Follow Your Heart
36 Capítulo 33
Notas iniciais
- Isobel Flemming — o policial Martin cumprimentou a mulher na nossa frente. — Vejo que recebeu meu recado.
Isobel — ou minha mãe, como queira chamá-la, — sorriu para o policial e apertou sua mão.
- Você disse que Elena poderia estar correndo perigo, então peguei o primeiro avião e vim tentar ajudar — seu olhar então caiu sobre mim e meu pescoço. — Ela parece muito bem para mim, Jonas.
Eu ri, com escárnio, fazendo com que todos que estavam ali me encarassem.
- Pode pegar outro avião e ir embora daqui agora, Isobel - falei, — só que desta vez, pegue um que te leve direto para o inferno.
Então eu arranquei minhas mãos das de Damon, levantei e sai dali, me sentindo estranhamente sufocada.
O ar chegava aos meus pulmões com certa dificuldade, fazendo com que eu me jogasse no sofá, procurando desesperadamente por ar.
Ela estava ali. Depois de 12 anos, minha mãe havia voltado...
Um ódio sufocante tomou conta de meu corpo, tornando ainda maior minha dificuldade de respirar. Ouvi passos atrás de mim e estava prestes a mandar a pessoa, quem quer que fosse, embora, quando ela me trouxe para seus braços, me surpreendendo com um abraço apertado.
Meus olhos ficaram úmidos e eu afundei meu rosto no pescoço da pessoa, sentindo o cheiro maravilhoso e inconfundível de Damon, que agora provavelmente estava impregnado também em minha pele.
- Eu... — comecei a me explicar, mas o ar me faltou, fazendo com que eu ofegasse em desespero.
- Shhh — Damon disse calmamente, — respire devagar.
Respirei profundamente, prendendo o ar por alguns segundos antes de soltá-lo. Repeti isso até sentir que havia ar o suficiente chegando aos meus pulmões.
Agarrei-me firmemente a Damon, meus olhos úmidos com lágrimas que eu me negava a derramar.
- Desculpa — sussurrei em seu ombro.
Damon riu levemente, então olhou de relance para meu rosto.
- Porque está se desculpando? — perguntou de forma divertida — Pelo policial na nossa cozinha, pela mulher que diz ser sua mãe ou pelo fato de que você está super sexy nas minhas roupas e eu não posso sequer te beijar?
Eu ri também, levantando meu rosto e roçando meus lábios nos dele.
- Você não quer apenas me beijar — acusei.
Ele riu mais alto, me apertando mais em seus braços.
- Não sabia que podia ler mentes.
- Só a sua — provoquei.
Sua boca foi até minha bochecha, roçando seus lábios em minha mandíbula e fazendo com que minha pele se arrepiasse.
Eu não sabia como ele conseguia isso... Fazer-me esquecer tão facilmente de algo que estava sob o mesmo teto que eu.
Deixei-me amolecer nos braços Damon, tornando suas carícias a única coisa no qual eu desejava me concentrar naquele momento.
- Achei que sua mãe se chamasse Miranda — ele disse suavemente perto do meu ouvido, procurando por respostas e arruinando minha paz recém-adquirida.
Suspirei audivelmente, me afastando apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos.
- Minha mãe se chamava Miranda — insisti firmemente, — Isobel é apenas a mulher que me trouxe ao mundo. Quem me deu a luz.
Damon franziu o cenho, pude perceber vestígios de pena brilhando em seus olhos enquanto ele ponderava a melhor forma de me interrogar.
- Isobel Flemming é sua mãe biológica — concluiu. — E ela... Foi embora? — perguntou de forma estranha, como se estivesse apenas deduzindo.
Abaixei meus olhos e sorri de seu esforço, apesar de não querer realmente falar sobre aquilo.
- Acertou — respondi secamente.
As mãos de Damon foram até meu rosto, fazendo com que eu olhasse novamente para cima. Seus olhos encontraram os meus e a vontade de chorar voltou com força total.
- Eu posso mandá-los embora — ofereceu de forma solidária, — você não precisa lidar com tudo isso hoje... Também não precisa me contar nada. Será da forma que você decidir.
Mordi os lábios nervosamente. Seria maravilhoso simplesmente mandar todos meus problemas embora e simplesmente passar o dia na cama com Damon... Mas eu sabia melhor do que ninguém, que evitar os problemas não os faz desaparecer.
- Se eu os mandar embora hoje — decidi, — eles vão simplesmente voltar amanhã... — levantei do sofá e sorri para ele — Vamos acabar logo com isso.
Caminhei novamente para a cozinha, com Damon no meu encalço. Eu não fazia a menor ideia do que iria dizer para Isobel, mas eu sabia que não a deixaria estragar minha vida novamente.
