia cuidou dela por um tempo, mas no ano passado ela morreu em um assalto a mão armada, pouco depois de Elena completar seus 18 anos.
Ok, muita bagagem emocional.
É, ela era forte.
- Como chegou até a casa dela?
Ele encolheu os ombros novamente.
- Fui até o restaurante em que ela trabalhava, perguntei por ela e descobri que seu sobrenome era Gilbert, o resto foi fácil.
Acenei com a cabeça. Certo.
- E o que mais vocês conversaram? — perguntei curioso.
- Ela disse que aceitava, depois tomamos um café juntos. Só.
Aproximei-me dele e tirei o copo de sua mão.
- Perguntei o que vocês conversaram — falei tentando mater a calma, — não o que vocês fizeram.
Stefan me olhou irritado.
- Coisas normais, irmão. Fiz algumas perguntas e ela fez o mesmo, então respondemos um ao outro. Cor favorita? Azul. Esporte favorito? Nenhum, porque em todos os esportes em que se envolveu saiu sangrando ou com algo quebrado. Idade? 19. Sonho? Ser escritora e visitar Londres. Viu? Nada de mais.
Minha cabeça rodou um pouco com o excesso de informação.
- Fique longe dela, irmão — sibilei e em seguida gritei, — Sra. STEVENS!
Stefan me olhou com uma sobrancelha arqueada. O ignorei, eu estava com raiva dele.
Cinco minutos depois, Sra. Stevens, uma mulher de meia idade, apareceu na porta.
- Chamou, Sr. Salvatore?
Ela também era a empregada da família.
- Sim, chamei. Sra. Stevens poderia conseguir o numero do telefone de Elena Gilbert pra mim? Rápido, por favor.
Ela acenou e saiu.
- Vai ligar para Elena? — Stefan perguntou estupefado.
- Minha primeira ideia foi ligar para John Lennon, mas ele já morreu — havia o mais puro sarcasmo na minha voz. — Que pergunta estúpida, irmão.
- Porque?
- Ah Deus, me dê paciência — pedi, — vou casar, irmão. E temos pouco tempo, então quanto antes acertamos os preparativos, melhor. Entendeu?
Ele acentiu. Ótimo.
- Aqui está, senhor — Sra. Stevens disse voltando e me entregando um pedaço de papel.
- Foi rápido — comentei, — talvez eu deva aumentar seu salário.
Ela sorriu com a ideia e saiu da sala.
Peguei meu celular e liguei para o número do papel.
- Alô — ela atendeu no terceiro toque.
- Elena Gilbert?
- Ela mesma, quem fala?
- Seu futuro marido, meu bem.
Ouvi a respiração dela se alterar do outro lado da linha.
- O que quer, Damon? — ela perguntou, mas seu tom era suave.
Ok, isso era novidade. A suavidade.
Stefan se levantou e ficou na minha frente.
- Vá com calma — ele aconselhou.
Afastei o celular e olhei para ele.
- Cale a boca — aconselhei com o mesmo tom de voz.
Coloquei o celular na minha orelha novamente.
- Já andou de moto, Srta. Gilbert? — perguntei.
- Não — ela disse hesitante.
- Eu sei de seu trauma por carros, e o motivo. Stefan me contou. Mas se vamos fazer isso, nós precisaremos de um meio de transporte, não podemos andar a pé por Mystic Falls inteira, ponta a ponta. É cansativo e demorado. E não temos tempo para isso.
Ela hesitou novamente e ficou um tempo em silêncio pensando.
- Não vejo problemas com motos — ela disse, finalmente.
Suspirei aliviado.
- Ótimo, então a vejo amanhã. Boa noite, Elena.
- O que? Não, espera...
Mas eu já havia desligado o telefone.
Certo, até agora meu dia estava sendo ótimo. E amanhã, pelo o que eu via, ia ser melhor ainda.
- Cuide dela, Damon — Stefan disse, me assustando.
- O que?
- Gostei dela, irmão, então tente não magoá-la. Cuide dela.
Encarei Stefan estupefado. Elena tinha mel? Por que meu irmão estava assim com ela?
- Vou cuidar dela, Stef — garanti. — Mas tenho que repetir: Fique longe dela.
Ele se aprumou.
- O que? Por que?
Encolhi os ombros.
- Odeio triangulos amorosos — respondi.
Sai da sala e fui para meu quarto. Depois do dia que eu tive hoje, eu estava cansado.
(Nota da autora: SE FERROU TETEF, É PRA FICAR LONGE DA ELENA, SE NÃO DAMONZITO TE PEGA!)
Eram 8:30 da manhã e eu estava parado na porta de Elena Gilbert.
Bati três vezes e uma loira bonita abriu.
A loira me analizou de cima a baixo, então abriu um grande e bonito sorriso.
- Como posso ajudar?
Reconheci a voz dela. Era a voz da garota do telefone: Caroline Forbes, se não me engano.
- Continua com a voz sedutora, Srta. Forbes — comentei maliciosamente.
Ela corou levemente, mas manteve os olhos nos meus.
- Damon Salvatore — ela disse, — Elena disse o quanto era bonito e devo dizer que você é dez vezes mais do que ela fez parecer, mas seus olhos são mesmo hipnotizantes, nisso ela acertou.
Um sorriso involuntário preencheu meu rosto.
- Eu adoraria ouvir o que mais Elena disse sobre mim.
Ela acompanhou meu sorriso e se afastou um pouco da porta.
- Por favor, entre, terei prazer em lhe contar.
Rindo eu entrei e ela me levou até a sala.
