Levantei da cama, escovei os dentes, joguei água no meu rosto e amarrei meu cabelo em um rabo de cavalo.

Eu estava com raiva.

Acordar cedo é uma desgraça, e acordar cedo com uma idiota em cima de você é pior ainda.

Não, espere, sabe o que é pior? O fato de eu ter gostado.

É, eu gostei quando ele acariciou meu rosto e falou no meu ouvido, e também gostei quando ele beijou minha testa.

O que eu não gostei? Da forma como ele falou comigo... E de como eu reagi.

Céus, é, eu estava furiosa.

"Cuidado mundo!" minha consciência brincou.

Saí do banheiro e fui até as escadas, não me importei em trocar de roupa. Quer dizer, quem se importa? Que se dane.

Caroline me esperava no corredor e segurou meu braço quando me viu.

- Elena — ela disse, — ele é lindo de morrer.

Eu sabia de quem ela estava falando. E fiquei com mais raiva.

- Não estou com humor para conversas, Caroline.

- Ele conseguiu te tirar da cama com uma só frase bem elaborada, Elena. Acho que deve sim se casar com ele, afinal, ele conseguiu um milagre. E ele tem essa coisa...

Parei e encarei ela.

- Os olhos azuis, não é? — adivinhei.

- É! — ela respondeu entusiamada — Acho que não consigo respirar direito desde que olhei os olhos dele.

Eu ri, então tirei a mão dela do meu braço.

- Fique loge dele, Car — falei com humor, — o coitado não aguentaria todo o seu fogo, os ex-namorados e a loucura. Não mesmo.

Ela levantou as mãos, se rendendo.

- Ok, entendi as entrelinhas: Ele é seu, devo manter distancia.

- Nunca disse que ele "é meu" — falei na defensiva.

Ela riu.

- Desça, Elena — disse, — seus cinco minutos acabaram faz um tempo.

Respirei fundo e a encarei com raiva, mas fiz o que ela pediu e desci as escadas.

Quando cheguei a cozinha Damon estava lá...

Cozinhando!

Imediatamente outra lembrança se acendou no meu cérebro: Mamãe fazendo meu café da manhã.

Minha mãe havia resumido o trabalho de me acordar em três etapas: Bater, gritar e entrar. E quando ela entrava as coisas não ficavam bonitas. Uma vez ela jogou água fria em meu rosto.

Fiquei com tanta raiva!

Desci naquele dia pronta para ignorá-la e ficar sem falar com ela por uma semana, mas então entrei na cozinha e ela estava cozinhando panquecas. Eu adorava panquecas. E ela sabia disso.

Era seu pedido de desculpas. E eu perdoei, claro.

Eu sentia falta do café-da-manhã da minha mãe. Eu sentia falta da minha mãe. Eu sentia falta do meu pai. Eu sentia falta do Jeremy. Eu sentia falta da Jenna. Diabos, eu sentia falta de mim.

Meus olhos se encheram de lágrimas e eu pisquei rapidamente para contê-las.

- O que pensa que está fazendo? — grunhi, minha voz falhando.

Damon se virou assustado com meu tom de voz, então olhou para meus olhos e seu rosto se suavisou, mas ele parecia perdido, sem entender nada.

- Fiz algo de errado? — ele perguntou.

Caroline apareceu atrás de mim, olhou para meus olhos e para Damon na cozinha.

Ela pousou sua mão em meu braço.

Inalei o ar.

Omelete.

- Elena não gosta que mexam na cozinha — Caroline explicou, — era o território da mãe dela.

Damon assentiu, entendendo, então me olhou.

- Desculpe — ele disse sinceramente, — de verdade, eu quis fazer seu café para me descupar pelo ataque de raiva no quarto e agora... Eu não sabia, desculpe.

- Está tudo bem — sussurrei.

Isso assustou Caroline, Damon e principalmente a mim.

Mas eu percebi que depois do choque inicial de ver Damon ali, parado, onde minha mãe costumava ficar, eu não me importava. Na verdade ver ele ali era...

Legal.

