Notas iniciais
Bom/boa dia/tarde/noite pra vocês.
Então, um aviso rapidinho: A história tá ficando maior do que eu achava que ia ficar, já tem 28 capítulos contando o prólogo e o bônus. E isso pq a fic não tá nem na metade ainda!
Então eu tava pensando em acabar essa aqui com uns 35 ou 40 capítulos, para deixá-los curiosos e começar a próxima temporada umas semanas depois, e ai?
Me digam o que acham, ok?
Espero que gostem do capítulo, eu o escrevi com muito carinho.

- Sua roupa.

- O que tem ela? — perguntei desconfiada.

Ele pareceu um pouco envergonhado.

- Não posso te colocar dentro da banheira se ainda estiver vestida.

Apenas não desferi um soco no rosto de Damon neste momento porque ele estava muito longe para que eu pudesse alcançá-lo.

- Você não precisa me colocar dentro da banheira — disse firmemente.

Ele bufou.

- E como pretende chegar até lá?

Encolhi os ombros.

- Em um pé só — falei como se fosse óbvio.

Damon riu, claramente divertido.

- Isso se não cair na cerâmica do chão — zombou, — é claro.

Fiquei mais irritada, porém sabia que o que ele dizia fazia total sentido, eu ainda estava molhada da chuva e descalça, então qualquer tentativa de ir até a banheira resultaria em possíveis fraturas ou um pé torcido.

- Deixe-me ao lado dela — mandei, — depois é só eu saltar para dentro da água.

Damon pareceu querer discutir, mas fechou a boca e pegou-me novamente em seu colo.

Ele me deixou onde eu pedi e colocou a roupa seca em cima do suporte ao lado da banheira, então esperei no chão frio enquanto Damon trazia uma toalha.

- Meu quarto é na frente do seu — avisou, — se precisar de ajuda é só gritar.

Assenti, então, antes mesmo dele sair de perto de mim, tentei abrir meu vestido, mas era difícil com a cerâmica fria contra os nós dos meus dedos.

- Abre o fecho do meu vestido? — pedi sem pensar,

Damon me olhou estranho, mas ergueu minhas costas e tateou até conseguir abrir alguns centímetros.

- Acho que está emperrado — reclamou tentando com mais força.

Ambos ouvimos o barulho do tecido rasgando, antes do pano literalmente se partir e me deixar parcialmente exposta da cintura para cima.

- Você rasgou meu vestido novo! — gritei, erguendo-me até estar um pouco sentada.

O movimento fez meu pé bater diretamente contra a lateral da banheira, levando um gemido de dor até a minha garganta.

- Vou consertar — Damon garantiu engolindo em seco.

Olhei para seu rosto, mas ele estava olhando para baixo, exatamente para meus seios, cobertos apenas pelo sutiã preto rendado.

Voltei a me deitar rapidamente e coloquei meu braço sobre meus seios para que ele parasse de encarar.

- Vai tomar banho — mandei.

Ele assentiu.

- Um banho gelado — sussurrou, mais para si mesmo.

Evitei olhar para aquele ponto abaixo de sua cintura, pois eu sabia exatamente o que encontraria.

Damon saiu, mas deixou a porta do banheiro parcialmente aberta para que pudesse ouvir caso eu o chamasse.

Esperei ele sumir e empenhei-me na tarefa de me despir totalmente.

Eu estava com tanta vergonha de mim mesma.

Afinal eu era Elena Gilbert, a garota que já havia quebrado inúmeros ossos, e aqui estava eu, choramingando por causa de um simples corte no pé.

"Pelo menos tem um deus grego cuidando de você".

Achei que tivesse me largado, já ia fazer uma festa.

"Sei que sentiu minha falta".

Vai sonhando.

Sentei completamente, tentando manter meu corte o mais longe possível do chão. Estendi as mãos e apoiei-me na lateral da banheira antes de me erguer o bastante para saltar dentro da água.

A banheira rangeu... Eu caí para trás.

Meu pé bateu diretamente no chão e eu voltei a choramingar.

Inferno... Porque estava doendo tanto?

Sentei-me novamente e olhei pela primeira vez para a sola do meu pé.

Ah. Meu. Deus.

Tinha vidro ali. Vários cacos de vidro incrustados na sola do meu pé, envoltos em sangue seco.

Gemi alto.

Então tomei coragem para começar a remover os vestígios de vidro, um por um.

Doía como o inferno.

Mais ou menos vinte minutos depois, percebi que não iria adiantar de nada o que eu estava fazendo, porque retirar todo aquele vrido só estava fazendo com que eu sangrasse mais.

E eu estava tão suja.

Ergui-me novamente, tomando cuidado para não enfiar os joelhos nos cacos no chão e, em um impulso muito ninja, consegui me colocar dentro da água.