Ao entrar na cozinha observei ela sussurrar algo para o policial Martin, que parecia irritado e se mexia bastante.
Limpei a garganta, deixando claro minha presença naquele local. Damon permaneceu o tempo todo em silêncio, observando o desenrolar da cena na sua frente.
- Em primeiro lugar — falo com a voz firme para os dois na minha frente, — essa casa não é de vocês, então da próxima vez que decidirem vir fazer visitas desagradáveis... Avisem — Isobel me olha de forma estranha, enquanto o policial parece realmente colocar crédito em minhas palavras. — E em segundo lugar — continuo, dessa vez virando meu corpo para a mulher que me trouxe ao mundo, — você não é bem-vinda. Nem nessa casa e nem na minha vida. Então apenas diga o que veio dizer e vá embora.
Por um momento imaginei ter visto algo como dor brilhar em seus olhos castanhos, mas foi tão rápido que logo descartei essa ideia.
- Me desculpe — ela sussurrou.
Fúria me atingiu, fazendo com que eu cruzasse os braços para não feri-la fisicamente.
- Como é? — insisti, talvez eu não tivesse ouvido direito.
- Eu sinto muito, Elena — repetiu, sua voz mais firme desta vez.
Um sorriso macabro tomou conta de meus lábios.
- Pelo o que exatamente? — perguntei.
- Por tudo — disse. — Eu não deveria ter deixado vocês, mas eu tive meus motivos e...
Meu sorriso desapareceu. Descruzei meus braços e cerrei os punhos do lado do meu corpo.
- Motivos! — repeti, perdendo completamente a calma — Por favor, Isobel, não me irrite mais. Você realmente quer que eu acredite que veio se desculpar? Depois de doze anos?
Seu olhar vacilou.
- Não vim apenas me desculpar — disse, — eu queria me redimir...
Ok, essa foi a gota d’água.
- Vá embora — mandei.
Ela me olhou assustada.
- O que?
- Você me ouviu — falei o mais firme possível. — Vá embora. Não quero ouvir suas desculpas.
Um longo silêncio se instalou naquele cômodo, enquanto esperávamos alguém fazer qualquer movimento.
Jonas Martin se levantou, trazendo toda a atenção sobre ele.
- Vou embora — avisou, — tenho um mistério para resolver e um assassino para prender. Se me dão licença...
Então ele saiu. Ninguém se importou em tentar levá-lo até a porta, porque obviamente, se ele havia chegado até aqui, ele sabia o caminho de volta para fora.
Meu olhar voltou novamente para Isobel.
- Sua vez de ir — anunciei.
Ela se levantou, se aproximando de mim.
- Elena... — tentou me acalmar. Era a mesma voz que usava quando eu fazia birra aos cinco anos, o que só serviu para me irritar mais.
- VAI EMBORA! — berrei, explodindo — Você foi antes, porque não vai de novo? — ela se encolheu, como se minhas palavras a ferissem. Ótimo, porque eu estava apenas começando — Doze anos atrás você me prometeu que iria voltar... Sabe quantas noites te esperei acordada? Sabe quantas vezes tive que ouvir Jeremy me perguntando “Quando a mamãe vai voltar?” e eu tinha que responder “Logo” porque eu não sabia? Eu chorei por você, noite após noite e de dia eu tinha que ser forte, pelo papai e pelo meu irmãozinho de apenas cinco anos. Você arruinou minha infância. Destruiu os sonhos de uma garotinha de sete anos, fazendo com que eu descobrisse o ódio cedo demais. Eu odeio você, então, por favor... Vá embora. Agora!
E ela foi. Isobel saiu correndo da minha frente, como se eu pudesse espancá-la a qualquer minuto... E eu realmente estava perto disso.
Quando ouvi a porta da frente se fechando, eu desabei. Meus joelhos tremeram e minhas pernas fraquejaram, enquanto me desfaleci, ajoelhada no chão. Senti os braços de Damon me rodeando e ele dizendo que ia ficar tudo bem...
As lágrimas embaçaram meus olhos e eu estava cansada demais para desmentir o que ele dizia...
Porque, se tinha uma coisa de que eu tinha certeza, era de que nada iria ficar bem.
Notas finais
Quero agradecer as lindas, maravilhosas e divas que recomendaram, favoritaram e comentaram minha fic, não sei o que seria de Follow Your Heart se não fosse vcs!
(Relaxem, parece que eu estou me despedindo da fic, mas não é isso. Só sou dramática mesmo. A fic ta longe de acabar)
E desculpa pelos comentários que ainda não foram respondidos. prometo responder tudo... Um dia. kkkkk bjss da sua retardada favorita: Eu
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