Notas iniciais
Desculpem a demora, fui raptada pela minha avó, passei a semana inteira em uma fazenda longe da internet.

Minha mandíbula nesse momento provavelmente estava no chão.

Ele queria que eu me casasse com ele.

Pior: Ele queria que eu me casasse com ele para poder receber sua herança. Ele e seu irmão, se sua pequena história estivesse correta.

Qual era o problema do pai dele? Qual era o problema dele?E finalmente, a pergunta mais importante:

- Porque eu?

Damon Salvatore abriu a boca e a fechou para depois abrir novamente. Repetiu isso três vezes

Suspirei.

- Nem você sabe não é?

Ele negou com a cabeça.

- Eu tenho apenas um mês. Não posso ser exigente. Não tenho tempo para escolher a mulher perfeita, e, além disso... – ele se inclinou novamente sobre a mesa – por algum motivo, eu quero você.

Ele me quer. Ninguém nunca me disse essas palavras antes, e apesar de ele não as dizer pelo motivo correto, essas palavras aqueceram tudo o que havia dentro de mim.

- É um capricho, Sr. Salvatore? – perguntei – Porque eu o odiaria se fosse.

- Não é um capricho. Quero você. É simples.

Balancei a cabeça exasperada.

- Não tem nada de simples nisso.

Ele assentiu pensativo.

- Eu sei, e sinto muito por isso, Elena, mas preciso de você.

Ok, se ele queria que eu pensasse racionalmente, ele teria que parar de dizer coisas como "Quero você" ou "Preciso de você".

Alguém pigarreou ao nosso lado, olhei para cima e vi que era Claire, a garçonete, como as taças e o vinho.

Respirei aliviada pela interrupção.

Eu ainda não tinha idade legal para ingerir bebidas alcoólicas. Mas quem liga? Fui pedida em casamento, preciso beber.

- E se eu disser não? – perguntei quando Claire saiu novamente.

- Bom — ele disse, — então nesse caso eu teria que convencê-la. Afinal, como eu já disse antes: Não tenho mais tempo, Elena.

O som do meu nome em sua boca fez eu perder a linha do raciocínio por alguns segundos. Balancei a cabeça para colocar meus pensamentos em ordem.

- Convencer-me – repeti. – Como?

Ele sorriu de lado.

- Manipulação, sedução, essas coisas.

Apoiei meus cotovelos na mesa e meu rosto em minhas mãos e respirei fundo.

Como eu ia fugir dele?

“Por que quer fugir dele?” minha consciência perguntou dengosa.

Oh Deus, minha própria consciência contra mim, sucumbindo aos olhos azuis.

Eu não podia fazer isso, tinha meus próprios problemas para resolver. E eles já eram muitos.

“E você também tem que salvar o Jeremy”, consciência se intrometeu.

Levantei minha cabeça rapidamente. Jeremy. O tratamento. 200 mil dólares.Merda!

- O que eu ganho se disser sim? — perguntei.

Ele deu de ombros.

- O que você quer? Uma mansão? Um milhão de dólares? Um carro?

Encolhi-me visivelmente.

- Ok — ele disse, — sem falar em carros. Desculpe.

- Tudo bem — sussurrei.

- Posso pagar suas dívidas — ele disse sério, — os 200 mil dólares. E mais. Apenas case comigo.

Havia emoção em sua voz quando disse "Case comigo". Quase parecia com um pedido verdadeiro, aqueles que vemos em filmes e gritamos: "Diga que aceita, sua idiota!"

Levantei antes que eu pudesse me arrepender.

- Tenho que ir.

Damon se assustou.

- Como assim, “ir”? Nem comemos.

Ri sem humor.

- Duvido que qualquer coisa que eu coma permaneça em meu estômago.

- Fiz algo errado? — Damon perguntou confuso.

Neguei.

- Não fez nada de errado, eu apenas não quero me sentir como uma mercadoria em leilão, Damon. E é assim que eu me sinto agora.

- Não quero que se sinta assim.

- Eu sei — falei, apesar de não saber, — e juro que vou pensar, apenas preciso de um dia.

- Um dia? – repetiu.

- Sim. Um dia para colocar meus pensamentos em ordem. Um dia para tomar essa decisão que provavelmente mudará minha vida. Um dia. Só um dia.

- Um dia, então – concordou.

Sai dali correndo.

Céus, era como se eu tivesse acabado de ganhar na loteria com um bilhete roubado. Errado, mas incrivelmente... Uau.