Estremeci com o prazer de sentir a água quente e os sais de banho envolvendo meu corpo, brinquei com as bolhas e soprei algumas para longe.

Encostei-me na lateral e fechei os olhos, saboreando aquele breve momento de paz.

Limpei meu corpo devagar, nunca mais querendo sair dali, então lembrei de meu pé, que eu mantive covardemente longe da água, e o mergulhei lentamente, prolongando o processo.

Retirei toda a sujeira e observei o sangue se misturando com a água e o sabão.

Eca.

Okay, hora de sair.

Tateei pelo fundo da banheira até achar a corrente do ralo, em seguida o puxei e esperei pacientemente até que toda a água secou abaixo de mim.

Estiquei a mão e peguei a toalha, percebendo o quanto era difícil me secar e rodeá-la em meu corpo.

- Damon! — gritei de forma que poderia ser considerada baixo, esperando que ele ouvisse.

Em menos de cinco minutos ele estava adentrando o banheiro.

Vestia uma camiseta preta, calça de pijama e estava descalço. Também pingava água de seu cabelo escuro.

"Absolutamente lindo".

Quieta.

- Tudo bem? — ele perguntou, obviamente preocupado.

Peguei a muda de roupas ao meu lado e as coloquei em meu colo.

- Pode me ajudar a chegar ao quarto? — pedi — É difícil me vestir dentro dessa banheira.

Damon me lançou um perfeito meio sorriso, então bateu continência e colocou-me novamente em seu colo.

Eu ainda estava rindo quando ele me colocou sentada em minha cama.

- Mais alguma coisa, madame? — perguntou imitando perfeitamente um carregador de hotel.

- Posso me virar — garanti sorrindo para ele.

Damon bateu continência novamente e saiu do quarto, deixando a porta entreaberta como havia feito no banheiro.

Vesti minha roupa facilmente, começando pela camiseta, então calcinha e short, sempre tendo o cuidado para não acabar piorando o caso do meu pé.

Antes de me levantar, lembrei do que Damon havia dito sobre a camiseta e levei a mesma até meu nariz.

Realmente havia o cheiro dele ali, gemi involuntariamente, era um odor puro, sem chuva ou suor para atrapalhar.

"Você está parecendo uma louca".

Soltei imediatamente a gola da camisa, percebendo que era verdade.

Céus, o que havia de errado comigo hoje?

Levantei e saltitei em um pé só até o criado mudo, então até a porta, apoiando-me antes de continuar saltando pelo corredor.

Era um milagre eu ainda não ter caído.

A porta do quarto de Damon estava aberta e passei facilmente por ela.

- O que pensa que está fazendo? — Damon brigou, saltando da cama onde estava sentado e vindo em minha direção.

Levei um susto com ele e acabei me desequilibrando.

Damon pegou-me antes que eu caísse de cara no chão, mas não conseguiu evitar que eu raspasse meu pé contra o carpete.

- Inferno — gemi com a dor.

- Ficou maluca? — Damon perguntou, sem se importar em esconder a irritação em sua voz.

Levantei meus olhos e o encarei.

- Tem vidro no meu pé — anunciei do nada.

Ele piscou algumas vezes.

- O quê?

- Tem cacos de vidro incrustados na sola do meu pé — esclareci.

Ele me colocou em seu colo e me levou até sua cama, sentando-me na ponta da mesma.

Damon pegou meu pé.

- Que merda — praguejou ao ver o estado em que ele se encontrava. — Fique quieta. — disse...

E saiu do quarto.

Resmunguei alguma coisa, então me empenhei em observar aquele lugar.

O quarto de Damon Salvatore não era como eu tinha imaginado. Ele era no mínimo interessante, com uma TV de tela plana normal, móveis, cor, uma cama enorme e confortável, alguns quadros realmente bonitos nas paredes e...

Aquilo perto da cama eram livros?

Rolei sobre minha barriga e estiquei o braço, pegando o primeiro livro daquela enorme pilha bagunçada.

E o Vento Levou...

Não podia ser, Damon não parecia do tipo que gastava tempo lendo clássicos... Ou qualquer outra coisa.

Continuei olhando os títulos daqueles livros da pilha.

Jane Eyre, Orgulho e Preconceito, O Morro dos Ventos Uivantes... Também tinha autores como Tolstói, Anne Rice, Shakespeare, Edgar Allan Poe, Júlio Verne...

- Mexendo nas minhas coisas? — Damon perguntou atrás de mim, fazendo eu pular surpresa.

Coloquei os livros no lugar, realmente envergonhada.

- Desculpe — falei.

Ele sorriu então se aproximou de mim, trazendo uma pequena caixa de primeiros socorros na mão.

- Não tem problema — disse puxando-me pelos tornozelos, até que eu estivesse cara a cara com ele novamente. — O que é meu é seu — comentou perto do meu rosto.

