Follow Your Heart
24 Capítulo 23
Notas iniciais
Espero que vocês gostem.
Eu estava completamente molhada.
Depois da notícia que aquele policial havia me dado, eu não podia mais ficar naquela festa, ou olhar na cara de ninguém, então eu apenas terminei minha conversa com o Sr. Martin e saí pela porta dos fundos da mansão Salvatore.
Fazia meia hora que eu andava e a menos de dez minutos havia começado a cair uma tempestade diretamente em minha cabeça.
Mas chuva era bom, refletia tudo o que estava desabando dentro de mim.
Olhei para cima e vi o lugar onde eu realmente queria estar: Hospital Central de Mystic Falls...
Eu tinha que ver o Jeremy.
Abri a porta da entrada e todos que estavam na entrada do hospital pararam para me olhar.
Céus, eu deveria estar parecendo um monstro com minha maquiagem escorrendo, meu cabelo despenteado e pingando água por todo o chão.
Meredith, que estava no balcão pegando alguns papéis, me viu e veio em minha direção.
- Elena? — perguntou preocupada — O que faz aqui?
Abri a boca para responder, mas então descobri que eu não conseguia de tantos que meus dentes batiam com o frio. Tentei falar novamente, mas o que saiu foi algo como:
- J-j-jere-re-my.
Ela me olhou com pena e em seguida me cobriu com seu próprio jaleco.
- Quer uma bebida quente? — ela ofereceu.
Neguei com a cabeça e tentei falar de novo:
- Jeremy.
Ela assentiu, então me guiou até o corredor onde ele estava.
As pessoas me acompanhavam com o olhar e Meredith por nenhum momento ousou me soltar.
Céus, eu deveria parecer louca.
Finalmente Meredith entrou comigo no quarto do Jeremy.
- Vou te deixar sozinha com ele — anunciou, — tudo bem?
Assenti e me sentei na cadeira ao lado da cama dele, sem me importar com o fato de que eu estava ensopada e que iria molhar completamente a almofada da cadeira.
Meredith saiu e fechou a porta devagar, me dando privacidade.
Olhei ao redor daquele quarto branco. Além das fotos que eu havia trazido de casa, não havia mais nada. Era tão...
Vazio.
Olhei para Jeremy, era como se ele estivesse dormindo... Tendo bons sonhos.
- Oi, Jer — falei, minha voz estabilizada, — desculpe não ter vindo te visitar esse mês, eu estava tão ocupada, trabalhando e... Eu sinto muito — aproximei-me mais dele e segurei sua mão. — Sinto muito, mesmo. Eu não podia vir... Toda vez eu... Eu...
Respirei fundo, uma, duas vezes.
Isso não daria certo se eu não conseguisse dizer o que eu queria.
- Eu não aguento mais — anunciei. — Estou desabando, Jer. Não sei se tenho mais forças pra tudo isso... Cansei de fingir que tenho tudo sobcontrole, quando no fundo eu não faço a mínima ideia do que fazer com a minha vida... O que fazer com você...
Uma lágrima desceu pelo meu rosto, e eu não tentei impedi-la.
- Nesses três anos eu tentava vê-lo o mínimo possível — admiti, — pois ver você era como um aviso constante de que eu havia acabado com a minha família... Por três anos, eu achava que tudo isso era culpa minha, que papai e mamãe haviam morrido porque eu havia cismado que queria dirigir naquela noite... E então veio o caminhão e... E eu não conseguia frear o carro.
Levei minha mão livre até meus olhos e afastei algumas lágrimas.
- Sei que nunca falei muito sobre o acidente — continuei, — e não sei se você se lembra, mas... Foi horrível. Mamãe estava sentada ao seu lado, papai ao meu e tentava agarrar o volante enquanto o carro voava a 100 km por hora em direção ao caminhão que estava na faixa ao lado da nossa... Eu fiquei com tanto medo, Jer. Quando o carro atingiu o caminhão, me lembro da cabeça da mamãe atravessando o vidro do seu lado, você desmaiando com o impacto e o papai desesperado tentando nos tirar de dentro do carro. Eu havia me machucado feio, minha cabeça rodava e tinha pontos vermelhos em minha visão, não me lembro de como consegui sair do carro ou como tirei você de lá, mas me lembro de tentar soltar o cinto do papai, ele estava emperrado e quando o carro... — engoli em seco e respirei fundo, minhas lágrimas vindo com força total. — O carro explodiu, Jer. Ele explodiu bem na minha frente e eu não pude fazer nada.
Comecei a tremer violentamente, por causa das lembranças que me invadiam com força total e por causa das roupas que nesse momento secavam em meu corpo.