- ELE O QUE? — Car gritou quando terminei de contar meu estranho encontro a ela.

- Car, fale mais baixo — sibilei, estávamos em casa, na sala, mas mesmo assim, quer dizer, tinhamos vizinhos.

- E você disse não — Car adivinhou. — Certo?

Encolhi-me envergonhada e desviei o rosto.

- VOCÊ DISSE SIM?! — Caroline berrou.

Segurei levemente a junção entre minha orelha e minha mandíbula.

Céus, um dia ela me deixaria surda.

Neguei com a cabeça, como quem diz: "É obvio que não, estúpida!".

- Então o que você disse?

Dei de ombros.

- Pedi um dia para pensar.

Ela me encarou horrorizada.

- Pensar, Elena? Pensar! Céus, bateram sua cabeça em uma pedra, só pode.

A encarei da mesma forma que ela me encarava.

- O que tem de tão ruim nisso? — falei na defensiva.

- Bom, deixe-me pensar — ela disse, — em primeiro lugar: Você precisa viver, Elena. Passou os últimos três anos como uma escrava, trabalhando, pagando contas e milhares de tratamentos. Que aliás, você nem podia pagar. O que aconteceu com seus pais e Jeremy, isso foi uma fatalidade, um acidente. Pare de se culpar, eu sei que você tem que ajudar o Jeremy, mas que diabos, Elena, viva um pouco! Se você casar não poderá viver o que precisa.

Encolhi-me novamente, "uma fatalidade, um acidente". Bem que eu queria, mas eu sabia a verdade.

- E em segundo? — estimulei sem humor.

- Bem o segundo é que você nunca namorou, Elena. Não pode se casar se ainda nem beijou ou fez sexo com um homem. O que nos traz ao "primeiro lugar": Viver.

Meu queixo caiu, e preciso dizer que estava vermelha como um pimentão.

- Como assim nunca namorei, Caroline? E o Matt? Ele foi o que?

Ela revirou os olhos.

- O cara que namorou quando tinha 13 anos? Oh, por Deus, Elena, duvido muito que ele tenha chegado a enfiar a lingua na sua boca.

Voltei a ficar vermelha, na verdade ele tinha sim, uma vez, e tinha sido horrivel, mas eu não daria esse gostinho a ela.

- E em terceiro?

Ela ficou muda por alguns segundos pensando. Depois deu de ombros.

- Eu só tinha dois.

- Então o pedido de casamento é errado e eu não devo aceitar, porque de acordo com você, eu não "vivi o suficiente", é isso?

Ela acentiu com a cabeça, concordando.

- Não me convenceu, mas obrigado por tentar.

Ela abriu a boca para reclamar, mas na mesma hora alguém bateu na porta.

Levantei feliz, porque a pessoa na porta, quem quer que fosse, tinha me salvado de uma grande e exaustiva discução que eu realmente gostaria de evitar hoje.

- Se for o Tyler — Car gritou atrás de mim, — diga que eu sai!

Revirei os olhos, Car e os namoros conturbados dela.

Preparei todo um discurso vencedor na ponta da lingua, mas quando abri a porta não era Tyler, era o loiro bonito do restaurante.

O loiro que estava com Damon.

- Olá, Elena — ele cumprimentou. — Será que podemos conversar um pouco?

Encostei na lateral da porta, cruzei os braços e o encarei.

- Estamos em desvantagem — falei, — por que não sei seu nome.

- Stefan — ele disse, — Stefan Salvatore.

- O irmão.

Ele riu.

- Sim, o irmão.

- O que você quer?

Ele encolheu os ombros, parecendo desconfortável.

- Conversar, já disse. Por favor, é importante.

Suspirei, mas abri mais a porta e fiz um sinal com a mão para que entrasse na casa.

- Obrigado, Elena.

O levei até a sala, onde tinha uma Caroline muito carrancuda. Ela olhou Stefan de cima a baixo, depois murmurou algo como uma aprovação.

- Não é ele, é? — ela perguntou — Por que você disse que ele era moreno e tinha grandes olhos azuis. Não estou reclamando, esse também é um gato.

Stefan sorriu.

Eu fiquei vermelha.

Que droga, será que Caroline não tinha nenhum filtro no cérebro? Acho que não.

- Esse é Stefan Salvatore, o irmão — apresentei, — e esta é Caroline, a que tem mais lingua do que cérebro.