"Elena, minha querida, acho que está ficando louca"

O efeito dos olhos azuis, consciência. É apenas o efeito dos olhos azuis.

Eu sorri para Damon e Caroline e em seguida limpei meus olhos.

Caroline estava paralizada, sem entender porcaria nenhuma.

- O que vamos comer? — perguntei com minha voz mais estável.

Ele sorriu.

- Omelete.

Viu? Eu disse que era omelete.

Meu sorriso aumentou e eu fui até onde Damon estava e o abraçei. Ele se assustou, mas me abraçou de volta. Fiquei na ponta dos pés e sussurrei no ouvido dele:

- Se entrar novamente em meu quarto sem eu tê-lo convidado... Bem... Você não vai gostar do que farei com você.

Ele congelou, mas eu vi um meio sorriso maliocioso em seu rosto.

- Gosto de uma bela mulher me ameaçando — sussurrou de volta, — é sexy.

Sorri, mas me afastei dele.

- Pijama bonito — ele murmurou, ainda malicioso.

Copiei seu sorriso malicioso e corei levemente.

Caroline pigarreou atrás de nós.

- Odeio estragar esse lindo momento de vocês, mas não nasci pra ser vela, muito menos tocha olímpica, então se me dão lincença...

E ela saiu da cozinha.

Damon olhou da porta, onde Car desapareceu, para mim, e sorriu divertido.

- Ela é uma pessoa interessante — comentou.

Concordei.

- Ela é. Interessante e "louca-insegura-controladora-incurável". Eu adoro ela.

Ele riu.

- Nem eu teria conseguido uma descrição melhor — ele afirmou, — por favor, sente-se. Vamos comer.

Fiz o que pediu e ele se sentou ao meu lado, me servi de omelete e de um pouco do suco que estava na mesa.

Coloquei uma garfada na boca.

- Meu Deus — murmurei com a boca cheia, — isso está incrível.

Ele sorriu seu sorriso convencido, mas não disse nada.

- Stefan tem razão — não pude deixar de comentar, — Você é brilhante em qualquer coisa que faz, ou pelo menos foi até agora.

Ele sorriu genuinamente.

- Stefan disse isso? — perguntou, eu acenei — Ainda não viu tudo o que posso fazer, Elena — mudou de assunto. — Na verdade não viu nada.

Havia promessas na voz dele e isso me assustou.

Suspirei e me aproximei dele.

- Sabe que é um casamento de faixada, não sabe? — perguntei.

- Claro que sei, Elena. E acredite, quero isso tanto quanto você. Mas só por que não é real, não quer dizer que não possamos nos divertir juntos, de acordo?

Balancei a cabeça.

- Se vou entrar nisso, devemos ter algumas regras.

- Se quer me ver nu, é só pedir, querida. Não precisamos de regras.

Passei a mão no cabelo frustrada.

- Por favor, pare de brincar por um segundo. É sério, Damon, quero limites.

Ele acenou, concordando.

- Diga seus limites e eu respeitarei.

Olhei pra ele duvidando.

- É uma promessa — ele disse, e eu acreditei. — Céus, Elena, não sou nenhum estrupador, relaxe, ficará bem perto de mim.

Mordi meu lábio inferior e olhei para ele.

Ele usava preto e ainda continuava completamente irresistivel.

Notei um pequeno corte no seu lábio inferior.

"Céus!" conciencia exclamou, "Se eu fosse uma pessoa eu a mataria, como pôde estragar esse belo rosto? Seu monstro!"

Ri interiormente, minha consciência estava palpitando muito na minha vida talvez eu devesse dar um nome a ela. Depois pensarei nisso.

Estendi a mão e toquei em seu lábio.

Sem pensar! Eu juro!

- Eu fiz isso? — perguntei suavemente, apesar de já saber a resposta.

Ele deu de ombros.

- O resultado de um chute na cara.

- Sinto muito — sussurrei.

Ele me olhou assustado, acho que não eram muitas as pessoas que demonstravam carinho com ele.

- Talvez um beijo cure — ele sussurrou voltando para as brincadeiras.

Era um território mais seguro para ele.

Eu ri.