- Elena continua dormindo, ela não é uma pessoa matinal — Caroline Forbes disse quando me sentei, — você quer que eu acorde ela?
- Se não se encomodar.
- Caso ouça gritos ou veja sangue escorrendo pela escada, não se preocupe. Elena não é muito dócil pela manhã.
- E ela é dócil em algum horário?
- Touché.
Então ela subiu correndo as escadas. Alguns segundos depois ouvi gritos, mas não vi sangue nenhum, o que já era um alívio. Ouvi o barulho de algo batendo constantemente, provavelmente Caroline esmurrando a porta.
Com um suspiro me levantei e subi as escadas, seguindo as batidas e os gritos.
A casa de Elena era muito bonita, e um pouco grande para ela morar sozinha com uma amiga. Provavelmente ela havia herdado de seus pais.
Mais a frente vi Caroline realmente gritando e esmurrando uma porta.
- ELENA! ABRA A PORCARIA DESSA PORTA AGORA!
- VÁ EMBORA! — Uma voz abafada, provavelmente por travesseiros, veio do outro lado da porta.
Caroline virou de lado e me viu parado no corredor.
- Deveria esperar lá em baixo — ela me disse.
Dei de ombros.
- Tenho complexo de super-herói. Ouvi gritos e vim correndo.
Ela sorriu e de voltou para a porta.
- Elena! — ela chamou mais calma — Tem alguém aqui que quer vê-la!
Ouvi algo abafado bater contra a porta. Travesseiro.
- MANDE EMBORA!
Caroline se virou para mim, olhando-me como se estivesse se desculpando...
Então sorriu, tendo uma ideia.
- A fechadura da porta está com problemas — ela sussurrou, — então se empurrar com força o suficiente a porta vai abrir.
Olhei para ela e então para a porta.
- Não acha mais prático apenas esperar ela se levantar por vontade própria?
Ela revirou os olhos.
- Se quiser esperar até a semana que vem, ai é com você. Estou lhe dando uma solução, apenas.
Deus, ela estava exagerando ou Elena realmente dormia tanto assim?
- É seguro? — sussurei.
Caroline riu.
- Se não voltar em uma hora mandarei resgate.
Isso me fez rir também.
- Peça para trazerem um esquilo chamado Joe — brinquei, — ele tem uma história para me contar.
Ela piscou para mim.
- Pode deixar comigo.
Voltei para a porta e a empurrei levemente, um pouquinho mais de pressão e...
Porta aberta.
- Boa sorte — Caroline sussurrou atrás de mim.
Entrei no quato devagar, estava escuro, havia cortinas tapando a luz que vinha da janela. Meus olhos se ajustaram a escuridão e eu vi um morro de coberta e travesseiros sobre uma cama de casal.
Elena provavelmente estava escondida embaixo disso tudo.
Aproximei-me da cama e afastei levemente a coberta, em seguida os travesseiros, até que eu a achei. Deitada, dormindo profundamente de novo, seus cabelos estavam soltos e bagunçados sobre a cama e ela parecia um anjo de tão linda.
Estendi a mão e tirei levemente o pouco cabelo que havia em seu rosto.
Sentei ao lado da cama e acariciei levemente suas bochechas rosadas, seus lábios...
Lábios esses que se entreabriram quando passei o dedo por eles.
Elena ainda dormia. Profundamente.
Fiquei com pena de acordá-la, mas tínhamos um grande dia pela frente.
Aproximei meu rosto do dela e depositei um pequeno beijo em sua bochecha.
Por que fiz isso? Não sei. Eu nunca tive que acordar mulheres na minha vida. Normalmente eu durmo com elas, levanto e vou embora.
Mas por algum motivo era assim que eu queria acordar Elena: Com carinho.
Ela se mexeu levemente, mas continuou dormindo. Aproximei minha boca do ouvido dela e sussurrei:
- Acorde, Elena.
Ela se mexeu de novo.
- Querida — sussurrei mais alto, — acorde
.Passei a mão mais uma vez no rosto dela e dessa vez ela abriu os olhos, olhou para mim, sorriu e em seguida fechou os olhos novamente.
- Bom saber que essa é sua reação quando vê um homem no seu quarto — comentei sarcástico.
Os olhos dela se abriram novamente, arregalados, dessa vez ela parecia realmente acordada. Elena gritou...
E chutou minha cara.
Não sei como ela fez isso, não pergunte.
- Ai! — gritei.
- O QUE ESTÁ FAZENDO AQUI?
Ela se cobriu com a maior parte da coberta que conseguiu juntar.
Segurei meu nariz, mas ele não sangrava, apesar de eu sentir um pouco do gosto metálico na boca.
- Você cortou meu lábio! — acusei.
- SAI DAQUI!
Passei a lingua levemente sobre meus lábios e constatei aliviado que era apenas um corte pequeno, superficial.
Cheguei perto de Elena que me encarava com raiva e sentei na ponta da cama dela.
- Sua amiga tinha razão — comentei, — você realmente não é uma pessoa muito dócil pela manhã. Me machucou, Elena, e não estou feliz com isso. Estou com raiva, e esse não é o meu melhor humor, e não traz a melhor parte de mim. Então sairei daqui e lhe darei cinco minutos para fazer sua higiene matinal e se juntar a mim na cozinha para tomar seu café da manhã e saírmos. Entendeu? — meu tom de voz era afiado.
Ela assentiu estupefada.
- Ótimo — me inclinei sobre ela e lhe dei um beijo na testa, — não demore, querida. Temos um casamento para planejar.
Sai do quarto e passei por uma Caroline pasma.
- Ouvir por detrás das portas é feio, Srta. Forbes.
Fale com o autor