Segurei-me mais firmemente contra a mão dele e respirei fundo novamente.
- Olha para mim — brinquei, — chorando igual um bebê — passei novamente a mão nos olhos e sorri para meu irmão inconsciente. — Ás vezes eu acho que eu que deveria estar no seu lugar — comentei, — você é tão mais forte que eu, teria conseguido lidar com tudo isso sem nem suar. Tenho muito orgulho de você, irmãozinho.
Aproximei mais meu rosto do seu e acariciei suavemente sua bochecha.
- Sinto tanto a sua falta — lamentei, — você não tem noção de como o mundo é grande lá fora sem uma família, alguém para cuidar de mim ou me... Me levar ao altar — sorri internamente e tirei a mecha de cabelo que estava sobre seus olhos fechados. — Pois é, irmãozinho, vou me casar. No final do mês na verdade, no dia 25 de Setembro... Lembra-se? Foi quando papai e mamãe se conheceram. Eu não poderia escolher uma data mais perfeita, e eu só... — me debrucei sobre ele. — Acorda, Jer — pedi, — por favor... Acorda. Ri da minha cara e diz que vai me levar ao altar... Diz que você tá bem e que esses três anos não passaram de um sonho... — comecei a sacudi-lo — Acorda, irmão, por favor — bati em seu peito e continuei batendo, desesperada. — Acorda e fala que mamãe e papai não morreram... Acorda e leva embora meus medos, meus problemas... Acorda!
Eu dava socos fortes em seu peito e chorava descontroladamente.
- Eu preciso do meu irmão! — gritei durante os socos — Preciso de você, acorda!
Alguém entrou no quarto, não vi quem era, mas senti quando me afastou bruscamente do Jeremy e me segurou com força.
Sacudi-me e tentei me soltar, mas quem estava me segurando era muito mais forte que eu.
- Ele tem que acordar — chorei, — eu não aguento mais...
Quem me segurava acariciou meu cabelo.
- Vai ficar tudo bem, Elena — disse, — se acalme.
Damon.
Tentei me soltar novamente.
- Nada vai ficar bem! — gritei, chutando e me sacudindo — Eu quero que ele acorde!
Meredith apareceu do nada e ficou me olhando cheia de pena.
- Tire ela daqui — pediu a Damon, — e tente acalmá-la.
Ele assentiu e tentou me arrastar, o que não era uma tarefa fácil comigo chutando e berrando.
Damon me atravessou pelo corredor até a saída que havia atrás do hospital. Eu xingava as pessoas que paravam para me olhar e batia em Damon com toda a força que eu tinha, mas em nenhum momento ele me soltou.
- Me larga! — gritei.
Ele apenas me ignorou e continuou andando até o final do estacionamento do hospital.
Quando chegamos ao meio da rua deserta, chuva voltou a cair em nossas cabeças e ele me colocou no chão, segurando-me apenas pelo braço.
- Me larga! — gritei novamente.
Novamente ele me ignorou.
- Pare de gritar — ele pediu calmamente.
- Eu quero voltar para lá! — berrei, igual a uma criança chorona.
Damon se aproximou de mim e nivelou seu aperto em meu braço, evitando ao máximo me machucar.
- Elena... — ele repreendeu.
- Eu odeio você! — gritei na sua cara — Odeio a Meredith! Odeio o Jeremy! ODEIO TODO MUNDO! — meu grito fez eco na escuridão e no próximo segundo eu estava desabando, caindo sobre o chão molhado, Damon não previu isso e acabou me soltando enquanto eu me encolhia naquele chão sujo e úmido. — Eu me odeio — sussurrei.
Ele se ajoelhou ao meu lado e me abraçou, um abraço simples, mas que me dizia que ele sempre estaria aqui por mim.
- É ruim eu querer meu irmão de volta? — perguntei contra seu ombro.
- Não, Elena — Damon disse, — é perfeitamente compreensível, mas você não pode ter controle de tudo.
Eu ri sem humor.
- Eu não tenho controle de nada — garanti, — na verdade, minha vida é uma completa bagunça.
- Bem, é como dizem... Se não melhorar, piora.
Dessa vez me permiti dar uma risada de verdade. Enxuguei minhas lágrimas e senti cada gota de chuva que caia sobre meu rosto.
Afastei-me um pouco do Damon e olhei em seus olhos azuis.
- Porque todos que eu amo, ou me deixam ou são tirados de mim?
E nessa pergunta estava toda a dor, tristeza e dúvida que eu não havia conseguido expressar a vida inteira.
Notas finais
Me mandem reviews dando palpites, ideias e me digam se a história erá melhorando ou piorando...
E se você leu isso tudo aqui... Amo você, sério.
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