- Falei para parar de brincar — acusei.

- Talvez eu não esteja brincando — ele disse também sorrindo.

Terminei de comer meu omelete em silêncio.

Depois me virei novamente para Damon, eu tinha perguntas a fazer.

- O que faremos hoje? — perguntei.

Essa era minha primeira pergunta, as próximas viriam depois, eu seria paciente.

Damon encolheu os ombros e me deu aquele meio sorriso que provavelmente era sua marca registrada.

- Vou lhe apresentar uma pessoa, ela lhe ajudará nos detalhes do casamento, e vamos escolher o local hoje e marcarmos o dia. Temos apenas um mês, então faremos tudo o mais rápido possível.

- Que pessoa? — perguntei, porque todo o resto eu havia entendido, e concordado.

- Uma amiga, você vai gostar dela — ele disse, então olhou para meu prato vazio e para mim. — Terminou de comer, então vá se vestir, Elena.

Olhei para ele com raiva por causa de seu tom de voz. Eu não era uma criança.

- Por favor — ele acrecentou sorrindo.

Acompanhei seu sorriso e me levantei da mesa, indo para as escadas e então entrando no meu quarto.

Certo. Hora de pensar.

Eu havia acordado cedo, tomado um café da manhã preparado por outra pessoa, aceitado me casar com um desconhecido completo, iria conhecer uma "amiga" desse mesmo desconhecido e começar os preparativos, escolher a data e o local para o meu casamento.

Oh, Deus, esse seria um dia muito, muito estranho.

E cansativo.

"E divertido" consciência se intrometeu.

É, eu com certeza teria que pensar em um nome pra ela. "Consciencia" é chato de ficar repetindo.

"Quero um nome bonito"

Hum-hum, claro.

Meu Deus, acho que estou ficando louca.

Revirei meu guarda-roupa.

O que se veste quando vai marcar a data do seu casamento?

Desisti, jeans e camiseta teriam que servir.

Sai do meu quarto arrumada o suficiente, e fui até o quarto de Caroline.

Bati levemente na porta.

- Entre.

Eu entrei.

Caroline estava sentada na cama dela e sorriu quando me viu.

Ops, calada. Tinha algo errado.

- Car, o que aconteceu?

Ela sorriu levemente e mexeu no telefone que estava em sua mão.

- Minha mãe ligou — ela disse.

Imediatamente atravessei o quarto e me sentei ao lado dela na cama.

O relacionamento de Caroline com a mãe dela era... Era complicado.

- Você está bem? — perguntei.

Caroline assentiu.

- Ela ligou, perguntou se eu estava bem, eu disse que sim, é claro, e então ela... desligou. Só, Elena, só isso, não houve briga, nem mais perguntas. Eu deveria estar feliz por isso. Então por que estou tão magoada?

Abracei ela.

- Por que você quer que ela se importe, Car. E eu entendo. Precisa da sua mãe na sua vida. — eu morreria para ter a minha, acrescentei mentalmente — E eu sei que eu já disse isso milhares de vezes, mas vou ter que dizer de novo: Pare de ignorá-la, se acerte com ela.

Caroline riu.

- Me acertarei com minha mãe quando você resolver viver.

Eu sorri.

- É um acordo?

- É.

- Então está feito.

Soltei ela do abraço e lhe dei um sorriso de conforto.

- Vou sair com Damon, ele quer começar os acertos para o casamento o quanto antes. Você vai ficar bem?

- Eu? — ela zombou — Tenha dó, Elena. Vá embora e se divirta um pouco, até parece que não me conhece. Sou a louca dramática, lembra? Ficarei bem.

Eu ri e baguncei seu cabelo, apenas por que eu sabia que a irritaria.

- Volto antes do meu turno no Mystic Grill, ok? Fique bem, te adoro.

- Parece uma cópia mal feita de uma mãe da TV, por favor pare com isso, assusta. Vá embora. Já disse, estou ótima. Melhor que isso estraga.

- Car, eu...

Caroline jogou um travesseiro em mim, rindo.

- Tem um cara lindo de morrer na nossa sala nesse momento te esperando para marcarem a data do casamento. Vá com ele agora, ou eu irei.