Eu apenas sorri e perguntei:

- Já leu todos eles?

- Já — respondeu como se não fosse nada demais e então se sentou na minha frente. — Ficou bonita com a minha camiseta — disse enquanto abria a caixa que havia trazido.

Corei um pouco, mas ele não estava mais olhando para meu rosto.

Damon separou o que ia precisar e começou a cutucar meu pé com uma espécie de pinça.

Acredito que nem preciso dizer o quanto aquilo doía, certo?

Porque doía muito.

- Só lê clássicos? — perguntei querendo desviar minha atenção da dor.

A cada pedacinho de vidro que Damon retirava do meu pé, ele passava um algodão com algo que ardia, acho que para evitar infecções ou algo do gênero.

- Não — respondeu, — leio os modernos também.

Realmente era difícil imaginar Damon lendo um livro.

- Qual seu gênero favorito? — continuei minhas perguntas, curiosa.

Ele sorriu e deu de ombros.

- Terror — disse, — e romance policial, mas também leio os de adolescente para descontrair.

Ri um pouco.

- Crepúsculo? — chutei

Damon assentiu e fingiu uma careta.

- É horrível — comentou.

Percebi que ele estava juntando os cacos de vidro em uma pequena tigela e rezei para que estivesse acabando.

- 50 Tons de Cinza? — continuei.

- Sim — disse, — mas só consegui ler o primeiro livro.

O olhei curiosa.

- Porque?

Damon riu.

- Porque é horrível também.

Ele finalmente parou de cutucar meu pé com a pinça e começou a fazer um curativo.

- O que mais você leu? — perguntei — Percy Jackson? Instrumentos Mortais? A Mediadora?

- Todos esses — respondeu — e eles são melhores que os outros dois.

Encarei ele.

- Está mentindo — acusei, não acreditando que ele tivesse realmente lido todos esses livros.

Damon terminou o curativo e saltou em cima de mim, fazendo com que eu deitasse na cama.

- Estou? — repetiu, então foi até meu ouvido e sussurrou — Hermosa.

Estremeci dos pés a cabeça, reconhecendo a fala que Jesse usava ao se referir a Suzannah em A Mediadora.

- Não está — descobri, minha voz soando estranhamente rouca.

Damon se afastou apenas o suficiente para me olhar nos olhos.

Mordi meus lábios nervosamente e Damon acompanhou o movimento com seus olhos incrivelmente azuis.

- Elena?

- Hm? — murmurei, incapaz de formular uma palavra sequer.

- Eu vou te beijar.

E ele o fez.

POV — Caroline

Tyler era um homem morto.

Eu mesma iria matá-lo.

No meio da festa de noivado da Elena, ele simplesmente me mandou uma mensagem dizendo: "Venha aqui em casa". E eu, a idiota, fiz o que ele pediu.

Chegando na mansão Lockwood descobri que seus pais haviam viajado e que seu primo, o inútil do Bryce, tinha voltado de Nova York e estava agonizando em um dos quartos por causa da surra que havia levado de alguém.

Bem feito para ele.

Então, Tyler levou-me até seu quarto, que estava repleto de velas, pétalas de rosas e coisas desse tipo.

Nós discutimos, eu bati nele e fui embora.

Começou a chover.

E aqui estava eu, ensopada, com meu vestido e sapatos arruinados e tudo por culpa do retardado do meu namorado.

O que diabos deu na cabeça dele para achar que eu iria quer perder minha virgindade justo naquela noite?

E eu nem sabia se seria com ele!

- Precisa de uma carona? — um carro parou ao meu lado, um homem muito bonito e com sotaque britânico olhava-me pela janela entreaberta.

Parei de andar e sorri para ele.

- Obrigada — falei, — mas não moro muito longe daqui.

Mentira, ainda faltava muitos quarteirões para chegar na minha casa, mas o gato na minha frente não precisava saber disso.

- Vamos lá — insistiu, — saia dessa chuva.

Cruzei os braços e fitei seus olhos claros...

Seriam azuis ou verdes?

- Não entro em carros de estranhos — retruquei.

Ele riu um pouco, uma risada rouca e gostosa, então estendeu uma mão para mim.

- Niklaus Mikaelson — apresentou-se, — qual o seu nome?

Um sorriso saltou em meus lábios.

- Caroline Forbes — respondi, ignorando sua mão.

Niklaus recolheu a mesma e olhou-me sem amenizar seu sorriso.

- Agora que nos conhecemos — disse de forma divertida, seu sotaque me deixando desnorteada por alguns segundos, — pode entrar no carro, por favor?

Ri involuntariamente, mas acabei, de alguma forma, rodeando o carro e fazendo o que ele pediu.

Notas finais
Sim, Klaroline, espero que gostem!
E sei o que estão pensando "Caroline é virgem?". Sim ela é! Pelo menos aqui, não é? kkk
Bjs.