Follow Your Heart
7 Capítulo 6
Olhei para Elena com uma sobrancelha arqueada, fazendo uma pergunta silenciosa.
Ela encolheu os ombros.
- Trauma – disse, — não gosto de falar sobre isso.
Absorvi isso. Ela era linda, nervosinha e tinha bagagem.
- Ok – falei, minha voz mais doce.
Sem piadas sobre carros, anotei mentalmente para o resto da noite.
Que droga, o lugar para onde eu queria leva-la ficava longe demais para irmos a pé.
Chequei meu mapa mental da cidade e me decidi pelo restaurante caseiro que tinha no final do quarteirão. Comida boa e lugar aconchegante. Perfeito.
- Venha – falei, começando a andar.
Ela me acompanhou.
Caminhamos em silencio por um tempo, eu a olhei pelo canto do olho. Elena era muito bonita, mesmo sem maquiagem e com o cabelo preso naquele rabo de cavalo, imagine o quanto deveria ser bela com seus cabelos negros jogados nos ombros, maquiada, de vestido, ou sem nada...
- O que está olhando?
Pego no fraga, e tendo pensamentos indevidos. Que droga.
Suspirei.
- Você também estava me olhando – comentei, claro, era apenas um chute. Eu não sabia de verdade.
Elena corou.
Céus, ela estava realmente me olhando!
Um sorriso convencido preencheu meu rosto.
- Apenas tentando descobrir se você é um psicopata, um maníaco ou sei lá – ela se defendeu.
Eu ri alto.
- “O Psicopata da Floresta” – anunciei, – ele mata jovens bonitas e joga seus corpos para coelhos carnívoros comerem, ás vezes esquilos cantores ou formigas gigantes. Cuidado, tranquem suas portas!
Ela riu.
- Não quero ser devorada por formigas ou coelhos! – ela brincou, fingindo estar assustada.
- Nenhuma objeção quanto aos esquilos?
Ela deu de ombros e colocou as mãos nos bolsos.
- Nenhuma – respondeu, — até conheço um que se chama Joe. Ele já foi vocalista dos Ramones, sabia?
- Não conheço essa história.
- Quem sabe um dia eu não te conte?
Andamos o resto do caminho em silêncio até chegarmos ao restaurante, então abri a porta para ela.
- Madame – falei.
- Senhor – respondeu, fingindo segurar uma saia imaginária.
Rimos juntos, e eu a levei até a mesa mais reservada que havia ali, no canto escondida, assim teríamos privacidade.
Afastei uma cadeira para Elena.
- Obrigado – ela disse ao se sentar.
Sentei-me em frente a ela.
- Sobre o que quer conversar? – perguntei.
Ela ficou em silêncio por um tempo, pensando.
- Qual sua cor favorita?
Abri um grande sorriso e me segurei para não rir. Elena obviamente não era de sair em encontros.
- Preto – respondi, — e a sua?
Elena me olhou então disse sem pensar:
- Azul.
Então corou furiosamente.
- Como os meus olhos? – provoquei maliciosamente.
Ela corou mais. Se é que é possível.
Pelo canto do olho vi que a garçonete que ia atender nossa mesa havia chegado. Elena suspirou aliviada.
- Olá, sou Claire e eu vou... – ela olhou para mim e gaguejou, — vou... é....
- Nos atender? – ajudei.
Ela acenou com a cabeça, corando.
Céus, tem muita mulher corando por minha causa hoje.
- O que vai querer, Elena?
Ela olhou o cardápio.
- Qualquer coisa – falou enfim, olhando para mim.
Fechei o cardápio com um suspiro.
- Quero o prato do dia e o melhor vinho que tiverem.
Claire acenou com a cabeça e sumiu com nossos pedidos.
- Coitada – Elena disse.
- Eu sei – falei, — não conseguiu resistir ao meu charme, por isso ficou toda boba – suspirei. – Mal ela sabe...
- Convencido – Elena disse, — mal ela sabe do que?
Inclinei-me sobre a mesa, aproximando meu rosto do dela até que ela pudesse sentir minha respiração.
- Hoje eu sou só seu – sussurrei.
A respiração de Elena ficou entrecortada e eu sorri satisfeito.
Sentei-me direito enquanto ela se recuperava
Elena pigarreou.
- Não deveria fazer isso – finalmente disse.
- Isso o que?
- Seduzir, manipular, usar as pessoas. É errado.
- Prefiro apenas a parte da sedução. O resto só uso quando é necessário.
- É necessário agora?
- Talvez.
- Vai tentar me seduzir?
- Você é seduzível?
- Nem um pouco.
Nós rimos.
- Não sei como fazer isso sem a parte da sedução – falei a verdade.
- E o que estamos fazendo?
- Não sei ao certo. É complicado.
- Explique.
Suspirei e passei a mão no cabelo os bagunçando.
- Posso te contar uma história, Elena?
Ela se jogou na cadeira.
- Vá em frente.
Ótimo, por onde eu começo?
- Bem... Tinha esse homem, ele era rico e tinha dois filhos que odiava. Quando ele morreu escreveu um testamento, dividindo toda sua fortuna entre a esposa, os dois filhos e alguns outros familiares. Só que os filhos só receberiam sua parte da fortuna se o filho mais velho, o mais bonito, se casasse em um mês e o filho mais novo o ajudasse a arranjar uma boa esposa que o amasse.
- Vi esse filme na Sessão da Tarde – Elena disse.
Eu ri.
- É, meu pai não era muito criativo.
Ela congelou.
- É sério?
Assenti.
- Oh. Meu. Deus. Está brincando comigo?
Neguei.
- Bem que eu queria.
- E o que eu tenho a ver com isso – Elena perguntou.
- Esperava que aceitasse ser minha esposa.
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