- Eu lhe mataria se fizesse isso — ameacei brincando. — Tchau Car.

- Tchau Ciumenta.

Virei-me para sair mas Car me parou.

- O que? — perguntei.

- Eu serei sua madrinha?

Eu ri.

- Quem mais seria, Car? Elton John?

Ela sorriu amplamente.

- Ok, então. Pode ir embora agora.

Sai de seu quarto ainda rindo e desci as escadas.

Damon realmente estava na sala me esperando e quando me viu se levantou do sofá.

- Vamos?

- Claro.

Ele liderou o caminho até a porta e a briu para mim. Eu sorri quando passei por ela e parei ao ver uma grande moto negra parada na minha calçada.

Ênfase no "grande".

Parecia com aquela moto daquele filme em que o cara tinha a cabeça de caveira pegando fogo, qual era o nome? Bem, não importa.

- Essa coisa é segura? — perguntei em dúvida.

Uma linha maliciosa apareceu em seus lábios, quase poderia se passar por um sorriso.

- Se estiver comigo, sim.

Então ele subiu na moto e me entregou um capacete que também era preto.

Olhei dele para o capacete em dúvida. Ou medo. O que viesse primeiro.

Ele me lançou um olhar comprienssivo e me puxou pelo braço delicadamente até que eu ficasse próxima a ele.

- Se ficar com medo, ou achar que não aguenta mais, é só me dizer. Não me importa se estivermos no meio da estrada com vários carros ao nosso redor. Eu vou parar a moto. Entendeu?

Balancei a cabeça confirmando, mas a dúvida ainda não havia ido embora.

Damon deve ter visto isso pois sussurrou:

- Confia em mim?

Eu confiava?

- Absolutamente não — respondi sorrindo. — Me dá isso — falei tomando o capacete de sua mão e colocado na minha cabeça.

Ele riu enquanto eu subia atrás dele na moto.

- E agora? — perguntei.

- Coloque as mãos ao meu redor e segure firme.

Havia um sorriso na voz dele, provavelmente um malicioso. O duplo sentido de sua frase me deixou vermelha e nesse momento quis quebrar sua cara.

Fiz o que ele mandou e envolvi meus braços em sua cintura.

- Não se empolgue demais — ele disse malicioso, — mas caso aconteça, avise também, e procuraremos um quarto.

Fechei meu punho e o acertei nas costas com força.

Damon gritou.

Aproximei minha boca o melhor que pude da sua orelha e murmurei:

- Dirija, amor.

Ele obedeceu, mas pude perceber que ele ria.

Apoiei minhas mãos o melhor que pude e senti através de sua camisa o quanto a barriga dele era definida. O cara com certeza malhava. De repente meus dedos formigaram para explorar aquela região, seu abdomem, seu tórax, seu...

" Deveria se envergonhar, Elena" consciência disse rindo, "olha só as coisas que está pensando!"

Cale a boca!

"Eu só..."

Cale a boca!

"Mas..."

CALE A BOCA!

E ela se calou. Graças a Deus.

Pelo resto do caminho meus dedos formigaram, eu tentava me distrair com outras coisas, como as casas passando ou os carros ao redor.

Mas a cada carro que passava eu me lembrava do acidente. Ele vinha como fleches de uma câmera, explodindo nos meus olhos.

Um caminhão passou por nós e eu me segurei involuntariamete a Damon, o apertando com toda a força que eu tinha, fechei os olhos e encostei meu rosto em suas costas tentando recuperar minha respiração.

Certo, eu tinha esquecido dos dedos formigando, e agora eu estava com medo.

Que avanço.

Depois de um tempo eu simplesmente desisti de abrir os olhos, e permaneci daquele jeito, apertada a Damon.

Eu estava tão focada em manter minha respiração regular que não percebi quando a moto parou.

- Pode soltar, Elena.

Continuei segurando.

- Elena?

Tomando uma longa respiração abri os olhos e olhei para cima. Damon me olhava preocupado.

- Você está bem?

Acenei com a cabeça, incapaz de falar.