Ela me olhou, fingindo estar magoada, em seguida riu e se levantou.

- Está ficando divertida, Elena, continue assim — Car aprovou. — Agora vou te deixar com o irmão gostoso, com licença.

E em seguida saiu da sala.

"O irmão gostoso?" minha consciencia se manisfestou "Espere até ver o outro, querida"

Sentei-me e Stefan fez o mesmo.

Ele franziu levemente os lábios, e eu percebi o quão disconfortável estava, eu deveria lhe oferecer café?

- Acho que já sabe porque estou aqui — Stefan disse.

Ok, sem café então.

- O casamento — falei.

Ele acentiu.

- Pode parecer ridiculo, mas por algum motivo, Damon escolheu você. E eu tenho que ajudá-lo com isso.

- Perdão — eu disse, — mas ainda considero isso de "ele escolheu você" — imitei a voz dele — como um capricho de seu irmão. E ainda não tenho certeza se quero fazer parte.

Ele acenou, ponderando o que eu disse, mas estava sorrindo.

- Entendo, mas não posso garantir a você que não seja um capricho dele. Damon costuma conseguir as mulheres que ele quer. Ele quer você e ele gosta das morenas.

- Ele comentou algo do tipo — falei, as pontas dos meus lábios se erguendo.

Stefan sorriu mais, e então ficou sério novamente, como se estivisse lembrando de algo importante.

- Vai aceitar?

Oh, isso que era o "algo importante".

Não precisei perguntar o que, pois eu já sabia.

- Não sei — respondi sinceramente.

- E porque isso soa como um "provavelmente não"?

Eu sorri, céus, ele era bom.

- Por que é um "provavelmente não".

Ele suspirou, em seguida sorriu de novo e se sentou mais perto de mim.

- Vim, na verdade, lhe dizer porque deve dizer "sim".

Eu sorri também.

- Estou anciosa para ouvir — disparei.

- Bom — ele começou, — tenho 5 bons motivos para o "sim".

Ótimo, mais números. Ele provavelmete também pararia no segundo.

- Primeiro? — incitei, lhe dando uma chance.

- Damon sempre teve dinheiro. Ele não sabe fazer outra coisa além de mandar e administrar. Você imagina ele tendo um emprego comum?

Parei para pensar um pouco, mas na verdade nenhuma imagem veio a minha mente.

Balançei a cabeça.

Stefan riu.

- É, eu também não.

- Não é um motivo bom o suficiente, Sr. Salvatore. Mas lhe darei outra chance, segundo?

- Faculdade.

- Explique — pedi.

- Eu quero fazer faculdade, de medicina, mas, obviamente, preciso de dinheiro para pagar. E se você casar com meu irmão, receberei minha parte da herança também.

- Os motivos estão melhorando, só que vocês ainda podem trabalhar, como pessoas normais fazem — falei, então pensei no que eu havia dito sobre Damon. — Bem, você pode — me corrigi. — Motivo três?

Ele parou um pouco, atordoado com o que eu disse sobre emprego.

Mas Stefan eu podia imaginar trabalhando, esse era o problema.

- Damon odiava nosso pai, e nosso pai o odiava. E eu sei que Damon nunca vai admitir, mas se ele não conseguir isso, a herança e todo o resto, será mais um tapa na cara dele, mais uma vez ele fracassando em algo relacionado a Giujeppe Salvatore. Não quero testemunhar isso, Elena, por que Damon é brilhante em qualquer coisa que ele faça, apesar de tudo que meu pai disse e fez a ele. Quero que você se case com meu irmão, para que meu irmão possa provar que pode fazer qualquer coisa, provar para ele mesmo.

- É um motivo forte — consegui sussurrar.

Quem diria, o cara lindo, sedutor e engraçado que estava comigo essa tarde, carrega uma enorme bagagem emocional.

- O que quer dizer com: "Damon é brihante em qualquer coisa que ele faça"? — peguntei curiosa, pois queria saber mais sobre meu "quase" futuro marido.

Stefan se ajeitou no sofá empolgado. Eu conhecia aquela empolgação: Ele ia me contar uma história.

Deus, por favor, que não seja demorada.

"Calada, o cara gato no seu sofá quer falar" minha consciencia disse com raiva.

Querida, se decide, ou se derrete pelo moreno ou pelo loiro. Porque pelos dois meu cérebro não aguenta.

"Ok, pelo moreno então. Os olhos azuis me seduziram"

Suspirei internamente e me preparei para ouvir a história.