- Deveria ter falado para eu parar a moto.

Balancei a cabeça.

- Estou bem — consegui sussurrar, mas minha voz soou estranha.

Eu odiava isso, como eu me sentia quando estava na estrada, quando eu via carros em movimento vindo na minha direção. Ou caminhões. É, caminhões eram os piores, eu congelava.

Olhei ao redor novamente e meu quixo caiu. Estávamos parados na calçada de uma casa enorme.

- Onde estamos? — perguntei curiosa.

- Mansão Mikaelson — Damon respondeu, — eles são antigos amigos da minha família — explicou, então colocou a mão nos meus braços que ainda estavam a seu redor — Precisa me soltar para irmos lá, querida.

Soltei ele rapidamente e pulei da moto, entregando-lhe seu capacete. Céus, acho que eu estava muito vermelha agora.

Ele riu e então colocou a mão na base das minhas costas, guiando-me até a porta.

Quando chegamos ele apertou o botão da campanhia e em menos de um minuto depois uma loira bonita abriu a porta.

- Damon! — ela exclamou e o abraçou.

Ele a abraçou de volta e eles ficaram ali, grudados.

Pigarreei para anunciar minha presença e só então eles se soltaram.

- Rebekah, querida — Damon falou, não pude deixar de notar que ele ainda mantinha um dos braços ao redor dela, — essa é Elena. Minha futura esposa.

Rebekah estendeu uma mão para mim, e me deu o sorriso mais falso que alguém poderia ter dado.

- Muito prazer, Elena.

Imitei seu sorriso falso e segurei sua mão.

- O prazer é todo meu — menti.

A vadia ainda segurava Damon!

"Seu Damon"

CALADA!

"Tá, desculpa. Só quis enfatizar".

Finalmente Damon e Rebekah se largaram e ela se afastou da porta.

- Por favor, entrem.

Entramos e fomos guiados até a maior sala de visita que eu já havia visto. Deus, era maior que minha casa.

Rebekah apontou para um sofá, Damon levou-me para sentar ao meu lado e ela se sentou em uma poltrona a nossa frente.

- Como posso ajudar? — perguntou.

- Você é a melhor organizadora que conheço, Rebekah, então nós queríamos que organizasse nosso casamento.

Fiz careta quando ele disse "nós queriamos", mas pemaneci calada.

- Vocês só tem um mês, amor. É impossível.

Amor? Ela precisava de bons tapas na cara.

"É assim que eu gosto!"

Damon riu.

- Achei que nada fosse impossível para você.

- Talvez tenha razão — ela disse sorrindo.

- E se eu pedir "por favor"?

Seu sorriso de vadia cresceu.

- Vou tentar, amor. Mas não garanto nada.

Percebi o sutaque britânico em sua voz. E a sedução.

Meu Deus, ela estava dando em cima dele na minha frente. Tudo bem que eu não sentia nada por ele, mas Jesus, a gente ia casar!

Damon sorriu satisfeito.

- Como quer o casamento? — Rebekah perguntou.

Para Damon. Ela estava me ignorando.

- Elena? — Damon chamou, me dando a palavra.

O sorriso de satisfação que dei foi tão grande que poderia ter partido meu rosto em dois.

"Toma!"

- Quero algo simples — respondi.

Rebekah fez uma careta. Acho que simplicidade não era o forte dela.

Observe eu me importar.

- Explique — ela pediu.

Ajeitei-me no sofá e preparei-me para falar empolgada. Eu nunca quis casar, mas esse era um dos assuntos preferidos da minha mãe, então eu passei grande parte da minha adolescencia imaginando o casamento perfeito junto com ela.

- Não será em uma igreja... — comecei.

- Como assim "não será em uma igreja"? — Rebecca se exaltou, imitando minha voz de forma infantil e péssima. Minha voz não era assim. — Os casamentos mais bonitos são feitos em igrejas, e eu já tinha imaginado...

- Silêncio — mandei, — não terminei de falar.

Ela ficou calada e com raiva.

- Como eu dizia — continuei, — não quero casar em uma igreja, quero um casamento ao ar livre, pode ser em um jardim ou algo assim, e...

- Um jardim? — Rebekah interrompeu novamente, havia algo como raiva na voz dela — Pobres se casam em jardim, Damon não é pobre. Como vamos acomodar mais de mil convidados em um jardim?

Virei-me para Damon.

- Eu não gostei dela — sussurrei ciente de que Rebekah podia ouvir.

Damon riu, Rebekah fez um som estranho com a garganta e eu queria fugir dali.

Apenas mais um dia normal.

- Eu também não gostei de você — ela disse, — por que você se parece com uma...

O olhar que lancei sobre ela nesse momento poderia fazer cair neve sobre o Egito.

- Se gosta de ter dentes na boca — sibilei com os dentes cerrados, havia raiva ali, muita, muita raiva, — é bom que não termine essa frase.

Ela piscou, congelada e com medo.

Minha consciencia sorriu satisfeita.

- Como eu ia dizendo — falei sorrindo, — quero um casamento simples, ênfase no simples. Nada de "mais de mil convidados". Não. Terá no máximo 200 e ainda é muito, se Damon quiser a imprenssa no casamento para divulgação ou sei lá, também pode, mas apenas dois ou três jornalistas, nada de uma equipe completa cegando-me no dia do meu casamento, entendeu? O tapete da minha entrada será branco, não vermelho, e terá pétalas de rosas azuis espalhadas por toda a sua estenssão, está acompanhando Rebekah?

Ela assentiu, ainda em silêncio.

- Por que pétalas azuis? — Damon perguntou curioso.

- Gosto de azul — minha voz cheia de intenções.

Queria que ele se lembrasse de ontem no restaurante e pelo seu sorriso malicioso ele se lembrou.

- Teremos a imprenssa — ele disse, — mas é para divulgação.

Assenti. Eu entendia.

- O casamento será a noite, sob as estrelas — continuei olhando para Rebekah novamente, — se puder ser de baixo de uma árvore, melhor ainda, e terá aquelas chamas azuis para iluminação. O casamento inteiro será em branco e azul. O salão de festas você pode decorar do jeito que quiser, Rebekah, isso não é tão importante, mas quero que continue com a ideia branco-azul, ok?

Ela assentiu novamente, mas dessa vez havia um sorriso ali.

- Quero que a festa depois da cerimônia tenha um tema: Baile de Mascaras. Terei uma máscara branca e todo o resto, o que você acha?

Ela ficou em silêncio e eu também, então depois de um tempo caiu a ficha de que ela deveria responder.

- Criativo — ela disse hesitante, acho que concordar comigo estava fazendo sua lingua queimar, de tão feia que foi sua careta. — Mas não temos um jardim.

Foi a vez de Damon falar:

- Eu tenho, e ele tem uma árvore. A festa pode ser na minha casa também.

Sorri amplamente. Rebekah parecia estar com dor, o que me fez sorrir mais.

- E a data? — ela perguntou.

Abri a boca, mas Damon interrompeu.

- Temos um mês, então eu estava pensando na data mais distante possivel, como no dia 3 ou 4 de outubro, o que você acha?

Balancei minha cabeça. Eu já sabia a data.

- Dia 25 de setembro.

Damon e Rebekah me encararam.

- É uma semana a menos — ele disse se contendo.

- Eu sei.

- É mais trabalho, Elena.

- Eu sei — repeti.

- Então porque? — Damon perguntou deixando a raiva fluir.

Encolhi os ombros e sussurrei:

- Meus pais se conheceram nesse dia.

Toda sua raiva sumiu e ele me olhou com simpatia.

- Desculpe — sussurrou, então se virou para Rebekah, — Vai ser dia 25 de setembro.

- Eu acho que vocês deveriam ir embora e voltarem apenas no dia do casamento — Rebekah disse para mim.

Ok, se eu não odiava ela antes, passei a odiar agora.

Abri a boca pra mandá-la para aquele lugar mas Damon falou primeiro:

- É como eu quero, Rebekah, não discuta.

Encarei ele com o queixo caído. Ela fez o mesmo.