- Uma vez meu pai comprou um avião de controle remoto pra mim. Era o meu primeiro e eu fiquei muito empolgado. Então fui feliz pelos próximos dois dias que o avião durou, depois Damon o quebrou.

- Por que?

- Ele havia brigado com nosso pai e estava cego de raiva. Eu fiquei chateado em ver meu avião novo quebrado no chão, mas quando eu ia chorar olhei para Damon. Pingava sangue do nariz e da boca dele. Eu tinha cerca de 7 anos e Damon já estava na faixa dos 13. Meu irmão mais velho estava machucado, mas eu era pequeno demais para ajudar.

- Seu pai bateu no Damon? — repeti horrorizada — Mas porque?

Stefan encolheu os ombros.

- Eu nunca soube.

- Continue a história — pedi.

Stefan acentiu com a cabeça, sorrindo.

- No outro dia, Damon estava todo machucado, acho que tinha fraturado as costelas ou algo assim, não me lembro direito, mas o que importa é que, mesmo com a cara inchada e as costelas fraturadas Damon foi até meu quarto, desmontou três dos carrinhos que eu nunca usava e montou o maior avião de controle remoto que eu já tinha visto. Em menos de três dias o avião estava pronto e o controle na minha mão. Meu pai ficou furioso, é claro, e disse que Damon provavelmente tinha recebido ajuda e que ele era muito burro para fazer aquilo sozinho. Mas eu sabia, o meu irmão era o melhor do mundo.

Eu sorri, meu peito se encheu de orgulho. Damon não era meu, eu o conhecia a apenas dois dias, e mesmo assim eu estava orgulhosa dele.

Viu o que aqueles olhos azuis podem fazer? Deus, que estrago.

- Que pai horrível — comentei.

- O ensinou a ser quem ele é hoje.

Assenti com a cabeça, eu entendia.

- Motivo quatro? — lembrei, mudando de assunto.

- Você precisa do dinheiro. Precisa de motivo mais simples que esse?

- Não tem um quinto motivo, não é? — adivinhei.

Stefan riu.

- Garota esperta. Talvez Damon tenha acertado dessa vez.

- Ele não costuma acertar com as garotas?

- De acordo com ele 20 entre 10 mulheres com quem dormiu querem matá-lo.

Eu ri, céus, tomara que ele estivesse brincando ao dizer isso.

- Seu quarto motivo não é uma surpresa, deveria ter ficado apenas com os três primeiros

.- Mas você precisa do dinheiro, certo?

- Nem imagina o quanto.

- Por que eu acho que tem uma história trágica por detrás disso?

- Porque tem.

- Conte-me.

- Não — falei, e para firmar minha decisão levantei do sofá.

- Aceita alguma coisa? Água, chá, café....

- Café — ele disse hesitante.

Era uma boa hora para um café.

- Café então.

Virei-me e fui para a cozinha. Stefan me seguiu.

- Eu te contei a história do avião — disse atrás de mim.

Eu ri por um momento.

- Chantagem emocional, Sr. Salvatore? Sério?

- Conte-me — repetiu, — por favor.

Cheguei na pia e preparei a cafeteira.

Respirei fundo.

Ok, se ele queria saber:

- Três anos atrás meus pais morreram em um acidente de carro — falei, — tudo o que me deixaram foi minha tia Jenna e dívidas que não acabam mais. Jenna morreu em um assalto a mão armada no ano passado, poucos dias depois de eu atingir a maior-idade. Então, tudo o que tenho são as contas e dívidas.

Ótimo, isso me pareceu um bom resumo.

Omiti as partes que achei necessário, claro, como Jeremy, os inúmeros tratamentos, a causa do acidente de carro e o que Jenna fazia na rua quando foi morta. Mas disso nem ele, nem ninguém precisava saber.

Nem mesmo Caroline sabia de tudo.

A boca dele abriu, formando um "O" e ele ficou calado.

O café ficou pronto.

Dei uma chícara a Stefan que murmurou algo em agradecimento.

- Diga a seu irmão que eu aceito — sussurrei sem querer ouvir palavras de pena.

Falei isso antes de conseguir me conter. Céus, agora que eu tinha falado do acidente, percebi o quanto eu precisava do dinheiro. Jeremy não podia morrer, eu não iria deixar.

E além disso, casar com Damon não poderia ser tão ruim, ou poderia?

Notas finais
Espero que tenham gostado! Ficou grande?