"Toma vadia!"

E pela primeira vez eu concordei com o que minha consciencia disse.

Ela abria e fechava a boca como um peixe, então enfim suspirou, desistindo.

- Ok — ela disse, — como quiser.

Então se levantou.

- Venha, Elena. Vou lhe mostrar alguns catálagos de vestidos de noiva.

Levantei e Damon fez o mesmo, mas Rebekah balançou a cabeça para ele.- Fique aqui, teremos uma conversa de garotas, certo, querida? Dei de ombros e lancei um sorriso de desculpas para Damon.

Então a segui até as escadas, ela ficou em silêncio todo o caminho e andava rápido, tive que correr para acompanhá-la.

Ela estava aprontando alguma coisa, e eu não confiava nela, mas o que eu poderia fazer?

Subimos as escadas e ela me levou até um grande quarto. Ele era grande, bonito e se parecia muito com aqueles quartos de princesas de filmes da Disney.

- O que você achou?

- É bonito — respondi.

Ela sorriu satisfeita, foi até um canto e jogou algumas revistas para mim.

- Escolha três vestidos e me mostre — ela pediu e havia educação ali.

Rebekah sendo educada comigo. Deus, eu estava em problemas.

Sentei na lateral da cama e começei a folhear as revistas. Alguns vestidos eram extravagantes demais, outros muitos feios e tinha aqueles que simplesmente não se pareciam em nada comigo.

Por fim selecionei os três que achei mais bonitos. O primeiro era rendado e transparente na parte das mangas e nas costas, o segundo tinha um estilo mais vitoriano com pequenas mangas e cintura justa e o último, o que eu mais gostei, era um espartilho com pequenas pedrinhas azuis encrustradas na parte do busto, as mangas caiam levemente sobre os ombros, os deixando a mostra e a saia era simples e continuava o caminho das pedrinhas azuis.

Era o que eu queria.

- Gostei desses três — mostrei para ela, — mas já decidi. Quero o último.

Ela fez uma careta.

- O das pedrinhas azuis — ela zombou, — por que você adora azul, certo?

Olhei para ela, a educação havia ido embora.

- O que ele viu em você? — ela perguntou com raiva.

Não tive que pensar muito para descobrir quem era "ele".

- Não viu você, obviamente — respondi petulante.

Essa miniatura de Barbie-loira-vadia, havia me insultado, me irritado e se esfregado no meu homem. E sim, eu posso dizer "meu homem" porque vou casar com ele, ok? Não leve ao pé da letra.

Isso a deixou com mais raiva.

- Damon não poderia ter escolhido uma noiva mais irritante. E você nem é tão bonita!

- Se gosta tanto dele porque não se casou com ele antes?

- Porque ele não me quis — ela sibilou com raiva.

- Posso imaginar porque. E como é que você sabe? Você tentou?

Ela ficou em silêncio de novo.

Eu suspirei.

- Vejo que tentou. Olha, não quero me envolver nisso — avisei, — nessa sua "coisa" com ele, ok? Mas de uma coisa eu sei: Ele vai casar comigo. Comigo. E não quero que fique dando em cima ou se esfregando nele. Essa sua "coisa com ele" acaba aqui, fui clara?

Ela acenou com a cabeça, assustada com meu tom de voz. Dei as costas a ela e voltei para a sala pelo caminho que eu lembrava.

Achei Damon parado de braços cruzados, esperando.

- Foi rápido — ele comentou.

Eu sorri.

- Olhei algumas revistas e achei o vestido perfeito, espero que você goste.

- Você gostou? — ele perguntou, me surpreendendo.

- Amei.

- Então eu vou gostar.

Sorri. Eu não sabia o que era "isso" que estava acontecendo aqui, mas estava gostando.

- Venha — ele disse com uma mão estendida, — vou te levar para conhecer minha casa. E meu jardim.

Segurei sua mão e decidi que talvez casar com ele não fosse ser tão ruim assim.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Quero que escolham o nome da consciência de nossa querida Elena. Pensem muito, ok? Ficou bom o capítulo? devo continuar? Estão curiosos?